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Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

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23/02/2015 E se Emerson não fosse para a Copersucar?

 

Na história da Fórmula 1 muitas perguntas ficaram no ar: “E se Ascari não saísse da Ferrari?”, “E se Collins não parasse aquele carro?”, “E se Von Trips, Jim Clark, Jochen Rindt não morressem?”, “E se Lauda não se aposentasse em 1979?”, “E se Reutemann obedecesse àquela placa?”, “E se Pironi não sofresse aquele acidente?”, “E se Schumacher não fosse para a Ferrari?”, “E se ele não parasse em 2006?”, “E se Alonso não saísse da McLaren?”…

Várias dessas questões respondem a si mesmas: muitas situações se desenrolaram justamente porque anteriores aconteceram. Mas nós, brasileiros, temos um hábito muito estranho: o de julgar hipóteses como sendo fatos.

Isso acontece em tudo, desde a política (“Ah, mas se fulano tivesse ganhado as eleições não faria nada melhor”) até os esportes: existe uma justificativa irrefutável para cada uma das 14 Copas do Mundo que a seleção brasileira de futebol não venceu.

Na F-1, preferimos teorizar sobre o que cada um de nossos vencedores de GPs poderia ter feito em vez de louvá-los e agradecê-los pelo que de fato conquistaram: “E se Carlos Pace não morresse?”, “E se Piquet não sofresse o acidente em 1987?”, “E se o Senna não morresse?”, “E se Rubinho fosse pra McLaren e não para a Ferrari?”, “E se o Massa não levasse a molada?”…

Como esses, um outro questionamento parece ter ainda mais respostas: “E se Emerson Fittipaldi não embarcasse no projeto da equipe Copersucar?”.

Costumo dizer que a única resposta possível a essa pergunta é: não seríamos brindados com aquela maravilhosa performance do Rato em Jacarepaguá, 1978.

httpv://youtu.be/BwCawye9gTs

Emerson teve uma trajetória meteórica na F1: conquistou sua primeira vitória logo em sua quarta corrida (!) e foi, à época, o mais jovem campeão mundial da história. Ao longo de 4 temporadas, teve uma rivalidade acentuada com Jackie Stewart e grandiosos confrontos com Ronnie Peterson e Niki Lauda, entre outros. Foram dois títulos e dois vices entre 1972 e 1975. Um currículo fantástico!

A partir de 1976, porém, as glórias deram lugar a (mais) lutas.

Quem assistiu “Rush” ou leu “Corrida para a glória” sabe que a decisão de Fittipaldi de sair da McLaren naquele ano foi o fator decisivo que desenrolaria toda a trama daquela magnífica temporada. Assim, não apenas um mas vários acontecimentos se interligaram.

Seu lugar na equipe inglesa foi ocupado por James Hunt, que hoje em dia é um dos mais subestimados campeões mundiais. Talvez apenas alguns dos vencedores do campeonato nos últimos 20 anos sejam vistos como inferiores a ele. O britânico é tido como um daqueles casos em que o talento estava muito acima da dedicação, da motivação e do profissionalismo.

No entanto, ele foi um grande piloto – poucos nomes (e Emerson não era um deles) nos anos 70 o superavam em termos de velocidade pura. Por muitos considerado preguiçoso e dono de pouco conhecimento técnico, Hunt na verdade tinha bastante domínio de acerto e apresentava soluções eficazes para as deficiências que o carro apresentava.

Por outro lado – e creio que seja essa a razão principal para que ele seja tão underrated –, seu título mundial naquela temporada deveu-se muito ao(s) acidente(s) sofrido(s) por Lauda.

A Ferrari era um conjunto amplamente superior à McLaren: a conquista nos construtores (lembremos que, à época, as equipes só contabilizavam os pontos do piloto melhor colocado em cada GP) veio com uma prova de antecedência, e na primeira metade da temporada o domínio foi avassalador, como havia acontecido em 1975.

Quase na metade do ano, porém, Lauda sofreu um acidente de trator (!) em sua residência, quebrando duas costelas e tendo muitas dores. À base de analgésicos, corre o GP da Espanha. Lidera o início da prova, mas aos poucos cede ao ritmo de Hunt, que vence a corrida.

Nas 5 provas seguintes, Lauda vence 3 – na Inglaterra, é verdade, a vitória nasceu de uma desclassificação de James Hunt, que dominara a corrida –, marca um terceiro lugar e abandona outra (França) por problemas de equipamento enquanto era líder.

