Era muito melhor

Administrador por profissão e baterista de coração, Mauro Santana é fã de Fórmula 1 desde os anos 80. Frequentador assíduo do GPTotal desde 2003, esta é sua primeira contribuição para o site.

Em 1991, portanto há 25 anos, Guns N’ Roses e Metallica dividiam os holofotes do mundo inteiro com o lançamento, respectivamente, dos seus aclamados discos Use Your Illusion I & II (ou disco Amarelo e Azul, como chamávamos em meu bairro), e Black Album.

Ambas as bandas chegaram inclusive no ano seguinte a se unirem em uma turnê conjunta de três meses e meio pela América do Norte, a chamada Stadium Tour. Não demorou muito, porém, pra que o caldo entornasse.

No oitavo show, durante a parada no Estádio Olímpico de Montreal, Canadá, o frontman do Mettalica, James Hetfield, sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau em seu braço esquerdo depois de ter ficado muito perto da boca de um canhão pirotécnico de magnésio que explodiu ao seu lado.

Continue reading

Se a Fórmula 1 fosse gente

Vinícius Chaer é leitor assíduo do GPTotal há anos, e sempre traz reflexões sobre a Fórmula 1. Licenciado em Matemática, é fascinado não apenas pelos números, mas pelo lado humano da categoria.

___________________________________________________

Perdoe-me o leitor pelo excesso de imaginação. A ideia aqui é comparar Fórmula-1 com gente. E se a categoria máxima do automobilismo, essa corridinha de carro que um dia seduziu o mundo, fosse uma pessoa nascida em 1950? Fórmula é substantivo feminino. Campeonato, substantivo masculino. Mas deixemos o gênero de lado: falemos de gente, de ser humano. Seria possível associar cada grande piloto – e seu contexto – a uma fase da vida dessa pessoa imaginária? Proponho-me aqui a tentar.

A década de 1950 marcou o início do campeonato mundial – sabemos que havia longa história pregressa com os GPs -, e o início é a infância. A brutalidade de duas a três mortes por ano na aurora da F1 nada tem a ver com a leveza da infância, é fato. Mas o automobilismo daquele tempo tinha a inocência. O lúdico, tal qual na infância de qualquer um, era ainda o grande imperativo. Houve até a figura de um pai – ou uma mãe – na forma de piloto: Foi Fangio a figura primeira a marcar a vida da categoria. Categoria que, pelo menos quando não havia sangue, esportivamente falando, corria feliz como se num clipe de Aquarela de Toquinho estivesse.

Meados da década seguinte, nessa contagem, se equivaleriam à adolescência. O que foi a revolução da Lótus, as criações de Chapman, se não alguns sopros de rebeldia e liberdade? E são tais ingredientes que fazem a primeira das fases da juventude, a tal adolescência. Ninguém representaria esta fase mais e melhor que Jim Clark. A mistura do lúdico com a liberdade contestadora era Clark de Lótus, e nada mais.

Com a segunda fase da juventude costuma vir – um pouco de – juízo. Assim como alguém que ganha dente siso, ingressa na faculdade e começa a descobrir que a vida tem muito limite, muita regra, a F1 viu Jackie Stewart. O segundo escocês voador foi quem, ainda com um pé no lúdico, falou de segurança e de profissionalismo. O início da fase adulta é trabalho e busca por segurança, por mais que ainda se queira brincar – e como brincamos! Nesse embalo, com ainda mais maturidade, veio Lauda, o trintão na quase trintona F1. Niki representou o trabalho, mas também o triunfo definitivo da razão e o contado mais maduro com a dor – que pode ser também a dor da alma.

Alguém que passa dos trinta conquistando relativa estabilidade familiar e profissional, e que começa olhar para o futuro com menos ansiedade e mais – pretensa – autoridade, pensa que sabe muito, que é um professor da vida. Na F1, foi Prost, o professor, o piloto-resultado, a consequência automática de três décadas de maturação. E foi a bordo de foguetes turbinados, ainda que mais seguros. Essa fase seria também representada por Nelson Piquet, que de bonachão só se via traço nas entrevistas ou no interior do iate ancorado em Mônaco. Na F1, na pista, esses caras eram como chefes de família, pagando contas e criando filhos com a testa franzida de preocupação, mas gozando um bocado suas conquistas.

Continue reading

Ano novo, equipe nova

Cassio Yared, Lucas Carioli, Júlio Oliveira e Rafael Mansano: quem frequenta nosso espaço – seja aqui no site ou na página do Facebook – de alguma forma já teve contato com esses nomes. Agora, caros leitores, eles passam a fazer parte da equipe GPTotal.

No final do ano passado, Eduardo Correa (“o chefe”) teve a ideia e a vontade de adicionar novos integrantes ao time de colunistas. A partir daí, selecionamos alguns candidatos e solicitamos que enviassem suas contribuições, estabelecendo temas e data limite para envio.

Ficamos agradavelmente surpresos ao ver que a maioria aceitou o convite e mandou seus textos cumprindo o prazo. A qualidade do material também agradou, confirmando nossos palpites iniciais.

Cientes do perfil e das preferências de cada um deles (teremos mais sobre a Nascar e a MotoGP e mais análises de aspectos técnicos), fomos moldando o time de acordo com aquilo em que cada um poderá contribuir da melhor maneira.

Yared, Carioli, Oliveira e Mansano estão na faixa dos 30 e acompanham o GPTo desde os primórdios do website, há quase 14 anos. Todos eles irão colaborar com a página não apenas como novos colunistas, mas trazendo diferentes visões sobre o mundo do esporte a motor.

Um atua na indústria automotiva e é pai em tempo integral; outro é apaixonado por motos e abraçou o jornalismo; o terceiro é músico profissional e até adota o nome de sua banda favorita; por fim, um gerente de projetos e piloto de kart amador.

Como na canção Eduardo & Mônica, tudo diferente – mas tudo parecido.

Esses quatro nomes irão se somar a Alessandra Alves, Carlos Chiesa, Eduardo Correa, Flaviano Guerra, Lucas Giavoni, Manuel Blanco, Marcel Pilatti, Márcio Madeira e Mário Salustiano.

Quatorze colunistas, portanto. Teremos diversidade de opiniões e gostos. Porém, todos concordamos em algumas coisas e iremos preservá-las:

1 – Prezamos a liberdade de expressão acima de tudo. O espaço é de cada autor e cabe somente a eles a decisão de como ocupá-los. Trata-se de uma cláusula pétrea e irretratável do GPTotal.

2 – Somos um site de opiniões fortemente humanistas.

3 – Notícias são bem-vindas ao GPTo, mas esse não é nosso objetivo nem preocupação. Nosso maior desafio como veículo de comunicação é comentar as notícias e suas implicações.

4 – Olhamos para além da F1 e do automobilismo.

Até o fim do mês, teremos um texto inédito de cada um dos novos integrantes. Com certeza vocês irão gostar.

Feliz ano novo!

Abraços a todos,
Equipe GPTotal