Xadrez americano

Lá vamos nós em mais uma aventura norte-americana! Pela 56º vez na história da F1, o circo desembarca nos Estados Unidos para tentar cativar seu público.

Já tentaram de tudo: circuito de rua, autódromo, templo adaptado. Finalmente Austin tem trazido um pouco mais de simpatia de pilotos e de público para, juntos, fazerem um bom show.

Enquanto isso, nas pistas, o espetáculo da F1, a briga entre Rosberg e Hamilton não é mais disputada nas freadas, virou um jogo de xadrez onde vencerá quem erra menos. Ou, melhor, quem errou menos até aqui.

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Sebring, Riverside, Watkins Glen, Phoenix, Indianápolis, Dallas, Detroit, Las Vegas, Long Beach. Em 67 anos de campeonato, 56 corridas nos Estados Unidos e não é um sucesso de publico?

É difícil de entender essa equação. Em 1981, por exemplo, os Estados Unidos abriu e encerrou o campeonato. Hoje em dia, essas datas são negociadas com alguns milhões de “dinheiros” de tão importantes que são.

Tivemos campeonatos como em 1984 com duas provas seguidas, encerrando uma sequencia que começou em 1976 dos país ter sempre dois GPs no calendário.

Parece que há espaço para corridas. Há público, há mercado. Só não vale fazer besteira – para usar uma palavra ‘leve’ – como correr em um mutilado Indianápolis com meia dúzia de carros. Profanar patrimônios da humanidade? Nunca!

Com tantas pistas prestando serviços ao GP Americano, só resta mesmo saber qual foi a que melhor o fez. Em uma hipotética lista, Watkins Glen deveria liderar, sem sombra de dúvidas.

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A bombinha do mercado de pilotos foi desarmada das mãos de Sergio Perez mas ainda explodiu no colo da Force India.

Sem acordo entre Perez e Renault, o time francês foi lá e sacou Nico Hulkenberg do time “Indiano”. Parece claro que havia uma cláusula de liberação caso um time de fabrica procurasse o piloto alemão: ele foi prontamente liberado pela equipe a anunciado na sequencia no novo time.

Agora Hulk tem que torcer para Renault apontar sua curva de desenvolvimento para cima e mostrar nos próximos dois anos porque ele é campeão de Le Mans e uma promessa na F1.

Não vamos considerar esse ano para balizar o desempenho da Renault na F1. Estão com o carro de 2014, pouco atualizado e desenvolvido para um motor Mercedes. Também não quer dizer que o ano que vem vai ser uma maravilha. O time tem que evoluir seus processos, tem que ter gente boa e não podemos esquecer que é um time que foi devastado em 2015.

Foi um voto de confiança mutuo? Parece que sim, o piloto acreditando no futuro financeiro do time e o time acreditando que um campeão de Le Mans vai ser o futuro campeão da F1.

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Mas a novela de troca de assentos não acabou. Todos perguntam para Valteri Bottas se ele vai para Renault também, se não, por que a demora para exercer a opção de ficar na Williams?

Além disso, quem vai sentar na Force India? Essa resposta deve vir só depois do GP do México, já que o chefão da Force India não pode sair da Inglaterra sob o risco de ser preso.

Na Williams, Lance Stroll ainda não foi anunciado por não ter 18 anos? Quem andará ao lado de Grosjean na Haas? Kvyat continua na STR?

Se os 3 principais times e a Mclaren já decidiram o que fazer, a parte que segue esse grupo ainda vive um cenário de indefinição. Tem espaço para movimentações em todos os times e pilotos com um bom dinheiro no bolso para distribuir.

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35 anos do primeiro título de Piquet. 25 anos do terceiro título de Senna. Uma semana dura para os sentimentos do torcedor brasileiro.

É chocante saber que temos um quarto de século sem dominar a Formula 1, depois de termos 8 títulos em menos de 20 anos.

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httpv://www.youtube.com/watch?v=ClzuJcIzh78
A prova completa do título de Piquet.

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httpv://www.youtube.com/watch?v=fQLSH_RX3XU
Aquela última volta do nosso último título.

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A vida de Hamilton está pra lá de complicada. Esse é o assunto das últimas semanas e como ele vai impedir a finalização do título pelo Rosberg. O primeiro passo é não errar a largada. Depois, se tudo estiver certinho podemos pensar na disputa. Novamente, se não houver quebras e besteiras épicas dos pilotos, vitória dos carros prateados, certamente!

Red Bull e Ferrari vem na sequencia, muito emboladas. A cada nova pista a vantagem muda de lado. São 4 pilotos fortes com carros parecidos em desempenho, só esperando a chance de capitalizar isso com um lugar no pódio.

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Falando em pilotos fortes, vamos separar o campeonato em dois e olhar para o que acontece após a pausa de verão?

Desde a Bélgica a classificação seria a seguinte:
Rosberg – 115
Ricciardo – 79
Hamilton – 63
Verstappen – 50
Raikonnen – 48
Vettel – 45

Ricciardo e a RBR, sim, estão fazendo um excelente trabalho.

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No nosso mais amado pelotão a bagunça continua divertidíssima.

Force India se consolida como a 4º força em qualquer tipo de pista. Trabalho competente feito pelo time vai garantir um dinheiro importante para o próximo mundial. Obviamente esse trabalho bem feito mostra a despedida de 2016 de forma melancólica para Williams. Parece um ex-time de F1. Completamente perdidos no desenvolvimento do carro, mas lucrativos em todas as outras atividades empresariais.

Toro Rosso e Haas vem logo atrás. A Haas crescendo no final do campeonato, justamente pelo aprendizado de como fazer o setup inicial do carro. É muito complicado para o time que não tem referencia de nenhuma pista além de Barcelona. Já a Toro Rosso sofre com seu motor “congelado”. Acontece que o time continuou desenvolvendo seu carro e trouxe mais downforce mas, sem atualizações no motor, faltam cavalos novos para enfrentar o ganho de arrasto.

Renault e McLaren conseguiram andar em pé de igualdade no Japão. Aparentemente, a combinação das duas equipe próximas, é um caso esporádico. A boa noticia é que a Renault está conseguindo deixar ao menos um de seus pilotos em condições de marcar pontos a cada corrida. Foi assim na Malásia e também no Japão.

Essa evolução da Renault deixa a Sauber abraçada com a Manor na disputa para descolar da última posição do grupo. Um fim de ano triste para a Sauber, cada vez mais distante dos pontos. Para Manor, uma alegria esperançosa para um bom 2017.

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O campeonato é bom para quem está abaixo dos carros prateados. Em uma boa pista, com bom publico, resta torcer para que nenhum piloto do time prateado erre sua largada para termos uma verdadeira disputa na pista. Nesse xadrez psicológico, em quem você aposta nesse fim-de-semana?!

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

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