Programação para as férias – final

Confira as oito primeiras desta lista clicando aqui.

7) GP da Europa 1993 (Donington). Única disputada em Donington, é apontada como a maior das 41 vitórias de Ayrton Senna, sua obra-prima. Hill termina em segundo lugar e é o único piloto a terminar na mesma volta que a Senna. Depois de parar sete vezes para troca de pneus, Alain Prost terminou em terceiro lugar. O francês é o grande perdedor desse evento em que choveu e parou de chover o tempo todo. As Williams eram até 1,8s mais rápidas em pista seca! No retorno aos boxes, Senna parou no meio da pista para pegar uma bandeira brasileira. Essa é uma das imagens mais reproduzidas do brasileiro até hoje.

6) GP da Espanha 1986 (Jerez). Uma batalha mágica entre Ayrton Senna (Lotus), Nigel Mansell (Williams) e Alain Prost (McLaren), em que estes dois últimos protagonizam uma disputa cabeça-a-cabeça na linha de chegada, com vantagem de apenas 14 milésimos para o brasileiro. Era o apogeu da Era Turbo, com uma geração genial de pilotos.

5) GP do Japão 1976 (Fuji). A final do “Rush”, de Niki Lauda, 68 pontos, versus James Hunt, 65. Numa prova caótica em função do temporal que atinge o local, a prova é disputada com 4 horas de atraso. Lauda, que havia heroicamente sobrevivido ao seu conhecido acidente em Nürburgring, se recusa a correr naquela situação e estaciona sua Ferrari nos boxes, enquanto Hunt resolve assumir todos os riscos pra conseguir os pontos que lhe faltam.

Nas voltas finais, sua McLaren tem um furo, e ele cai para 5º. Começava ali uma luta para escalar posições, e depois de uma pilotagem inspirada, Hunt cruza em 3º, assegurando seu único título por 1 ponto.

4) GP de Portugal 1985 (Estoril). Ayrton Senna conquista a sua primeira vitória na carreira com mais de um minuto à frente de Michele Alboreto, o único piloto a não ter levado uma volta do vencedor. Foi uma prova considerada a mais tensa por conta da chuva dos anos 80, a equipe Lotus voltou a festejar depois de um jejum de 3 anos, provavelmente uma das mais difíceis da história da Fórmula 1. A lenda de “Magic Senna” e o título de rei da chuva estavam consolidados a partir desse GP. Senna subiu ao pódio feliz como uma criança: “Eu só estava esperando por isso, ganhei um Grande Prêmio, um sonho para sempre!”.

3) GP do Brasil 2008 (Interlagos). Numa das mais dramáticas finais de campeonato, Lewis Hamilton tinha 7 pontos a mais, e precisava apenas de um 5º lugar, mesmo com uma vitória de Felipe Massa, que coloca a Ferrari na pole. No entanto, começa a chover torrencialmente 4 minutos antes da largada e pilotos partem com pneus de chuva.

Massa faz sua parte: domina a corrida e vence. Enquanto isso, Hamilton tem uma prova complicada e pouco se destaca, mas mantém sempre na zona entre o quinto e quarto lugar. A duas voltas para o fim, o então novato Sebastian Vettel, com uma Toro Rosso, passa por Hamilton e o joga para a sexta posição. Massa é virtualmente campeão mundial.

Última volta. Massa cruza a linha de chegada como vencedor. Neste momento, ele ainda é campeão mundial. Na última curva, Glock, que está em num ritmo muito lento por causa dos pneus que não trocou, é ultrapassado por Vettel e Hamilton, o que permite que o último recupere o 5º lugar e se torne o campeão mundial F1 de 2008, num dos maiores sufocos de todos os tempos.

2) GP da França 1979 (Dijon). A corrida permanecerá na história graças ao duelo feroz que Gilles Villeneuve e René Arnoux travaram nas últimas três voltas, valendo o segundo lugar. Esse é até hoje o maior embate na pista entre dois pilotos, suas rodas tocaram uma boa dúzia de vezes. Dentro dos padrões rígidos e pela fiscalização dos dias de hoje, um duelo desses seria impossível, mas foi puramente cavalheiresca, porque os dois pilotos sempre no limite se respeitaram, e acima de tudo, mostraram uma grande confiança mútua. Terminada a prova, eles saem do cockpit e se cumprimentam com prazer em se divertir, enquanto Jean-Pierre Jabouille conquistava a histórica primeira vitória de um carro turbo na F1.

1) GP da Austrália 1986 (Adelaide). Nigel Mansell (72 pontos) chega a Adelaide com grande vantagem sobre Alain Prost (65) e Nelson Piquet (63). Para garantir o título, bastava terminar entre os quatro primeiros. Já para os rivais a vitória era a única opção.

Mas em vez de mostrar confiança, Mansell revela-se tenso e emocional na primeira vez que ficava em posição de ganhar o campeonato. Ele não parece suportar a pressão, nem mesmo a presença de sua esposa Rosanne não o acalma. Em contraste, Piquet exibe uma calma olímpica. Ele mantém inteligentemente a guerra dos nervos aberta, finge negligenciar Prost e enfrentar Mansell.

Tudo isso mantém um clima de muita tensão dentro da equipe Williams. Eles já haviam conquistado o título dos construtores, mas todos sabem que o campeonato de pilotos é muito mais comemorado. Além disso, havia a pressão da Honda para ganhar esse título, eles, o fabricante do melhor motor da época. Tanto que o fundador Soichiro Honda estava presente no autódromo e ansiava por uma vitória.