Até o GP da Alemanha, portanto, Lauda tinha mais que o dobro de pontos (61 a 30) do segundo colocado, e somava 35 a mais que Hunt, com 7 provas por serem disputadas – o regulamento contabilizava os 14 melhores resultados do ano (o pior de cada metade da temporada era “descartado”).

Em Nürburgring, Hunt vence, e conquista uma vitória e um quarto lugar nas corridas em que Lauda não participou.

Após o retorno do austríaco, Hunt soma duas vitórias e um abandono contra um terceiro, um quarto e um abandono para Lauda (11 pontos a mais para o britânico), o campeonato chegando à última etapa com Niki ainda líder e três pontos à frente (68 a 65) do inglês.

O épico final em Fuji todos sabemos, mas há algumas nuances importantes narradas por Eduardo Correa aqui. Lauda não desistiu porque simplesmente percebeu, na hora, que as condições de pista eram terríveis: havia um pré-acordo pilotos/Ecclestone. Emerson, como havia feito na Espanha um ano antes, foi dos poucos a cumprir o que fora acordado.

Portanto, atribuir um terceiro título a Fittipaldi em 1976 simplesmente porque Hunt venceu aquele mundial me parece até mesquinho.

A questão não é apenas “se Emerson ficasse na McLaren”: teríamos de torcer para que ele se revelasse um grande velocista nos treinos (James marcou 8 poles!) e para que Lauda passasse pelas terríveis dificuldades físicas que o assombraram naquele ano.

Precisaríamos, também, que a Ferrari e o austríaco seguissem em seus desentendimentos. Mais: seria necessário que os mesmos problemas mecânicos atingissem a Scuderia e, por fim, que Lauda abandonasse prematuramente o GP do Japão, que Emerson não o fizesse e que as circunstâncias do final daquela prova se repetissem.

httpv://youtu.be/4CvECUCT2vU

Em 1977, temos uma Lotus em ascensão – Mario Andretti, na equipe desde o ano anterior, conquista 7 poles e 4 vitórias. A novata Wolf também se destaca, com três vitórias de Jody Scheckter. Hunt e Mass permanecem na McLaren, o inglês conseguindo três vitórias em meio a muitos abandonos (foi dono de 6 poles naquela temporada).

E quem fica com o título? Niki Lauda, que venceu três corridas e conquistou outros 7 pódios, levando o caneco com ainda dois GPs a serem disputados. O Mundial de Construtores também é da Scuderia (Carlos Reutemann substitui Clay Regazzoni como companheiro de Lauda).

Conjecturar um tri para Emerson aqui me parece ainda mais difícil do que no ano anterior, portanto.

As três temporadas seguintes revelam domínios de Lotus e Ferrari (campeãs de 1978 e 79, somando 19 vitórias nestas temporadas), com a Williams chegando ao topo a partir da segunda metade de 1979. Também a Brabham (Lauda foi para lá em 1978, vencendo dois GPs, ano em que um certo Nelson Piquet aparecia no segundo carro…) começava a retomar seus dias de glória.

Se não na Copersucar, onde estaria Emerson nesse período? Faria as pazes com Colin Chapman? Fizesse, superaria Andretti? Ficasse na McLaren, faria mais que Hunt? Conseguiria a vaga de Lauda quando este mandou a Ferrari às favas? Teria a preferência de Frank Williams em lugar de Alan Jones?

Muitas peças precisavam se encaixar.

Afinal de contas, “e se Emerson não fosse para a Copersucar”?

Bem, ele não poderia mais dizer ao mundo que conquistou o único pódio de um chassi não-europeu na maior categoria do automobilismo mundial em mais de 60 anos.

E isso é maior que qualquer outro título que ele pudesse conquistar.

Boa temporada a todos!

Marcel Pilatti

  • Olá Marcel!
    Independente se o Emerson tivesse permanecido na McLaren, e penso que seria o mais correto, pois com o dinheiro ganho nos anos seguintes, ele poderia aplicá-lo em estruturar melhor a Copersucar até chegar a ser um carro de ponta.
    Acho louvável a iniciativa de ter ido pra Copersucar, mas penso que poderia ter ficado um pouco mais na McLaren ou em alguma outra equipe grande, já que era o principal piloto da época, e angariado dinheiro pra investir na Copersucar.
    Talvez tivesse sido mais fácil para conseguir patrocinadores internacionais também.
    Abraço.

