Os gênios da Nascar

Olá amigos!

Estamos de volta nesse novo ano falando sobre nossa amada Nascar! Que seja mais um ano repleto de emoções, muita velocidade e borracha queimada.

Aproveitando o momento sem corridas, vou falar um pouco sobre os gênios da categoria, aqueles pilotos que conseguiram números impressionantes, fizeram exibições de gala, corridas memoráveis, ganharam diversos títulos e carregaram uma legião de fãs em seus carros.

Para ficar mais legal, vou fazer um paralelo dos pilotos da Nascar com os grandes da F1 e, no final, quero ver se vocês concordam comigo. Bem vindos à série “Gênios das Nascar”.

Não dá pra falar da Nascar sem citar Dale Earnhardt, assim como não dá pra falar da F1 sem mencionar Ayrton Senna. Ambos são representantes máximos daquilo que gostamos de ver nas pistas, misturando toda a genialidade e uma aura mística que envolve suas carreiras.

Dale Earnhardt foi o piloto gênio da agressividade, da habilidade e da garra. O inesquecível Chevrolet preto de número 3 da melhor fase de Dale era tão temido quanto a Mclaren branca e vermelha com o piloto do capacete amarelo. Seu apelido era The Intimidator (O intimidador) por ter uma tocada nervosa e agressiva. No mesmo estilo de Senna, Dale não esperava o carro da frente abrir passagem, ele fazia o espaço aparecer na marra. Eleito o piloto novato do ano, em 1979, Dale foi campeão no ano seguinte, sendo o único piloto até hoje a conseguir esse feito. Assim como Senna, Earnhardt foi questionado sobre seu estilo extremamente agressivo, mas isso não o impediu de conquistar setenta e seis vitórias, sendo até hoje um dos maiores vencedores da categoria.

Todas as dificuldades que Senna encontrou para vencer na sua casa, no Brasil, Dale Earnhardt enfrentou para vencer uma das provas de maior prestígio da Nascar, a Daytona 500. Muitas vezes tendo o melhor carro da pista, o piloto sofria com acidentes, furos no pneu ou qualquer problema que você possa imaginar. Apenas na vigésima tentativa, depois de muita luta, Dale venceu.

E foi emocionante

httpv://youtu.be/UsJ_54ByrYo
As últimas voltas da Daytona 500 de 1998

Dá pra se ter uma noção de como essa vitória era esperada ao ver todos os membros de todas as equipes fazendo fila nos boxes para cumprimentar o vencedor. É de arrepiar.

Infelizmente as semelhanças entre Ayrton e Dale não pararam por aí. Em 2001, correndo a Daytona 500 junto com seu filho Dale Earnhardt Jr., Dale sofreu um acidente na última volta da prova, enquanto segurava o pelotão atrás do carro de seu filho e de Michael Waltrip, ambos dirigindo para a equipe em que Dale Earnhardt era dono. O acidente não foi visualmente impactante, mas a falta de equipamentos de segurança, principalmente o hans device,levou a vida do multi-campeão.

Dale Earnhardt foi sete vezes campeão da Nascar, empatado com Richard Petty como os dois maiores vencedores da categoria. Assim como Senna, não é o piloto com os melhores números da categoria, mas seu estilo inconfundível foi o que o elevou à um patamar um pouco acima dos demais.

Talvez também por ter morrido na pista, como Ayrton, seu status de lenda possa ter se elevado um pouco, mas é inegável a extrema habilidade e garra que o piloto sempre demonstrou, desde o começo de sua carreira.

httpv://youtu.be/QU_p3O4_F-U
A última vitória do Intimidador em 2000

Jimmie Johnson é considerado por muitos como um cara de sorte mas não se pode ganhar 6 títulos somente com sorte, assim como os quatro títulos de Prost também não foram obra do acaso. Ok, talvez um deles possa ter tido uma leve ajuda, mas o cara não era chamado de Professor à toa.

Ainda em atividade, Jimmie Johnson é considerado um dos melhores pilotos da Nascar em todos os tempos. Jeff Gordon, recém-aposentado e também multicampeão, uma vez declarou que Johnson provavelmente é o melhor piloto com quem já correu contra, principalmente por ter sido companheiro de time, ver como ele ajustava seu carro, sua participação nos debriefings, além de todas as vitórias e títulos. O piloto do Lowe´s Chevrolet SS #48 é cerebral, assim como o Professor Prost. Faz as corridas com bastante inteligência, acerta bem o carro a cada parada de box, utiliza a estratégia como poucos e sempre espera a melhor oportunidade para atacar.

Jimmie Johnson possui técnica apurada, executa manobras com precisão e sabe poupar seu carro. Sempre se destaca nos fins de prova, já com o carro bem acertado para seu estilo de pilotagem, bem ao estilo Prost. Forma com seu chefe de equipe uma das mais sólidas da categoria, com entrosamento impressionante.

