“Tudo está escrito”, parte2

Confira a primeira parte desta história clicando aqui.

Quase esquecido, Neubauer conta como, depois da corrida, foi buscar aquele envelope em posse do barman e, ao abri-lo, ali estavam os nomes de Brauchitsch e de Lobkowicz. Inclusive, segundo um jornal berlinense e Hanussen havia pedido ao automóvel clube alemão que impedissem a Lobkowicz participar daquele corrida, mas ninguém acreditou no vidente.

Como vemos, a tônica predominante nestes casos é a presença de fatos inexplicáveis e desconcertantes. Há ainda casos em que os signos premonitórios resultam tênues e, no momento, não se lhes presta atenção até depois dos acontecimentos que envolvem os seus protagonistas.

Em 1994, o GP de San Marino resultaria trágico pelas mortes de Roland Ratzemberger e Ayrton Senna. Dizem que Senna, pouco antes, havia tido uma longa conversa com Alain Prost, na qual parece que puseram fim à sua inimizade de anos. Também se observou em Senna um comportamento estranho e taciturno e, segundo diriam pessoas próximas ao brasileiro, como Sid Watkins, Senna, pela primeira vez não parecia estar disposto a correr.

No entanto, quando o semáforo ficou verde, Senna, como de costume, se lançou com todo ímpeto em busca da vitória. Desta vez, porém, encontrou um muro em seu caminho.

Este mesmo comportamento melancólico havia sido observado anos antes em Ronnie Peterson, antes daquele fatídico GP da Itália de 1978.

Disse um amigo do sueco que, naquela mesma manhã, haviam tido uma conversa e que, em certo momento, ele perguntou a Peterson porque não lutava pelo título, pois este ainda estava ao seu alcance.

Peterson lhe respondeu que, antes do início da temporada, ele, Chapman e Andretti haviam acordado que seria Andretti quem lutaria pelo campeonato e, mesmo que esse fosse só um acordo entre cavalheiros, ele estava disposto a cumpri-lo até o fim.

Terminou dizendo: “eu não gostaria de ser lembrado como alguém que não cumpre os seus compromissos“.

Teriam Peterson e Senna sentido, de algum modo, o peso de destino sobre seus ombros?

Em 1982, Gilles Villeneuve e Didier Pironi mantinham uma dura disputa pela primazia no seio da Ferrari. Nos treinamentos para o GP da Bélgica, pouco antes do fim da sessão, Pironi melhora o tempo de Villeneuve.

O canadense, rapidamente, sai à pista decidido a superar o francês porém, numa curva, se encontra com Jochem Mass, que retornava ao box. O choque é brutal e cobra a vida de Gilles. Mass, diria depois não ter visto o pobre Villeneuve.

httpv://youtu.be/xZzfZBXUmw8

Pouco antes, Gilles havia dito a um repórter que “não se pode levantar o pé do acelerador quando se corre a altas velocidades. A única esperança que resta é que o piloto à frente te haja visto pelos retrovisores“.

As palavras de Gilles terminariam sendo premonitórias do seu triste fim, tanto quanto a brincadeira que aprontaram a Clay Regazzoni no GP da Itália de 1979.

httpv://youtu.be/NSd4wwDlR2g

Regazzoni, pouco antes, havia vencido o GP da Inglaterra, dando a Frank Williams a sua primeira vitória na Fórmula 1. Porém, o carro havia começado a temporada bastante mal e até se dizia que não era mais do que uma “cadeira de rodas”. Como vemos na foto, a brincadeira consistiu em colocar no box da Williams uma cadeira de rodas com os pneus e o aerofólio dianteiro do carro de Clay.

No entanto, o destino resultaria cruel com Clay e Frank, pois ambos terminariam confinados numa cadeira de rodas, consequência de graves lesões medulares. No caso de Clay, devido a seu acidente em Long Beach durante o GP dos Estados Unidos de 1980 e Frank, seis anos depois, como resultado de um acidente de trânsito.

Se poderia até dizer que o destino não gostou daquela brincadeira.

Diz um provérbio árabe que “tudo está escrito“, numa clara alusão ao fato de não sermos donos do nosso destino nem podermos reescrever o roteiro de nossas existências, restando-nos, unicamente, cumprir com seus inexoráveis desígnios.

Um abraço a todos.

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