2019 Preview

O mestre de Fangio – parte 8
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Um ano de ouro
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A temporada da Fórmula 1 começa nesta semana, e queremos falar das expectativas para este ano. Outras categorias já se iniciaram, e alguns de nossos colunistas (especializados em várias delas) também falarão a respeito. A ideia é compartilharmos nossas dúvidas, descrenças, otimismos e ceticismos sobre tudo que envolve a F1 e as outras principais categorias para que você, caro leitor, também se sinta parte deste time.

 

1) A Fórmula 1 será a categoria principal de 2019 pra você?

Carlos Chiesa: Sim, mesmo com todos os atentados contra seus pilares, a F1 permanece de pé e atraente. Se sobrar tempo verei MotoGP e F2.

Eduardo Correa: Como assim? Há outras categorias de automobilismo? Ah! Claro. Rally. Sim, é muito legal, mas está tão longe da nossa realidade e hábitos… A gente deveria ter prestado mais atenção nela. Caras que correm sobre asfalto, terra, lama, pedras, neve. E aqueles carrinhos são legais, com bastante inovações técnicas. Sem falar no Loeb que, na ponta do lápis, pode ter sido maior do que Fangio, Senna, Clark. Mas acompanhar o Mundial de Rally pela TV é osso. Então vamos de F1 mesmo.

Flaviz Guerra: Não tem jeito: mais um ano de madrugadas acordado para acompanhar as provas na Ásia. Apesar da polaridade dos últimos anos é um baita campeonato. No rastro da F1, vou seguir as corridas da NASCAR e olhar com um pouco mais de carinho para a Indy. MotoGP entra pra “fechar a agenda”.

João Carlos Viana: Apesar dos pesares, a F1 ainda está no topo do automobilismo.

Lucas Giavoni: Como sempre! Mas as corridas principais serão Le Mans (minha preferida de sempre) e a Indy 500, com o bônus do “Triple Crown Challenge” oferecido pelo Fernando Alonso – mal posso esperar por essa.

Manuel Blanco: Apesar de ser muito critico com ela, ainda continua sendo minha categoria preferida do automobilismo. Porem, a moto GP vem logo atrás e, uma vez mais, acho que teremos um campeonato muito interessante com corridas emocionantes (algo raro na Fórmula 1). A dupla Marquez – Lorenzo acho que promete bastante e, ainda que Lorenzo tenha que se habituar à Honda, quando isso aconteça, creio que teremos disputas muito interessantes. Recordemos que, desde a irrupção de Marquez na categoria, Lorenzo foi o único capaz de “roubar-lhe” um título.

Marcel Pilatti: Não mais, a não ser que a coisas mudem demais. MotoGP em primeiro. As 500 milhas de Indianápolis vai ser a principal corrida, no entanto.

Márcio Madeira: Já faz alguns anos que a categoria que mais me empolga é a MotoGP. Acelera meus batimentos cardíacos como a Fórmula 1 fazia nos anos 80 e início dos anos 90. Dito isso, a F1 continua a ser o pináculo do esporte a motor, e o fato de termos um equilíbrio maior entre os melhores carros pode se traduzir – tomara! – numa disputa de altíssimo nível entre Hamilton e Vettel, tendo Leclerc como possível cereja do bolo.

Mário Salustiano: Sim, meu interesse é mais consistente pela F1, assisto tudo e leio sobre F1 todos os dias, as demais categorias assisto e leio de forma esporádica

Rafael Mansano: A F1 não está mais no topo da minha lista de prioridades, em relação à corridas. Faço mais questão de assistir Moto GP e Nascar, mas ainda acompanho as corridas da F1 na busca por alguma emoção repentina. O péssimo som dos carros, DRS, halo e excesso de punições me desestimulam.

Roberto Agresti: Não. Basicamente me divorciei da F1 quando comecei a seguir mais a fundo a Motovelocidade, à época (meados dos anos 1980) a categoria 500, hoje MotoGP. Para mim o Mundial de Motovelocidade é a categoria mais emocionante do esporte a motor. Sigo F1 de maneira bissexta e dificilmente tenho paciência para assistir uma corrida de F1 inteirinha.

 

2) Seu palpite para título nas principais categorias (ou somente naquela(s) que você acompanha de perto).

 

CC: Espero que o pelotão dianteiro incorpore RB e Renault, com vitórias inesperadas. O bom senso indica apostar novamente em Lewis e Seb, mas vou arriscar tudo e apostar em Leclerc. Seria bom para a categoria, não?

