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Márcio Madeira
Jornalista e Engenheiro mecânico, nasceu no exato momento em que Nelson Piquet entrava pela primeira vez em um F-1. Sempre foi um apaixonado por carros e corridas.

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22/10/2012 A grande corrida da Fórmula 1

 

Há exatos 23 anos, no dia 22 de outubro de 1989, acontecia o GP do Japão de 1989, uma das corridas mais emblemáticas da história do automobilismo. Em nossa página do Facebook, estamos relembrando aquela fabulosa prova em imagens.

Graças a Emerson, Pace, Piquet, Senna, Rubinho e Massa, o Brasil pode se orgulhar de ter 101 vitórias na F1. Os números, porém, não dizem tudo, pois entre elas há algumas exibições realmente fabulosas, páginas de destaque na própria história do automobilismo.

Foi assim com Emerson na Argentina em 73, ou na Inglaterra em 75 (sem mencionar as grandes vitórias ‘morais’ de Montjuich 75 e Jacarepaguá 78). Foi também assim com o grande Moco em Interlagos 75. Piquet, por sua vez, encantou o mundo com pinturas em San Marino 81, Brasil 82 (estava ilegal, mas pilotou como um deus), França 85, Hungria e Monza 86, ou Austrália 90. Então vem Senna, e temos o episódio de Mônaco 84 (lembremos que ele recebeu a bandeira quadriculada em primeiro, juntamente com a vermelha que tornava inválida a volta final), Portugal 85, Espanha 86, Hungria e Japão em 88, Brasil e Hungria 91, Mônaco 92, e por fim Brasil e Donington em 93. As vitórias de Barrichello na Alemanha em 2000 e na Inglaterra em 2003, além da centésima em Valência-2009, certamente também estão em negrito nessa lista, ao passo que entre as conquistas de Massa o GP do Brasil de 2008 surge com destaque, embora sua maior vitória tenha se evaporado numa quebra de motor na Hungria naquele mesmo ano. E então, qual delas escolher?

Pois eu digo que, em minha opinião, a maior vitória do Brasil não figura nessa lista. Falo do incrível GP do Japão de 1989, vencido na pista por Ayrton Senna, e deliberadamente maculado por Balestre, como ele mesmo assumiria anos mais tarde.

Suzuka 89 é uma prova que impressiona pelo aspecto humano. O GP foi, em si, um reflexo das incalculáveis forças externas longamente acumuladas ao longo de dois anos da mais alta rivalidade esportiva e humana. Senna e Prost duelavam asperamente nos bastidores, enquanto nas pistas desenhava-se um paradoxo: Prost liderava o campeonato com folga, apesar de – pela primeira e única vez em sua gloriosa carreira – estar levando uma surra impiedosa de seu companheiro de equipe no que se refere a velocidade. Ayrton e Alain eram dois homens no limite, sobre os quais pesavam pressões impossíveis de mensurar. Um final apoteótico, na pista, era tudo que se poderia esperar para aquela verdadeira batalha.

Ao contrário de boa parte das corridas especiais, não houve nesse dia nada de anormal que afetasse a disputa ou o andamento de algum dos protagonistas. Não teve chuva, não teve pneu furado nem pit stop demorado. Teve, isso sim, estratégia, ódio, tensão, superação, dentes trincados dentro dos capacetes, delírio. Prost estava cansado de reclamar, de dar desculpas. Sempre fora visto como um piloto superdotado, capaz de encurralar Niki Lauda com sua fulminante consistência. E então, de repente, ele se via condenado a largar corrida após corrida atrás de seu companheiro de equipe, condenado a vencer apenas quando este abandonava. Não, nem mesmo ele, que parecia sempre tão alheio a essa condição, estava suportando mais aquilo. Prost foi ao Japão para derrotar Ayrton. Na pista.

