42

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No início de sua carreira, Ayrton Senna usava o número 42 em seus karts e carros de fórmulas menores. Na Fórmula 1, nunca usou o número, mas chegou a 41 vitórias. Qual a relação de tudo isso, afinal?

Chegando na época de fim de ano, é comum pensarmos em superstições, crenças e crendices.

Depois de testemunhar – porque não foi simplesmente assistir – a partida Barcelona x Santos na final do Mundial de Clubes em Yokohama, me lembrei de outra situação envolvendo o Brasil em território japonês que, como a tentativa do Santos (desculpe, Edu!), também foi frustrada.

Logicamente não falarei de futebol.

No início de sua carreira, Ayrton Senna usava o número 42 em seus karts e carros de fórmulas menores. Na Fórmula 1, nunca usou o número, mas chegou a 41 vitórias.

Qual a relação de tudo isso, afinal? A lenda japonesa que cerca esses números.

Bem, os motivos: o número 4, em japonês, é pronunciado “shi”, ao passo que o 2 é “ni”. Se forem pronunciados juntos, shini, formam a palavra ‘morte’ na língua nipônica.

O grupo inglês Coldplay até mesmo fez uma música com o título “42”, em alusão à crença dos japoneses.

Os versos principais: Aqueles que estão mortos, não estão mortos: eles apenas vivem na minha mente”

httpv://youtu.be/5sFTH4pzcwA

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Senna começou a usar o “42” em seu carro na época do kart, por acaso: ao se inscrever para a categoria Júnior, ele foi o 42º da lista. Pronto, esse era seu número para competir. Ele passou a ficar conhecido assim em Interlagos, inclusive: “ah, o 42!

Segundo conta-se, Senna teria sido abordado por um mecânico apelidado “Japa”, depois do Campeonato Paulista de Kart de 1976: ele pediu a Ayrton que deixasse de usar o número.

Na cultura japonesa, os homens devem celebrar seus aniversários de 25 e 42 anos de modo bastante efusivo pois as idades anteriores representam os anos de calamidade (Yakudoshi).

A mística, para os japoneses (acredito que eles fossem o povo que mais idolatrou Senna no mundo, porque lá Senna não tinha tantos críticos como aqui – isso é apenas uma constatação), fica ainda mais forte ao lembrarmos o número de triunfos conquistados por Senna em corridas, e mais ainda se pensarmos que ele chegou a, de fato, vencer duas outras etapas, mas não levou nenhuma delas: e ambas aconteceram em solo japonês.

Falo dos GPs do Japão de 1989 e 1991.

No primeiro, Senna fez a pole, mas caiu para segundo, depois de Alain Prost ter – sem quaisquer punições – queimado a largada. A corrida, talvez sua pilotagem mais furiosa, marcou também a batida entre Prost e Senna, quando o francês jogou o carro de propósito em Ayrton. O brasileiro voltou, venceu, mas foi desclassificado.

E em 1991, ele largou em segundo, sagrou-se campeão já na 9ª volta, passou Berger, fez a melhor volta até que, na última curva, abriu passagem ao companheiro de equipe: por mais que o gesto tenha tomado ares de generosidade, Senna ficou muito contrariado com a imposição da equipe.

Mas ele teve outras chances, também no Japão, de chegar à 42ª vitória.

Em 1990, corria pelo bicampeonato, e uma batida com Prost, dessa vez já na largada e por decisão do próprio Senna, acaba com tudo em 5 segundos. E depois, em 1994, não mais em Suzuka mas em Aida, outra batida, também na largada (com o McLaren de Mika Hakkinen tocando a traseira de seu Williams), fez com que Senna não pudesse vencer.

Senna faleceria já na corrida seguinte, e não pôde mais correr no Japão, na etapa de Suzuka que aconteceria ao final daquela temporada. Mas, para homenagear o grande ídolo, foi criado o memorial Ayrton Senna no autódromo.

httpv://youtu.be/__7abnX38Ds

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Apenas dois pilotos chegaram à marca de 42 vitórias na história da F1: Alain Prost (dono de 51 primeiras colocações) e Michael Schumacher (que foi o 1º por 91 vezes!).

O francês chegou à marca no GP da França de 1990, enquanto que o alemão a obteve em Indianápolis, 2000.

Duas semanas antes, na Itália, Schumacher igualou Senna em número de vitórias. Foi uma grande corrida, mas que teve a triste notícia da morte de um bombeiro, que foi atingido por um pneu após um acidente múltiplo logo na primeira volta.

Na entrevista coletiva, ao ser lembrado da marca que atingira, Schumacher chorou. Copiosamente.

httpv://youtu.be/rdVqhpO3-S0

Aquela cena, vista 11 anos depois, mostra que, como diz a música do Coldplay, algumas pessoas não morrem, apenas passam a viver de outra forma.

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Me despeço desejando que 2012 possa ser melhor que 2011, na Fórmula 1 e na vida, e que acima de tudo tenhamos paz.

E essa minha coluna foi também a derradeira do site nesse ano. Retornamos dia 9 de janeiro.

Abraços!

Marcel Pilatti

Marcel Pilatti
Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

7 Comentários

  1. Abmael Pinto disse:

    Como é bom ler sua coluna amigo Marcel Pilatti, você merece estar num site tão prestigiado de automobilismo. Mais sucesso pra você em 2012!

  2. Fabiano disse:

    ola gepetos a piloto Maria de Villota tem chance de ser 2 piloto da hispania quem ta na lista?

  3. Mauro Santana disse:

    Outro fato curioso é que Senna venceu somente no Japão em 1988 e 1993, respectivamente no seu 1° e último ano pela equipe de Ron Dennis.

  4. Márcio Vilarinho Amaral disse:

    Mudando de número e de piloto, mas acho que cabe o comentário: no dia 6 de outubro de 1973, no final de semana em que a Ford obteve a sua 60ª pole e a 66ª vitória, François Cevert faleceu ao volante do Tyrrell 006 nº 6.

  5. Leonardo Pinheiro disse:

    O número 41 parece ser recorrente na carreira de Senna. Com 41 vitórias, ele, curiosamente, morreu exatos 41 dias após seu aniversário. Ele e Schumacher disputaram juntos 41 GPs. Além disso, ele e Alain Prost disputaram juntos 141 GPs. Entretanto, era para ser 142, mas no GP de San Marino (logo onde…) de 1984 Senna não conseguiu se classificar para o grid. Nesse ano o McLaren de Prost era o modelo MP4-2. Já sua pole número 41 foi no Japão, em 89.

  6. Sandro disse:

    4-8-15-16-23-42… hehehe…

    15/04/1947: Jackie Robinson estreia na MLB com o número 42. Primeiro negro a jogar na MLB. Depois falam mal do apartheid sul-africano…

  7. Fernando Marques disse:

    Piloto de corridas que se preze não pode ter medo da morte mas se pega em muitas misticas … todos eles …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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