Enfim voltamos

Acabaram-se as férias. As F1 volta pra gente se divertir. Em termos, logicamente, porque o campeonato desse ano vai ficar na troca de saques entre Hamilton e Rosberg mesmo se o campeonato tivesse 168 provas. Não é o melhor conceito de diversão que conhecemos para provas de automobilismo, mas é bom para nos divertirmos na ressaca pós-olímpica.

Mais importante que essa disputa é voltarmos ao belíssimo circuito de Spa. Um templo lendário entre nós. Não pedimos muito, uma ultrapassagem na Eau Rouge já vale o fim-de-semana. Uma disputa no fim da grande reta também vale. No final das contas, a Formula 1 chega para visitar Spa-Francorchamps e não encontraremos viva alma dentre os amantes da F1 que desgoste desse templo.

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Das regras que NÃO mudaram para melhorar o espetáculo em 2017 está o ridículo controle de fluxo de combustível. Nessa nova era dq F1 que um piloto não tem combustível para acelerar 100% do que pode o seu carro durante todo o GP. É fato, ele fica sem gasolina antes da prova acabar se fizer isso.

Sem esquecer o câmbio com relações fixas definidas no começo da temporada. “Superlegal”, “Top”, usar a mesma relação de marchas em Mônaco e Monza.

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Como acontece toda véspera de mudança de regulamento, o segundo semestre da F1 está deitado sete palmos abaixo do solo. Nenhuma equipe vai desenvolver nada dos carros e estão todos os engenheiros trancados nas fábricas fazendo desenhos e simulações do futuro que lhes aguarda no glorioso pacote técnico de 2017.

A ansiedade é grande. Como ficaram os carros esteticamente? Quem fara bom uso das soluções dos carros de 2016 em um projeto com tantas características que podem alterar a dinâmica encontrada até agora?

Fato é que os carros serão mais rápidos em curva. Ainda existe uma possibilidade levantada pela Pirelli que não parece nada boa: carros grudados ao solo como se andassem em trilhos. Por que isso é um problema? Os carros estarão no traçado e rodando mais rápido do que atualmente, com muita aderência mecânica vinda dos pneus. Sair do traçado pode ser o fim da corrida. Mas não é assim hoje com os problemas de dependência aerodinâmica absurda? É. É sim. Mas a chance da mudança dar muito errado para o espetáculo é grande.

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Para não ter limite de tokens no desenvolvimento de motores, as fabricantes concordaram em reduzir em uma unidade a quantidade de motores disponíveis por piloto em 2017.

Para entender o significado dessa regra em ritmo de ressaca olímpica, vamos com o caráter subjetivo e momentâneo da metáfora: você adora ver o Usain Bolt nos 100 metros rasos porque ele é o maior velocista da prova mais veloz e nobre do programa olímpico, mas você chega no estádio e lhe avisam que essa prova vai ser disputada com 10.000 metros, apesar de continuar com os mesmos competidores e o mesmo nome.

O que acontece? Acontece que o velocista Hamilton passou por provas que não precisou utilizar seu carro em sua melhor configuração. Ficou ali “cozinhando” a corrida para salvar “energia” para a prova de resistência que a F1 virou.

Velocidade pura? Esqueça.

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Durante as férias sempre temos a tradicional temporada de boatos sobre pilotos e equipes. Esse ano, essa disciplina do jornalismo esportivo está sem muitas matérias. Primeiro porque a Ferrari acabou com a graça e manteve Kimi para mais um ano. Aparentemente queriam dispensar o finlandês alegando falta de performance, mas o finlandês está até na frente do seu companheiro de equipe. Faltaram argumentos.

Com isso o assento mais disputado do ano é de Felipe Massa e a única pista que temos do seu futuro são suas declarações. Primeiro ele afirmou que ele decide seu futuro como quer, senhor do destino. Passadas algumas semanas disse que estaria com um time que andaria na frente, não faz figuração. A declaração mais recente é que ele quer se sentir importante para o time que ele estiver. Aos poucos, nessa trilogia de declarações, os pés de Massa foram tocando o chão, e a resposta tátil ao solo não lhe mostrou muitas opções. Sua melhor opção hoje é a Renault. Opção não, aposta. Há oportunidade no time de usar o piloto no seu marketing aqui no Brasil e isso pode lhe render alguma vantagem.

Mas a grande verdade é que Massa não desperta paixões nos chefes de equipe. Desde 2008 não supera um companheiro de equipe, seja ele novato ou multi-campeão.