EC: Pelo que vi até agora, sem prestar muita atenção, vai dar Mercedes&Hamilton, repetindo o enredo do ano passado: Ferrari começa melhor, mas depois é batida pela competência da Mercedes. Imaginem imaginem a mobilização de dinheiro, computadores, laboratórios e mentes brilhantes labutando dia e noite nas oficinas da Mercedes. Não creio que a Ferrari seja capaz de compensar o poderio alemão. Vai ter de juntar Estados Unidos e União Soviética para derrotá-lo – quer dizer, mudar o regulamento de motores, foi mal aí.

FG: A Fórmula 1 começa com um campeão declarado: Kubica. O retorno é a história mais improvável da F1 das últimas décadas, só de estar no grid é fato digno de um campeão. Mas o campeão na frieza dos números ao final do ano deve ser  Vettel. Vai marcar um título com a Ferrari, escrever seu nome na história e depois assistir a vida passar. Será o ano do Canto do Cisne pro alemão. NASCAR, com o domínio da Ford, devemos ver o bicampeonato de Logano e da Penske.

JC: F1 – Vettel / MotoGP – Marc Márquez / Indy – Will Power

LG: Só vou ter tempo pra F1 e Indy (e olhe lá!); espero ter algum tempo pra curtir a MotoGP. Então… F1: Vettel / Indy: Alexander Rossi.

MB: Aqui temo que haja pouco espaço para a especulação e os maiores candidatos ao título sejam os de sempre. Talvez a maior expectação seja ver o rendimento de Charles Leclerc na Ferrari e, caso confirme as esperanças depositadas nele, ver como isso pode afetar a Vettel quem, como sabemos, não é muito dado a resistir à pressão.

MP: Vou ser conservador: Márquez e Hamilton.

MM: Marc Márquez, Sebastian Vettel, Josef Newgarden.

MS: Meu palpite é que haverá novamente a polarização entre Mercedes e Ferrari pelos construtores, entre os pilotos Hamilton tem 70% de chance em meu palpite para levar o título, os demais 30% divido entre Vettel e Lecerc, o desempenho e liberdade do novo piloto da Ferrari pode contrapor o favoritismo do alemão. Como torcedor eu gostaria de ver o Daniel Ricciardo com chances reais em sua nova casa, mas não aposto em título.

RM: F1: Hamilton / Moto GP: Andrea Dovizioso / Nascar: Kyle Busch.

RA: Na MotoGP o reinado pertence a Marc Márquez, que só será derrotado se alguma outra equipe propuser um “pack” piloto-moto surpreendente. Quase foi assim em 2017 com Dovizioso e sua Ducati. Este ano ainda é cedo para dizer mas creio que este mesmo antagonista possa ser o rival principal de MM. Na F1, Hamilton-Mercedes garantirá o bocejo. DETALHE: parar mim o que está matando a F1 é a tecnologia em excesso, os carros todos iguais na aparência y otras muchas cosas más.

3) Além da disputa pelo título, o que mais vai te chamar atenção nesta temporada (circuitos, equipes, pilotos etc).

CC: O desempenho da Honda é o que promete ser mais interessante.

EC: Três coisas, resumidas em perguntas:

1) A RBR Honda vai entregar algo além de constrangimentos?

2) Verstappen terá condições para seguir sua trilha rumo ao domínio da categoria ou, para ele, a RBR Honda será o que a Lotus-Renault representou para carreira de Senna?

3) Ricciardo conseguirá alavancar os resultados da Renault?

FG: Certamente os pilotos. As estreias de Antonio Giovinazzi, Lando Norris, George Russell e Alexander Albon,  o badaladíssimo Charles Leclerc, Pierre Gasly prematuro numa Red Bull e o retorno improvável de Daniil Kvyat querendo mostrar serviço, tudo isso é elemento de sobra para uma carnificina na largada de Melbourne.

JC: O comportamento dos vários pilotos que trocaram de equipe esse ano.

LG: Teremos quase que certamente mais um duelo entre Mercedes e Ferrari, com especial atenção ao que Charles Leclerc pode fazer (eu morro de medo dele ser um novo Alesi). Como atração, veremos o papel da Honda com a Red Bull, e se a Renault de Ricciardo realmente evoluiu. Como ponto negativo, já há a certeza absoluta de que a Williams será sempre o pior carro do grid – pobre Kubica!

MB: Como de costume, os testes da pré-temporada não dão muitas pistas sobre o estado das equipes. Como disse Horner : ” Se houvesse um campeonato de inverno, a Ferrari sempre venceria ! “. Porem, não é descabido pensar que o jerarquia de forças se manterá uma temporada mais, com Mercedes e Ferrari no topo, mas com o aliciante da progressão que se vislumbra na RedBull, Renault e McLaren (e alguma outra). Com o período do regulamento dos atuais motores (desculpem: unidades de potência) chegando ao seu fim, é lógico pensar que os fabricantes estejam chegando ao limite de seu desenvolvimento e, com isso, alcançando um maior equilíbrio entre eles. Pelo menos…isso espero.

