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Sebastian Vettel e seu lugar na História

O debate – qualquer que seja a área, esportes, arte, ciência… – acerca do “melhor de todos os tempos” é, na verdade, inútil: não vai alterar o curso da história ou do futuro, nem influenciar em padrões ou em qualquer coisa estabelecida. E é também inconclusivo, como sabemos: conforme o critério que se estabeleça (e um deles, ou o principal, será a subjetividade), haverá diferentes “verdades” como resultado. Porém, mesmo com as ponderações citadas, eu gosto da referida conversa.

É um fato: a geração atual está vivendo um momento único na história dos esportes: olhe para a natação, para o basquete, para o futebol, para a fórmula 1, para o tênis, para o atletismo e também para as lutas: atletas em sua maioria nascidos em meados dos anos 80 estão polarizando as modalidades e, todos eles, obtendo marcas históricas: Michael Phelps (1985), LeBron James (1984), Lionel Messi (1987), Sebastian Vettel (1987), Rafael Nadal (1986), Usain Bolt (1986) e Jon Jones (1987) tem seus nascimentos separados por dois anos e meio.

Como diria Lula, “nunca antes…” houve tantos e tão claros domínios ao mesmo tempo. (E de pensar que até ontem não parecia haver possibilidade de os recordes de Schumacher e Federer serem superados…)

Dos citados, Usain Bolt é o que mais parece preocupado (e, ao mesmo tempo, consciente) com seu papel na história do esporte: volta e meia o jamaicano se compara aos mitos do atletismo (e ainda precisa superá-los em números), e até mesmo aos maiores nomes do esporte, de maneira geral. Em recente entrevista, disse que se sentiria honrado se fosse ladeado a Pelé, Maradona, Ali e [Michael] Johnson. Sebastian Vettel, por sua vez, não parece ter a mesma ambição – ou “noção” – do jamaicano

Pode ser que todos, alguns, ou nenhum deles seja considerado para sempre o melhor em suas respectivas modalidades, mas é muitíssimo provável que quase todos eles alcancem o status de maior, obtendo mais feitos do que todos seus antecessores. Paradoxalmente, todos eles são questionados de modo intenso (jovens demais?), recebendo cobranças que talvez não tenham sido aplicadas àqueles que eles sucederam.

A Messi, dirigem o vazio “mas não ganhou copa” (até porque quem vence o torneio são as seleções); para LeBron, ficam as incessantes e infundadas comparações com Michael Jordan; Phelps, Nadal e Bolt, com performances constantes e absurdas, vivem sob a eterna suspeita de doping; sobre Jon Jones, resta exigir uma improvável luta opondo categorias distintas (com Anderson Silva). E quanto a Vettel, culpam o carro: dele e dos outros.

Sebastian Vettel é mais questionado – quanto ao talento, quanto à real valia de suas conquistas – do que Michael Schumacher foi. O alemão-maior, ainda que gere mais antipatia, é normalmente considerado como um piloto “fudido”: se ele afasta por suas alegadas manobras escusas e pelas vitórias herdadas, atrai por ter sido o homem que recolocou a Ferrari no topo e que era capaz de obras-primas como Bélgica 1995 ou Espanha 1996.

O segundo alemão campeão do mundo é também pioneiro nos títulos da até outro dia marca simpática de energéticos, e também foi mitológico em corridas como Abu Dhabi 2012 ou Monza 2008. Mas por que, exatamente por quê, ainda não “convence” desde os menos assíduos espectadores até um monstro sagrado como Jackie Stewart?

Meu amigo Márcio Madeira disse, na coluna sobre o GP de Singapura desse ano, que talvez um grande desafio na carreira de Vettel o ajude a confirmar seu legado. Márcio – como a maioria dos que vem sugerindo algo semelhante – foi mal interpretado: não se trata de uma provocação do tipo “vamos ver se ele é bom mesmo” e sim de uma afirmação, como “aí ninguém vai poder falar ‘vamos ver se ele é bom mesmo’”.

