“Tudo está escrito”, parte 1

Diz a mitologia grega que o Deus Apolo, ao conhecer a jovem Cassandra, ficou prendado de sua beleza, enamorando-se loucamente por ela. Esperando ser correspondido, Apolo conceda à sua amada o dom da profecia, de ver o futuro. Porém, Cassandra, uma vez dona do poder, não se entrega a Apolo.

Sentindo-se profundamente enganado mas incapaz de revocar a dádiva concedida, ele lança uma maldição sobre Cassandra: esta, ainda conservando o poder da profecia, perderia toda credibilidade e ninguém jamais acreditaria em suas palavras.

Esta maldição todavia perdura pois, mesmo que a previsão do futuro seja um desejo do ser humano, este, geralmente, desconfia da existência desse dom, apesar de que alguns exemplos parecem desafiar a lógica e o ceticismo predominantes.

No automobilismo, temos exemplos de manifestações premonitórias surpreendentes, que não deixam ninguém indiferente, aumentando ainda mais o halo de mistério que as envolve.

Dentre os exemplos mais desconcertantes temos o caso que envolveu o piloto François Cevert.

Cevert manteve uma longa relação sentimental com Anne van Malderen, desde que se conheceram em 1964. Segundo contou a moça, em 1959 ela havia acompanhado a sua mãe numa visita a uma clarividente. Esta, ao perceber a presença de Anne, diria que ela iria conhecer um charmoso rapaz de olhos azuis.

Em 1966, quando a previsão da clarividente já se havia cumprido, Anne decide visitá-la mais uma vez, mas sem mencionar que já havia estado lá sete anos antes. Anne lhe entrega uma foto de Cevert e espera por suas predições.

A vidente, após uma longa abstração, lhe diria: “Você já esteve aqui. Você já o encontrou!”

Quando Anne lhe diz que François queria ser piloto de corridas, a vidente confirma que Cevert logo teria sucesso e uma brilhante carreira pela frente, porém termina dizendo que ele não chegaria aos 30 anos de idade.

Em 1973, durante os treinamentos para o GP dos Estados Unidos, em Watkins Glenn, Cevert perderia a vida num pavoroso acidente.

Nessa mesma manhã, Cevert havia dito a um companheiro na Tyrrell que aquele era um belo dia e que ele não gostaria de morrer num dia tão lindo. Era 6 de outubro e Cevert se dispunha a disputar o seu último GP antes de completar seus 30 anos, o que teria acontecido em fevereiro de 1974.

Graças a Anne há profusa informação sobre o caso de Cevert, o que não acontece em outros. Mesmo assim, nestes outros casos há detalhes que podem promover uma certa inquietude que desafia os limites do que consideramos puramente lógico e casual e que nos podem deixar até perplexos.

Alfred Neubauer, o mítico engenheiro chefe da equipe Mercedes-Benz nos anos 30, nos conta em sua autobiografia um feito intrigante acontecido pouco antes da corrida que se disputaria no circuito de Avus, em 1932.

Na véspera da corrida estando Neubauer num bar com vários pilotos, se lhes une Jan Hanussen. Para então, Hanussen já era um famoso mentalista e vidente que, segundo algumas fontes, teria treinado Hitler em técnicas de controle de massas alguns anos antes.

O caso é que, conversa vai, conversa vem, Neubauer termina desafiando Hanussen a que desse sua previsão sobre o resultado da corrida. Hanussen, com a solenidade própria de um vidente diria: “Um dos que estão nesta mesa vencerá amanhã, enquanto outro morrerá!”.

A continução, Hanussen pega um pedaço de papel, escreve os nomes dos dois pilotos em questão, e o guarda num envelope que entrega ao barman do local.

No dia seguinte, o dia 22 de maio, Manfred von Brauchitsch, resultaria vencedor da corrida. Porém, logo após a largada, e quando 3 pilotos disputavam posições na primeira curva, o Bugatti de Lowi raspa no muro e perde o controle.

Entao, Jiri Lobkowicz, temendo ser abalroado por Lowi, se desvia de sua trajetória tao repentinamente que também perde o controle de seu carro, salta o muro de proteção e vai se arrebentar contra os árvores.

Lobkowicz seria declarado morto poucas horas depois no hospital sem haver recobrado a consciência.

httpv://youtu.be/nWxzGDiiIyY

Concluiremos essa história na sexta-feira.

Abraços!

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