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O sonho francês 25.07.08
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Em 1996, a Ligier se preparava para desaparecer do mapa da Fórmula 1, deixando a França, o país com o maior número de pilotos da categoria, sem uma equipe. Eis que o tetracampeão Alain Prost aparece e resgata a equipe, renomeando-a como Prost Grand Prix.

Nakano com o Prost de 97
Prost mantém os motores japoneses Mugen Honda mas vai buscar os pneus Bridgestone. O uso dos bons componentes japoneses tem seu preço: a vinda do piloto Shinji Nakano. O outro piloto permanece sendo o francês Olivier Panis, autor da heróica vitória no Grande Prêmio de Mônaco do ano anterior com a Ligier.

O Primeiro Grande Prêmio na Austrália foi excelente. Beneficiados pelo abandono de mais da metade dos competidores, Panis termina em 5ª e Shinji Nakano fica em 7º. A equipe foi a única a terminar com os dois carros naquela corrida.

No segundo GP, Panis conquista o 3º lugar com uma corrida fantástica: o primeiro pódio da história da equipe logo em sua segunda corrida! Na corrida seguinte, na Argentina, o espetáculo parecia continuar com Panis na 2º colocação - mas seu motor estoura na volta 18. Nakano também abandona.

Depois de uma corrida difícil em Imola, Panis volta a pontuar com o 4º lugar no GP de Mônaco. No entanto é na Espanha que a estrela da Prost brilha; Panis larga em 12º e depois de muitas ultrapassagens e uma excelente estratégia de paradas, ganha de Jean Alesi, David Coulthard e até de Michael Schumacher, terminando numa brilhante 2ª colocação.

Logo depois, no Grande Prêmio do Canadá, Panis estava com uma corrida complicada, mas devido a série de abandonos, tanto ele como Nakano se aproximavam dos pontos. Até que na volta 51 o francês toca o muro, depois se choca com a barreira de pneus, resultado na fratura das duas pernas do piloto. Mas Nakano volta a pontuar com o 6º lugar.



Com a perda de seu principal piloto - Panis era o 3º colocado no Campeonato de Pilotos -, Alain Prost toma um grande golpe logo em sua primeira temporada como manager. Para o lugar de Olivier, aposta no italiano Jarno Trulli, que vinha fazendo corridas interessantes pela Minardi. Assim que estréia, Trulli consegue a 6ª posição no grid do Grande Prêmio da França, mas não pontua, o que se repete no Grande Prêmio da Inglaterra.

Depois de dois GPs complicados para a Prost, Trulli voltava a largar bem, na 7ª colocação, enquanto Nakano saia em 17º. E após seu compatriota Giancarlo Fisichella, que vinha em 2º, duelar com Gerhard Berger, o italiano consegue ficar com a 4ª posição, pontuado pela primeira vez na sua carreira. Nakano, também por abandonos, herda o 7º lugar. Na etapa seguinte, em uma atuação atípica na Hungria o japonês vai bem e conquista um ponto em 6ª, com Trulli em 7º.

Após duas etapas difíceis em Spa-Francorchamps e Monza, o Grande Prêmio da Áustria reservaria grandes emoções para a Prost. Trulli largando na 3ª colocação, assume a liderança logo na primeira volta, onde permaneceria por 37 voltas; após as paradas ele é ultrapassado por Jacques Villeneuve, o campeão daquela temporada. O italiano consegue se manter em segundo até a volta 58 quando seu motor explode e o deixa na mão, o que também tinha acabado de acontecer com seu companheiro Nakano

Panis com o Prost de 98
A volta de Panis acontece no Grande Prêmio de Luxemburgo. A descoberta do talentoso Jarno Trulli poderia render uma dupla excelente para as três últimas etapas. No entanto, a pressão da Mugen Honda é mais forte, fazendo com que Nakano permaneça. Panis logo em sua volta alcança o sexto lugar.

O saldo final da primeira temporada da Prost foi bom, com a 6ª colocação e grande performances de Panis e Trulli, mas poderia ter sido muito melhor, obviamente caso Olivier Panis não tivesse se acidentado, e se o segundo piloto não fosse o japonês Shinji Nakano, que tirou a vaga do novato Jarno Trulli nas últimas etapas. Esse episódio faria Prost mudar seus motores para a temporada seguinte.





Para 1998, quem dá força a Prost é a também francesa Peugeot, resultando em uma legítima equipe do país, além de contar com uma boa dupla de pilotos, Panis e Trulli. No entanto toda essa empolgação não seria justificada ao longo ano.

No primeiro GP da temporada, na Austrália, Trulli abandona e Panis, nas últimas colocações, vai herdando posições de quem sai. Em Interlagos, nenhum carro termina assim como nas provas seguintes.