Não sei qual poderia ser esse desafio de Vettel, mas valem algumas perguntas.

Em que ponto de sua carreira Senna passou a ser tido como um integrante da mais alta classe – considerando, é claro, que foi Fangio quem primeiro estabeleceu o “benchmark”: Quando chegou ao tri ou levando seu McLaren-Ford ao vice? E Schumacher: retirando a Ferrari da fila ou superando a marca de Fangio? E Clark: nos anos do bi ou inscrevendo o motor Cosworth na história? E Prost, Lauda, Piquet, Stewart, Brabham, Ascari, Graham Hill: não tem todos eles pelo menos um bom motivo para serem ao menos incluídos na conversa sobre o número 1?…

Hoje se completam exatos 25 anos do primeiro título de Senna na Fórmula 1: uma conquista histórica, principalmente pelo contexto, superando ninguém menos que o então recordista de vitórias da F1.

Estou terminando de ler o livro “The Life of Senna” – de longe o melhor sobre Ayrton, do mesmo autor de Rush – e soube de uma oferta de Eddie Jordan ao brasileiro no final de 1991: Senna correria pela equipe do britânico, mas não receberia salário: ele seria uma espécie de acionista do time, levando todos os patrocínios. O desempenho do carro naquele ano não foi espetacular, mas era algo promissor.

Como sabemos, ele recusou. E essa decisão influenciou diretamente para que Senna ascendesse à categoria mencionada, enfrentando por dois anos carros imensamente superiores ao seu mas obtendo vitórias históricas.

Rever cada uma das corridas de 1983 ao elaborar os textos dos 30 anos do bicampeonato de Nelson Piquet foi ótimo em diversos sentidos. Foi especialmente bom chegar à conclusão de algo que sempre pensei: aquele foi o melhor dos três títulos de Piquet, talvez o campeonato mais difícil de todos os tempos.

Piquet merece, por aquela conquista – e também por outros fatores – ser incluído no debate sobre o melhor piloto que passou pela Fórmula 1. Creio que, de todos os pilotos do primeiro escalão, ele é o mais subestimado: em listas europeias, por exemplo, raramente entra no top 10.

E por quê? – não vale aquele papinho “Galvão” ou “marketing pessoal”, por favor.

Nos treinos para o GP da Alemanha de 2010, oitava corrida daquela temporada, Luís Roberto comentou sobre uma dessas enquetes que se fazem, entrevistando os pilotos e perguntando-lhes quem seria o melhor da F1 de sempre. Com o resultado (Senna), o narrador perguntou se “havia algo a contestar”, e Reginaldo Leme respondeu dizendo que “não, ainda mais depois dessa volta do Schumacher”.

Foi realmente uma performance fraca – salvo alguns GPs como Canadá e Bélgica 2011, e os treinos em Mônaco 2012 – mas não acho certo (e logo quando ouvi essa frase comentei isso) julgar Schumacher na história a partir do seu retorno: é como muita gente faz, considerando Ayrton Senna a partir de 1994, ou o Piquet da Lotus, ou o Prost que foi demitido da Ferrari, ou ainda tratando o Alonso atual por um “enganador”.

Assim, uma eventual queda de rendimento – ou um “não título” – de Vettel em 2014 criará uma série de verdades da noite pro dia.

Quando foi campeão e escolhido o melhor jogador das finais de 2013, LeBron James foi  entrevistado e uma das perguntas feitas foi sobre o que pensava e como reagia às críticas e aos questionamentos sobre sua capacidade. James respondeu assim: “Sou LeBron James, da cidade de Akron (Ohio), eu nem deveria estar aqui. Então, o que dizem sobre mim fora de quadra realmente não importa. Não tenho preocupações. Sou  um abençoado”.

Talvez seja esse o verdadeiro desafio de Vettel: apertar o botão do “foda-se” e deixar que o seu lugar na história seja discutido depois que ela já estiver escrita.

Aproveitemos, pois.

