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Hegemonias II 22.08.08


(Leia a 1a parte desta coluna)

A metade dos anos 80 é marcada pelo início da hegemonia dupla McLaren-Williams, espelhando a fria competência do mercado globalizado e a Fórmula 1 endinheirada e turbinada pelo vôo sem limite dos engenheiros.



Senna à frente de Mansell e Patrese na temporada 91
Elas se beneficiaram, num movimento que já tinha uns quatro anos, de megapatrocínios (Marlboro na McLaren e várias empresas da Arábia Saudita na Williams), engenheiros inspirados (John Barnard e Patrick Head, respectivamente) e patrões determinados, com larga experiência no automobilismo, que entenderam a importância da tecnologia (Dennis investiu antes de todos nos chassis inteiramente em fibra de carbono), da organização minuciosa e das boas relações com os poderes constituídos e com as empresas patrocinadoras, maior fonte de recursos para as equipes. Por trás deste movimento estava Bernie Ecclestone, organizando a categoria e elevando os patamares de interesse, audiência e dinheiro arrancado de organizadores e patrocinadores de GPs, redes de TV e de outras fontes menores. Esta montanha de dinheiro, que não parou nunca de crescer, rumou para os cofres do próprio Bernie e para os das equipes, realimentando o processo de investimentos em tecnologia e organização.

Coincidência ou não, McLaren e Williams têm, se posso usar o termo, uma ligação carnal, dada a amizade que liga Ron Dennis a Frank Williams, uma amizade que levou as equipes a correrem “salvando” declaradamente uma a outra na decisão do campeonato de 97, a ponto de Jacques Villeneuve, da Williams, ceder a vitória em Jerez a Mika Hakkinen, da McLaren, algo até onde lembro inédito na história da categoria. Não sei se por causa da amizade, a McLaren acabou “herdando” vários patrocinadores da Williams. Um deles, a Tag, tornou-se acionista majoritário da McLaren até recentemente.

O fato é que, juntas, as duas equipes dominaram totalmente a categoria até o advento da hegemonia Ferrari-Schumacher. Foram 16 anos a partir de 1984 com catorze títulos mundiais de construtores para a Williams e McLaren, sete para cada uma delas, o de 95 sobrando para a Benetton e o de 99 para a Ferrari. No Mundial de Pilotos, nove para a McLaren, cinco para a Williams, sobrando os dois primeiros títulos de Schumacher, 94 e 95.

Falei em 16 anos de hegemonia férrea mas, no gráfico, deixei alguns espaços em branco pois preferi não apontar hegemonias divididas diretamente entre Williams e McLaren ou com a Benetton e a Ferrari. Também não levei em conta os anos Mika Hakkinen na McLaren. Apesar ter vencido com brilho os Mundiais de 98 e 99, o finlandês não chegou a exercer uma sólida hegemonia sobre a oposição, tendo vencido os dois campeonatos com pouca vantagem sobre os concorrentes.





Pelos mesmos motivos, resumi a hegemonia Ferrari-Schumacher a três anos e não a cinco. Os títulos de 2000 e 2003 foram vencidos com escassa margem sobre Hakkinen e Kimi Raikonnen mas, pelo menos, Schumacher não precisou abalroar ninguém para vence-los.



E depois veio o dilúvio.

A hegemonia Schumacher-Ferrari sofreu duro golpe de Fernando Alonso e da Renault, equipe com poucas tradições de vitória, ainda que tenha se apoiado na base deixada pela Benetton. Schumacher lutou duramente para estender a sua hegemonia mas terminou batido pelo espanhol, que veio a se tornar o mais jovem campeão e bicampeão da história da Fórmula 1. Dado o embate apertado entre eles em 2005 e 2006, não apontei Alonso como hegemônico entre os pilotos; ele foi apenas o melhor das temporadas.

Schumacher no Japão 2002
Da mesma forma, não houve equipe, carro e motor que se destacasse no período. O vácuo deixado pelo fim da hegemonia Ferrari-Schumacher - uma hegemonia definida pela virtual ausência de erros de pilotagem, estratégia e preparação dos carros – marca a Fórmula 1 dos últimos dois anos. É possível que a relativa – vejam bem: relativa - fraqueza da dupla de pilotos da Ferrari mais os seguidos erros de estratégia e preparação dos carros abra espaço para uma hegemonia Lewis Hamilton-McLaren-Mercedes nas próximas temporadas mas só o tempo dirá.

É preciso levar em conta Alonso e Robert Kubica nesta equação e Felipe Massa tem condições reais de crescer mais como piloto, limando as próprias fraquezas e capitalizando a simpatia que parece gozar na Ferrari. Talvez a BMW consiga inserir-se na briga por títulos, o mesmo acontecendo com Toyota, Honda e Williams. Frank e Patrick Head já desceram ao inferno e voltaram tantas vezes que nunca se pode dizer.





Meu lamento pela hegemonia perdida (ver minha coluna de 30/7/2008) expressa banzo, não nego, de poder admirar nas pistas um gênio, um artista, um fora-de-série. Hoje, temos vários pilotos jovens e promissores que estão lutando para chegar lá. Não é que eu não goste de ver esta escalada e não soube relatar isso de forma competente na coluna. Apenas gosto mais de ver o campeão instalado e, a partir daí, a sua luta para se manter no cume.

Há explicações de natureza antropológica e sociológica para tanto, que se perdem na história humana, remetendo a lendas gregas e romanas, sobre as quais tenho apenas conhecimentos superficiais: queremos um campeão absoluto apenas para depois torcer pela sua derrota (uma piscadinha de olho pra quem já leu O Ramo de Ouro, de James Frazer).

Schumacher caiu, batido por Alonso. Alonso tinha tudo para se tornar hegemônico mas abdicou da posição ao abandonar a McLaren, disseminando o caos pela categoria. O que vemos agora é uma luta frenética pelo Ramo de Ouro. Quem o tomará nas mãos?

Bom final de semana

Eduardo Correa
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