Mas numa das corridas mais eletrizantes que assisti na vida, Prost consegue derrotar os dois rivais da Williams, com um misto de ritmo, tática e uma pitadinha de sorte, ingrediente com o qual ninguém é campeão. O francês vence a prova com Piquet em segundo, e o favorito Mansell fica pelo caminho com o famoso estouro (ou melhor, explosão) de seu pneu traseiro.

A pilotagem de Prost foi de fato um modelo de inteligência tática.

Esta corrida foi louca, como eu esperava. E desta vez, a sorte estava comigo. Hoje, eu me vinguei do destino, mas é um retorno justo das coisas. Este ano, eu sabia de minha desvantagem técnica do carro, e esse título me deixa ainda mais feliz do que o primeiro. 

É minha corrida preferida, e vai até a sessão de classificação como bônus:

Amigos, espero que gostem desse presente e revejam as corridas aqui apresentadas. E fiquem à vontade para também passar um crivo e falar de outras provas marcantes, ou até mesmo de montar listas alternativas para essas férias. Agradeço a audiência, o apoio que vocês nos deram esse ano.

Desejo a todos um feliz Natal, comemorem com muita alegria com amigos e família presentes. Em 2018, estaremos todos de volta. Eu, por exemplo, já tenho compromisso marcado: a continuação da coluna Os pilotos daquela foto.

Um grande abraço e ótimo final de ano,

Mário

3 thoughts on “Programação para as férias – final

  1. Muito boa a lista Mário, gostei bastante. Adelaide 1986 é uma corrida que ainda não vi com a devida atenção e você me inspirou a fazer isso. Farei hoje inclusive. Eu comcei a acompanhar a Formula 1 em 1999, embora já tenha visto muitas coisas anteriores a isto, entendo que o feeling da sua lista é perfeito. Não há nada como se emocionar com o espetaculo ao vivo e pela primeira vez.

    Eu não vou tentar uma lista de 15 corridas, mas as 3 mehores corridas que já vi:

    Interlagos 2001 (meu primeiro gp na arquibancada)
    Silverstone 2003
    Brasil 2008

    Foram mesmo muitas emoções, Feliz Ano Novo!

  2. Mário,

    valendo que a sua lista de corridas preferidas vale a partir de 1972, posso dizer que ela está perfeita.
    Algumas corridas poderia estar na lista. Acho que em 2012, principalmente no inicio da temporada, a incerteza no melhor uso dos pneus acabou acarretando vitórias de vários pilotos diferentes dando assim um inicio de temporada bem interessante. É bom lembrar que até a Willians com Pastor Maldonado venceu uma corrida. Foram boas corridas naquele inicio de temporada.
    Em 1974, Emerson Fittipaldi venceu o GP da Bélgica disputado no circuito de Nivelles duelando desde o inicio com Niki Lauda, que chegou em 2º colado no cambio da Mclaren do Rato. Foi uma corrida com uma situação bem parecida com o qual passou o vencedor G. Villenueve no GP da Espanha citado na sua lista. A diferença era que Emerson tinha um carro bem rápido nas curvas e nas partes mais lentas do circuito e isso permitia ele se defender dos ataques de Lauda nas retas onde o motor 12 cilindros de sua Ferrari falava mais alto. A corrida desde o inicio foi assim e Niki Lauda ao fim da corrida elogiou a perfeição do Emerson que não cometeu nenhum erro durante a corrida, ao contrário dele que no inicio deu mole e Emerson aproveitou para ultrapassa-lo e seguir na frente até a vitoria. Foram mais de 40 voltas com Niki grudado na traseira do Rato.
    Eu também particularmente falando, tenho entre as minhas prediletas o GP do Brasil de 1975, pois vibrei como nunca com a unica vitória de Jose Carlos Pace na Formula 1 e o GP do Brasil de 1982, onde Piquet venceu mas não levou a corrida. A ultrapassagem dele em cima de Gilles Villenueve foi incrível e bem em frente onde eu assistia a corrida nas arquibancadas. O susto de Gilles foi tão grande com a forma como Piquet atacou que foi que ele perdeu a direção da sua Ferrari e foi parar nas telas de proteção. Para mim depois da ultrapassagem sobre Senna na Hungria, este foi outro grande momento de Piquet na F.1.
    Pena que o amigo não tenha incluindo o ano de 1971, pois nunca mais a Formula 1 viu uma final de corrida tão alucinante com uma batalha tão cheia de trocas de posições e tão épica como aquela no GP de Monza onde a diferença entre o vencedor Peter Gethin e o 5º colocado foi menor que 1 segundo de diferença … esta para mim é a maior corrida de Formula 1 de todos os tempos …

    Um feliz natal para você e sua família também.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  3. Grande Salu!!!

    Belíssima lista, e com um um final épico!

    Austrália 86 também é minha corrida predileta, e certamente irei assisti-la novamente nestas férias.

    Eu não parei pra fazer uma lista, mas, puxando apenas pela memória, segue algumas provas que eu sempre que posso, gosto de assistir novamente.

    Brasil 82

    Brasil 86

    Monza 87

    Espanha 87

    Brasil 88

    Monza 88

    Brasil 89

    Portugal 89

    Japão 89

    Brasil 91

    Brasil 93

    Nurburgring 2007

    Brasil 2007

    É isso!

    Um Feliz Natal, e um Feliz 2018 a todos!

    Grande Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

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