Otimismo à mesa

Em uma epoca de novos donos da F1, não custa sonhar e pensar que podemos ter um campeonato com Alemanha e França para esquecermos os paises sem tradição na f1 e com governos totalitários.

Os novos ventos sopram em uma F1 moderna de novos donos. Há esperança para mais proximidade com a realidade de um mundo globalizado e desapegado de antigos dogmas.

A Formula 1 chega no país dos sheikes para oferecer a sua primeira corrida noturna da temporada. As cartas estão na mesa e temos dois campeões do mundo empatados nos pontos. Fora dos autódromos, uma proximidade com o publico crescente. O campeonato de 2017 pode dar, no desolado Bahrein, mais uma dose de otimismo para os fãs.

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Foram só duas corridas na temporada. Uma em circuito de rua e uma em condições adversas. Podemos tirar conclusoes depois de verificar duas amostras tão pequenas? Sem doses exageradas de otimismo, a realidade mostra que nas duas condições apresentadas as equipes dominantes foram as mesmas. Não há motivos para acreditar que até Barcelona alguma coisa mude. Teremos até o meio de maio uma situação parecida na pista: Ferraris e Mercedes duelando pelas posições mais avançadas e o resto se debatendo atrás pelas migalhas.

Não é uma espera muito longa, temos Bahrein e Russia. Na sequencia já serão apresentadas as armas para a temporada “Européia”

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A pista do Bahrein não é a das mais excitantes da temporada, mas ao longo das ultimas 12 apresentações nessa pista tivemos chances de ver algumas corridas interessantes. A de 2014 tem sabor especial daquela linda disputa entre Rosberg e Hamilton, por exemplo. A mistura de prova de noturna com as oscilações de temperatura entre treinos e corrida funcionou na pista do deserto e criou um desafio interessante para engenheiros e pilotos. Temos corridas agitadas, alguns momentos de safety car e possibilidade de mudanças de estratégia.

Esse ano não deve fugir desse script. A alta temperatura (por volta dos 40º graus) deve sacrificar carros que judiam um pouco da borracha. Leiam aqui, Mercedes e Hamilton. Na China, as baixas temperaturas salvaram a corrida para o time prateado. Não estranhem se nos 3 treinos livres os carros da Mercedes só façam longruns, testando todos os tipos de pneus. O ritmo de corrida ainda não está no nível da Ferrari e será o foco de desenvolvimento do time para essa temporada.

A vantagem para as equipes é a manutenção da escolha dos pneus Pirelli da china para Bahrein. Em uma comparação direta poderão entender como os compostos funcionam em diferentes condições de temperatura. Esse aprendizado vai ser extremamente util para guiar o desenvolvimento dos carros até Barcelona.

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Tem essa de 2006 também. (Só onboard, pra gente lembrar do motor de um F1)

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Quando olhamos para Bahrain 2014 e Bahrain 2017 notamos a grandiosidade de pilotagem que o atual campeão do Mundo, Nico Rosberg, trazia para a categoria. O jovem multi-badalado-ultra-rápido e massacrador de companheiros de equipe Valteri Bottas, não consegue nem andar proximo de Hamilton. Precisa se adaptar ao carro? Max Verstappen não enfrentou esse problema na temporada passada…

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O meio do pelotão, realmente confirma nossas expectativas mais otimistas. É uma bagunça separada por poucos décimos de segundos. Com as 3 grandes correndo livres na frente e brigando pelos 6 primeiros postos do classificação, ninguém consegue determinar quem vai aparecer nas 4 vagas restantes na distribuição de pontos.

Contávamos sempre com ao menos um carro da Williams, mas o time (e Massa) não se entende com chuva e tempo frio. Stroll ainda parece que não controlou seus nervos pra fazer uma corrida e o time inglês vai perdendo chances preciosas de marcar pontos.

Com isso, Force India e Toro Rosso vão mostrando suas armas e colhendo bons pontos. As duas estão com mais pontos que a Williams. Sem o mesmo orçamento das poderosas equipes de ponta, as duas entregaram carros competitivos para começar a temporada como forças do grid. Carlos Sainz e Perez são os destaques naturais dos dois times, deles devemos esperar mais uma boa corrida nesse domingo.

Um pouquinho mais para trás ficamos com a Renault e Hass. As duas brigam com as inconstâncias de seus pilotos e o noviciado de suas equipes técnicas. O desempenho das duas equipes é uma montanha russa, assim como o humor de seus pilotos. Grosjean que teve um ano de 2016 encantador, parecia um filho de milionário canadense na China (ops, maldade!). Tomar tempo de Magnussen é digno de sessão de terapia. Hulkenberg vai passar pelo calvário de ser piloto líder de um time em construção. Aqui só cabe nossa torcida para ele ter um carro decente na segunda metade da temporada.