Nos treinos nenhuma surpresa: Senna faz a pole com quase dois segundos de vantagem sobre o francês. É possível calcular o quão longe Ayrton teve de ir para anotar tal feito, mas esses números dizem mais, muito mais. Prost sabia que a pole já tinha dono e seria inútil lutar por ela. Sabia mais: em Suzuka o pole era obrigado a largar do lado sujo da pista, o que na prática anulava sua vantagem. Assim sendo, concentrou-se apenas em garantir um lugar na primeira fila, e obter o melhor acerto possível para a corrida.

É preciso que se diga algo sobre o francês: Prost não gostava de ir além de certos limites. Com sua habilidade, logo percebeu que não precisava dar tudo de si ou do equipamento para obter vitórias. A totalidade de um GP comporta as mais diversas variáveis, e Alain as manipulava como poucos. Importante, aos seus olhos, era conservar um ritmo forte e seguro ao longo de toda a prova. Porém, em raras ocasiões, ele mostrou ser dono de uma impressionante reserva técnica. Isso fica muito claro quando se presta atenção em suas performances nos GPs da França (sua própria ‘casa’), do Brasil (casa dos adversários), e em decisões de mundial. Ao contrário de Schumacher, que por diversas vezes fez corridas irreconhecíveis em decisões de título, Prost crescia na hora da decisão. E eu posso afirmar, sem medo de errar, que em toda a sua carreira Alain jamais quis tanto vencer uma corrida quanto aquela.

Olhando quase vinte anos depois, sua tática fica evidente. Ele sabia que Ayrton precisava vencer a corrida, e sabia também que O MP4/5 era rápido, mas de certa forma frágil. Além disso, Prost conhecia perfeitamente o temperamento do brasileiro, de tal modo que pôde antever o cenário e traçar uma estratégia brilhante para a prova. Ele daria tudo de si na luz verde, aproveitando-se da pista emborrachada. Se conseguisse fazer a primeira curva em primeiro, então iria surpreender o mundo com um ritmo de prova alucinante desde o início, fazendo o papel de coelho – totalmente fora de seus padrões, portanto. Ayrton que tentasse acompanhá-lo, assumindo todos os riscos que isso implicava.

E assim foi. Dada a largada tinha-se a impressão de que os capacetes haviam sido trocados, pois era Alain quem fazia uma primeira volta arrasadora. Importantíssimo notar também que o francês queimou aquela largada. Vendo as imagens de sua câmera onboard, quadro a quadro, isso fica muito claro. Ayrton, como todos que não conheciam os planos do francês, é nitidamente surpreendido. Num primeiro momento sua postura é a de não alterar o ritmo de prova, buscando conservar pneus e equipamento. Porém, estava numa terrível sinuca de bico: se partisse na suicida captura de Prost corria o risco de mais uma vez ficar pelo caminho. Se não o fizesse, poderia se ver atrasado demais para qualquer tentativa futura. Como Prost já previa, a indiferença de Senna não dura mais que umas poucas voltas.

Eis a história da corrida: Prost pilotando em ritmo de classificação, e Senna sendo obrigado a fazer o mesmo. Certamente Ayrton contava com os retardatários para aplicar bote semelhante ao do ano anterior, mas Prost era outro piloto naquele dia. Simplesmente não estava negociando, tirava e passava como se fosse Nigel Mansell. Ayrton ainda perdeu alguns segundos na troca dos pneus, de forma que, faltando 15 voltas, estava claro para ele e todo o mundo que só uma ultrapassagem poderia manter suas chances de título. A essa altura, aliás, o título era o de menos. Ganhasse ou perdesse, Ayrton havia dominado toda a temporada. Fora sempre mais rápido, sem jamais ter sido batido na pista. Isso, óbvio, até aquele momento, pois o que Prost estava agora fazendo era vencer o campeonato na pista, impondo a Ayrton uma velocidade até então oculta. Se vencesse, então todos poderiam dizer que, se quisesse, ele poderia ser tão veloz quanto Ayrton. Esse é o ponto: a vitória de Prost justificaria todos os seus argumentos, e mataria o mito Senna. Não era, portanto, apenas uma corrida. Era um duelo. Não se via nada parecido nas pistas desde o terrível embate entre Varzi e Nuvolari em Mônaco, 1933.