25 thoughts on “Sebastian Vettel e seu lugar na História

  1. Acabo de ver a lista da BBC (que depois dela deveria significar Burros Boçais Cavalgaduras) e fiquei chocado! Jack Brabham, campeão como piloto e construtor, em antepenúltimo??!! Graham Hill, único vencedor da tríplice coroa, em penúltimo??!! Emerson Fittipaldi desbravador da f1, da f-Indy e primeiro campeão mundial nascido no Brasil apenas em 17º???!!! Já é péssimo rebaixarem Piquet ignorando sua habilidade notável como acertador de carros e motores que transformou a equipe Brabham de mediana com vitórias esporádicas a bicampeã, inclusive sendo a primeira a ser campeã com motor turboalimentado. sem mencionar outras aberrações: Alain Prost a frente de Jackie Stewart e Niki Lauda??!! Admito que Prost tem seus méritos mas está anos luz atrás dessas duas lendas vivas! Stewart não só foi um grande campeão como também foi o pioneiro no quesito segurança dos pilotos ao incentivar o uso do capacete fechado e do macacão antichama entre outros itens. Quanto a Lauda o que há mais pra se dizer: sofreu um acidente quase fatal em 1976 e voltou pra conquistar outros dois títulos, o último depois de dois anos sabáticos voltando a vencer duas corridas após o retorno! Sem mencionar que Kimi Raikkonen nem aparece na famigerada lista!! São muitas injustiças mas a pior de todas foi feita contra Juan Manuel Fangio, Jack Brabham e Graham Hill que sempre tem que estar no topo de qualquer lista dos melhores. Especialmente Fangio que conseguiu cinco títulos, 24 vitórias, 29 poles e 23 melhores voltas em apenas 51 corridas! Também sobreviveu à era mais mortífera da f1 em que os carros sequer tinham cinto de segurança! Essa lista tem mais cara de opinião pessoal e ainda vai gerar muita discussão.

  2. Marcel e amigos
    Gostei bastante do tema da coluna, sobre diversos pontos eu concordo com a maioria das opiniões, a primeira é que eu também sou da corrente que acha que não dá para comparar gerações distintas e seus feitos, porém acho que o olhar no retrovisor da história tem a utilidade de você analisar o fio condutor que promove a evolução ou progresso, por isso quero abordar três pontos:
    O primeiro é sobre essas comparações estatísticas entre os chamados grandes da história, não dá para comparar quando as variáveis não são as mesmas, ou pelo menos não são criados padrões minimamente aceitáveis nos parâmetros a serem avaliados, no caso o que acaba prevalecendo é o senso de cada um nos padrões utilizados, isso inviabiliza o consenso do ponto de vista metodológico, por isso adoto nesse ponto a minha lista dos maiores de todos os tempos mas sem ter em um único nome o maior de todos, agora adoro ouvir e participar das conversas sobre o assunto ,porque sempre saio mais rico em conhecimento em função dos detalhes compartilhados
    O segundo ponto é que nesses anos todos acompanhando eu também percebo que não existe um único perfil de torcedor, normalmente os dois parâmetros mais associados a um torcedor é o seu grau de entusiasmo e conhecimento, dependo das combinações e graus desses fatores temos uma boa variedade de perfil de torcedor, estou trabalhando numa definição para cinco tipos de perfis ,quem sabe num futuro trago para a apreciação de julgamento de vocês, evidente que uma variedade ampla desses perfis produz debates sempre acalorados e ecléticos , o que é bom, sempre o debate nos conduz a rever conceitos e isso colabora no processo evolutivo e pessoal, evidente falo de debates de nível tanto em argumentações quanto na forma de tratamento a opinião contrária ,como ainda bem é o que encontramos aqui no Gepeto.
    O terceiro ponto é sobre a evolução das carreiras profissionais nos últimos anos, a Fórmula 1 como bem define nosso amigo Eduardo Correa em seu micro cosmo faz parte do macro cosmo ,que é a sociedade em que vivemos e claro por mais que seja vontade dos dirigentes em blindar esse convívio, seria impossível conseguir isso em sua totalidade, olhando como as profissões em todos segmentos tem sido impactadas pelo avanço tecnológico e fazendo livremente uma analogia com os tempos atuais, arrisco o seguinte palpite, que até pode servir para esportes onde eu não entendo absolutamente nada, hoje é mais fácil para um profissional interessado atingir o ápice de seu talento, conseguindo isso num tempo mais curto que gerações anteriores, pelo fato que as informações necessárias para trazer o amadurecimento tem seu tempo encurtado pelo maior acesso, falando sobre Fórmula 1 nesse aspecto tenho alguns livros interessantes que talvez confirmem esse raciocínio, tenho livros sobre técnicas de pilotagem ,escritos por: Striling Moss escrito nos anos 60, tenho um de Jackie Stewart escrito nos anos 70, tenho um do Senna que foi escrito nos anos 80 e mais recentemente achei um de Derek Daly, de todos os citados o único que não aborda a carreira do piloto apenas no foco pilotagem é o de Daly, o livro dele é sobre coaching de carreira, é tão interessante tirei vários pontos para aplicar na minha profissão, olhando por esse prisma ,talentos precoces e que estão fazendo esses números de forma vertiginosa são frutos de técnicas que estão sendo compartilhada desde cedo, bem isso é um pensamento onde não quero nem pretendo ser senhor da verdade, fiquem a vontade para rebater.
    Por último Marcel que bom saber sobre o que você acha da biografia de Senna, estou com um exemplar e confesso pelo tamanho do livro já protelei algumas vezes em começar, e uma coisa que eu lamento é a falta de uma boa biografia do Piquet, ele é subestimado no seu papel na história da Fórmula 1 sim, mas acho que ele tem a maior parcela de culpa em face do comportamento nitidamente arredio em conversar e quem sabe pensar em abrir as portas para quem queira fazer uma biografia dele, aqui no Brasil temos profissionais competentes e que fariam bonito, tenho certeza que haveria histórias ricas do ponto de vista técnico tanto em pilotagem quanto em acerto de carros, que ele conhece e que brindaria os fãs de F1.
    Um abraço
    Mário

