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Mauro 17.05.11
Que Adrian Newey que nada. Bom mesmo é Mauro Forghieri, engenheiro e chefe de equipe da Ferrari entre 1962 e 1987. Neste período, ele venceu, só na Fórmula 1, entre Mundiais de Pilotos e Construtores, onze títulos. Mais que ele, só Ross Brawn e próprio Newey com a diferença que os dois ingleses encabeçaram equipes com centenas de engenheiros e se ocuparam exclusivamente de chassi e aerodinâmica enquanto Mauro liderava uma equipe de uns cinco ou dez engenheiros que eram responsáveis pelo projeto integral dos carros, inclusive motores e câmbios e não só na F1 mas também nas categorias Sport-Protótipos (que, até 1973, era tão importante para a Ferrari quanto a Fórmula 1), Fórmula 2, Can-Am e GT.

Mauro não era um inovador radical como o foi em seu tempo Colin Chapman mas foi ele quem trouxe para a Fórmula 1 a injeção direta de combustível, o aerofólio móvel (em 1968!) e o câmbio transversal. Ele nasceu em 1935 e passou a trabalhar na Ferrari tão logo se formou. Lá, trabalhou durante algum tempo com a velha guarda da engenharia da casa que, em 1962, se demitiu em bloco para migrar para a equipe ATS (que naufragou ruidosamente logo depois...). Enzo Ferrari, num gesto que lhe era típico, nomeou Mauro chefe da engenharia da equipe, com responsabilidades que se estendiam também às pistas e isso valia não só para os GPs como também para o Mundial de Marcas, disputado em provas de 1000 km, 6, 12 ou 24 horas.

Imagino que, por 25 anos, Mauro trabalhou sete dias por semana, doze ou mais horas por dia. A quantidade de carros inesquecíveis - seja pela beleza, seja pelo desempenho, seja por ambos - que nasceram do trabalho de Mauro é quase incontável. Seu brilho e capacidade de trabalho não têm equivalente na história do automobilismo. Nos próximos dias, ele merecerá uma exposição das suas obras em Modena, na Itália, onde vive hoje.

A seguir, como singela homenagem a ele, alinho alguns dos seus carros mais belos e vencedores.





FERRARI 312

Estes foram os primeiros Ferrari de Fórmula 1 a serem equipados com o motor boxer de doze cilindros de três litros, que rendeu à equipe, na Fórmula 1 e no Mundial de Marcas, algumas das suas vitórias mais empolgantes. Este motor venceu corridas até o final dos anos 70 e só foi abandonado quando do advento dos motores turbo.

Notem a elegância dos chassis. Apesar da beleza e inovação radical na arquitetura do motor, a equipe não acumulou vitórias expressivas até o começo dos anos 70, principal por conta de seguidas crises financeiras e pela concentração de esforços na luta contra a Ford no Mundial de Marcas, uma das páginas épicas do automobilismo de todos os tempos.

John Surtees com Ferrari 312 em Mônaco 66 - Clique para ampliar
 
O Ferrari 312 usado em 68 - Clique para ampliar
 




FERRARI 312 B

Ainda mais belo que seu antecessor, com os escapamentos agora na parte inferior do motor. Com este modelo, as vitórias na Fórmula 1 voltaram mas ainda insuficientes para derrotar os garagistas inglesas, como o chamava Enzo.

Este carro ainda tinha chassi tubular, tecnologia já superada pelos monocoques e este era o seu principal problemas. Esta técnica construtiva só dobraria a teimosia de Enzo em 74, abrindo um período de vitórias extraordinárias para a equipe, tendo Niki Lauda como piloto principal e Luca de Montezemolo como chefe de equipe.

O Ferrari 312 B usado em 70 - Clique para ampliar
 




FERRARI 312 T

Ao motor boxer e ao chassi monocoque, junta-se o câmbio transversal e um refinamento aerodinâmico inédito na categoria, sendo inteiramente carenado, coisa que não se via na categoria desde os anos 50.

Nunca achei este carro especialmente belo mas ele e seus descendente são um dos pontos altos da Fórmula 1 em todos os tempos. Marca também uma mudança importante na equipe a partir desta fase: ela se concentra na Fórmula 1. Mauro talvez tenha conseguido passar um ou outro final de semana em casa.

Niki Lauda com o Ferrari 312T em Mônaco 75 - Clique para ampliar
 




FERRARI 312T4

Tudo o que foi dito acima mais o efeito solo, uma grande desafio de engenharia pois o motor boxer, mais largo que os motores em V, não fora concebido para conviver com os canais laterais que geravam o efeito.

Um Fórmula 1 único pela sua configuração e resultados, com soluções geniais que nunca foram reproduzidas pelos adversários.

Jody Scheckter com o Ferrari 312T4 na Bélgica 79 - Clique para ampliar
 




E chegam os motores turbo e Mauro tem de rever todos os seus conceitos.

Ele foi o primeiro engenheiro a montar uma equação vencedora, deixando para trás a Renault, que havia detonado a opção pelos motores turbo, em 77. Os carros deste período são tão brutais em potência quanto belos.

Patrick Tambay com o Ferrari 126C2 na Holanda 82 - Clique para ampliar
 




FERRARI P

Uma família com quatro ou cinco gerações de alguns dos mais belos e vencedores sport-protótipos jamais construídos.

Usando motores de diferentes arquiteturas e capacidades cúbicas, estes carros foram o centro da categoria que tinha em Le Mans o seu ponto mais alto tendo como maior adversário os Ford GT40.

O Ferrari 330P, de Surtees e Bandini, em Le Mans 64 - Clique para ampliar
 
O Ferrari 330P3, de Surtees e Parkes, em Monza 66 - Clique para ampliar
 




FERRARI 512

O monstro da equipe, com motor de cinco litros, que teve a ingrata missão de combater os Porsche 917. Perdeu para os alemães na maioria dos confrontos. Ficou a beleza do carro e algumas vitórias.

Nino Vacarella com Ferrari 512S em Nurburgring 70 - Clique para ampliar
 




FERRARI 312 PB

O último sport-protótipo da Ferrari, equipado com o motor boxer, o mesmo usado na Fórmula 1. Um carro belíssimo e extraordinariamente vencedor entre 72 e 73, ainda que lhe falte a vitória nas 24 Horas de Le Mans.

O Ferrari 312 PB, de Schenken e Peterson, em Spa 72 - Clique para ampliar
 
Abraços

Eduardo Correa
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