O mundo prendeu a respiração ao longo daquelas inacreditáveis voltas finais. Senna e Prost, carros iguais, condições normais, iriam disputar um pega de rua, valendo as próprias biografias, valendo o que ainda restava de honra. Senna iria tentar, todos sabiam. Vivera toda a sua vida para aquele momento, em que tudo o que sempre acreditou estava sofrendo o mais duro dos testes, diante dos olhos do mundo. Toda sua reputação, toda a credibilidade e até o respeito próprio estavam em jogo! Sim, ele tinha que tentar. Restava apenas descobrir quando, como e onde.

Quando nada mais restava além da certeza de que teria que ser no braço, Senna brilha. Apesar dos enormes aerofólios de então, ele consegue se aproximar, sabe Deus como. E então, na volta 47, faz a curva de sua vida na 130R, se posicionando próximo a Prost na freada da chicane. Havia chegado a hora.

Senna tira de lado, invadindo em muito a área de entrada dos pits, extremamente mal localizada. Deixa para frear onde apenas um gênio seria capaz, estourando qualquer limite de rotações do Honda. A curva era dele, e ninguém podia mudar isso. Ou será que podia? É então que o lado sombrio do plano de Prost vem à tona.

Alain estava pronto para essa possibilidade, conforme já havia antecipado em entrevistas. Vendo que havia perdido, provoca o acidente de forma insofismável. Dois fortes golpes na direção, que a TV japonesa mostrou à exaustão. Com tal movimento Prost antecipou a tomada da chicane em pelo menos 10 metros, como pode ser visto perfeitamente pela câmera no helicóptero. Os dois carros ficam presos, e o francês tem o sangue frio de deixar o McLaren engrenado em primeira marcha antes de abandoná-lo.

Ayrton é empurrado para fora da área de perigo, e volta à pista cortando a chicane. Prost fizera o mesmo em San Marino, e Mansell na Bélgica, naquele mesmo ano. Tal procedimento, um ano mais tarde, seria defendido pelos próprios pilotos, a começar por Piquet, no briefing do mesmo GP japonês.

Senna ainda está na liderança, mas tem o bico avariado. Chega a sair da pista numa certa altura, tentando chegar depressa aos boxes. Passa por Prost no caminho para os pits, naquela que foi sem dúvida a foto do ano. A McLaren troca o bico, sem mexer nos pneus, enquanto Nannini assume a ponta. Restam 5 voltas, e Senna agora precisa descontar mais de sete segundos de desvantagem, e ainda superar o italiano.

Na volta 51 Senna está embutido no Benetton. De forma a confirmar a legitimidade da manobra anterior, ultrapassa Nannini no mesmo ponto, da mesma forma. O êxtase do público japonês ao longo das duas últimas voltas é coisa de se ver. Senna vence a prova e soca o próprio capacete, enquanto à sua volta milhares de pessoas começam a se dar conta de que viram a grande corrida da história da F1.

Entre toda a herança dos episódios daquele dia, certamente a maior injustiça é que uma corrida única, absolutamente de sonho, seja lembrada tão somente pelo choque entre os McLarens e pela desqualificação de Senna. Esqueçam o campeonato, pois Ayrton não o perdeu ali. Mas não esqueçam a corrida. Em minha opinião, a maior vitória de um piloto desde a criação do campeonato mundial, em 1950.