    1. pessoal

      apenas corrigindo um equivoco de minha parte, quem se refere a micro e a macro cosmos é o Lucas Giavoni

      abraços

      Mário

  3. Gostaria de parabenizar a coluna. O debate dos melhores estará sempre presente, acaba se tornando necessário e mantém viva a história. Concordo integralmente com o que foi dito, mas tomo a liberdade de tecer alguns comentários:

    Especificamente sobre Messi, é compreensível que se faça aquela ressalva, pelo status que adquiriu o craque argentino (puríssima competência) no decorrer da carreira e por não ter sido protagonista em uma Copa do Mundo – ainda que tenha disputado efetivamente apenas a Copa de 2.010, até o momento. O Barcelona também vence os torneios com a coletividade (obvio!), por isso entendo não ser um argumento tão vazio assim – ainda que não concorde com o mesmo. Podemos ponderar o quanto um jogador “precisa” brilhar em uma Copa em relação a outros anos; aí é outra discussão.

    Em relação a Vettel, só tenho a acrescentar que se o Senna não tivesse sofrido o acidente em Ímola, os principais recordes “perseguidos” (?) atualmente seriam do brasileiro, e não do Schumacher de forma isolada, levando em conta ou não os três anos do retorno; bem como acredito que Ayrton já havia atingido o patamar de referência quando conquistou o segundo título mundial, em 1990.

    Por fim, é fato que Vettel já figura entre os melhores da história, incontestavelmente. Porém, até o momento, considero descabida a comparação com Fangio e Senna; e mais aceitável em relação ao Schumacher.

    Abraço.

  4. Cada um tem a sua opinião e seu ponto de vista a respeito deste assunto.

    Na minha opinião o que pesa é o que cada piloto fez na sua história, pois tivemos pilotos que infelizmente não foram campeões e que mereciam muito mais que alguns que foram.

    Alguns Exemplos!?

