2002

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2002 está aí: conseguirá a Williams-BMW bater a dupla Schumacher&Brawn?

Sim, meu amigo. O campeonato de 2002 promete briga de cachorro grande. De um lado Ross Brawn e Schumacher, por caso a bordo de um Ferrari. Do outro, Patrick Head e Mario Theissen, projetistas dos Williams e dos motores BMW, respectivamente.

Monza mostrou o que imagino vá ser a temporada 2002. A Williams com um carro mais veloz, a Ferrari com um carro competitivo e um certo Michael Schumacher descontando a diferença no braço, empurrado pelas estratégias quase sempre brilhantes boladas por Ross Brawn.

Em Monza, se Schumacher estivesse minimamente inspirado, bateria Montoya, creio que até com alguma folga. Logo, a Williams-BMW para ganhar de um Schumy inspirado precisa fazer um carro ainda melhor, mais rápido e confiável. Quase conseguiram isso este ano. Não vejo porque não conseguirão no próximo.

Piloto não é problema para a Williams que, aliás, os tem de sobra para ganhar corridas e campeonato ainda que Montoya e Ralf não sejam capazes de descontar sozinhos a eventual fragilidade do carro, problemas de acerto, azares etc. – daí a importância de um projeto vencedor de Head e Theissen.

Creio que, no momento, Montoya é mais forte do que Ralf, ainda inibido pela presença solar do irmão, capaz de humilha-lo com aquela ultrapassagem em Monza, de que falei na carta do dia 16. A luta de Ralf contra o irmão mais velho e Montoya será uma das belas coisas da próxima temporada.

Quanto a Ferrari, não é preciso fazer um carro melhor do que o das demais equipes. Basta que seja confiável; o talento cintilante de Schumacher e a inteligência e brilho estratégico de Brawn fazem o resto. Claro que é importante ter o cavalinho do lado, mas a dupla Schumacher&Brawn é tão boa que seria capaz de ganhar em provavelmente qualquer outra equipe da Fórmula 1. Lembra-se do Gehard Berger quando pilotou o Benetton de Schumacher, campeão de 95, e descobriu que o carro era uma verdadeira cadeira elétrica?

O que eu sei, meu amigo Panda, é que vai ser bom de se ver …

***

Não estou jogando no lixo as chances da McLaren-Mercedes mas para fazer com que este miserável azarado David Coulthard ganhe alguma coisa, o carro terá de ser muito bom. Quanto ao jovem Kimi Raikkonen, não é possível fazer qualquer previsão séria por enquanto. Que ele deve andar bem, não tenho dúvida; quão bem é outro papo.

Note também que estamos falando de uma Fórmula 1 frequentada por Ford, Renault, Honda e Toyota. Não é fácil que uma delas estoure em 2002 mas também não é impossível. Em qualquer caso, vale a máxima da Williams: vai ter de ser um carro de outro planeta para que um piloto comum possa bater você sabe quem.

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Onde fica Rubinho nisso tudo? Me parece que com um papel bem modesto, uma vez que ele não consegue corresponder adequadamente às estratégias de Brawn. Já não tenho tanto receio de que ele fique de fora da Ferrari de 2002, como disse na carta de 23 de agosto, mas deve ser uma ano de muita pressão para o jovens Rubens, provavelmente em seu último ano numa equipe competitiva.

Boa semana para você

Edu

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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