O que me emociona!

Há quem se emocione com joelhadas na cara, sangue jorrando, olhos vermelhos, orelhas deformadas e outras barbaridades do gênero. Eu, de minha parte, tenho me emocionado com as provas da GP2.

O brasileiro Luiz Razia tem feito uma temporada de dar gosto de ver. Citando apenas as últimas duas etapas, Valencia e Silverstone, já dá para exemplificar bem isso.

Na Espanha, Razia, então segundo colocado na classificação, iniciou o final de semana com 31 pontos de desvantagem para o líder, o italiano Davide Valsecchi, e saiu de lá com apenas um ponto de diferença, ainda na vice-liderança.

Ele foi terceiro colocado na primeira prova da rodada dupla e venceu a prova final. Mais do que os números podem confirmar, o que me chamou a atenção foi a pilotagem madura e cerebral que o brasileiro exibiu.  Sabe quando você assiste a uma prova e observa que o piloto está concentrado na disputa, não cometendo erros por afobação e nem por pressão? Pois bem, foi essa a impressão que tive. Na segunda prova daquele final de semana, nas duas voltas finais, Razia saiu de quinto para o primeiro lugar e mesmo estando em terceiro nos momentos finais da corrida, deixou que os dois primeiros colocados se bicassem lá na frente, e no momento ideal atacou e passou os dois, assumindo a ponta e fechando em primeiro.

O brasileiro não perdeu os preciosos segundos jogando o carro de um lado e para o outro, reduzindo, acelerando. Nada disso, esperou a hora exata para ir para cima. Para mim, foi uma corrida icônica dele, que mostrou a evolução que teve na pista e o desenho do piloto que se transformou.

httpv://www.youtube.com/watch?v=hTEd1GwZalw

Na etapa da Inglaterra, em Silverstone, o templo do automobilismo – para onde todos os olhos se voltam, Razia foi o quinto colocado na primeira corrida e como Valsecchi terminou em sétimo, o brasileiro passou a liderar a classificação geral com 150 pontos, 3 de vantagem para o italiano.

Na segunda prova do final de semana, sobrou emoção. Razia largou em quinto lugar (na GP2, o grid da segunda prova é invertido em relação à posição final dos dez primeiros colocados na corrida anterior) e logo na primeira volta veio ultrapassando um a um, inclusive Valsecchi, na disputa pela terceira posição. A ultrapassagem aconteceu em plena curva, roda a roda – e não foi um uma curva qualquer; foi na Bridge, uma das mais velozes de Silverstone.

Razia terminou o fim de semana ampliando a vantagem na liderança, agora de seis pontos sobre Valsecchi. Foi a quarta vitória de Razia na categoria. Nenhum outro piloto tem tantas vitórias na temporada deste ano.

httpv://www.youtube.com/watch?v=bNkCxLvVWSY

A próxima corrida acontece em Hockenheim, neste final de semana.  O Brasil pode terminar o ano com o primeiro campeão brasileiro na GP2. Nelsinho Piquet (2006), Lucas di Grassi (2007) e Bruno Senna (2008) já foram vice.

Boa sorte Razia!

Até a próxima

Tiago Toricelli
tiagotoricelli@hotmail.com

One thought on “O que me emociona!

  1. Tiago,

    Essa temporada da GP2 está muito boa, realmente. Estou acompanhando a categoria pela primeira vez e não deixo de assistir nenhuma corrida!

    Gosto muito do estilo de pilotagem do Razia. Ele começa tranqüilo e fica ali, na dele, poupando o carro enquanto deixa os outros detonarem os pneus. E do meio para o fim ele vai escalando o pelotão e ganhando posições importantes. Estou torcendo para que ele leve esse título, embora seja bastante difícil, já que o Valsecchi é também um excelente piloto numa excelente equipe.

    Outra coisa que ficou bem claro na etapa de Valencia e na segunda etapa de Silverstone é que o brasileiro não perde tempo quando tem dois carros disputando posição na frente dele. E aí que ele parte para cima e tenta passar os dois. Em Valência ele conseguiu e em Silverstone bem que ele tentou.

    E essas quatro vitórias por pouco não foram cinco. Pois por muito pouco ele não conseguiu vencer em uma das corridas do Bahrein, não fosse um pequeno erro ao passar numa zebra na última volta, que o fez perder contato com o primeiro colocado.

    Outra coisa interessante é ver a diferença dele para o companheiro de equipe. Se na GP2 também vale a máxima de que o companheiro de equipe é o maior adversário de um piloto, o brasileiro está fazendo o seu trabalho muito bem.

    Sendo campeão ou não acredito que o piloto tem um bom futuro na Fórmula 1 se os patrocinadores permitirem. Por falar nisso, ao ver o pódio da segunda corrida de Silverstone é que eu vi que não há praticamente nenhum patrocinador no macacão dele, em contraste com os que estão no macacão do Nasr. Mas talvez o fato de competir por uma equipe de propriedade do Christian Horner possa ajudar a abrir algumas portas.

    Que venha Hockenheim!

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