2014 em 10 atos

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Quais os 10 atos que marcaram 2014 no esporte motor?

Fecham-se as cortinas. Acaba o ano. Apagam-se as luzes. O mundo do automobilismo começa a viver o período de férias em competições e, dentro dos muros das fábricas e das garagens, começam os preparativos para mais um ano de aventuras pelas pistas.

Foi um ano de erros e acertos na F1. Um ano épico nas pistas mas de bastidores decepcionantes. Regras esdrúxulas, discussões inócuas e falências. A tradicional “silly season” rendeu bons frutos e negociações interessantíssimas. Passamos um ano sem notícias esclarecedoras do maior campeão da história, Michael Schumacher e a F1 mandou para o hospital um de seus mais talentosos filhos.

Por mais erros do que acertos a F1 deixa de ser exclusiva nas atenções dos fãs do esporte a motor. Na era da internet, streaming de vídeo e redes sociais, o fã da velocidade conecta-se a um sem fim de categorias interessantíssimas e não vive mais da dependência de selecionar o canal 05 da sua televisão.

2014 marca essa transição e que tal encerrar o ano com os 10 fatos mais marcantes do esporte motor?

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Listas, retrospectivas, rankings, os desejos da humanidade por esse tipo de recurso é inexplicável e remete aos tempos mais remotos. Hoje, um dos sites mais valiosos do mundo “vive” desse recurso, o BuzzFeed é uma grande coleção de listas. Por que não fazer a nossa?

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10º Lugar – Título de Lewis Hamilton na F1

Um campeão do mundo na Formula 1 não pode ficar fora da lista de marcas históricas do ano. Afinal de contas, vamos lá, é a F1!

O título ficou na mão de quem correu para vencer. Felizmente. Hamilton esteve em 19 corridas esse ano. Quebrou em 3, finalizando provas somente em 16 oportunidades. Nas 16 oportunidades que terminou, todas foram no pódio. Liderou 15 provas e venceu 11. Isso mesmo, 11 das 16 que terminou, quase 70%. Foi merecedor e ainda derrotou um companheiro de equipe com excelente nível de pilotagem.

Mas o mais marcante foi ter levado o título fora dos domínios protetores de Ron Dennis e da McLaren. O menino prodígio da esquadra inglesa tinha o peso nos ombros da desconfiança de conseguir vencer fora da casa que o criou. Por isso, o bicampeonato é tão saboroso e entra na nossa lista!

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9º Lugar – A façanha de Bianchi

Um time falido. Sem recursos para pagar seus motores. Um time que tinha uma missão esse ano: ficar entre os 10 primeiros colocados para pleitear uma graninha extra de premiação e uma vaga gratuita nos aviões da DHL.

Após um começo de temporada vacilante, o time mostrava que ao menos não fecharia o grid em todas as corridas. Havia melhora sensível no carro de 2014, superar a Caterhan era uma realidade constante e a Lotus estava sempre na alça de mira.

A maior chance de pontos era a prova de Monaco. Desgastante para o equipamento e sempre tumultuada, chegar ao fim da corrida pode já ser o suficiente para marcar pontos.

Jules conseguiu botar sua Marussia no 8º posto ao final da corrida. Uma punição lhe custou um posto e ele terminou em 9º na classificação.

Esses dois pontos foram seus dois primeiros pontos na categoria. Os dois primeiros da Marussia. Nos dois casos, infelizmente, caminham para ser os únicos pontos conquistados por eles.

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8º Lugar – Um novo Chase e um novo campeão, Kevin Harvick

A NASCAR com seu longo campeonato de 36 corridas experimentou um novo formato de Playoffs. Sob muita desconfiança o ano começou na expectativa de como seriam as últimas provas. O sistema de eliminação funcionou e as provas foram recheadas de emoção e de pressão até a última volta.

O que mais agradou os fãs foi o formato da última prova. 4 pilotos disputaram o título e quem chegasse na frente levaria o caneco. Corrida pura e simples, sem matemáticas e cálculos complicados.

O público adorou e a NASCAR aclamou um novo campeão, o piloto do Chevrolet SS #4, Kevin Harvick, levantou o caneco após 5 vitórias e 20 corridas entre os 10 primeiros.

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7º Lugar – Renascimento de Juan Pablo Montoya

Ao fim da sua carreira na F1 em 2006, o colombiano se preparou para a ventura na NASCAR. Era uma grande estrela indo para o grande campeonato americano. Cercado de expectativas, durante 7 temporadas só conseguiu duas vitórias (em circuitos mistos) e nos últimos 3 anos não chegava a ficar entre os 20 melhores do campeonato. No meio de 2013 foi avisado que seu contrato não seria renovado e Montoya foi procurar ajuda no box da equipe de Roger Penske.