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  • James Morais

    Para quem quiser entender o relacionamento entre Senna e Prost e o fatídico acidente em No GP F1 de Suzuka de 89, nas palavras de Prost, há um texto excelente texto.
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  • Sandro

    Para a corrida Prost optou por um câmbio com troca de marchas mais curta (melhor para as curvas) e Senna por um câmbio com troca de marchas mais longa (melhor para as retas). Acabou sendo um erro de estratégia por parte do brasileiro. Senna chegava colado em Prost mas na saída das curvas o francês abria uma pequena vantagem – suficiente para que Senna não ficasse no vácuo – e ia mantendo a liderança. Exceto num trecho: antes da chicane. Era tudo ou nada. Por isso o brasileiro arriscou tudo. Uma manobra surpreendente menos para Prost que, deliberadamente, jogou sujo e bateu no carro do “companheiro”. Batida! Prost abandona. Senna pede para os fiscais empurrarem o carro. Vai pela área de escape e continua. Troca o bico avariado. Ultrapassa Nannini na… chicane! Vitória sensacional! Mas foi desclassificado por Balestre! Senna perdeu o título de 89, a vitória e a melhor volta da pista japonesa (!!!).

    Obviamente em Suzuka’90 Senna jogou sujo. Muito sujo. Bateu perigosamente a McLaren contra a Ferrari de Prost na primeira curva (a telemetria provou que Senna acelerou sem parar até bater). Senna fez a pole. Depois ele pediu para que o pole mudasse do lado interno (“pista suja”) para o lado externo (“pista limpa”). Queria mudar o regulamento. Sem chance. E deu no que deu! Prost tracionou melhor e assumiu a ponta mas aconteceu a pancada. Os dois abandonam. Senna bicampeão!
    Olho por olho! Dente por dente!

    Uma vergonha! Que Michael “Dick Vigarista” Schumacher fez contra Damon Hill em Adelaide’94 (conseguiu) e contra Jacques Villeneuve em Jerez’97 ( tentou mas não conseguiu).

    • Sobre a diferença na relação de marchas que você bem lembra, ela é bastante visível no fantástico vídeo do GP integralmente pelas câmeras onboard de Senna e Prost. Ayrton fazia os esses em 3ª, giro lá em cima, enquanto Prost os contornava em 4ª. Fruto, provavelmente, das abordagens distintas em relação aos treinos classificatórios, quando Senna fez questão da pole (1,7s de vantagem!), e Prost focou na corrida, jogando tudo na largada a partir do lado limpo.
      Sobre Suzuka 90, é importante lembrar que a discussão acerca do posicionamento do pole se deu antes do resultado dos treinos, e por isso mesmo eles foram tão acirrados (ao contrário de 1989). O brasileiro repetiu a posição de honra, mas desta vez por apenas 0,3s. E no fim não teve sua reivindicação atendida, por interferência de Balestre.
      Nada que justifique o desfecho da disputa, obviamente, mas ainda assim um dado relevante.
      Abraço, e escreva sempre.

    • Roberto Andrade

      Aqui, a prova do que Márcio falou: http://www.youtube.com/watch?v=Wopi_kqW8Mk

      foi ANTES do treino

  • Sandro

    Vale lembrar que de 1950 até 1990 havia o critério dos melhores resultados (best results). Em 16 corridas seriam os 11 (ONZE) melhores resultados (numa conta meio maluca: metade de 16 mais 3!).

    Antes de Suzuka Prost liderava com 76 pontos válidos (81 pontos) e Senna estava com 60! Senna precisa ganhar as duas corridas restantes (Sukuza e Adelaide) para conquistar o bicampeonato. Atingiria 78. Prost, mesmo que chegasse em segundo lugar nessas duas corridas restantes chegaria a 78 pontos válidos (93 pontos). Senna faturaria o título por ter 8 vitórias – contra “APENAS” 4 de Prost.

    Por isso que a FIA acabou com os MELHORES RESULTADOS a partir de 1991 em diante.

    Nunca entendi direito o “descarte dos piores resultados”. (pesquisem no GP Total sobre isso, hehehe!)

