Ansiedade Histórica

Foram meses de férias para os fãs da F1. Muito suspense na expectativa dos novos carros. Mas diferente dos demais anos, tivemos uma temporada de grande notícias nos bastidores.

O jornalismo da F1 não ficou parado. Seu campeão anunciou aposentadoria, grande movimentação no mercado de pilotos, trocas de comando técnico e até (infelizmente) uma equipe abandonando um campeonato.

Não houve descanso no noticiário e a ansiedade vai crescendo. Como serão os novos carros? Como será o equilíbrio entre as novas duplas de pilotos?

A espera está acabando, em mais 7 dias começaremos a ter as primeiras respostas da história que será escrita em 2017.


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Todo inicio de temporada voltamos para os mesmos lembretes de sempre: os testes não refletirão necessariamente a performance das equipes para a temporada, a realidade da Austrália não será a realidade do campeonato inteiro, e por aí seguimos.

Com uma grande mudança de regulamento como essa que será nos apresentada agora, as variáveis de performance estão mais abertas e a evolução dos times dentro da temporada ganha nova dimensão.

Da mesma forma que os testes da pré-temporada não são definitivos, uma equipe não consegue esconder de todos do paddock o carro bem nascido ou uma tragédia ambulante. Com a volta de áreas de desenvolvimento aerodinâmico antes congeladas, o desenvolvimento de novas soluções, de corrida em corrida, será fundamental esse ano para ganhar posições no pelotão.

Sim, é um contrassenso: a mudança de regulamento que deveria equilibrar o grid, da forma que foi feito, vai favorecer quem tem mais dinheiro, for mais eficiente em suas operações de fábrica e possuir a melhor infraestrutura para simulações e testes computacionais. Vai ser fundamental entender na fábrica o que aconteceu durante o final-de-semana para levar na próxima corrida as soluções de evolução dos carros.

Por isso não há muitas esperanças de a Mercedes enfrentar uma temporada sofrível ou a Sauber entregar um carro que explore o regulamento de forma que a leve ao topo do grid.

As melhores equipe em desenvolvimento – Mercedes e RedBull – deverão manter-se na frente das demais, mesmo que tenham oscilações entre corridas ou, talvez, não com a distância que a Mercedes abriu para os outros times em 2016.

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Para melhorar a bagunça feita no regulamento, as regras de combustível foram alteradas para 2017.

O combustível que cada equipe vai usar na abertura da temporada já está a caminho da Austrália. Para a primeira corrida da temporada não haverá um combustível que reflita as descobertas das sessões de teste em Barcelona.

A Esso/Mobil largou a Mclaren e foi parar na RedBull. A Mclaren recebe a BP/Castrol, e compartilhará o fornecimento de combustível e lubrificantes com a Renault.

Essas 3 equipes saem com a uma teórica desvantagem em relação aos demais times. Falta experiência e dados com os motores atuais. A Esso ainda afirma que não será um problema, pois vai pro terceiro modelo V6 Híbrido dessa era da F1. Já trabalhou com Mercedes, Honda e agora Renault-TAGHeuer.

O principal problema é a alteração do regulamento para 2017. Até 2016 você tinha liberdade para levar para cada corrida a quantidade de misturas de combustível que bem desejasse. Era só homologar cada um dos tipos com a FIA e o uso era livre. Em 2017 você só poderá homologar 5 tipos para a temporada inteira, com a limitação adicional de só poder eleger 2 tipos para cada fim de semana. Com um tanque limitado a 105 kg (5 kg a mais que em 2016), mas com um previsão de aumento de consumo por conta dos carros passarem mais tempo em aceleração plena, o combustível pode (e será) definitivo na performance das equipes.

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A turma de 2017 está toda definida e anunciada.

Mercedes
Lewis Hamilton (#44)
Valtteri Bottas (#77)

Red Bull
Daniel Ricciardo (#3)
Max Verstappen (#33)

Ferrari
Sebastian Vettel (#5)
Kimi Raikkonen (#7)

Force India
Sergio Perez (#11)
Esteban Ocon (#31)

Williams
Lance Stroll (#18)
Felipe Massa (#19)

McLaren
Stoffel Vandoorne (#2)
Fernando Alonso (#14)

Toro Rosso
Daniil Kvyat (#26)
Carlos Sainz Jr (#55)

Haas
Romain Grosjean (#8)
Kevin Magnussen (#20)

Renault
Nico Hulkenberg (#27)
Jolyon Palmer (#30)

Sauber
Marcus Ericsson (#9)
Pascal Wehrlein (#12)

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O peso dos carros também muda em 2017. Hamilton já havia dito em 2016 que era ridículo o carro ter um peso mínimo tão baixo com equipamentos tão pesados como as baterias. Quem sofria com isso eram os pilotos em dietas surreais para se manterem dentro do peso necessário para o carro. Antes de terminar o ano a FIA aumentou o limite mínimo em 20kg (sempre sem contar o combustível), com ainda um ressalva para avaliação dos compostos finais da Pirelli.