Mais magro e focado no objetivo, a Indycar viu uma grande estrela ressurgir nas suas pistas. Foram 4 pódios na temporada e uma vitória nas 500 milhas de Pocono. Além da vitória, marcou a prova mais rápida da história de uma corrida de 500 milhas: 325.734 km/h de média nas 200 voltas!

O colombiano está de volta e promete brigar pelo título em 2015.

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6º Lugar – A Toyota desbanca Audi no FIA WEC

Desde 2000 a Audi é soberana em Le Mans (perdeu só uma pra Peugeot e outra pra Bentley que usava um projeto Audi) e também dominava o FIA WEC desde sua criação.

Os novos Toyota se mostraram rápidos em Le Mans para a classificação, mas ainda não foram resistentes o suficiente para serem rápidos durante todas as 24 horas. Mas no campeonato todo o Toyota TS040 Hybrid foi soberano. 5 vitórias em 8 corridas e o título de Construtores e Pilotos. Isso tudo com um belo e barulhento motor V8 a gasolina. Que sonho!

A disputa será em alto nível em 2015. Para manter o título – e vencer a sonhada 24 horas – a Toyota terá que bater novamente a Audi e também Porsche e Nissan. Vale acompanhar de perto!

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5º Lugar – A entrada da Citroën no WTCC e Sebatien Loeb.

A Citröen testou um ano inteiro com seu carro para o mundial de turismo e com a saída do suporte oficial da Chevrolet, deitou e rolou no WTCC.

É verdade que o campeonato mereceria maior atenção das montadoras, mas isso não desmerece o título francês logo na estreia. Além do título de construtores, fez 1º, 2º e 3º no campeonato de pilotos. Um sucesso total!

Para complementar a festa, Sebastien Loeb fez sua primeira temporada completa em provas de circuito fechado, anotando 2 vitórias e 2 voltas mais rápidas. Um começo marcante para o multi-campeão.

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4º Lugar – O poder prateado.

Todo munda esperava uma mudança na ordem de forças da F1 para 2014 por conta das novas regras. Mas ninguém esperava um domínio surreal de uma única equipe.

A nova Mercedes F1 W05 Hibryd varreu a F1 na temporada e só perdeu para ela mesma com alguns problemas de confiabilidade.

O motorzinho 1.6 alemão e um chassi equilibrado levaram o time ao topo da categoria, e parece que uma nova era nasce. Apesar das brigas para liberar o desenvolvimento dos motores, a Mercedes provou que não é só o motor que garantiu o desempenho neste ano. A Williams conseguia ser tão rápida quanto eles, mas estava longe de manter o equilíbrio durante a corrida. E acertar um chassi para “tirar” de 0,5 sec a 0,7 sec para o carro dominante não é das tarefas mais fáceis na complicada engenharia da F1.

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3º Lugar – A temporada da MotoGP

No nosso pódio de fatos do esporte motor, o que foi esse ano na MotoGP?

A categoria rainha viu um jovem de 21 anos dominar a categoria com elegância pelo segundo ano consecutivo. Marc Márquez ganhou nada menos que as 10 primeiras provas da temporada até ser derrotado pelo seu experiente companheiro de equipe.

Além das vitórias e recordes de precocidade de Márquez, a MotoGP ainda viu a volta da alegria vitoriosa de Valentino Rossi. O multicampeão voltou a vencer e se animou para seguir na luta por mais um título em 2015.

Todos saíram ganhando em 2014 na MotoGP e o publico aplaudiu de pé.

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2º Lugar – Piloto do Ano

Não, não teremos surpresa aqui. Daniel Ricciardo é o piloto do ano.

Subiu para equipe principal do programa da Red Bull, a tetracampeã, cheio de dúvidas e desconfianças sobre seu ombro. Não teve dúvidas, abriu um sorriso no rosto e vibrou com o melhor trabalho do mundo para um jovem piloto. Nada de cara amarrada.

Ainda foi lá e ganhou 3 provas quando a Mercedes não se colocou em condição de vitória. Com requintes de crueldade, aniquilando seu companheiro de equipe, o mais novo tetra-campeão do mundo.

Certamente 2014 foi o ano da vida de Ricciardo e o credencia para entrar na galeria dos campeões em breve.

Desde a 1980 a Austrália não tem um campeão, será que chegou a hora?

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1º Lugar – Rubens Barrichello

Não se engane. Esse é o fato do ano no esporte motor.

Rubens Barrichello, para o bem do esporte motor brasileiro, aposentou Rubinho. O Brasil foi apresentado ao campeão. Sem adjetivos que justificam derrotas de outros pilotos, “bom caráter – bom moço – família”, sem a simpatia de todos, mas com a alegria de quem vai aos autódromos, Rubens venceu!