MP: Acredito que a busca de Alonso pela tríplice coroa, o embate Lorenzo vs Marquez na mesma equipe e, na F1, Leclerc vs Vettel, Ricciardo em nova casa e o regresso de Kubica. Alguma curiosidade, também, com o Kimi na Sauber.

MM: Fora da Fórmula 1, a busca de Fernando Alonso pela tríplice coroa, a busca de Valentino Rossi pelo décimo título mundial e o recorde absoluto de vitórias. Dois monstros em missões de primeira grandeza. Na Fórmula 1, a dinâmica de competitividade entre Mercedes e Ferrari, a administração das disputas internas no time italiano, os desempenhos do motor Honda e do grande Robert Kubica.

MS: O desempenho da Honda na Red Bull deve ser a principal peça chave de atenção na temporada, é vencer ou muro para a equipe e os japoneses. Existe um estigma histórico que envolve os anos terminados em 9 que sempre trouxeram em sua maioria elementos surpresas nas temporadas (citando: 59 a vitória e mudança de paradigma do motor traseiro, 69 o título de um carro francês com motor inglês, 89 a polarização da rivalidade Senna-Prost, 2009 a surpreendente Brawn), Vai que nessa linha a Red Bull chega e leva o campeonato… Nos demais aspectos esse campeonato não traz nada de diferente das últimas temporadas

RM: Quero ver a Red Bull andando de Honda, Riccardo na Renault, Leclerc na Ferrari e Kubica de volta.

RA: Obviamente na MotoGP vai me interessar ver a Suzuki e seus dois jovens pilotos (um deles estreante, Joan Mir) rumo ao topo. Ver Jorge Lorenzo e Marc Márquez no time Honda, que nunca teve dois galos no mesmo galinheiro. Ver Valentino Rossi aos 40 anos em sua 20ª temporada na categoria máxima. Tentar individuar nas categorias Moto2 e Moto3 os futuros Márquez e Rossi.

4) Quanto ao novo regulamento da F1, qual o ponto positivo e o ponto negativo, na sua opinião?

CC: Também concordo que maior velocidade com segurança é o melhor atributo. Mas a FIA tem se esmerado em produzir regulamentos calibre 12 contra o próprio pé. Vou só citar o básico: carros feios (a meu ver horríveis) e ruído de motor de máquina de costura. Este ano em Interlagos dispensei o protetor de ouvido. Coisa impensável na época dos Cosworth (sem mencionar 12 cilindros). Em suma, dá para fazer um discurso tipo Fidel ou Maduro (versão mais recente) a respeito dos aspectos negativos deste regulamento e dos que o precederam. Parecem ter sido feitos por alguém que detesta a F1.

EC: Não sei responder a esta pergunta. Não tenho mais esperanças, convicções e paciência para discutir regulamentos na F1, no Congresso ou STF. Me contento em comer o prato que colocam diante de mim. Sei que este prato será cada vez mais intrincado, caro e discutível, mas sei que as alternativas também o são, de forma manda aí o que está no cardápio e vamo que vamo.

FG: Pontos positivos, é difícil de extrair algo. Esse modo de economia de combustível-pneus-peças-motores-câmbios é um horror. De nada adianta asa maiores para “proporcionar” emoção na pista quando você usa um DRS. De negativo… Fluxo de combustível limitado, carros quase pesando uma tonelada e essa nomenclatura nova de pneus que precisa de um guia pra entender.

JC: Positivo: A velocidade dos novos carros (é indiscutível que os carros são os mais rápidos da história). Negativo: o barulho dos carros ainda me incomoda.

LG: As novas asas dianteiras, a despeito de serem horrorosas, prometem melhor desempenho andando na turbulência – espero que funcionem. Quanto aos pontos negativos… que horas são? Tem tempo pra discurso estilo Fidel?