No Grande Prêmio da Alemanha, a Prost consegue pela primeira e única, vez completar uma prova com os dois carros, um em 12º e outro em 13º. Depois de outra performance fraca no Grande Prêmio da Hungria, o GP da Bélgica guardava o único ponto da equipe no campeonato. Logo na largada 7 carros, entre eles Panis, se chocam e saem. Juntando com os abandonos freqüentes de Spa, apenas 8 pilotos terminam a prova. Trulli consegue sobreviver e chega em 6º lugar.







Prost mantém Trulli e Panis e os mesmos motores e parte para 1999 com o objetivo de apagar a temporada de 98.

Mas o primeiro GP, na Austrália, não ajudou. Panis perdeu a roda e Trulli se chocou com o Marc Gené. Tudo indicava que o pesadelo se repetiria. Em Interlagos, Panis vinha bem lutando pelos pontos, na 7ª colocação, até fazer sua primeira parada. Uma série de abandonos, inclusive de Trulli, faz com que Panis retorne ao 6º lugar e marque o primeiro ponto da Prost na temporada. Logo depois, em Ímola, Trulli colide com Jacques Villeneuve na primeira volta e Panis abandona: mais uma corrida sem completar.

Na Espanha, Trulli assume a 6ª posição, onde fica até o fim da corrida, marcando o segundo ponto da equipe. Panis segue abandonando. Após uma etapa do Canadá, sem nada demais, na França, apesar de não ter rendido nenhum ponto, foi muito bom, pois além de fazerem uma grande corrida, lutando para pontuar, pela primeira vez na temporada os dois carros terminavam a prova, o que se repetiu na Inglaterra e na Áustria.

Em Hockenheim o grid era animador: 7º para Panis e 9º para Trulli, no entanto os dois perdem suas colocações logo no começo, Trulli perde o motor, e Panis, agora sozinho, luta para chegar aos pontos, e consegue: sexto lugar e mais um ponto para a Prost, que a essa altura tem apenas 3.

No Grande Prêmio da Europa, em Nürburgring, Panis larga em 6º e Trulli em 10º. A corrida já começa com uma largada queimada, e logo depois um acidente espetacular de Pedro Paulo Diniz, da Sauber, que voa sobre Alexander Wurz, da Benetton. Após 6 voltas com Safety Car, Eddie Irvine ultrapassa Panis e Trulli cai para 11º. Irvine, Mika Salo, Mika Hakkinen e Panis enfrentam problemas em suas paradas; assim na 22ª volta, Trulli já é 6º colocado. O líder, Heinz-Harald Frentzen, abandona, assim como David Coulthard, que assumira o 1º posto, que vai parar com Ralf Schumacher. Enquanto isso, Trulli ultrapassa Rubens Barrichello e já está na 4ª colocação. Giancarlo Fisichella toma a liderança de Ralf mas tem um acidente logo depois - nisso tudo, Trulli é o 3º. Quem ganha com isso tudo é Johnny Herbert - aproveitando-se do erro de Ralf na volta 49. Trulli se aproveita também e assume o 2º lugar, onde permanece na até o fim, conquistando o terceiro e último pódio da Prost Grand Prix.

1999 chega ao fim, um ano muito melhor para a Prost que o pesadelo de 1998, os 9 pontos ainda foram poucos, mas a confiabilidade do carro melhorou, tudo indicava que ano anterior tinha sido uma maré de azar, mas que em, 2000 a Prost voltaria ao bom desempenho.





Trulli com o Prost de 99
Panis deixa a Fórmula 1 em 2000 (mas voltaria em 2001, com BAR), e Jarno Trulli vai para a emergente Jordan. A nova dupla de pilotos de Alain Prost é composta por Nick Heidfeld, campeão da F3000 e do incansável Jean Alesi, ex parceiro de Prost na Ferrari em 1991. Uma promessa e um experiente, parecia que a temporada de afirmação da Prost ocorreria de forma tranqüila.

Na Austrália, Alesi quebra e Heidfeld é 9º. Depois, o pesadelo de 1998 volta a pairar: os dois carros quebram. Na Inglaterra, apresentação pífia de Alesi, que, pelo menos, termina em 10º. Na Espanha Alesi bate no começo e Heidfeld ocupa durante a prova toda as últimas colocações. Para o Grande Prêmio da Europa, em Nürburgring, Heidfeld tem problemas com o peso e não larga. Alesi ensaia uma boa corrida, ocupando por duas voltas a 6ª colocação e termina em 9º. Em Monte Carlo, Nick é 8º e Alesi quebra.