  • João

    Teddy Mayer, o Ron Dennis da época, comparou James Hunt e Emerson Fittipaldi – trabalhou duas temporadas com Emerson, 74 e 75, e depois as três seguintes com Hunt: “De todos os pilotos que já tivemos, James é o mais talentoso. Talvez ele cometa mais erros que Emerson Fittipaldi, mas sem dúvida é mais rápido do que foi Emerson quando pilotava pela McLaren”.

  • Alexei

    Marcel, o Fittipaldi F7 no qual o Emerson conquistou o pódio em Long Beach ERA um chassi europeu. Era nada mais, nada menos que um Wolf WR7/8/9 de 1979 convertido e foi fabricado em Reading, na Inglaterra…

    • Marcel Pilatti

      Valeu, Alexei.

      Então, portanto, ele não consquistou dois pódios com chassis não-europeus.

      “Apenas” um.

      Abraço!

  • Fernando Marques

    Eu queria acrescentar mais uma coisa … o Emerson, ao termino da temporada de 1975, buscou um desafio diferente … ter mais vitorias e ser mais uma vez campeão na Formula 1 já não lhe atraia tanto … ir para Copersucar e quem sabe tentar vencer e ser campeão com ela, assim como J. Brabham conseguiu, este sim era um atrativo irresistível para ele … infelizmente ele não conseguiu mas pode dizer que tentou … não deu certo mas foi feliz fazendo o que queria …

    Fernando Marques

  • Mauro Santana

    Graças ao Emerson que podemos estar tendo este debate maravilhoso.

    Ou seja, “Se” ele não tivesse ido para a F1, quem garante que nós brasileiros teríamos tido toda esta história que nunca cansamos de contar.

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  • Ronaldo

    Fiquei na dúvida em relação a uma afirmação do texto: No contexto que você coloca, não podemos considerar Penske, Brabham e McLaren como chassis também não Europeus?

    • Marcel Pilatti

      Oi, Ronaldo.

      Além destes que você citou, teríamos outros casos, como os Eagle ou a Honda em sua primeira passagem. Porém, mesmo correndo como equipes de “fora”, todos eles foram construídos em um destes 5 países: Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Suíça.

      Os Penske, por exemplo, tinham sua base em Poole – England.

      Abraços!

      • Mário Salustiano

        amigos

        revendo a lista de todas as equipes que venceram na F1, encontrei 5 vitórias que podem ser consideradas “não” europeias, as 3 da Honda, 1 da Penske, 1 da Eagle , isso porque quando essas equipes venceram elas eram inscritas no campeonato nas nacionalidades, respectivamente, Japonesa e americanas, a Shadow nasceu americana mas em 76 se “converteu” a britânica por isso não considerei a vitória de 77.
        Isso mostra que em 916 provas disputadas apenas 0,5% foram de não europeias, imaginem o quanto deve ser difícil para quem vem de fora tentar vencer
        Avaliando hoje numa perspectiva mais aberta a ousadia dos irmãos Fittipaldi foi muito corajosa.
        Também é bom se dizer que as “conquistas” brasileiras no universo da F1 só foram possíveis com o brinquedo alheio, por isso acho até graça quando se fala a famosa frase por aqui: “um brasileirinho contra o mundo”

        abraços

        • Marcel Pilatti

          Mário, mas a Penske, por exemplo, tinha sede na Inglaterra (poole), mesmo que correndo como americana… Da Honda e da Eagle, não sei exatamente a sede – prometo pesquisar – mas tenho quase certeza que também tenham sido produzidas na Inglaterra.
          Abraço!

        • Mário Salustiano

          Marcel

          usei o livre conceito da nacionalidade com a qual a equipe usou na inscrição na FIA, caso pensemos em base fora da Europa, talvez o que se descubra é que nenhum vencedor da categoria teve ou tem uma base fora, o que convenhamos tornaria o feito da Copersucar ainda mais fantástico por ter obtido um segundo lugar com um carro feito no Brasil

      • Ronaldo

        Só pra refrescar a memória então, na época do primeiro pódio, em 1978, a equipe ainda produzia os carros no Brasil? Foi pra Inglaterra só depois de absorver a Wolf?

        • admin

          Isso, Ronaldo. Conforme o Alexei confirmou pra gente (ver o primeiro comentário), o pódio de 1980 – Longe Beach – já era chassi europeu, mas o de Jacarepaguá 1978, não. Era brazuca mesmo!

  • Fernando Marques

    Marcel,

    parabens pelo belo texto e tema.