    Gilles Villeneuve x Button

    Ronnie Peterson x Hamilton

    Cada um ao seu tempo, mas vamos e venhamos, Button e Hamilton caíram de para quedas na lista dos campeões da F1.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    1. É uma tecla em que eu venho batendo há muito tempo. Talvez a melhor coisa que venha do fato de que Vettel provavelmente vá quebrar muito dos recordes de Schumacher depois de tão pouco tempo seja um pouco mais de senso crítico na hora de comparar pilotos. Em vez de comparar números, refletir sobre como esses números foram acumulados. Rory Byrne e Adrian Newey foram capazes de construir uma quantidade enorme de carros sobrenaturais (curiosidade do dia: quando Alonso foi campeão, foi a primeira vez desde 91 em que não levava alguém dirigindo um carro de Byrne ou Newey), mas enquanto Byrne sempre trabalhou para equipes que contratavam segundos pilotos com a clara intenção de trabalhar para o primeiro mesmo que contra seus próprios resultados, Newey fez muitos carros para equipes em que a hierarquia não era tão rígida – e o resultado é que enquanto Schumacher acumulou sozinho uma quantidade enorme de recordes graças aos carros de Byrne, os resultados de Newey até pouco tempo estavam espalhados entre uma grande quantidade de pilotos. Só agora está havendo a possibilidade de haver acúmulo de resultados de Newey em um piloto só, já que desde que a Red Bull percebeu que deixar pilotos brigarem não é vantagem pra eles, adotou um modelo hierárquico similar ao da era de dominação da Ferrari. O resultado é óbvio: acúmulo desenfreado de recordes, uma nova “aberração estatística”.

      O que é uma pena – todo mundo deve lembrar que a Red Bull posava de “equipe justa”, antítese da Ferrari, quando apareceu no grid. Foi só verem que por deixar os pilotos brigarem por pouco não perdeu o título pro Alonso em 2010 que resolveram se tornar igualzinha ao time que criticavam. E estão se tornando tão impopulares que eu cheguei a imaginar, na época em que o Webber pediu as contas, que eles iriam apostar numa “dupla dos sonhos” para reaver a imagem de equipe “cool”. Ledo engano, e o irônico da coisa é que a Ferrari, quem diria, resolveu juntar dois “star drivers” no mesmo time, enquanto a Red Bull hoje parece a Ferrari de 2002.

    2. Bem colocado, amigo Mauro!

      De fato, podemos ir ainda mais longe e pensar em Stirling Moss e Damon Hill ou Jacques Villeneuve.

      Os números não podem ser a verdade absoluta, fato. Mas também não podemos desprezá-los, desmerecê-los à medida que vão aumentando. A verdade é que Vettel, no caso específico, vem fazendo coisas importantes desde o início: lembremos que em sua primeira participação num F1 – nos treinos livres do GP da Turquia (?) de 2006 – fez o melhor tempo. E já em 2007 – mais pelas corridas da China e do Japão, com a Toro Rosso – já dava sinais de que chegou pra ficar. Depois, em 2008, uma bela corrida em Mônaco e enfim a vitória. A partir de 2009, tornou-se vencedor constante e lutando pelo campeonato.

      Portanto, ele é bom pra c…

      Abraço!

      1. De fato, Vettel é Fera, mas deixa eu fazer um comparativo com o Valentino Rossi, por exemplo.

        O cara foi campeão por praticamente todas as equipes, mas quando chegou a Ducati, não conseguiu praticamente nem andar na frente, quem dirá sonhar com o título.

        Então, vendo por este lado, se for pra colocar um piloto no topo, o melhor de todos que a F1 já teve, esse cara pra mim seria o Juan Manuel Fangio, que foi campeão pela Alfa Romeu, Maserati, Mercedes, Ferrari.

        Ele é o único na história com esse feito, ser campeão por 4 equipes diferentes.

        Quero ver um dia algum piloto conseguir bater este feito.

        Abraço!

