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Top Five para o Red Five II 15.08.11


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Uma vez compiladas as grandes performances de Nigel Mansell na primeira parte desta coluna, vamos explorar o outro lado do Leão: o das trapalhadas, pois a carreira dele também é lembrada por momentos que nem de longe foram gloriosos. Nesse aspecto, difícil apontar algum top driver que pagou mais micos que o velho Nige, que completou 58 anos no último dia 8.

Não bastasse as situações embaraçosas, Mansell sempre foi chegado a fazer caras e bocas, exagerando contextos com expressões corporais ou faciais sempre muito engraçadas. A cara de dor após bater nos treinos de Suzuka 1987 ou quando saiu rolando pelo chão após um acidente na Indy 500 de 1994 - acreditava que seu macacão estivesse pegando fogo - são exemplos típicos.



A seguir, o lado menos glorioso, mas não menos autêntico, de Nigel Mansell.





Top Five II – O Leão faz trapalhadas

5: GP de Portugal de 1989



Em tempos em que não se falava em limite de velocidade nos pits, Mansell era sempre um dos mais espetaculares ao chegar e partir de suas trocas para pneus. Num raro dia em que sua Ferrari 640 estava ao mesmo nível – ou até melhor – que a sempre favorita McLaren-Honda MP4/5, o Leão liderava no Estoril. Isso até a hora do pit...

Entrando quente como sempre, desta vez Nigel bloqueou os freios antes de parar em sua vaga de box, passando do ponto. Todos os mecânicos, temendo o carro, correram para o mesmo lado, coreografados de tal maneira que parecia um clipe de Michael Jackson. Sem pestanejar, Mansell engatou logo uma ré e, dando inveja a qualquer manobrista, já colocou a Ferrari de volta no prumo, para uma troca relâmpago.

Por mais que tenha se recuperado de forma esplêndida de um erro, Mansell acabou por cometer outro: não se pode dar marcha ré nos boxes durante a corrida. Voltas depois, foi mostrada a ele bandeira preta. Engalfinhando-se com Senna pela liderança, nenhum dos dois viu a sinalização e o resultado foi a polêmica batida entre ambos na curva 1, o que resultaria para Nigel em suspensão para a próxima etapa, na Espanha.

4: GP de Dallas de 1984

http://www.youtube.com/watch?v=PZpMoG47kZc

Já relatei os acontecimentos desta corrida na minha primeira coluna de 2011. Fazia um calor desgraçado no verão do Texas e Rosberg, com seu capacete gelado, manteve a mente concentrada na pista para vencer de modo magnífico. Mansell havia feito com a elegante Lotus-Renault 95T sua primeira pole na carreira, mas assim como a grande maioria, mal conseguia conduzir com temperaturas batendo os 40ºC.

Após amassar uma roda num muro e perder posições, teve o câmbio quebrado na reta de chegada, ficando imóvel. Estava tão baratinado que, para não perder o 5º lugar em que se encontrava, saiu do carro e começou a empurrá-lo. Com uma temperatura daquelas, claro, ele não aguentou o tranco e protagonizou um desmaio engraçadíssimo, em câmera lenta. Tanto esforço não valeu de absolutamente nada, mas ele ao menos saiu do Dallas State Fair Park com um pontinho a mais no mundial, ao classificar-se em 6º.

3: GP do Brasil de 1989

Mansell corta a mão ao erguer o troféu no Rio 1989 - Clique para ampliar


E eis que voltamos ao palco de uma das performances notáveis. Isso porque, logo após a brilhante vitória, Nigel cometeu a façanha de se cortar com o troféu de vencedor. Com a mão sangrando e uma expressão facial hilária de quem parecia não ter um mero corte, mas sim uma irrefreável hemorragia, teve que ser atendido ali mesmo, junto ao pódio. Recuperada a compostura, ergueu sua taça com a mão enfaixada, junto a Prost e Gugelmin, em seu único e tão especial pódio na F1. Este episódio tão engraçado foi o encerramento da trajetória da F1 no finado Jacarepaguá.

2: GP da Áustria de 1987



Depois de duas largadas anuladas por acidentes na apertada reta dos boxes (que contribuíram para que Zeltweg não mais recebesse provas), Mansell larga mal na 3ª tentativa. Esqueceu-se da dor de dente que sentia e partiu pra cima de Piquet, realizando ultrapassagem na volta 21. Ao receber a bandeirada, vitória convincente com bons 55s de vantagem para o companheiro, que tinha o carro capenga.

Mas eis que no pós-prova este desempenho, que seria digno do primeiro Top Five, muda de lista de e alcança o 2º lugar das maiores trapalhadas na carreira. Desfilando na caçamba de uma picape com Piquet e o 3º colocado, Teo Fabi, Nigel levanta-se com o capacete na mão e dá uma tremenda cacetada com a cabeça em uma das passarelas da pista, bem baixa. É hilário vê-lo em entrevistas com uma compressa de gelo. Naquele momento, não apenas estava com dor de dente, como também agora tinha dor de cabeça. Acho que Piquet considerou aquele seu melhor 2º lugar em toda a carreira.

1: GP do Canadá de 1991



A cereja do bolo. Já escrevi detalhadamente os acontecimentos de Montreal 1991, e farei aqui um breve resumo. Com a Williams finalmente confiável, Mansell desfilava desempenho na corrida, com liderança folgada (52s para a Benetton de Piquet), volta mais rápida já assinalada e carro de sobra. Inaugura a última volta dando tchauzinho pro público, até cometer a asneira-master de reduzir demais no hairpin do meio do circuito. O sistema hidráulico não podia ser alimentado com baixa rotação e implodiu o sistema elétrico, fazendo o carro apagar.

Depois de esmurrar o volante – uma de suas características clássicas, vistas em tantas outras situações de abandono – viu seu odiado rival passá-lo para vencer pela última vez na F1, tal como se dessem a Piquet um Oscar Honorário pelos feitos na carreira. E sim, na volta de desaceleração o brasileiro mandou Nigel tomar naquele lugar, gesto muitíssimo bem flagrado pelas câmeras que apontavam para o inconsolável inglês (3min41s do video).





Seja pela genialidade, seja pelas bobagens, o Leão é o tipo de personalidade forte, ímpar, autêntica. E que faz muita falta ao esporte a motor.

Obrigado por tudo Leão!

Lucas Giavoni
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