    A historia de Emerson Fittipaldi no automobilismo brasileiro e mundial é sem sombras de duvidas das maiores e melhores existentes.
    Ele foi um desbravador de caminhos. Ensinou o Brasil a chegar e ganhar na Formula 1. Ele também ensinou aos brasileiros de como chegar e ganhar na Formula Indy. Nesta parte então foi fundamental ele ter ido para a Copersucar na Formula 1, e que o projeto tenha tido um fim fracassado.. Pois neste caso “se” o projeto Copersucar tivesse dado certo, ele poderia estar até hoje como dono de equipe e disputando a Formula 1. E aí ninguém mais teria visto Emerson nas pistas. De uma coisa eu tenho certeza, a carreira de Emerson Fittipaldi como piloto de corridas foi sensacional. O que ele fez de certo ou errado, principalmente por seu pioneirismo, permite ele ter uma historia muito mais rica se comparada com as carreiras de Piquet e Senna.
    Todo piloto tem a sua historia, assim como momentos de auge e sucesso, e também os chamados maus momentos.
    O interessante é que “se” só aparece nos maus momentos.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Marcel Pilatti

      Grande Fernando, obrigado.

      Esse é o grande e maior feito de Emerson: conquistas sensacionais na F1 (dois títulos e 14 vitórias, poxa vida!), mas principalmente ter desbravado e levado esse povo a sonhar com alguma coisa num esporte muito difícil de vencer – num sentido amplo.

      Como o próprio Senna já disse: “Se não fosse Emerson, eu não estaria aqui”.

      Abraços!

  • Beleza de texto, Marcel.
    Fecho contigo e os amigos quando afirmam que a história ficou boa demais no fim das contas.
    Concordo plenamente com Lucas a respeito do tratamento dado a especulações, embora me permita a opinião pessoal de que, provavelmente sim, mantidas as condições, Emerson teria as virtudes necessárias para conquistar o tri em 76, ainda que Hunt tenha se mostrado um competidor muito sério a partir do momento em que farejou a possibilidade do título.
    Abraço!

    • Marcel Pilatti

      Caro Márcio,
      Seguramente ele seria um grande contender, mas o ponto que defendo é que, com todos os “se” que se construam, uma análise mais fria leva a crer num bicampeonato de Niki Lauda. “Se não fosse o acidente”, ele ganharia o mundial novamente.
      Emerson, a meu ver, desempenharia naquela e em temporadas futuras, um papel semelhante ao de Alonso na Ferrari: conquistando e fazendo mais que o carro permitia, mas…
      Abração!

  • Mauro Santana

    Tem também uma história que conta que o Frank Williams teria procurado o Emerson em 1978 no trailer da Copersucar, e que o Wilsinho o teria lhe colocado pra fora, alegando que não era possível que aquela pessoa (que vendia cronômetros para pagar seus
    mecânicos) pudesse contratar um bicampeão mundial.

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Marcel Pilatti

      Oi, Mauro.

      Essa é uma história e tanto…

      Conta-se, também, que Emerson foi a primeira sondagem feita pela Ferrari quando Enzo e Lauda começaram a se desentender de forma irreversível. Conta-se que Fittipaldi “nem quis ouvir”, pois estava “comprometido com a Copersucar”.

      A segunda opção foi… Ronnie Peterson – que não conseguiu a vaga por pressão de Lauda.

      E aí: Será que, caso Emerson decidisse conversar com a Scuderia e sinalizasse positivamente, o austríaco não faria o mesmo com relação ao brasileiro?

      Abraços!

      • Mauro Santana

        Pois é.

        Mas o Emerson não era um piloto inexperiente e muito menos inocente, pelo contrário, já conhecia bem as peças chaves do circo na época.

        E aí, com o Wilsinho, foi realizar o sonho deles de construir a primeira equipe de F1, de forma que pra ele(Emerson) soaria como uma traição deixar os projetos da Copersucar e se aventurar numa equipe de ponta.

        Já pensaram se ele virasse as costas para sua família e quebrasse a cara numa Ferrari ou numa Williams?.

        Isso era a F1 romântica na sua melhor fase, aqueles anos 70.

