A última obra-prima de Ayrton Senna

Pingou na net: “Ex-engenheiro de Senna, Schumacher e Alonso elege o mais rápido entre os três”. Prato cheio para cliques e pageviews. Melhor ainda: Pat Symonds afirma que dentre eles o mais rápido foi Schumacher, e Senna estaria atrás também de Alonso.

É a perfeição para a polêmica, para as provocações aos leitores e o início de guerras nos comentários. O que discordam, relembrando das fases obscuras de Symonds com o espanhol e o alemão. Aqueles que concordam, se apegando ao trecho da entrevista como o mais fanático fiel de alguma Igreja da TV faz com versículos isolados da Bíblia.

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Keynes x Hayek

Acelerando a preparação para o Carnaval 2017, conclui a leitura de Keynes x Hayek.

Ainda que não possa ser elogiado pela fluidez do texto, o livro, escrito pelo jornalista Nicholas Wapshott, inegavelmente lacra, evoluindo com exuberância de detalhes sobre a disputa capital da economia a partir de 1920 e que segue indefinida neste trepidante século que sofremos no momento.

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Doohan, um australiano durão

O esporte é cheio de histórias comoventes de reviravoltas. E diante do esporte a motor e seu alto risco não faltam episódios de pilotos desafiando a lógica e a física para retornarem ainda mais fortes após encararem a morte de perto.

O drama pelo qual Niki Lauda passou em Nürburgring 1976 rendeu livros, comoveu o mundo e recentemente colocou a F1 em Hollywood com o belo filme Rush. Ainda na F1, temos a história de Jean-Pierre Beltoise, que após ter seu cotovelo direito destruído em um acidente, no qual não poderia mais movê-lo normalmente, mostrou aos médicos como queria que seu braço ficasse para poder voltar a correr.

No motociclismo, há a comovente história de Ricardo Tormo e de como ele enfrentou várias adversidades para colocar seu nome na história das categorias menores do Mundial de Motovelocidade. O valente espanhol ainda ganharia uma homenagem póstuma ao ter o autódromo de Valência rebatizado em sua memória.

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O melhor ataque é a defesa – final

Na primeira parte desta coluna, dediquei o texto para identificar quais elementos fizeram de Ayrton Senna um dos mais encardidos e irritantes defensores de posição da história do automobilismo.

Identifiquei quatro elementos, que foram aprimorados temporada após temporada: a (1) obsessão pelo melhor posicionamento de largada, a (2) rejeição quase patológica em ser superado, o (3) alto preparo mental para lidar com a pressão dos perseguidores, e (4) uma habilidade acima da média para reconhecer limites de aderência do carro e dos limites físicos da pista.

Como acabei de mencionar, essa habilidade de defender-se dos rivais foi algo aprimorado com o tempo. O primeiro a reclamar das condutas de Senna como caça foi… Alain Prost. (Já sei, vocês estão super surpresos, né?)

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Conversa no céu

Enzo: Alfred, vejo que a tal da Liberty Media criou uma empresa só para cuidar da Formula 1.

Alfred: Como a maioria dos grandes grupos americanos, o foco vai ser sempre o mesmo: retorno para os acionistas.

Enzo: Muito dinheiro, foco em resultados, mesmo no longo termo. Vão fazer de tudo para dar o maior profit possível para os acionistas. Ainda mais agora que o líder da nação é um bilionário, ele no mínimo deve inspirar certa parcela do empresariado.

Alfred: Imagino que foi por razões como essa que você deixou de fechar negócio com a Ford, não? Na época todo mundo ficou do teu lado. Era o combatente solitário que não se rendia `a força bruta…

Enzo sorri, um sorriso misterioso, e continua: Mas olhe, a Liberty tem mais braços que um polvo e todos são longos, investem em Israel, Brasil, por exemplo, com foco em tecnologia.

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Ansiedade Histórica

Foram meses de férias para os fãs da F1. Muito suspense na expectativa dos novos carros. Mas diferente dos demais anos, tivemos uma temporada de grande notícias nos bastidores.

O jornalismo da F1 não ficou parado. Seu campeão anunciou aposentadoria, grande movimentação no mercado de pilotos, trocas de comando técnico e até (infelizmente) uma equipe abandonando um campeonato.

Não houve descanso no noticiário e a ansiedade vai crescendo. Como serão os novos carros? Como será o equilíbrio entre as novas duplas de pilotos?

A espera está acabando, em mais 7 dias começaremos a ter as primeiras respostas da história que será escrita em 2017.

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Um ano de grandes expectativas!