A turma do fundão é nossa alegria. Mclaren e Sauber sempre nos dão boas linhas. A Mclaren que não anda e terá um motor novo “entre maio e junho” (!), tem oferecido apresentações de gala de Alonso. A Sauber que fez um carro ruim e sofre com motor de 2016, finalmente vai ter a estréia do filho prodígio da Mercedes Pascal Werhlein. Contusões, polemicas e teorias da conspiração a parte, o pequeno Pascal tem que mostrar o que um campeão da DTM pode fazer frente a um Marcus Ericsson. Sem desculpas. Sem “pneu não esquentou”, “não é minha marca favorita de freio”, “meu chassi tem algo estranho”. Já perdeu duas corridas, tem que chegar, sentar no carro, se classificar à frente do companheiro e terminar a corrida na frente dele. Até o fim do ano, começando hoje. Porque, amigo, se não ganhar nem do Ericsson, não adianta chorar que não foi escolhido para a Mercedes.

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Se Ericsson bater sistematicamente Pascal esse ano, devemos considerá-lo em algum time de ponta?

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A Liberty chegou com tudo na F1. Ron Denis se foi e chegou Zak Brown na Mclaren. Zak é americano ex-piloto, colecionador de carros, dono de veículos de comunicação de esporte motor, membro do board da Cosworth, dono de equipe de turismo… Resumindo: sabe o que está fazendo à frente da Mclaren. Nada mais nos dá tanto otimismo quanto isso.

O trabalho conjunto da Liberty e de Zak trouxeram mais para a F1 do que esperávamos nesses primeiros 100 dias de gestão (para usar o termo da moda). Costuraram – junto com a Indycar – a maior noticia dos últimos tempos: Alonso na Indy 500.

Um bicampeão do mundo de F1 na maior corrida de todos os tempos. Obviamente a Indycar (em dois dias, dizem) se prontificou para acionar as equipes e conseguiu com a Andretti um espaço para trazer a Mclaren e seu campeão.

São novos tempos na F1. E a Indycar vai aproveitar para voltar a ser uma categoria com projeção de seu nome no cenário internacional.

É um dos movimentos mais vitoriosos das duas categorias em décadas.

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Como “bônus”, ainda teremos Button de volta. Não é demais?

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Melhore momentos da prova da Austrália, só que onboard.

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Ficha do Grande Premio do Bahrein de Fórmula 1

GULF AIR BAHRAIN GRAND PRIX

Edições: 13 (2004-2010 e 2012-2017)
Perimetro: 5412 metros
Voltas: 57 (308.238 km)
Volta mais rápida: 1’31.447 (2010 – Pedro de la Rosa – McLaren/Mercedes)

Lembrando 2016

Vitória: Nico Rosberg – Mercedes – 1:33’34.696
Pole position: 1’29.493 (Lewis Hamilton – Mercedes)
Volta mais rápida (em corrida): 1’34.482 (Nico Rosberg- Mercedes)

Pirelli - Medios - Macios - Super Macios

Os sinais de 2017 nos dão otimismo. Um campeonato disputado entre dois grande campeões dessa geração. Uma F1 aberta a conversas fora do seu mundo. Campeões se aventurando em outras categorias.

Vamos recolher as garras e curtir esse grande ano que se desenha para a categoria? Não falta otimismo para um grande ano!

Abraços
Flaviz Guerra

2 thoughts on “Otimismo à mesa

  1. Flavis,

    o bom dessa corrida lá no outro lado do mundo é que ela acontece a noite e dá para gente ver no domingo pela manha aqui no Brasil …
    Esta jogada do Alonso na Indy 500, não resta dúvidas foi uma tremenda jogada de marketing, menos para a Globo que querendo ou não vai ter que falar muito dela este ano se não quiser levar um banho da Band. Mas cá para nós, estou com o Tio Bernie, o lugar de Alonso é na Formula 1 e andando lá na frente.
    A Ferrari incomodando a Mercedes já faz muito bem a Formula 1. Imagina se SBR estivesse diretamente nesta briga também.
    Quanto a Willians, sei lá, acho que ela esqueceu de vez o que é ser grande. Espero que esta fase da Mclaren não produza o mesmo efeito … a Formula 1 poderia ter muito do bom que teve a pouco tempo se tivesse a Willians e Mclaren brigando lá na frente de novo …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    1. Mas dá pena do Alonso nessa Mclaren, né? Nem uma voltinha no treino… Talvez na Indy ele ande mais em uma prova do que no semestre inteiro na F1.

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