Um piloto de 42 anos, motivo de chacota de parte de imprensa e da torcida, muda completamente sua carreira e domina uma categoria. Isso é relevante. Barrichello executou uma transição dos monopostos para os carros de turismo no Brasil como a muito tempo não se via. Vale lembrar que Luciano Burti, Antonio Pizzonia, Ricardo Zonta, Bruno Senna, Raul Boesel, Tarso Marques, Christian Fittipaldi e Enrique Bernoldi tentaram e não chegaram perto de disputar efetivamente o campeonato.

2 vitórias, mais 4 outros pódios garantiram o título da Stock Car Brasil para o veterano piloto brasileiro. É o primeiro título (fora dos karts) que o brasileiro ganhar em solo brasileiro.

Sem medo de arriscar, Rubens hoje é a salvação da Stock Car no Brasil. O campeonato estava decadente pela defasagem tecnológica e falta de patrocínio principal (é só ver a belezura de logotipo da categoria). Mas repare como a categoria voltou aos jornais por conta dele. Ele fez bem pra categoria e a categoria fez bem pra ele.

Barrichello, falta uma Le Mans no currículo, né? Vamos tentar?

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Não perca tempo! Quais são os seus 10 eventos do esporte motor em 2014?

Nós teremos também as nossas férias de verão, mas não descansaremos nossos pensamentos e desejos de melhora para Michael e Jules.

Tous Avec Jules! Keep Fighting Michael! Vocês ainda nos darão a maior vitória!

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

8 Comments

  1. Lucas dos Santos disse:

    Realmente, Flaviz, os “streamings” nos abrem novos horizontes, no que toca ao automobilismo.

    Ano passado eu tive a oportunidade de acompanhar diversas categorias. F1, GP2, WRC, IndyCar, WEC… e devo estar esquecendo de mais alguma. Todo fim de semana tinha um evento para assistir, isso quando dois eventos não caíam na mesma data – mas, felizmente, em horários diferentes.

    Pena que esse ano eu não tive tempo de acompanhar todas as categorias que eu desejava. Tive que “enxugar” a minha lista de eventos e acabei me restringindo somente à F1 e, posteriormente, à Fórmula E. Por falar em Fórmula E, senti falta de uma menção a ela nessa coluna. Afinal, uma categoria só de elétricos foi uma ousadia e tanto, e até que não ficou tão ruim. Carros elétricos podem até ser sem graça, mas a categoria tem uma “entry list” de primeira que, até agora, nos brindou com ótimas corridas. A propósito, nesse fim de semana tem mais uma etapa, no Uruguai!

    Parabéns pela coluna, mas, como quase não acompanhei as demais categorias do esporte a motor, ficarei devendo a minha lista dos dez melhores eventos do ano.

  2. Mauro Santana disse:

    Exatamente Fernando, e digo mais, a F-Truck me lembra e muito a F1 dos anos 80, pois além das várias marcas que estão na categoria, tem motores turbo e câmbio manual.

    F-Truck é um SHOW!!!!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  3. Fernando Marques disse:

    Flavis,

    na Formula Truck, este ano o piloto Leandro Totti obteve 6 vitorias das 10 etapas do certame, sendo que ele venceu consecutivamente as 5 primeiras etapas. Fora isso creio que a categoria seja a unica e verdadeiro campeonato de marcas aqui no Brasil. Participam do campeonato a MAN/Volkswagen, Mercedes Benz, Scania, Iveco/Fiat. Volvo e Ford …

    Certamente o Sebastian Vettel está entre os 10 piores, assim como a Ferrari, o Kimi Raikkonen, o Galvão Bueno … hehehehe

    Fernando MArques

  4. Flaviz disse:

    Rodolfo, boa dica!
    Vou pensar aqui.

    Quais suas sugestões?

    Abraços

  5. Flaviz disse:

    Fernando e Mauro, vocês tem razão! Vamos acompanhar mais de perto em 2015.
    Algum fato que mereça entrar na lista?

  6. Mauro Santana disse:

    Bela lista Flaviz!

    E concordo com o Fernando, a F-Truck merece mais destaque, e já faz alguns anos que na minha opinião e no meu gosto pessoal, é a minha categoria nacional predileta.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  7. Fernando Marques disse:

    Flavis,

    nada acrescentar entre os eleitos do Top 10 de 2014.
    Agora acho eu que pela festa que a categoria sempre faz por onde passa, a Formula Truck aqui no Brasil merece um destaque também.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  8. Rodolfo César disse:

    A lista ficou tão bem feita que é difícil retocá-la. Parabéns!

    É uma boa retrospectiva levando-se em conta os aspectos positivos do ano. Que tal fazer o inverso, os dez piores momentos de 2014? Acho que essa vai ser mais fácil, só na F1 deve bastar pra completá-la kkk.

    Abraços!

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