A fabricante italiana fechou os compostos para esse ano e apresentou a conta: em relação a 2016 o jogo de pneus novos carrega 6kg a mais.

No fim das contas, os carros passam de 702kg em 2016 para 728kg em 2017. Lembrando que cada 10kg adiciona cerca de 0.3 segundos por volta e que temos mais 5kg extras de combustível em relação a 2016, os carros desse ano não devem ser 5 segundos mais rápidos como desejado pela FIA. Devemos ficar na casa de 3,5 – 4 segundos no começo da temporada.

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A ansiedade para ver os novos carros é grande, mas já na segunda-feira, dia 20/02, teremos a primeira ideia dos carros de 2017. A Sauber vai apresentar sua viatura e suas cores em eventos nas redes sociais.

Uma agenda de quem já anunciou seus planos para 2017.
Sauber – 20 de Fevereiro
Renault – 21 de Fevereiro
Force India – 22 de Fevereiro
Mercedes – 23 de Fevereiro
Ferrari – 24 de Fevereiro
McLaren – 24 de Fevereiro
Toro Rosso – 26 de Fevereiro
Red Bull – 26 de Fevereiro

Red Bull, Haas e Williams não anunciaram seus planos, mas confirmam presença com os novos carros no primeiro dia de testes em Barcelona.

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Aproveite a agenda aberta e já anote o calendário desse ano.

1º Período de Testes – 27/02 até 02/03 – Espanha
2º Período de Testes – 07/03 até 10/03 – Espanha

1º Grande Prêmio – 26 de março – Austrália
2º Grande Prêmio – 9 de abril – China
3º Grande Prêmio – 16 de abril – Bahrein
4º Grande Prêmio – 30 de abril – Rússia
5º Grande Prêmio – 14 de maio – Espanha
6º Grande Prêmio – 28 de maio – Mônaco
7º Grande Prêmio – 11 de junho – Canadá
8º Grande Prêmio – 25 de junho – Azerbaijão
9º Grande Prêmio – 9 de julho – Áustria
10º Grande Prêmio – 16 de julho – Inglaterra
11º Grande Prêmio – 30 de julho – Hungria
12º Grande Prêmio – 27 de agosto – Bélgica
13º Grande Prêmio – 3 de setembro – Itália
14º Grande Prêmio – 17 de setembro – Cingapura
15º Grande Prêmio – 1 de outubro – Malásia
16º Grande Prêmio – 8 de outubro – Japão
17º Grande Prêmio – 22 de outubro – EUA
18º Grande Prêmio – 29 de outubro – México
19º Grande Prêmio – 12 de novembro – Brasil
20º Grande Prêmio – 26 de novembro – Abu Dhabi

Se achou pouco, tem mais dois testes para acompanhar no meio da temporada:

1º Teste inter temporada – 18 e 19/04 – Bahrein
2º Teste inter temporada – 01 e 02/08 – Hungria

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Finalmente a Liberty Media assumiu o controle da F1 encerrando o ciclo histórico sob comando monárquico de Sir Bernie Ecclestone.

Nas mãos do tio Bernie a F1 alcançou o topo das corridas de carros. Inspiraram gerações e criaram heróis. Sempre foram os carros mais rápidoa, os mais desafiadores de se pilotar.

Bom, ao menos até a era das montadoras e seus V6 Híbridos 1.6 15.000rpm. Desde 2014 a F1 entrou literalmente em uma era silenciosa. Seus carros não fazem mais barulho. Seus pilotos não podem andar no limite, porque ficarão sem combustível, seus pneus não aguentam duas voltas seguidas de perseguição por uma posição sem comprometer o restante da estratégia de corrida. Em 2014 a F1 já não era a categoria mais rápida em alguns circuitos e o público do esporte a motor já minguado, se afastou ainda mais.

O grupo de americanos chega como a “salvação da lavoura” para o relacionamento com os fãs e a promoção do espetáculo. Para a parte técnica elegeram Ross Brawn e um sopro de esperança atinge o rosto dos fãs da categoria.

O desafio da Liberty Media (proposto por ela mesma) é transformar a F1 em 20 eventos como o Super Bowl. Teve gente que comprou essa ideia, são os americanos os maiores especialistas do “show business”, portanto não há motivos para não acreditar em uma grande guinada nos caminhos da F1.

A grande aposta de fazer algo similar ao grande jogo da NFL tem uma diferença fundamental, esquecida nos comparativos do que a Liberty pode fazer, que é o produto “Esporte Motor”. A audiência desse esporte cai seguidamente em todos os países e categorias.

A NASCAR, tradicionalíssima em solo americano sofre quedas seguidas de audiência e apresenta um novo formato (Rafael Mansano deixa tudo explicado aqui para vocês) para tentar trazer o publico novamente para as corridas. É a quinta mudança de regulamento desde que o formato de Chase foi implantado em 2004.

