“Brasileiro não gosta de automobilismo”

 

“Brasileiro não gosta de automobilismo”. “Corrida de carros não dá audiência”. “Ninguém assiste e nem liga pra corrida”.

Nossa! Quantas vezes já ouvi esses frases. Inúmeras…

Na verdade, não é que brasileiro não gosta de automobilismo; brasileiro não gosta de coisa mal organizada. Brasileiro gosta de festa. Gosta de disputa consistente. Gosta de diversão, de prazer, de distração, de esporte. E quando o evento é organizado levando tudo isso em conta, feito. Com certeza, é meio caminho para o sucesso no Brasil.

A Indy sabe fazer isso de olhos fechados e basta ter o mínimo de conhecimento do automobilismo norte-americano para saber que reunir tudo isso em uma corrida é uma premissa. É necessário. E graças a Deus, está tudo sendo reverberado para nós.

A etapa de São Paulo, chamada (nome de bebida … Indy 300 … nome de chocolate), pode até ter sido grande demais, mas as opções de lazer que proporcionou também foram de igual tamanho.  Corrida a pé, de 8 km, no mesmo circuito que a disputa de carros seria realizada – brilhante ideia! Outras categorias interessantes em disputa nas prévias da Indy, como a que reúne Lamborghinis, Ferraris, Porsches – ótima sacada! Carro com dois lugares – maravilhoso! Proximidade dos carros, pilotos e familiares desses mesmos pilotos com o público – sensacional! Se tudo tem uma receita – claro que tem, a dos Estados Unidos -, qual o problema em copiar o que é bom, o que funciona? Problema nenhum, pelo contrário: obrigado por copiar.

Problemas também existem, of course (desculpem o americanismo). Por exemplo, que categoria séria colocaria Sabrina Sato para dar uma bandeirada de largada de uma de suas provas? Na boa, pra mim, que tenho automobilismo como religião, isso é quase pecado. Não se faz! Mas, afinal, o evento é de um canal de televisão que a tem como estrela. Pô… Mas Sabrina Sato?

Mas ver o público enchendo as arquibancadas, hotéis, e ansiosos por ver a corrida – isso não tem preço. Aliás, até tem, mas até nisso, o evento foi bem bacana. Comprar o ingresso para a corrida e ganhar o ingresso para os treinos – puxa, bom demais!

Pena que, para os brasileiros, a corrida não foi feliz. Torci muito para Rubinho (sim, sou jornalista. Mas, sim, tenho coração, torcida e isso me faz gostar do esporte. E, não, isso não interfere no meu trabalho), pena que pela dinâmica da Indy, de um lugar entre os cinco primeiros, ele foi cair lá pelos dez. E Will Power, de onde vem essa força? Que segredo ele achou na pista que ninguém mais acha?

De mais, falar o que? A não ser parabéns pela Indy. Parabéns a quem teve essa brilhante ideia de trazer a categoria de volta ao Brasil e fazer uma corrida em São Paulo (mesmo que seja um circuito Mickey Mouse, sem espaço para erros e que renda imagens surreais – como a de carros se arrastando pela Marginal e monopostos voando na pista logo ao lado).

Mas isso – obrigado por provar mais uma vez – mostra que brasileiro gosta sim de automobilismo, de eventos bem organizados e de ser tratado com respeito.

A gente merece, não é não?

Até a próxima,

Tiago Toricelli

tiagotoricelli@hotmail.com

 

 

4 thoughts on ““Brasileiro não gosta de automobilismo”

  1. Pelo que vi pela televisão a Indy 300 em São PAulo foi realmente uma festa muito bacana … a galera foi em peso e estava bem animada … com relação ao circuito só lamento que os chamados de rua permitam poucos pontos de ultrapassagem … ao contrario poderiamos ter mais alternativas na corrida.
    O Helio CAstro Neves pelo menos neste inicio vem mostrando força para poder brigar por vitorias e o titulo da temporada mas este ano pelo que parece o homem a ser batido se chama W. Power. Nem o Tetra Campeão D. Franchiti me parece ter este status.
    Com relação ao Barrichello a tendencia é melhorar …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    1. Bem, com relação a ponto de ultrapassagens a prova paulistana teve muitas ultrapassagens. Fiquei na curva da vitória e vi muitas ultrapassagens no pelotão intermediário. Tristemente, também, vi os brasileiros serem ultrapassados mais vezes do que ultrapassarem outros pilotos. Me parece é que a transmissão de TV que não ficou atenta a estes detalhes…

    2. Usei, pela primeira vez, o Live Timing da Indy para acompanhar a corrida e posso dizer que a TV perdeu muitas ultrapassagens.

      No entanto, acostumado com a Fórmula 1, senti falta de algumas informações como o tempo de volta dividido por setores e, principalmente, a quantidade de paradas no box feitas por cada piloto – e esta informação faz MUITA falta!

      Quanto à transmissão, fiquei contente ao ver que a corrida também passaria no canal fechado da emissora que a exibiu. Ao menos eu não seria obrigado a ouvir uma narração que não me agrada. Mas se eu “escapei” da narração, não foi possível fugir dos erros da geração de imagens. Eu não seria capaz de fazer melhor, mas outras pessoas seriam!

      O evento em si, pelo que deu para ver pela TV, foi muito bacana. Realmente um espetáculo. Gostei muito da atuação dos brasileiros no meio da corrida, em especial a da Bia Figueiredo, que conseguiu me surpreender. Pena que o desfecho da corrida não foi muito favorável para nenhum deles. Mas foi legal.

  2. Olá Amigos do GPTotal

    Gosto desta pista, é a cara da Indy nos EUA.

    Só não gosto da primeira chicane, o S do samba, pois na minha opinião poderia ter somente a segunda, para evitar tantas bandeiras amarelas provocadas neste local.

    Mas uma coisa que, eu curitibano, mais gostei, foram os preços dos ingressos.

    Neste ano, o ingresso mais barato custou R$ 75,00, sendo que no ano passado, custava R$ 50tão.

    Já na F1, o ingresso mais barato é à partir dos R$ 500tão.

    É um absurdo!!

    Parabéns para a Indy, que ela permaneça no Brasil por muitos anos!!

    E olho no Helio, pois ele vai lutar pelo titulo, e se tudo der certo, será campeão este ano!

    Que venha a tão especial 500ª Milhas de Indianápolis!!!

    Abraço a todos!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

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