        1. Mauro,

          para ser campeão existe uma regra … ter o melhor carro … o Jason Button quando surgiu no cenário da Formula 1 sendo uma forte promessa … que parecia nunca se concretizar até que ele teve um bom carro … e aí ele fez a parte dele …
          O Gilles Villenueve, Ronnie Perterson, Jack Ickx ( o rei da chuva nos seus tempos, só o Senna teve este titulo na Formula 1 depois dele)) pelo que fizeram nas pistas mereciam ser campeões com certeza … mas não foram …

          Fernando Marques

        2. Verdade Fernando!

          Só que na F1, já faz tempo que o carro faz muito mais diferença que o piloto, não estou diminuindo os feitos do Vettel.

          Outro ponto, e esse é o mais nojento que se vê hoje na F1, são pilotos promissores( Hulkenberg, Kobayashi, e uns poucos mais), perdendo vagas por um assento melhor na F1 para pilotos muito piores, mas com o bolso cheiooooo de $$$$.

          E aí é que entra a questão que citei acima, um piloto médio, num carro muito bom.

          Isso é muito injusto.

          Por isso que hoje o Alonso vem mostrando que é uma Fera, pois vem carregando a Ferrari nas costa, como Senna fez em 93 com a Mclaren.

          E é isso que um dia eu quero ver o Vettel fazer, pra aí mostrar ao mundo que o cara é Fodão mesmo.

          Abraço!

    3. Mauro,

      entendo seu ponto de vista … só não achei justo “desmerecer” o titulo conquistado pelo Jason Button ou de L. Hamilton em razão do Gilles ou Perterson não terem conseguido … eles tiveram os méritos deles quando foram campeões aliás incontestáveis (mesmo em detrimento do Massa que foi o vice do Hamilton) …

      Em vez de comparações eu prefiro dizer meus prediletos e na minha lista quem está no topo é o Piquet, seguido pelo Gilles, Senna, Peterson, Stuwart, Lauda, Schumacher, Prost, Emerson … o Fangio, J. Clark por exemplo não constam desta minha lista pois na vi eles correndo … o que não é desmerecimento …

      Fernando MArques

  5. Também sempre achei bizarro que nas listas de melhores o Piquet é ignorado ou aparece abaixo de Mansell, piloto que teve o carro mais rápido do grid em nada menos que quatro temporadas e só converteu isso em título uma única vez (e ainda assim só quando simplesmente *não havia* competição).

    Parece bobagem, mas enquanto pra gente é até divertido relembrar as declarações de Piquet, muitos não viam muita graça nelas. Até porque tudo tem limite – uma coisa é fazer piada com os repórteres sem criatividade pra fazer perguntas, outra bem diferente é xingar mulher dos outros ou espalhar boato a respeito de sexualidade da concorrência – pra muita gente, isso foi visto como coisa de mau perdedor. Acho, sim, que o fato de Piquet não fazer a menor questão de ser admirado (pelo contrário) afetou muitíssimo a percepção que se tem dele. A entrada sobre o Piquet na lista de melhores pilotos da BBC (em http://www.bbc.co.uk/sport/0/formula1/17871420 ) ilustra bem a visão que muitos lá de fora têm dele, em que infelizmente o piloto fora da pista acabou influenciando mais que o dentro dela. Outro motivo é que lá fora se parece dar bem mais importância às armações que aconteciam na Brabham, algumas vezes questionáveis. Não me lembro da última vez que vi alguém no Brasil falar sobre o combustível que eles usaram em 83 – lá fora, parece que isso é muito lembrado para questionar o segundo título dele.

    Enfim, é um assunto complicado. Como já falei aqui outras vezes, pra mim não faz sentido nenhum colocar Schumacher acima de Prost, mas, enfim, sempre dá pra usar o critério numerológico e lembrar que Schumacher tem sete títulos e Prost “só” quatro. No caso de Piquet vs. Mansell, nem isso dá pra fazer.

    1. Oi, Lucas!

      Cara, sobre Piquet, interessantes suas observações. Bizarro e bairrista até demais o “Leão” ficar à frente dele – e nessa lista a BBC, ele não é nem top 10, nem top 15!