Além disso a quantidade de gente boa esperando uma chancezinha em um bom time é grande. Vandorne, Rossi, Sirotkin, Magnussen e Palmer (seria bom ambos terem um carro e não um remendo para correr), além da dupla da Manor. São pilotos bons que não estão ligados ao termo “piloto pagante” na cabeça do público, como, por exemplo, Ericson.

Sergio Perez talvez possa movimentar o mercado, espera-se alguma declaração dele nesse fim-de-semana.

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Por favor, não caiam nesse discurso que experiencia de 15 temporadas é fundamental nesse ano de mudanças de regras. Conversinha. Max Verstappen mudou de equipe no meio da temporada, sem treinos, e vem oferecendo uma disputa férrea com o seu amigo experiente companheiro de box.

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A Mercedes volta das férias com os últimos truques da manga desenvolvidos para o carro de 2016. Nas próximas provas aparecerão atualizações que estão prontas e guardadinhas na fábrica. Vão medir em Spa a proximidade das demais equipes. Se tiverem performance par amais uma aniquilação dos adversários, fecham o stand de projetos de 2016 e vão brincar no playground de 2017. Hamilton ainda vai decidir quantos motores e punições vai tomar em Spa. Já que vai ser punido, talvez troquem o motor dele duas vezes pra ficar com duas unidades novas para o restante da temporada. Provavelmente será definido após os treinos de sexta. A diferença dos prateados para o restante é absurda, não dá pra esperar uma mudança depois das férias.

Red Bull e Ferrari trocam centímetros para saber quem termina o ano na frente. Leve vantagem para a curva ascendente do time Austriaco frente a bagunça generalizada no comando do time italiano. A Ferrari ainda pode salvar alguns pontinhos adicionais em Spa e Monza por ter um motor melhor resolvido. As duas equipes também começam a se dedicar exclusivamente ao carro de 2017, novamente com a Ferrari em desvantagem por não ter um departamento técnico estruturado.

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Tirando essa turminha da frente, vem o nosso adorado e aclamado pelotão do meio. Ali onde a F1 se diverte.

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A McLaren chegou na festa da briga dos pontos com uma certa frequência. É divertido ver a poderosa empresa de Ron Dennis brincando de lutar pelo 10º posto. A Honda trás novidades, um motor novo atualizado em 7 tokens. Esperamos que funcione, o ano passado a equipe foi motivo de piada nas retas de Spa.

No “bolo” vem a Force India, Williams e Toro Rosso. A primeira desse grupo vem em curva ascendente e deve manter a posição. Ao contrário da Williams, já focada em 2017 e pensando em renovar seus contratos de pilotos. Para turma da Toro Rosso restam orações: o motor 2015 da Ferrari vai cobrar o preço da defasagem nessas duas provas.

Haas e Renault continuam sua disputa na mistura desse pelotão. Não são duas forças constantes com desempenhos que oscilam muito. Não conseguem ser constantes e cada fim-de-semana é uma aventura.

Na turma do fundão, diversão garantida. A Manor está com piloto novo. Esteban Ocon chega para fazer dupla com Wehrlein. Agora, Pascal estará sob pressão. Ele não massacrou Haryanto e vai ter um outro protegido da Mercedes ao seu lado. Se não impor suas qualidades, vai ser preterido na cadeia evolucionaria da Mercedes. O carro é fraquinho, mas é igual para ambos. Bom teste.

Para turma da Sauber o clima é de festa. As férias acabaram e finalmente entregaram as peças novas do carro. A crise realmente era séria, algumas das peças eram pra ter estreado em Melbourne. O bico curto que fará estreia nesse fim de semana deveria ter sido testado na pré-temporada. Que situação, não é? Agora o time vai tentar buscar um pontinho para voltar a figurar entre os TOP-10 da F1, lugar que sempre esteve desde sua estreia em 1993.

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Pirelli muito gentil vai ceder dois novos jogos de pneus para testes nessa gloriosa sexta-feira. Sem marcações trazem estudos de novas estruturas para 2017 e também oferecer mais resistenência para o toque lateral nas zebras.

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No fundo, Spa é o lugar perfeito para o retorno das férias. A pista clássica que amamos pode nos trazer a diversão que faltava nesse período distante das pistas.

Rosberg? Hamilton? A troca de pontos é a única disputa do ano. Quem leva esse caneco para casa? Qual sua aposta?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

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