O fim da supremacia?

Depois da complexa prova de Baku, a Formula 1 volta para casa no tradicional circuito de Barcelona. A famosa pista espanhola é o marco inicial da temporada de pistas tradicionais e é cercada de expectativas para todos acompanharem a evoluções dos carros nessa temporada.

Será que teremos a volta de Lewis Hamilton ao comando das ações? Um desenho melhor das forças do campeonato começa a se desenhar nesse fim de semana?

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Hamilton está com a sorte em dia. Chegar nesse momento do campeonato com a liderança é um atestado de sorte pura e menos mérito do time da Mercedes. Até Barcelona, nas 4 primeiras provas do campeonato, a Mercedes não mostrou que o seu trabalho no inverno foi suficiente para manter a supremacia dos últimos anos.

Vale dar todo apoio ao Bottas, claro. Um presente como recebido na corrida passada, Hamilton não pode desperdiçar.

A partir de agora será preciso acompanhar a velocidade de desenvolvimento da equipe Mercedes. Sempre muito agressivos durante todo o ano, com capacidade de fazer um carro novo enquanto desenvolve o atual, travará uma dura batalha com a Ferrari para retomar sua supremacia.

No lado da garagem vermelha, a Ferrari vem com seu melhor carro dos últimos anos. Começou em pé de igualdade com a Mercedes mas muito mais eficiente em estratégias. O grande problema Ferrarista é que nos últimos anos não mostrou-se tão competente no desenvolvimento do carro, perdendo terreno para sofrer ameaças até da Red Bull. Mas não vamos nos enganar, esse ano é a melhor chance de Vettel levar a Ferrari de volta ao título.

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E a decisão da Formula 1 de mudar os carros para 2019 é uma tragédia esportiva. Finalmente, em 2018, conseguimos ter uma briga similar entre Ferrari e Mercedes, com chances de aproximação real da Red Bull. Não tem milagre, estabilidade de regras estabelece uma oportunidade para todos se aproximarem.

Em 2019 teremos asas mais simples na frente, menos elementos, menos aletas. Tudo com intenção de melhorar as chances de ultrapassagem. Os carros ficaram na casa de 1 segundo mais lentos e precisarão de todo um novo desenvolvimento aerodinâmico.

A Haas foi a primeira a avisar que mudará os planos desse ano. Não poderá manter o mesmo ritmo previsto para esse ano e vai ter q mudar o foco de desenvolvimento para o carro do ano que vem mais cedo em 2018.

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Sem contar que em 2021 temos carros e motores novos. Um desperdício mudar as regras para um carro que terá só 2 anos de ciclo de vida.

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A Turma da Red Bull levou bronca. Ricciardo por ter batido atrás de Verstappen. Verstappen por ficar pressionando Riccardo para fora da pista e suas mudanças agressivas e repentinas de direção. O time decidiu que a tragédia da última corrida foi culpa de ambos. Ou se resolvem…ou… Ou o que? Esse é o ponto principal da Red Bull, vai fazer o que pra punir os pilotos? Tapa na mão? Gasly e Hartley não tem condições de assumir uma Red Bull no momento. Chamar o Barrichello? O time vem com um bom carro para ritmo de corrida e perdeu a chance de marcar excelentes pontos na briga de construtores. Em um ano que Ferrari e Mercedes estão trocando muito de posições, o time azul não pode errar para ao menos voltar ao vice-campeonato.

Aproveitando o bloco “motores Renault”, McLaren e Renault vão ali disputando o posto de segunda melhor equipe das unidades de potência francesas. Na tabela do campeonato, Alonso faz a diferença e bota a McLaren com vantagem de um ponto. Na pista, velocidade pura, a Renault ainda é um pouco mais rápida.

A incógnita é o carro novo da McLaren que estreia em Barcelona. Não vai pra pole, mas tem q render um pouco mais do que essa versão atualizada está produzindo na pista. Mais uma vez, uma pena o que a McLaren se tornou na era pós-Ron Dennis. O carro estava atrasado para os testes, atrasou para Melbourne e só vem para pista na quinta corrida.

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Será que Barcelona ainda é um divisor de águas de performance entre os carros que estrearam em Melbourne e o restante da temporada?

Na fórmula 1 atual está mais difícil de isso acontecer. Todo mundo tem condições de trazer atualizações constantes para cada pista. Na sequência do campeonato temos Monaco, Canada e Paul Ricard. Três pistas específicas, com configurações de carros muito particulares para elas.

O que podemos ver em Barcelona é quanto o cenário apresentado nos testes era verdadeiro. Não esperamos grandes mudanças de direção nos rumos da disputa, mas poderemos validar se Mercedes e Ferrari estão no mesmo ritmo, se a Red Bull vem atrás, por pouco e se a Williams é essa porcaria toda, por exemplo.

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Nesse cenário, é bom esperar um fim de semana forte da Haas, liderando o grupo intermediário. Nos testes de inverno ela se destacou e só não está melhor no campeonato por conta de seus erros em Melbourne e dessa duplinha de pilotos que ela tem. Grosjean está lembrando aquele Grosjean de começo da carreira, uma besteira por minuto. Kevin é um piloto fraco que se perde na sua agressividade como uma forma de mostrar alguma coisa. Está no limite para tomar uma suspensão por pontos e é odiado por todos os pilotos que disputaram alguma posição com ele.

Na tocada da Haas, espera-se a briga entre Renault e McLaren. Os times mais consistentes em performance. São dois times que devem ter sempre ao menos um carro nos pontos, não sendo diferente em Barcelona.

Infelizmente a Force India deve ficar pra trás por conta de um carro que não se encontrou em Barcelona durante os testes. Não tem milagre, carro ruim em pista que depende de aerodinâmica, não tem conserto rápido. Infelizmente porque é uma pena ver o simpático time que sempre vem bem errando a mão no carro. Realmente esperava-se mais.

E lá no fundo, Toro Rosso, Sauber e Williams trocarão tintas em um misto solene de carros fracos com um time de pilotos desequilibrado. Gasly e Leclerc poderiam estar no mesmo time, por exemplo. Hartley poderia estar no WEC economizando bateria e pneus por dias, Stroll vendendo roupas nas lojas do pai e poderíamos também ter a dupla Ericsson e Sirotkin como comentaristas de TV. Os últimos 4 citados mostram problemas para estar na F1, com uma colher de chá ainda para Siroktin e Hartley, que são novos e merecem mais um tempinho. Agora, Ericsson e Stroll já tiveram tempo demais para que alguém justifique a presença deles em um carro qualquer.

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Somente a quinta etapa de um belíssimo campeonato até aqui. Apesar de provas com poucas surpresas, a Espanha pode mostrar a se Hamilton caminha para o Penta de forma consistente ou se teremos uma Ferrari brigando ponto a ponto pelo caneco.

O mais importante de tudo nesse final de semana é a possível confirmação que a supremacia absoluta da Mercedes chegou ao fim e teremos uma disputa real entre os times em 2018!

Não dá pra perder!

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

One thought on “O fim da supremacia?

  1. Flavis,

    sua coluna me chamou a atenção para uma coisa … que as equipes podem atualizar seus pacotes a cada corrida … atualizações aerodinâmicas é claro … se fazem ou não é uma questão de grana … antigamente para cada corrida a questão era diferente … era na relação das marchas … interessante, não concorda? … dava resultado e não custava dinheiro algum …
    Pelos resultados dos treinos em Barcelona, a Mercedes saiu na frente … sorte ou azar do Hamilton ou do Vettel???

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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