    Recordando: em 1988 Prost somou 105 pontos contra 94 de Senna. Senna foi campeão pois obteve 90 pontos válidos (8 primeiros lugares e 3 segundos lugares)contra 87 pontos válidos de Prost ( 7 primeiros lugares e 4 segundo lugares)!

    O regulamento premiou o piloto mais eficiente contra o piloto mais regular! Prost não conseguiu melhorar seus resultados.

    P.S.: mesmo que Senna tivesse vencido Suzuka “normalmente” Prost faturaria o título pois Senna bateu num retardatário em Adelaide (muita chuva) e abandonou… e olha que Prost deu uma volta e encostou o carro no box da McLaren.

    • Legais seus comentários, Sandro. Obrigado pelo retorno.
      Em relação aos melhores resultados, eles eram coerentes com uma época em que abandonos por causas mecânicas eram uma constante. “Descartar” alguns resultados era uma tentativa de eliminar esses prejuízos da conta do piloto, buscando definir o título em função do que de melhor cada competidor havia conseguido na pista. Por isso mesmo é válido relativizar essa pontuação do Prost em 1988, uma vez que o regulamento era igual para todos, e certamente vinha guiando as ações dos pilotos ao longo do ano. Inclusive, no vídeo oficial daquela temporada, falava-se após poucas corridas que o título seria decidido pelo número de vitórias entre os pilotos da McLaren. Todos sabiam, enfim, como o título seria decidido.
      Sobre 1989, é como eu disse no texto, Ayrton não perdeu o título em Suzuka. Foram muitos problemas em corridas como EUA, Canadá, França, Inglaterra e Itália, além de erros como Brasil e Portugal. Na Austrália a gente pode considerar acidente de corrida, porque ele nem sequer viu o carro à sua frente (Piquet instantes mais tarde, abandonou da mesma forma). E sobre o Prost, é difícil imaginar ele abandonando voluntariamente o GP australiano, caso a disputa pelo título ainda estivesse aberta, não?
      De qualquer modo, entendo que o GP do Japão de 1989 foi uma corrida extraordinária, que devia ser tratada como tal. Sem vínculos com a decisão do mundial, sem tantos assuntos paralelos. Na pista, a atuação e a vitória de Ayrton forma coisas de arrepiar.
      Abraço!

    • Arlindo Silva

      Curioso ver que, a retirada dos abomináveis descartes em 1991 acabou beneficiando indiretamente… Senna, pois caso a regra tivesse sido mantida em 1991, Mansell dependeria dele mesmo após o GP da Espanha para se sagrar campeão.

    • Sandro

      Realmente a corrida em Suzuka’89 foi épica!
      Senna fez a pole com vantagem de 1,7 segundo? Impressionante! Se bem que mais impressionante foi a pole que Senna fez em Monte Carlo’88: 1,4 segundo de vantagem sobre… Prost!
      Geralmente Senna era “a caça” e Prost “o caçador”. Em Suzuka aconteceu o oposto: Prost era a “a caça” e Senna “o caçador”. Foi um duelo de titãs!
      Na camera onboard do carro de Senna fica visivel que Ayrton aproxima do carro de Prost na entrada da curva mas Alain se distancia na saida da curva.
      Uma das melhores corridas que eu assisti! ;)

      P.S.: Em 1996 – creio eu – Jean Marie Balestre confessou: “Eu ajudei Prost!” (naquela corrida Balestre desclassificou Senna)