MB: Quanto ao regulamento podemos dizer que as mudanças feitas anteriormente, pouco ou nada aportaram. Portanto, não há margem para a esperança. Para minha tristeza, continuam com a “gincana” dos pneus e sua interferência no desenvolver das corridas.Contudo, o que mais me chama a atenção é o aumento da largura do aerofólio dianteiro, a elevação do traseiro e o aumento do efeito do DRS, pois temo que isso apenas ajude a aumentar ainda mais a artificialidade das ultrapassagens. Se dizem que a modificação nos aerofólios vai produzir um fluxo de ar mais limpo que permita que os carros circulem mais próximos, para que aumentam a eficiência do DRS? Se agora já é habitual ver aerofólios dianteiros arrancados, imaginem com seu tamanho ainda maior! Se a elevação do aerofólio traseiro “limpa” o fluxo de ar para que o carro perseguidor não sofra perda de downforce, creio que teria sido melhor prolongar um pouco o fundo plano para a frente, assim se aumentaria um pouco o seu efeito solo e não seriam necessários aerofólios dianteiros tão grandes. Enquanto ao resto de regulamento e como diz o velho ditado: “De vez em quando, é necessário que algo mude… para que tudo siga igual!”.

MPDe bom, parece que o aumento da velocidade, já a parte ruim não é específica: acho criminoso esse negócio de obrigar usar pneus X, mas há uma tendência de querer se amoldar ao “novo público”, usando as estratégias de entretenimento dos esportes americanos. Cogitar bandeirada virtual (WTF?!) e o retorno do ponto para a volta mais rápida — vá lá, até que tem algum mérito esportivo — são demonstrações claras de que a porção esportiva não é mais a parte principal da categoria.

MM: Os carros estão muito rápidos, e isso é sempre bom e necessário. O recente teste da Indy no circuito das Américas mostrou o tamanho do abismo de desempenho entre as duas categorias. Não gosto do DRS, nem muito menos da obrigatoriedade da troca de pneus. Também sinto falta do rugido que acompanhava os carros, e de uma maior liberdade para atuação com pista molhada. Torço para que as novas asas dianteiras reduzam um pouco a perda de aderência para quem vem atrás.

MS: Positivo: o aumento da velocidade com extrema segurança. Negativo: excessos de imposições no regulamento, tanto nas disputas de pistas  com as punições criando miquinhos adestrados nos pilotos, como na questão da escolhas dos pneus e suas restrições, é preciso um manual da NASA para o torcedor comum interpretar a quantidade e exageros dos compostos. Sou de opinião que uma liberalidade e flexibilidade nesses pontos do regulamento poderia adicionar o elemento controvérsia nas disputas , tão salutar em outros esportes e inexistente na F1 atual.

RM: Negativo: não gosto das limitações de motores, pneus e combustível. Outra coisa que é péssima é o tamanho exagerado dos carros. Parecem ônibus mais agressivos. Positivo: espero que a mudança na asa dianteira permita carros fazendo curvas mais próximos do carro à frente. Sem bem que o DRS vai estragar tudo mesmo…

RA: Nem ideia. Se dependesse de mim reduziria drasticamente a importância das superfícies aerodinâmicas, reduzindo o tamanho de asa dianteira e traseira. Idem quanto à dimensão geral do carro.

5) Qual é sua opinião sobre a Fórmula E?

CC: F-E? Em certo momento levantei dúvidas a respeito do falecido Sergio Marchionne. Reconheço que ele acertou em muitas coisas. Perguntado se a FCA iria investir em motores elétricos, disse que estavam atentos a isso mas que neste momento não fazia sentido. Produzir motor elétrico gera tanta poluição, direta e indireta, que o custo-benefício fica negativo. Se ele estava certo, e as dificuldades da Tesla parecem provar isso, essa categoria também não faz sentido. Como espetáculo é obviamente pobre.

EC: Passo. Meu interesse pelo automobilismo em geral e esportivo em particular é declinante. Não pretendo começar a seguir novas categorias, estou superando devagar o luto pelo passamento do Mundial de Sport-Protótipos – o dos anos 70, Ferrari, Porsche & Matra, se bem que os Audi eram legais.Enquanto isso, tento associar positivamente carro e eletricidade. Algo me soa estranho nesta associação. É uma ideia nova e ainda pouco permeável à minha cabeça anos 60. Gasolina e câmbio manual ainda são imprescindíveis para mim. Contra todas as evidências, acho que carros elétricos não serão tão populares assim no médio prazo, como dizem, principalmente por conta do preço deles. Mas, sei lá: tudo é possível neste mundo de Deus. De qualquer forma, não pretendo seguir a Fórmula E, mas a gente continua amigo do mesmo jeito.

 

FG: A “fórmula” tinha tudo pra dar certo, alguns bons pilotos que não conseguiram vaga na F1, grandes montadoras, tecnologia….. O problema são os carros e a qualidade das corridas. Pra começar aquela troca ridícula de carro durante uma prova. Depois a velocidade média das provas é de dar vergonha: 77.044 km/h no Mexico 2019, 107.812 km/h em Santiago 2019, as duas com os carros mais potentes da categoria. Ano passado em Santiago, 89.293 km/h.  Esperamos que com a chegada da Mercedes e da Porsche, as 4 montadoras alemãs elevem o nível desses carros.