Assim como Prost, Johnson não é o mais carismático dos pilotos, mas os números alcançados falam por ele. O único piloto a conquistar cinco títulos consecutivos, possuindo um total de seis, até o momento. Se vencer mais um, Jimmie Johnson vai empatar com os dois maiores vencedores da Nascar, o citado acima, Dale Earnhardt e o rei Richard Petty, ambos com sete títulos. Ao todo foram 75 vitórias, até esse momento, está a apenas uma vitória de igualar Dale Sr. e possui o recorde de 14 temporadas seguidas conquistando pelo menos uma vitória, outro feito impressionante.

httpv://youtu.be/vByYHp_8iTM
Johnson em mais uma aula para seu mais ilustre aluno

Outro ponto semelhante entre Jonhson e o piloto francês é a constância nas corridas. Prost possúi o segundo maior número de vitórias na F1, algo que Senna possivelmente bateria se não tivesse sofrido o fatídico acidente, porém a constância sempre foi uma de suas virtudes. Esperava os outros se pegarem na frente e quando não sobrava mais ninguém, lá estava ele. Jimmie Johnson usa estratégia parecida, e mesmo que não esteja na ponta, está sempre entre os primeiros, esperando qualquer chance mínima para vencer.

Johnson ainda é relativamente jovem para se aposentar, ainda pode conquistar muitas vitórias e títulos. Prost possui o controverso título de 89 como um dos pontos negativos em seu retrospecto, sobre Jimmie Johnson dizem que ele apenas dominou os campeonatos que venceu porque foi utilizado o formato do Chase, mesmo assim, é impossível negar a perícia na tocada, o controle sobre o carro, sobre como saber poupar o equipamento e atacar na hora certa que ambos os pilotos possuem.

Em fevereiro teremos a Nascar de volta às pistas, com a primeira corrida em Daytona no dia 13 de fevereiro, ainda sem computar pontos para o campeonato na prova da Sprint Unlimited. Além disso, também teremos os Duels, as corridas curtas que determinam a classificação dos pilotos para a largada da Daytona 500.

Teremos novos pilotos, equipes reformuladas, novas pinturas nos carros, tudo novo para mais um temporada emocionante da Nascar. A disputa vai ser emocionante, com muita adrenalina e velocidade. Será a primeira temporada sem o multi-campeão Jeff Gordon, que já deixa saudades. Resta saber se o novo dono do Chevrolet SS #24, Chase Elliott, vai corresponder às expectativas, que são muito altas.

E você, amigo do GPTotal, concorda com os paralelos? Senna e Dale, Jimmie e Prost podem ser comparados em seus respectivos mundos? Garra e inteligência tática podem ser compartilhadas em categorias tão diferentes? Espero o cometário de vocês.

Abraços e até a próxima coluna.
Rafael Mansano

11 thoughts on “Os gênios da Nascar

  1. Dale foi um dos meus pilotos favoritos, não apenas pelo estilo agressivo, pelas vitórias e pelos títulos, mas também pelo belíssimo Chevrolet Monte Carlo #3 preto. Além de tudo, travou duelos sensacionais contra o ídolo, Jeff Gordon, Mark Martin, Terry e Bobby Labonte, Rusty Walace e tantos outros.
    Belo texto!

  2. Pra mim, esta é a melhor parte deste filme.

    https://www.youtube.com/watch?v=AGk2Hr3GcS8

    Eu assisti este filme no cinema, foi a primeira vez que eu puder estar dentro do meio da Nascar, o que na época era bem difícil devido a pouca informação que tínhamos aqui no Brasil.

    Gosto muito deste filme, por ele retratar uma época muito legal desta Grande Categoria.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  3. Muito Top esta coluna Mansano.

    Parabéns!

    Tem coisas que os americanos são mestres, e quando o assunto é a Nascar, eles são imbatíveis, pois é um grande espetáculo.

    Da mesma maneira que o amigo Fernando Marques, eu também gostaria de saber o que exatamente aconteceu com o The Intimidator em seu acidente fatal.

    Eu sempre que posso, gosto de assistir a este vídeo.

    E pra mim, os carros mais bonitos da Nascar, foram os do final dos anos 80, principalmente os modelos que aparecem no filme Dias de Trovão.

    https://www.youtube.com/watch?v=mvdgBdim2aU

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  4. Raphael,

    tive vendo o acidente que vitimou o Dale Earnhardt … o que realmente aconteceu? … O que realmente machucou ele já que a colisão foi mais pelo lado do carona do carro?

    Fernando Marques

    1. Olá, Fernando.

      Muitos dizem que Dale não apertava seus cintos de segurança até o limite, por se sentir desconfortável, mas o fato é que a batida no muro foi bem forte, assim como a segunda, que por ser uma batida lateral é sempre perigosa. Foram muitos ferimentos internos, talvez o Hans ajudasse, mas nunca saberemos. O importante é lembrar das coisas boas que ele fez na pista. Um abraço.

      Rafael Mansano

    1. Uma analogia muito boa, João!

      Se bem que o Jeff Gordon seria um “Michael Schumacher com adversários à altura”, diga-se de passagem… o Mark Martin que o diga!

  5. Eu confesso que fiquei impressionado com video da vitoria de Dale na Daytona 500 … que festa foi aquela? … Quem dera se na Formula 1 pudesse ser assim também …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    1. Pois é, Fernando!

      Quando se trata de competitividade e espírito esportivo, as categorias norte-americanas (tanto a F-Indy como a NASCAR) dão um verdadeiro show na Fórmula 1, isto é fato.

      Marcelo C.Souza
      Amargosa-BA

      1. Marcelo,

        com toda certeza e digo mais jamais o Ayrton Senna teria tal reconhecimento face a postura do politicamente correto da Formula 1 … O Senna quando venceu no Brasil (algo que ele tanto queria e não tinha conseguido até então) ele teve este reconhecimento do publico que invadiu a pista, jamais de seus adversários ;;;

        Fernando Marques

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