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Rafael Mansano
Viciado em F1 desde pequeno, piloto de kart amador e torcedor de pilotos excepcionais.

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14/10/2015 Um pouco de história, parte 2

 

Olá, amigos! Estamos de volta com a segunda parte da história da Nascar, na coluna de hoje vamos relembrar a época dos grandes números da Nascar na década de 90 e finalmente chegar aos tempos atuais.

Se nos anos 70 tivemos Richard Petty como o grande piloto da década, atingindo a incrível marca de 7 títulos e 200 vitórias, e nos anos 80 o domínio foi de Dale Earnhardt, The intimidator, que no fim de sua carreira também conquistou 7 títulos, os anos 90 marcaram a chegada de uma nova geração, representada pelo piloto que transformou a categoria na maior série de corridas nos Estados Unidos, seu nome é Jeff Gordon.

É impossível falar sobre a década de 90 na Nascar sem dar um destaque para Gordon. O garoto prodígio chegou à categoria em 1993, depois de ter corrido a última corrida da temporada de 1992, quando terminou em 31º, após um acidente. Jeff assinou com a equipe de Rick Hendrick, onde corre até hoje, seu último ano, e venceu logo em sua estréia correndo uma temporada completa, foi um começo promissor. O resto do ano não foi tão bom para o piloto do carro 24, e Gordon se envolveu em muitos acidentes e polêmicas. O piloto veterano Darell Waltrip foi um dos que duvidou da capacidade de Gordon, dizendo para o dono da equipe de Jeff que naquele ano ele havia conseguido bater em todos os carros, faltando apenas o Pace Car. Apesar da desconfiança sobre a capacidade de Gordon em disputar o campeonato inteiro com velocidade e regularidade, por sua pouca idade e muitos acidentes, Jeff recebeu o prêmio de estreante do ano, comprovando sua habilidade e sendo reconhecido pela comunidade da Nascar.

Com o passar dos anos Gordon se mostrou um piloto extremamente veloz e eficiente, provando ser capaz de disputar com os grandes nomes da categoria, conseguindo até o momento quatro títulos de campeão e incríveis 92 vitórias. Com essa estatística, Gordon é o terceiro nome na lista de maiores vencedores da categoria. O garoto, apelidado por Dale Earnhardt de maneira provocativa de “Wonder Boy”, se tornou um dos maiores nomes da categoria, e nesse ano de 2015 compete sua última temporada completa Nascar. Se você não teve a oportunidade de acompanhar a carreira dessa lenda do automobilismo, não perca as últimas chances e acompanhe as provas derradeiras de Gordon, as homenagens em cada pista estão sensacionais.

O sucesso de Gordon e as disputas incríveis nas pistas levaram a Nascar a um patamar nunca antes alcançado. Foi nessa época que todas as corridas passaram a ser transmitidas na televisão, no início algumas não iam ao ar de forma ao vivo, mas com o passar dos anos e aumento de popularidade da categoria, as corridas ganharam porte de grandes eventos e a televisão americana se viu obrigada a estar presente em todas as provas. Foi nessa época que grandes pistas entraram no calendário da categoria, como Indianápolis e New Hempshire, comprovando a ascenção e respeito obtidos pela Nascar.

Após a explosão de popularidade nos anos 90 chegamos aos anos 2000, e com a nova década vieram muitas mudanças e um acontecimento chocante, além de muito triste, que mudaria os rumos da categoria. O ano era de 2001, a corrida, Daytona 500, a principal da categoria, pista onde Dale Earnhardt vencera incríveis 34 vezes. Após uma disputa intensa nas volta finais, um acidente acontece na última volta da prova, na última curva. O carro número 3 pilotado por Dale Sr. roda e atinge o muro. Ao mesmo tempo o piloto Michael Waltrip, pilotando um carro de Earnhardt, cruza a linha de chegada na frente e vence a prova, seguido de Dale Earnhardt Jr., filho de Dale Sr. O acidente na última curva, última volta, marcou a Nascar por dois motivos, o primeiro e mais arrasador, a morte do piloto que muitos consideravam o melhor e mais feroz competidor da categoria, Dale Earnhardt. O sete vezes campeão não resistiu ao impacto frontal de seu carro no muro em alta velocidade, e por não estar utilizando o Hans, equipamento de proteção para a coluna e pescoço, faleceu poucas horas depois da prova ser encerrada. O segundo motivo e principal lição que a Nascar tirou desse terrível acidente fatal, foi a maior preocupação com a segurança, em um caso muito semelhante ao que ocorreu na F1 após a morte de Senna. A partir desse ponto a prioridade passou a ser a implementação de novas tecnologias e equipamentos de proteção aos pilotos. Essa foi a última morte de piloto ocorrida em um evento da Nascar.

httpv://youtu.be/rXGKys62TXw

A década de 2000 revelou para a Nascar um mundo novo. Dando continuidade ao crescimento de popularidade conquistado nos anos 90, a categoria iniciou seu processo de globalização, introduzindo corridas em circuitos internacionais, aumentando sua exposição na TV, elevando seu patamar como evento e mudando as regras para se manter atraente. Novas regras também foram implementadas para aumentar a segurança dos pilotos e também para atrair novos fãs.