 

JC: Representa tudo ao contrário do que me fez gostar de automobilismo. O que me fez gostar do automobilismo é a velocidade, a emoção, a beleza dos carros, pilotos carismáticos, o som dos motores e pistas lendárias. Ou seja, se fosse pela F-E eu nunca gostaria de automobilismo!

 

LG: Ninguém mandou perguntar… Acho a F-E um tremendo engodo. Não há tecnologia suficientemente desenvolvida para oferecer competição de alto nível em velocidades e acelerações, como com os bons e velhos motores a explosão – por isso usam circuitos de rua pequenos e apertados. E quanto ao barulho… bom, prefiro meu Autorama Estrela.

 

MB: Sobre a Fórmula E, me parece uma categoria prematura. Os carros elétricos ainda têm um longo caminho pela frente para se afiançar no mercado, portanto criar uma categoria para esses carros não me parece lógico. Menos ainda, quando as corridas resultam tão pobres em comparação com aquelas em que os carros equipam motores de explosão. Creio que não tem sentido criar uma categoria para promover uns carros para os quais ainda não há infraestruturas suficientes para suportá-los. Se não me engano, apenas a França, poderia fornecer eletricidade a um parque de carros elétricos, pois 75% de sua produção elétrica é de origem nuclear e, como sabemos, uma vez um reator alcança seu delicado ponto de equilíbrio, este se mantém haja demanda ou não de energia pelos consumidores. Assim, a eletricidade que esse reator gera e que agora se desperdiça à noite pela falta de demanda, seria usada para carregar as baterias. Isso seria um bom negócio, pois cobrariam por uma energia que agora se desperdiça. O calcanhar de Aquiles dos carros elétricos continua sendo suas baterias e, enquanto não se encontre uma forma barata, limpa, eficiente e cômoda para o usuário de armazenar energia, seu futuro está comprometido.

MP: Ainda não me despertou nenhum interesse direto de pesquisa a respeito, e o pouco que vi foi zapeando entre uma partida do campeonato espanhol e de algum torneio de tênis. Confesso que achei sensacional a chegada no GP (?) do México, com a ultrapassagem de Lucas di Grassi sobre um outro ex-Fórmula 1. Mas minha restrição se dá, além do som (??) e do visual, pelo mesmo problema que mencionei acima sobre a F1: espetáculo maior que esporte.

MM: Acredito que faça um trabalho importante de desenvolvimento tecnológico, lançando as bases para o que pode vir a ser o futuro deste esporte. Mas em termos esportivos é uma desgraça. Não dá para levar a sério uma categoria que tenha fanboost.

MS: Sinceramente ainda não tenho uma conclusão definitiva sobre essa categoria, hoje não me atrai, minha paixão por automobilismo começou pelos aspectos da liberdade de movimento e velocidade, gosto pela pilotagem e acessibilidade da tecnologia aos meros mortais em seus carros de rua

Vejo uma tentativa de impor a essa categoria a condição de espetáculo em detrimento dos aspectos de competição, acaba sendo um ambiente forçado de competitividade, facilmente identificáveis pelo torcedor mais esclarecido, cito como exemplo a proximidade e estreitamento da pista para passar uma falsa sensação de velocidade,

Reconheço também que o que é novo leva um certo tempo para ter sua curva de aprendizado, sobre a questão tecnológica do uso da eletricidade aposto mais na F1 adotando parte da tecnologia elétrica para ela evoluir e chegar aos carros de rua.

RM: Nunca acompanhei de perto a F-E pelos seguintes motivos: não tem som, carros horríveis (se bem que melhorou um pouco), pneus com raios, somente pista de rua (parece autorama) e o nível baixo de pilotos.

RA: Acho que não tem como fugir da eletrificação, inclusive no esporte a motor. Tal tecnologia continua com as mesmas limitações de um século atrás, peso alto-autonomia baixa. No entanto – talvez – os elétricos tenham o dom de trazer de volta um público jovem que hoje torce o nariz para tudo que não é sustentável, que não quer ter carro ou moto mas acha bicicleta e Uber suuuuper legal.

Ótima temporada pra nós!

Equipe GPtotal

GPTotal
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A nossa versão automobílistica do famoso "Carta ao Leitor"

1 Comment

  1. Rubergil Jr disse:

    Muito legal. E que bom ver que todos concordam comigo em relação à Formula E. Eita categoria chata da peste.

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