    • Pois é Sandro, o mais impressonante em Mônaco 1988 foi colocar 1,4s numa pista de pouco mais de 3km de perímetro, utilizando PNEUS DE CORRIDA. Com monopólio da Goodyear naquela temporada, não eram necessários pneus de classificação, e assim cada piloto podia dar várias voltas na busca pelos melhores tempos. Senna, que costumava chegar ao ritmo antes dos demais, sempre levava vantagem com os compostos de uma volta só (veja, por exemplo, que ele fez 8 poles em 86, e “apenas” uma em 87…), mas em Mônaco nem mesmo com mil voltas à disposição Prost ou qualquer outro tirava aquela pole dele.
      A inversão de papeis que você destacou com propriedade era a alma do plano de Prost. Se partisse na frente, ele ia ganhar de qualquer jeito. Ou vencia na pista, guiando no limite extremo, ou ganhava na batida, caso Ayrton fosse bom o bastante para conseguir a tentativa. Repito: o objetivo era matar o mito Senna, mostrar que, se quisesse, podia ser tão rápido quanto ele. Senna compreendeu isso durante a prova, e esse é o grande drama dessa corrida. Prost armou uma cilada para cravar o asterisco, de que já falamos aqui mesmo, na carreira de Senna. E aí cabia ao brasileiro fazer algo que beirava o impossível, ou ter que conviver o resto da vida com desculpas, explicações e coisas do gênero.
      Por fim, repare também algo muito interessante: na volta 47, ao sair da Spoon, Senna já sabia que tinha chegado a sua chance. No subidão ele regula os freios do McLaren, no que meu irmão Lucas Giavoni, pesquisador dos cockpits antigos, identificou como jogar mais freio para as rodas traseiras. E então mergulha com tudo na 130R (que na época ainda era uma curva, que exigia escolha da velocidade), e deixa para frear no limite os limites.
      Foi, meu amigo, um épico do esporte, sob todos os apectos.
      Abraço, e obrigado pelos comentários.

    • Complementando, de fato Balestre assumiu o caráter intencional de sua intervenção naquele episódio, alguns anos antes de morrer. E sobre os descartes, Arlindo, eu penso que os pilotos jogavam conforme as regras.
      Senna venceu em 1988 conforme pregava o regulamento. Já a partir de 1991, sua postura mudou no sentido de acumular mais pontos ao longo do ano.
      Abraços!

    • Roberto Andrade

      Arlindo, sabia que a única das pontuações que daria o título a schumacher em 1994 foi justamente aquela de 1991-2002?

      Sua afirmação sobre a mudança da regra em 1991 tem uma falha considerável: ninguém disputa um campeonato paralelo para, ao fim, protocolar uma ação querendo que valham os pontos desta ou daquela forma.

      “Se em 2002 fosse pontos corridos, o São Paulo FC seria campeão”, dizem os bambis.

    • Roberto Andrade

      Todo mundo fala de 88, mas em 64 surtees foi campeão por causa dos descartes. e ninguém “rebaixa” o inglês por isso.

    • Arlindo Silva

      A postura do Prost naquela corrida foi a que mais me surpreendeu. Até a 30ª volta a corrida foi toda dele. Até mesmo na forma como ele dobrava os retardatários ele estava melhor que o Senna.

      A impressão que eu tenho é que sempre o Prost corria dentro de uma zona de conforto, mas que quando fosse necessário ele andava até mais forte que o Senna. Em 1988 isso ocorreu com mais frequência (México, França, Portugal, Espanha, Austrália), e em 1989, somente no GP da Alemanha ele esteve num ritmo assim. O GP da Alemanha aliás, foi uma espécie de prólogo daquilo que ocorreria em Susuka.

    • Arlindo Silva

      Roberto…

      No sistema utilizado até 1990, o Schumacher também teria ganho do Hill… Mas acho que o Schumacher não é o tema da coluna nem da discussão certo?