Um novo conceito de carro foi introduzido durante essa década com o modelo chamado de “Car of Tomorrow”, que tinha uma aparência muito mais futurista do que de carro de rua, algo que a Nascar sempre preservou como uma de suas principais tradições. É verdade que a mudança não foi apenas visual, já que a grande preocupação dos diretores da categoria era a segurança, algo que melhorou muito após os eventos no início da década. Mesmo com as melhoras observadas nessa esfera, o novo visual não agradou muito e logo a Nascar propôs uma nova configuração de bolha, com os novos carros da Geração 6, muito mais parecidos com carros de rua tradicionais.

O piloto de destaque da década de 2000 só pode ser um: Jimmie Johnson. Estreando na categoria no ano de 2003, o piloto do número 48 rapidamente se elevou como um dos grandes destaques da categoria, conseguindo o feito de vencer cinco campeonatos seguidos entre os anos de 2006 e 2010, sendo o único piloto na história da Nascar a conseguir isso. Não dá pra argumentar contra uma estatística dessas, não é?

Na próxima coluna falarei mais sobre esse período da Nascar até chegarmos aos dias de hoje, e por falar nisso, já estamos na segunda fase dos playoffs da temporada de 2015. Surpreendentemente Jimmie Johnson foi eliminado logo na primeira rodada, após um problema grande em seu carro, que o fez ficar parado na garagem por mais de 30 voltas. Não será esse ano que o piloto do 48 terá a chance de igualar os grandes Richard Petty e Dale Earnhardt, com seus 7 títulos. Clint Bowyer, Paul Menard e Jamie McMurray foram os outros eliminados e estão fora da busca pelo título. Pra quem vai a torcida de vocês? Quem serão os próximos eliminados? A disputa está acirrada e promete muito.

Abraços e até a próxima coluna.

  • Mauro Santana

    Belo texto Rafael!

    Poderia explicar melhor o que foi este “carro do futuro”?

    Os carros do final dos anos 80 e início dos anos 90 foram os mais belos na minha opinião.

    E o Bill Elliot?

    Eu achava que o Dale Earnhardt tinha vencido a Daytona 500 somente uma vez, que foi em 1998.

    É isso mesmo!?

    https://m.youtube.com/watch?v=mvdgBdim2aU

    Abraço!!

    Mauro Santana
    Curitiba-Pr

    • Marcelo C.Souza

      Concordo contigo, Mauro!!! Os carros das décadas de 80 e 90 foram não só os mais atraentes, mas também os que propiciavam as corridas mais emocionantes. Quem acompanhou as provas da categoria pela extinta TV Manchete (ou seja, lá pelos idos de 1994 e 1995 com a narração do grande Edgard Mello Filho) sabe o que estou dizendo!

      E quanto à sua pergunta sobre “The Intimidator”, ele já havia vencido várias outras provas da Sprint Cup em Daytona, como o Budweiser Shootout (a corrida preliminar da Daytona 500, antigamente chamada de Busch Clash) e a Pepsi 400(a corrida de Daytona do segundo semestre), além de ter colecionado vitórias por lá também na Xfinity Series e na extinta IROC, mas a única vitória dele na Daytona 500 foi em 1998 mesmo.

      Um forte abraço!!!

      Marcelo C.Souza

  • Fernando Marques

    Rafael,

    muito bom a segunda parte e um pouco da boa história da Nascar e por sinal muito bem contada.
    Creio que o mito Jeff Gordon já é o maior de todos e estará imbatível por muito tempo.

    Fernando Marques
    Niterói – RJ

  • Acho que faltou comentar algo que fez a Nascar explodir em popularidade nos anos 90: a divisão entre CART e IRL em 1996. Essa cisão fez com que as duas ‘Indys’ perdessem muito em popularidade e a Nascar capitalizou a crise e se firmou como a maior categoria americana.

    • Marcelo C.Souza

      Com certeza, João! Mas devemos salientar que o salto incrível de notoriedade da NASCAR ocorrido principalmente entre 1980 e 1995 já vinha provocando “dores de cabeça” fortíssimas tanto nos comissários da CART como no Tony George (o dono do Indianapolis Motor Speedway) antes mesmo da cisão entre eles.

      Marcelo C.Souza

  • Rodolfo César

    Dale Sr. Venceu 34 vezes em Daytona?

    Na minha soma deu 22 vezes… 06 vezes a Bud Shootout (ou Busch Clash), 02 vezes a Pepsi 400, 01 Vez a Daytona 500, 7 Vezes na Xfinity Series (Goody’s 300) e 06 vezes na IROC. Essas são as que conheço.

    Quais são as outras 12 vitórias?

    Abraços!

  • Marcelo C.Souza

    Parabéns por mais uma excelente coluna, Rafael !!!

    Mas tenho duas observações a serem feitas:

    1) Apesar de ter vencido o Budweiser Shootout(a corrida preliminar da Daytona 500) e a Pepsi 400(a prova de Daytona do segundo semestre na Sprint Cup) inúmeras vezes, o Dale Earnhardt venceu a Daytona 500 apenas uma única vez (naquela edição inesquecível de 1998).

    2) A década de 90 chegou somente para consolidar a NASCAR como a maior categoria de automobilismo dos EUA. Na realidade, o “circo do Bill France” já detinha recordes esmagadores de popularidade desde as décadas de 70 e 80.

    Um forte abraço !!!!!

    Marcelo C.Souza
    Amargosa-BA

  • Flaviz Guerra

    Bela Coluna!

    Agora, cá entre nós, se o Jeff fechar a carreira com um título, daria pra fazer um belo filme!!

    Abraços

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