Olá amigos!

O ano de 2017 mal começou no automobilismo mundial e já temos diversas novidades e notícias surpreendentes no mundo da NASCAR. Em apenas um mês tivemos a apresentação do novo patrocinador principal da categoria, a aposentadoria de um piloto, um ex-campeão voltando a vencer e novas regras sendo anunciadas, só pra citar as principais.

Na tentativa de trazer uma nova imagem para a categoria e atrair um público mais jovem, a NASCAR anunciou a chegada da empresa de bebidas energéticas Monster Energy, que irá dar nome à categoria principal. O anúncio empolgou muita gente, incluindo os pilotos, que esperam uma nova dose de energia e rejuvenescimento da base de fãs. O novo nome é comprido, mas com certeza também bastante atrativo para a juventude: Monster Energy NASCAR Cup Series. Legal, não?

A Monster Energy já patrocinava alguns carros da categoria principal e também da categoria de acesso, porém, aumentou seu investimento entrando de cabeça na categoria como patrocinador principal, no que parece uma disputa “à distância” com a Redbull, empresa de energéticos com apelo bastante esportivo. Essa disputa deve ser bastante benéfica para os fãs de automobilismo no geral, vamos aguardar os resultados.
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O melhor ataque é a defesa – Parte 1

Alô amigos! Feliz ano novo, ou melhor, feliz temporada nova!

Nem bem começo mais um ano escrevendo para o GPTo e meu brother o Marcel Pilatti já entrega a temática da minha coluna num spoiler daqueles dignos de revelar qual personagem vai morrer no capítulo seguinte da sua série favorita.

Mas OK, eu tava merecendo. Foi um justo payback por deixá-lo de castigo para escrever no ano passado a coluna sobre o bisonho GP da “Europa” no Azerbaijão, enquanto escrevi sobre a épica derrota da Toyota em Le Mans – eventos que caíram num mesmo fim de semana.

Brincadeiras à parte, sim, como adiantou o Marcel, pretendo nessa coluna, dividida em duas partes, falar sobre Ayrton Senna e sua habilidade na defesa de posição. Isso porque não tenho muitas dúvidas de que Ayrton, por seu perfil, tinha que se preocupar muito mais em defender-se do que atacar.

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Como amplamente debatido, Ayrton era o que de mais categórico existia de piloto de perfil descendente – termo proposto pelo meu irmão Márcio Madeira e que tem como outros exemplos clássicos os monstruosos Juan Manuel Fangio, Jim Clark, e, mais recentemente, Sebastian Vettel em seus tempos demolidores de Red Bull.

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Renovação e Ousadia

O campeonato de 2016 da Fórmula 1 terminou em Abu Dhabi, numa corrida que, convenhamos, foi até morna: Nico Rosberg, com uma estratégia previsível, sagrou-se campeão. Até aí nada de mais, afinal, quem faria diferente dele ou de Hamilton naquelas circunstâncias? Difícil responder.

E então começa, para nós fãs, o calvário da intertemporada, que é o de esperar praticamente quatro meses até a corrida de abertura da temporada seguinte. Normalmente essa entressafra de temporadas é recheada com notícias, mas a maioria só tem o intuito manter a audiência acesa enquanto aguardamos a corrida de abertura. Já faz um tempo que nem me impressiono, pois sei que muita bobagem é dita nesse meio tempo apenas em busca de audiência, e acabo lendo pouco, entrando em ritmo de férias.

A intertemporada atual, no entanto, acabou saindo desse script.

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Norte magnético

Felipe Massa retorna de sua aposentadoria que, na prática, nunca aconteceu.

Quem não sabe para onde está indo, não consegue nem ao menos se perder.
Ok, a filosofia é barata, mas nem por isso inválida. De fato, por definição, só pode alcançar um objetivo quem tem um; qualquer forma de conquista sem o devido esforço direcionado será meramente fortuita. Colocando noutros termos, viajar sem saber para onde ir é tão somente ser errante, ao delegar a própria sorte ao sabor das marés ou dos ventos. Legal para uma aventura, mas inadmissível para um grande empreendimento como a Fórmula 1, por exemplo.

E é justamente a respeito deste norte – ou de qual ele deveria ser – que pretendo falar em minha primeira coluna de 2017, num momento compreendido como o fim de uma era, marcado por incertezas e infinitas possibilidades de direcionamento, no qual devem ser tomadas decisões críticas para o destino do pináculo no esporte a motor nos próximos anos.

E aí, qual é a Fórmula 1 que queremos?

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