    • Salve Arlindo.
      Concordo que Prost dispunha de enorme reserva técnica, bastante visível em situações especiais para ele. E, quando queria andar, o francês era um dos mais fortes em todos os tempos. Ainda assim, penso que Ayrton ainda conseguia ir um pouco além, considerando que mesmo em Suzuka 89 o brasileiro teria vencido não fosse pela batida. Do mesmo modo, em Hockenheim Senna também foi capaz de descontar a diferença (numa razão pequena, mas constante), antes que a perda de uma marcha definisse a fatura e guardasse a tensão para Suzuka. Nos Gps que você citou de 1988, por exemplo, Ayrton teve problemas em todos. México foi a válvula pop-off; França freios (embora nessa Prost tenha sido efetivamente mais forte); Portugal e Espanha, problemas misteriosos e jamais explicados com o computador de bordo acusando um consumo absurdo; e por fim Adelaide com a perda de duas marchas e um machucado na mão. Mas isso, claro, é apenas a minha opinião pessoal.
      E novamente concordo contigo quando diz que o GP da Alemanha foi um ensaio de Suzuka, deixando claro que a partir do momento em que construiu sua vantagem, Prost havia decidido guiar sem reservas cada vez que tivesse alguma oportunidade de liderar.
      Sobre aquela fantástica corrida, eu publiquei o seguinte texto:
      http://www.ultimavolta.com/formula1/projeto99vitorias/2009_02_08_Triunfo_53.html
      Abraço!

    • Roberto Andrade

      Arlindo, no sistema usado até 90, Hill teria 85 pontos contra 84 do seu mestre. E sim ele não é o tema da discussão, mas também acho q o sistema de descartes tambem não era, até você vir com essa antológica “previsão” de que Mansells eria campeão em 1991. Desse jeito então, o Senna teve 3 títulos: 2 beneficiados pelo regulamento, e outro “na sujeira”. Interessante, a sua lógica.

    • Roberto Andrade

      “Se o prost quisesse, andava mais que o Senna”

      E se o Berger quisesse, será que não conseguia também?

  • wladimir duarte sales

    Até hoje não entendo por que enaltecem esse fulano e o chamam de “professor”!!! Acho que esse elemento alain prost é uma vergonha para o esporte e para seu país. René Arnoux, Jacques Laffitte e Didier Pironi tiveram atuações memoráveis e são subestimados graças a este sujeito só porque “ganhou” 4 títulos e 51 vitórias (metade de lambuja, 1/4 trapaceando e 1/4 com quebras alheias ou batendo no rival).

  • Muito boa a abordagem do texto, principalmente no tocante a atenção que dispensa ao Professor _ em geral, demonizado pelos brasileiros _.

    Gostaria de levantar dois pontos:

    1- “Cortar” a chicane envolvia ter de fazer um movimento de zig zag entre anteparos lá colocados justamente para evitar que alguém ganhasse tempo utilizando-se de tal expediente. Logo, Senna não ganhou tempo e não merecia ser punido por isso (em que pese o regulamente de então).

    2- Antecipar a tangência e reduzir o espaço para o adversário são manobras normais numa defesa de posição da mesma maneira que um contato é uma consequência plausível para quem está correndo tanto risco. Não quero dizer que não deva existir supervisão e que se permita qualquer loucura na pista, mas o incidente em Suzuka 89 (assim como o de 90) é algo que pode acontecer numa disputa de posição. Recriminar Prost por ter fechado a porta é injusto num meio em que esta é uma aposta válida e utilizada por todos os pilotos em vários momentos de suas carreiras. Normalmente, quem tem tudo a perder recolhe para tentar a ultrapassagem em outro momento… os dois, naquele momento, jogaram dados para tentar a sorte… O Francês podia estar errado. Hoje, seria punido, mas não merece a execração da qual foi vítima, como se tivesse inventado a maldade na F1. Ele não fez nada de novo. O que aconteceu fora das pistas, no “tapetão”, merece uma outra analise…

  • Mauro Santana

    E para se ter uma ideia do quanto os dois estavam rápidos, no momento da batida, eles se aproximavam do Patrese, que naquela altura corria em quinto lugar.

    Não deixa de ser tentador achar que se a batida não tivesse acontecido, ambos colocariam uma volta do terceiro colocado em diante.