        Mauro Santana
        Curitiba-PR

      • Mário Salustiano

        sobre esse ponto da Ferrari ir em busca de um substituto para Lauda, o mesmo descreve eu sua biografia “To hell and back” que assim que soube da decisão de Enzo Ferrari de buscar um substituto, ele juntou forças para voltar o mais rápido possível e um ponto importante, usou de sua influência junto a família Agnelli para não ser afastado da equipe. A prova que Enzo Ferrari queria a todo custo tirar Lauda e por outro no lugar, foi que quando malogrou a ida de Peterson, que chegou a ir a Maranello e sem explicações mandaram ele embora .
        A Ferrari contratou Reutemann que na opinião de Lauda era inofensivo , por isso ele não criou a oposição que havia criado ao sueco

      • Ronaldo

        Não tem uma história que quando morreu Peterson já estava assiando com a Ferrari para 1979?

  • Lucas Giavoni

    Marcel, amigão,

    Escrever sob a égide do “e se” é sempre um terreno bastante escorregadio. Os deslizes são muito fáceis de serem cometidos. O assunto, o que tem de tentador como exercício imaginativo, tem de perigoso.

    Não são poucas as asneiras cometidas quando há temas construídos desta maneira. No esporte a motor, a morte de Senna talvez seja o maior exemplo de caminhão de bobagens escritas. Algumas até viraram livro e as pessoas “compram” isso como “algo sério”.

    Feitas estas considerações, este texto é uma referência de como podemos tratar especulações sobre fatos passados de maneira séria e isenta. É tudo o que o jornalismo de opinião e de interpretação tem que ser.

    Abração!

    • admin

      Caro Lucas,

      Foi justamente num caso relacionado a isso (a revista ALFA de 2010, quando Senna completaria 50 anos) que você me chamou atenção para esse tipo de situações vexamosas produzidas — e muito vendidas — por aqui. O culto à seleção de 1982, por exemplo, é outro desses casos.

      De certa forma, você influenciou bastante nesse texto, mesmo ele sendo produzido cinco anos depois.

      Abraço!
      Marcel

  • Mauro Santana

    Excelente texto Marcel!

    Concordo com o Rodolfo César, pois também gosto da história como ela foi escrita.

    Uma pergunta:

    É verdade mesmo que o Emerson não se acertava com os carros “ASA” e por isso abandonou a F1 no final da temporada de 1980?

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  • Belíssimo texto amigo Marcel Pilatti,

    O ‘se…’ é discutido na F1 como verdade, como você bem falou. Tem os que juram que Schumacher não ganharia nenhum título sem a morte de Senna e também os que pregam que Schumacher ganharia tudo com Senna e tudo.
    Se, se, se, se….

    • Leandro

      Olha, eu acho que os títulos de Schumacher não iam mudar porque se o Senna sobrevivesse à Tamburello, não sairia inteiro, como Piquet e Berger não saíram.

      Com isso, ele perderia muito da competitividade que sempre teve, e naquela temporada você tinha Schumacher voando e Briatore trapaceando, ganhando no ano seguinte, sem precisar trapacear.

      Acho que isso um Senna correndo com sequelas do acidente não iria conseguir impedir.

    • Marcel Pilatti

      Mas aí, Leandro, nos permitimos a outro exercício: “e se a Williams tivesse trabalhado direito naquela P… de barra de direção, e a coluna não se rompesse?”

      Senna tinha uma estratégia de duas paradas para aquela corrida, e conseguiu marcar a terceira melhor volta (!!!!) da prova em apenas UMA volta rápida completada – a sexta.

      Schumacher e Hill pararam três vezes…

      Abraço!

  • Lucas

    Eu sou um grande entusiasta do Nigel Roebuck, pra mim o maior escritor sobre F1 vivo e que, como se não bastasse, tem uma boa vontade incrível para atender os leitores e puxar da memória histórias deliciosas. Um dia resolvi escrever para ele atiçando-o a lembrar histórias sobre o Emmo, em especial justamente sobre a reação do pessoal envolvido no esporte à sua decisão de ir para a Coppersucar. O resultado está aqui: http://www.motorsportmagazine.com/ask_nigel/fittipaldi-an-all-time-great/

  • Rodolfo César

    Será que se o Emerson não fosse para a Copersucar teria vencida duas 500 milhas e o campeonato da Indy em 1989? Eu não sei se isso infuenciou nos fatos, mas pra ser honesto gosto da história como foi escrita.

    • Marcel Pilatti

      Exato, Rodolfo.
      Muita coisa poderia ter mudado, e concordo que o “mercado americano” provavelmente não fosse algo a que Fittipaldi mirasse se mantivesse-se no topo da F1…
      Abraços!

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