Um ano vermelho na China?

Provas em sequência, um sonho de todo o fanático da F1. Um pesadelo logístico, uma maratona. Em um calendário recheado com 21 corridas espremidas em 9 meses, é certeza que teremos muitas emoções em sequência.

A Mercedes saiu do calor do Bahrein derrotada mais uma vez. Problemas com Hamilton, problemas com os pneus e um apático Bottas. Agora, apenas uma semaninha depois, uma pista fria, com uma rota gigantesca. A Mercedes retorna a sua forma dominante? A Ferrari prova que seu carro veio para um ano melhor que 2017?

A madrugada desse domingo, a festa de debutante do GP Chinês, pode nos dar um desenho mais claro do que será o campeonato de 2018.

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A Mercedes não aprendeu a lidar com as táticas de corridas para situações adversas e será o grande calcanhar do time em 2018. Antes da era hibrida, não tinha um carro constantemente rápido para disputar vitórias. Depois da era híbrida, sempre lideraram com larga margem. Poucas vezes foram desafiados de forma consistente. Fazer estratégias vencedoras parece não ser a especialidade da casa.

No outro canto, temos uma Ferrari ferida pela perda do título do ano passado. Ninguém mais acredita no discurso “esse ano vai”. Mostrar força em um circuito com uma reta como a da China, depois de vencer em circuito de rua e no calor do Bahrein, pode ser uma sinal que o carro funciona em qualquer traçado e deixar uma dúvida na cabeça de todos: “Será um ano vermelho?”

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Bahrein e China, não são exatamente as pistas mais adoradas e tradicionais do mundial de Formula 1. Estão a muito no calendário, tentando cavar seu espaço na história, mas são traçados que não empolgam, não desafiam. A melhor lembrança do autódromo Chinês é uma reta gigantesca. Uma reta, poxa, que desafiador. Lá vamos nós para o 15º ano de uma corrida com milhões de faturamento e arquibancadas vazias.

Temos ao menos um cenário otimista pela frente se olharmos o calendário com carinho. São ao menos 13 provas em circuitos clássicos de países tradicionais aos olhos da F1: Espanha, Monaco, Canada, França, Áustria, Inglaterra, Alemanha, Hungria, Bélgica, Itália, Japão, México e Brasil.

Mantendo o otimismo, ainda dá pra colocar os EUA na jogada, a pista de Austin tem tudo para ser uma clássica do calendário. Curiosamente, é uma das pistas de Tilke que aproveita os relevos do terreno para criar desafios.

O calendário “inchado” ao menos nos deu a chance de ver um pouco da velha F1 de volta.

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Na briga abaixo do pódio, vem aí uma Red Bull sozinha. Max ainda devendo, um erro em cima de outro com a arrogância que nunca lhe falta. Saiu da classificação do Bahrein dizendo que algo estranho aconteceu no motor e por isso ele bateu. Mentirinha. O Pinóquio esqueceu que tem telemetria até no fio de cabelo e os dados não deixaram ele creditar o erro ao carro. Tanto a Renault quanto o chefão Christian Horner confirmaram: o pezinho direito apertou o acelerador mais do que deveria. A Renault deu um toque requintado de crueldade dizendo que isso ocorre basicamente em uma relação direta, cada vez que você aperta o acelerador, é gerada uma ação correspondente no motor.

O duro nisso tudo é que a Red Bull tem novamente um carro frágil nas mãos. Parece que o casamento RBR + Renault sofre das mesmas mazelas do Mclaren + Honda. Ninguém fala mais a mesma língua.

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Olhando para trás, dá uma saudade do Rosberg. A passividade de Bottas dá uma dimensão da combatividade que Rosberg tinha.

Mercedes tem Ocon, Werhlein e uma chance de trazer Ricciardo. Ocon pelo menos é abusado, Werhlein corre por fora e Ricciardo traria um pouco de apetite e alegria pro time.

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Não fomos justos com Hartley esse fim-de-semana. Foi ofuscado por Gasly? Foi sim, quem não seria? Gasly fez “o fino”.

Só que o rapaz sofreu suas mazelas também. O update da STR só chegou ao seu carro no Sábado. Foi ali, no susto, pro Q1, cheio de peças novas. Pra melhorar, acertou um pássaro durante o treino, escangalhou o carro e perdeu uma vaga no Q3.

(Infelizmente o passarinho foi a óbito na noite de sábado)

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Marcus Ericsson brilhou no Bahrein. Foram 50 corridas até voltar os pontos. Anota esse recorde no currículo, nunca ninguém demorou tanto assim pra voltar a pontuar na F1.

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Gostamos de números? Sim!

Mais um número redondinho. Olha só, se RBR, Mercedes ou Ferrari, qualquer uma das 3, levar o caneco nessa prova, será a de número 100º do trio mais poderoso da categoria. Pouca coisa? Vamos para o 5º ano sem ninguém mais ganhar nada.

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O mais interessante dessas duas provas é que já temos 9 times com pontos no mundial de construtores. Para a turma que reclama da supremacia dos motores Mercedes, o único que não fez nenhum pontinho, é empurrado por esse motor “de outro planeta”.

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Saudades do Tilke? Calma, já já tem autódromo novo para vocês.

Kuwait Motor Town

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Tirando as 3 grandes vencedoras, todas as previsões de um meio do grid cheio de alternâncias e mudanças vai se confirmando. A cada prova um anova força surge para a pista.

Para a China é dificil imaginar, por exemplo, a mesma performance da Toro Rosso. A Honda não aguentará a longa reta chinesa. Grande chance de ver a Haas mais pra frente.

Apesar de ser a terceira no Mundial, a Mclaren deve se consolidar como a pior equipe de motor Renault. O caos impera nos lados do time inglês. O time admite que não chegou com todas as peças previstas para a temporada, o carro que deveria estrear em Melbourne só estará pronto para Espanha. Já viram o documentário GRAND PRIX Driver (da Amazon – https://www.primevideo.com/)? Assistam, dá pra ver que o problema da Mclaren não era só o motor Honda. Na temporada retratada (2017), o time não conseguia entregar o carro no prazo. O time nada lembra a potência tecnológica da era Ron Dennis (que deve estar rindo suavemente).

Lá para trás, a desgraceira de sempre. Uam vergonhosa Williams, misturada com a Sauber. A vantagem que esse ano ainda tem uma briguinha pelo último lugar do grid, um suspense. Dá pra fazer apostas entre Sauber, Williams e Grosjean.

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Esse campeonato está com cara de ser um dos mais divertidos da história recente. Podemos ter, finalmente, uma grande disputa pelo título na pista. Vettel e Hamilton continuam em grande forma e ainda terão que sofrer ataques pontuais de Kimi, Max e Ricciardo.

Em uma pista de clara necessidade de potência, às vésperas de outra prova com as mesmas características, podemos ter uma tendência do campeonato se desenhando. Sairá Vettel vitorioso e disparado no campeonato? Hamilton e a Mercedes mostrarão quem manda nesse tipo de pista?

Um novo e imperdível desafio nessa madrugada de domingo.

Em quem você aposta?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

One thought on “Um ano vermelho na China?

  1. Flavis,

    Eu adoraria apostar no Max Verstappen. Só ele pode botar fogo na lenha de verdade na Formula 1,só que ele anda cometendo muitos erros e decepciona e fora isso a RBR está longe de chegar perto da Ferrari e Mercedes … como a Ferrari parece melhor neste inicio vou apostar no Ice Man, mesmo contra a vontade do staff da Ferrari que prefere o Vettel na frente …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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