No Canadá, quebra de ambos os carros novamente. Na França, a 12ª e 13ª colocações são comemoradas pois foi o único GP com os dois pilotos terminando. Áustria, Alemanha, Hungria e Bélgica, quatro GPs seguidos e nenhum carro completa (o que se repetiria ainda no Grande Prêmio do Japão), destacando-se o GP da Áustria onde os dois carros da mesma equipe colidiram na volta 41.

Saldo da temporada: 23 abandonos (e uma não-largada), nenhum ponto (empatada com a Minardi) e melhor colocação: 8º lugar de Nick Heidfeld em Mônaco. Foram usados no total 53 motores da Peugeot durante uma temporada de 17 Grandes Prêmios. Após o GP da França, os mecânicos da Prost ensaiaram uma greve em represália a baixíssima qualidade e confiabilidade dos motores franceses. No final da temporada, a Peugeot deixa a categoria para sempre, vendendo a sua divisão de motores de Formula 1 para a japonesa Asiatech, que utilizou o horrível motor da temporada de 2000 em 2001, ajudando a falir a Arrows.

A temporada de 2000 não seria esquecida, pelo menos não para os patrocinadores, o que nunca antes havia faltado para Prost. Sem dinheiro, a equipe não realiza grandes testes de pré-temporada, fadando a equipe ao fracasso já que ela mudou seus principais componentes: novos pneus da Michelin e novos motores denominados Acer(na verdade motores Ferrari renomeados).





Com a Peugeot fora, o primeiro desafio de Alain Prost seria conseguir novos motores. Após a recusa da Mercedes Benz e da Supertec (divisão da Renault) sobrou apenas a Ferrari, que forneceu os motores da temporada passada e que foram renomeados de Acer, uma empresa de computadores. Sem dinheiro e sem a realização dos testes, o motor - já ultrapassado - não foi melhorado.

Alesi fica mas para o lugar de Nick Heidfeld - agora na Sauber - vem o argentino Gastón Mazzacane em troca do patrocínio da emissora de televisão PSN. Nos primeiros GPs, Alesi se esforça, chegando a lutar pelos pontos em algumas voltas. Enquanto isso o argentino consegue as seguintes posições no Grid: 20º, 19º, 21º e 20º novamente. Após o quarto GP da temporada, em Ímola, ele é demitido após ter terminado apenas uma prova onde ficou em último. Para o bem da categoria, Mazzacane não volta para a F-1.

Para seu lugar, ainda com os interesses da PSN, vem Luciano Burti, que corria a temporada pela igualmente em crise Jaguar. Com Alesi e Burti, a Prost consegue pontuar com um 6º lugar em Mônaco, uma corrida excelente de Alesi, e um sofrido, mas brilhante, 5º lugar do francês no Canadá. Na maioria das etapas os carros terminam as provas, até o Grande Prêmio da Alemanha, onde em outra corrida brilhante de Jean Alesi o piloto marca mais um ponto, o último da história da Prost, e decide que deixará a equipe depois de atritos com o chefe Alain Prost.

O tetracampeão faz um acordo com Eddie Jordan, que também se envolve em atritos com seu piloto, o alemão Heinz-Harald Frentzen: o germânico vai para a Prost, e Alesi se muda para a Jordan. O alemão pouco consegue fazer com o péssimo carro da equipe francesa, após a saída de Burti com o acidente na Bélgica, o tcheco Tomas Enge, vindo da Fórmula 3000, disputa 3 corridas na categoria.

As últimas corridas da Prost são geralmente lembradas pelos acidentes espetaculares do brasileiro Luciano Burti, o primeiro na Alemanha quando na largada Michael Schumacher teve problemas e ficou praticamente parado, Burti, que vinha lá de trás, não conseguiu desviar e acertou a roda traseira da Ferrari do alemão, e o carro do brasileiro capotou. A FIA cancelou a largada, o que deu tempo aos dois de pegarem os carros reservas.



Já o segundo foi bem mais grave, no Grande Prêmio da Bélgica: Eddie Irvine, ex-companheiro de Burti na Jaguar, fecha Luciano, que acerta a traseira do rival em cheio. O paulistano decola e vai de encontro a barreira de pneus a cerca de 300km/h. Esse acidente, apesar de não ter deixado seqüelas, afastou o brasileiro das pistas da F-1 para sempre.



Após o fim da temporada, ligeiramente melhor que a anterior, (4 pontos são marcados), o sonho de Alain Prost tem um fim indigno. Sem dinheiro, a Prost Grand Prix é liquidada judicialmente em 2002 e deixa a Formula 1 para nunca mais voltar

Um abraço a todos

José Jurandir Junior, Ferraz de Vasconcelos

(Com a ajuda da minha amiga Andrea Hindlewald, a qual eu agradeço)

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