Viajantes na tempestade – parte 2

Viajantes na tempestade

Confira o início dessa história clicando no link acima.

Assim, chegamos a 1973, quando teríamos que esperar até Mônaco para ver novamente o 27. Lord Alexander Hesketh era um nóbre inglês que havia herdado uma muito respeitável fortuna e, para satisfazer sua paixao pelo automobilismo, vinha patrocinando uma equipe de competiçao. Começou a temporada de 1972 na Fórmula 3 para terminar na Fórmula 2.

Para 1973, a idéia era completar a temporada de F2 mas, com o campeonato já em andamento, Hesketh decide dar o salto à formula 1 e compra um March 731 para James Hunt, seu piloto. A equipe se apresentaria por primeira vez no principado e lhe é assiganado o número 27, o último disponível!

Hunt, conseguiria um meritório nono lugar, apesar de sofrer problemas de motor na parte final da prova. A Hesketh e Hunt manteriam o 27 durante o resto da temporada (exceto na Suécia, onde nao se apresentaram e o 27 ficou com Reine Wisell) sendo aquela a primeira temporada em o 27 aparecia de maneira regular associado a uma equipe/piloto determinados.

Até entao, a numeraçao dos carros era atribuida pelos organizadores dos GPs segundo seus próprios critérios e até caprichos, como o GP da Alemanha de 1952, no qual foram disponibilizados números a partir de 101! Naqueles tempos, apenas o número 1 desfrutava de certo privilégio pois era normalmente reservado para o campeo vigente, ainda que nem sempre foi assim.

Em algumas ocasiões eram os próprios pilotos os que solicitavam algum número concreto e não era raro que suas petições fossem atendidas. No entanto, com a presença cada vez mais importante de patrocinadores, a crescente profissionalizaçao da categoria e sua cada vez maior difusao mediática, aquilo resultava até caótico e a FISA (a FIA de então), decide que já era hora de colocar ordem naquilo e facilitar aos aficionados a identificaçao das equipes e de seus pilotos. Assim, em meados de 1973 um regulamento referente à assignaçao dos numeros é promulgado para entrar en vigor já na seguinte temporada.

O regulamento contemplava que para 1974, às equipes se lhes assignaria números consecutivos que seriam já definitivos para cada uma delas. O piloto campeao de 1973 receberia o nº 1 (o 2 para seu companheiro), enquanto que o resto de equipes receberia seus numeros segundo sua classificaçao no campeonato de construtores. A única mudança de numeros ocorreria cada vez que um novo campeao fosse proclamado, em cujo caso este e sua equipe ganhariam o direito de exibir os numeros 1 e 2, passando a ocupar seu lugar (e números) o piloto/equipe destronado.

Contudo, nessa temporada de 1973 se proclamaria campeão Jackie Stewart, quem logo anuncia sua retirada da competiçao, portanto a designação de números teve de ser feita unicamente em base ao campeonato de construtores. Assim, em 1974, veriamos os numeros 1 e 2 na Lotus, a equipe campea, o 3 e 4 na Tyrrell, o 5 e 6 na McLaren e assim sucessivamente.

À equipe Embassy-Hill lhe corresponderam o 26 e nosso 27. A única excepçao seria o numero 13 que, tradicionalmente, vinha sendo evitado desde os anos 20 de tal modo que do numero 12 se pulava ao 14. Curiosamente o resultado de somar 13 e 14 é… 27!

Desse modo, 1974 seria a primeira temporada completa em que veriamos o numero 27, ainda que, uma vez mais, nas maos de diferentes pilotos, pois pelo cockpit do Embassy-Hill nº 27 pasariam Guy Edwards, Peter Gethin a Rolf Stommelen. O regulamento da numeraçao tambem contemplava que, se alguma equipe se retirava, outra com números mais altos podia ocupar seu lugar e tomar seus números.

Isso foi o que a Embassy-Hill faria quando a Ensign se retirou no fim da temporada, passando a usar o 22 e 23 em 1975. Contudo, para essa temporada teriamos a presença da equipe Parnelli, à que se lhe assignaria o numero 27 que havia ficado livre. Porem, apos disputar apenas os GPs da Africa do sul e USA West de 1976, a equipe se retira da competiçao e o 27, uma vez mais, desaparecia do grid.

Na temporada de 1977 o 27 só voltaria às pistas com a entrada no campeonato da nova equipe de Frank Williams no GP da Espanha. Curiosamente, na última prova do ano no Japão, a Williams nao se apresenta e a Ligier, que competia apenas com Jacques Lafitte com o nº 26, entrega um segundo carro a Jean-Pierre Jarier para essa prova, ao que se lhe assigna o nº 27.

Para a temporada de 1978, tanto Ligier quanto Williams apresentam um só carro, ficando os franceses com seu 26 enquanto que os britânicos recuperam o 27. A partir desta temporada a equipe Williams manteria o 27, dando começo um periodo de estabilidade a nosso errático nº 27. Finalmente, a primeira vitória da Williams e do 27 chegaria em 1979 no GP da Alemanha com Alan Jones, quem conquistaria o titulo e o direito ao nº 1 em 1980.

Semana que vem a saga do #27 continua

2 thoughts on “Viajantes na tempestade – parte 2

  1. Manuel,

    as suas histórias são excelentes.
    27 é o numero da história, mas creio que Piquet não goste de lembrar deste numero … a foto acima diz tudo

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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