Os americanos também não conseguem fazer a INDYCAR voltar aos seus tempos de glória e grande rival da F1 como chegou a ser nos tempos de CART. A categoria (con)vive com carros padronizados, somente dois fabricantes de motores, equipes fechando as portas e dificuldades para preencher os 33 carros do grid do maior patrimônio automobilístico da humanidade, a INDY 500.

Na sua própria terra a Liberty Media pode ter a chance de encontrar indícios da decadência do esporte motor e o caminho da diferenciação que a F1 precisa assumir. Carros padronizados e regras que interferem na corrida artificialmente, se mostram como fórmulas fracassadas. A F1 precisa se livrar da tentação de restringir a livre competição de construtores, pilotos e corridas “pé embaixo”.

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2005, 2009 e 2014, as três ultimas grandes mudanças de regulamento promoveram a ascensão de equipes ao domínio da F1. Tirando a Brawn em 2009, uma grande surpresa revelada por um difusor duplo um tanto controverso, as equipes que se aproveitaram dos novos regulamentos para assumir a ponta já estavam em fase crescente de desempenho e bem estruturadas. Não custa lembrar que em 2013 a Mercedes já havia marcado 8 pole-positions na temporada e se tornou vice-campeã de construtores na temporada. Os 3 anos de domínio subsequentes não surgiram “do nada”.

O que vocês esperam para essa temporada? Estão conseguindo segurar a ansiedade?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

6 thoughts on “Ansiedade Histórica

  1. Flavio,

    todo ano as dúvidas são grandes nesta época do ano em relação a categoria. Só saberemos realmente o que vai ser deste novo regulamento quando a temporada começar de verdade. Eu espero que ela seja como torcer para o Felipe MAssa ter um bom carro, que os tais 5 segundos mais rápidos sejam verdadeiros, que os roncos melhorem e que os carros fiquem mais bonitos, pois DNA eles não tem pois são todos parecidos.
    Esta questão da queda de audiência, vale lembrar que as TV’s a cada dia que passa buscam novos esportes para poder transmitir os eventos. Veja só que hoje em dia os esportes radicais estão em alta. Imagine então lá na terra do Tio Sam. Daí esta procura por novos formatos e etc parecido. O Voley a tempos vem sofrendo mudanças até que constantes nas regras para poder se adequar melhor a televisão. A Formula 1 tem buscar um bom formato que traga de volta as emoções dos treinos que definem o grid de largada . Quanto a corrida, talvez diminuir as 2 horas para 1 hora e meia a duração máxima de uma corrida. Mantendo-se o atual regulamento como exemplo, com corridas mais curtas os pilotos poderiam abusar mais dos limites dos carros pois não teriam tanto o que economizar … e isso poderia trazer outra dinâmica para as corridas …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  2. Grande Flaviz!!

    Excelente texto, e realmente, não é somente a F1 que esta numa maré ruim por conta dos rumos que a levaram tomar nos últimos anos, Nascar e Indy também.

    Já faz tempo que o exemplo a ser seguido, é a MotoGP!

    Falando nos números que os pilotos usam na temporada, interessante ficou os carros da Williams, com dois números em sequência, 18 e 19.

    A Ansiedade é Grande, Histórica!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  3. Flaviz,

    Não aprecio esta busca por aumentos de downforce, que é cara e no meu entendimento nivela os pilotos por baixo, mas se foi a fórmula que acharam para tentar diminuir o grande disparate das demais equipes em relação à Mercedes, devido principalmente à grande superioridade do sistema hibrido(também caro) da ultima, tudo bem. O que não dá para continuar é termos uma equipe ganhando 19 em 21 GP’S(2016) e 51 em 59 (últimos 3 anos) acabando totalmente com a competitividade da categoria.
    “Sim, é um contrassenso: a mudança de regulamento que deveria equilibrar o grid, da forma que foi feito, vai favorecer quem tem mais dinheiro……..” infelizmente sou obrigado a concordar.
    Espero que a Liberty influencie no sentido de se conseguir uma simplificação e um regulamento mais restrito para a categoria, que se tornou cara e complexa demais, afugentando até montadoras e tornando praticamente impossível a sobrevivência de equipes pequenas.
    E que não me venham com grid invertido, chase, pontuação dobrada na ultima ou em determinadas corridas, chuva artificial, etc., já basta o artificialismo que temos na F1 atual.

    Abraços,

    Márcio

    1. Marcio,

      Há mais uma problema no regulamento exatamente quando você cita “foi a fórmula que acharam para tentar diminuir o grande disparate das demais equipes em relação à Mercedes, devido principalmente à grande superioridade do sistema hibrido”. Mais downforce, mais carro preso ao chão, maior é a importância do motor para levar o carro pra frente.

      Abraços
      Flaviz

  4. A F1 precisa se livrar da tentação de restringir a livre competição de construtores, pilotos e corridas “pé embaixo”. Mande este parágrafo para a FIA pelamordeDeus.

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