    Prost e Senna voavam!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Arlindo Silva

      Concordo com o Fernando. Foi a partir desses incidentes e da permissividade da FIA que a coisa se extrapolou.

      Salvo engano, a FIA enumerou 5 ou 6 motivos para Senna ser desclassificado daquele GP.

      – Tentativa de ultrapassagem executada em zona proibida (devido a ele ter feito a manobra sobre o tracejado amarelo da entrada dos boxes);
      – Eliminar o líder da prova através de acidente;
      – Repetir a tentativa de ultrapassagem em zona proibida (contra Nannini);
      – Não ter completado a distância total do GP (por ter cortado a chicane);
      – Não ter abandonado a prova quando os fiscais empurraram seu carro para a área de escape;
      – Ter se utilizado de auxilio externo (fiscais de pista) para religar o motor quando o seu carro estava numa área de escape.

      De todos os pontos, creio que o único ponto passível de punição é exatamente o último. Inclusive na época foi o único que a McLaren não conseguiu rebater em sua defesa.

      De qualquer forma, ponto negativo para a FIA que não puniu Prost por ter forjado o acidente.

    • Roberto Andrade

      Arlindo, esse “ùnico ponto” cairia por terra naquela conferência de pilotos no ano seguinte…

  • Fernando Marques

    Não resta duvidas que a corrida e o duelo foram sensacionais mas a ilegal manobra de Prost ao bater propositalmente em Senna foi o que ficou na historia … e ali talvez deu inicio a um período na Formula 1 onde a imoral e falta de etica predominaram … tanto que no ano seguinte o Senna devolveu na mesma moeda e reconquistou o titulo de campeão …

    Fernando MArques
    Niterói RJ

    • Pois é Arlindo. Não vejo qualquer problema no fato de Ayrton ter sido empurrado, uma vez que ele estava em local perigoso. Era, inclusive, o procedimento previsto, e seria defendido no ano seguinte no próprio briefing. Da mesma forma, não haveria problema algum em cortar a chicane, considerando que os obstáculos estavam lá justamente para assegurar que não haveria benefício no cronômetro. O mesmo acontecia em Hockenheim, e ocorre até hoje em Monza.
      O problema está em ser empurrado fora da área de perigo, e retornar à písta dessa forma. E aí entramos numa zona subjetiva, porque mesmo a área de escape pode ser um local perigoso.
      Nesse caso, portanto, os argumentos ofenderam muito mais do que o veredicto, porque cruzaram a fronteira do cinismo e zombaram da inteligência. O típico caso de condenação prévia.
      Repito: Senna não era santo, nem perdeu o título lá. Mas a corrida foi grande demais para ser maculada.
      Ao menos, tendo vencido da forma como venceu, Ayrton perdeu o título, mas preservou o mito.

  • Mauro Santana

    Esse GP é sem duvida um show!!!!

    Lembro que a corrida começou logo após o filme Os Intocáveis, e quando o Prost acertou o Senna, dei um berro xingando o frances de FDP, e meu pai veio na onda e mandou o francês a merda!

    Essa corrida foi uma estratégia de guerra, que muitos já comentaram comigo de ter sido uma prova chata até o momento em que Senna encosta no Prost, que eu sempre descordei, e que o amigo Marcio muito bem descreveu.

    E mais uma detalhe, amigo Marcio, a manobra de ultrapassagem feita pelo Ayrton na freada da chicane, já havia sido efetuada um ano antes em cima do Alboreto, ou seja, Senna sabia que era o único local já que ele não conseguia sair colado em Prost nas retas, e que era possível sim, efetuar tal manobra naquela chicane.

    E o Prost era uma Maquiavélico nato, pois no GP de Monza de 1988, ele já havia atraído Senna para uma armadilha, e que novamente seria aplicada, em outras circunstâncias, neste GP japonês.

    Uma batalha de dois gigantes!

    Um GP Inesquecível!!

    Parabéns amigo Marcio!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

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