      Com certeza as atitudes fora da pista dele contribuíram muito para isso, um misto de arrogância e desrespeito em grau máximo. No entanto, James Hunt – pelas mesmas características mencionadas, além de outras ditas “Imorais” – é idolatrado e trabalhou na mesma referida BBC. Hum…

      Seu apontamento sobre 1983 é, de fato, algo que muitos deixam passar, ele é inclusive tido por vítima em casos como o GP de 1982, em Jacarepaguá, ou por “inteligente” (melhor, ixxxxpérrrrto) quando se fala das “artimanhas” da Brabham, sem especificar muito. É tido, também, por revolucionário, inventor, quase que um Da Vinci das pistas em determinadas coberturas tupiniquins.

      Então, onde ficar no meio termo do ranço inglês e do chamado pachequismo (oh, sim, com Piquet também!) brazuca? Creio que ele tenha sido um piloto de altíssimo calibre, mas não do mais alto – reler a coluna “Eu queria ter sido esse cara”, do Edu: http://gptotal.com.br/?p=3335

      Sobre o Prost X Schumacher, eu mesmo sou um dos que é mais favorável ao alemão, no comparativo final e frio. Mas confesso que volta e meia vacilo, não apenas entre o francês e o germânico, mas também incluindo o supracitado Piquet nesse balaio: acho difícil fazer um pódio entre os três – que seriam, NA MINHA OPINIÃO, a sequência do primeiro trio, Fangio, Senna e Clark: conforme a análise que eu faça, fico com Piquet; ora, com Prost; depois, com Schumacher. Tudo isso varia muito.

      Pensando apenas em Schumacher X Prost, agora, ainda fico com Schumacher por considerá-lo 1) melhor em treinos; 2) melhor na chuva; 3) mais constante; 4) mais arrojado; 5) mais forte mentalmente.

      Mas, claro, não é uma questão fechada. Talvez à noite eu vote Prost =)

      Abraços!
      Marcel

      1. Ih, rapaz, eu acho que isso dá pano pra manga (e uma discussão muito boa). Pra dar um exemplo: porque deveríamos considerar Schumacher um piloto “melhor em treinos” que o Prost? Não seria a assombrosa quantidade de poles de Schumacher um mero reflexo da enorme quantidade de oportunidades em excelentes carros com companheiros que não eram estrelas? Prost só parece ser “ruim de treino” se considerarmos o período em que ele foi companheiro de Senna, e aí, convenhamos, é injusto – levar surra do Senna em treinos não é demérito pra absolutamente ninguém. Mas veja que em 93 ele fez mais de 80% das poles da temporada, número do qual Schumacher jamais conseguiu se aproximar nem mesmo nos anos em que tinha disparado o melhor carro. Prost fez também duas primeiras filas com aquele lixo da Ferrari de 91, seis no período de 86-87 (incluindo uma pole em Mônaco) contra as claramente superiores Williams-Honda, e não decepcionava na Renault. E acho que nem preciso comentar sobre a qualidade dos companheiros de Prost vs. a dos companheiros de Schumacher, que já na primeira temporada completa passou a usufruir do modo de produção hierárquico, enquanto Prost, ao contrário, teve quase todos os campeões de sua geração como companheiros de equipe…

        Também acho bem estranho alegar que Schumacher era “mais forte mentalmente” que Prost. Aliás, a não ser que eu tenha entendido errado o que você quer dizer com isso, acho que há uma diferença abismal entre os dois, mas a favor do Prost. Ver o Prost cometendo erros por nervosismo era algo raríssimo. Já o Schumacher fez isso a vida inteira, e muitas vezes em momentos decisivos. A meu ver essa sempre foi uma das grandes fraquezas do alemão, que se muitas vezes “escapou” de ser prejudicado por esse defeito foi por ter vantagem no equipamento – quando a concorrência era forte, era extremamente comum vê-lo cometendo erros, alguns graves. O que acaba refletindo também no ponto 3 – a meu ver, a maior qualidade de Schumacher era de fato a constância, mas isso nem sempre era válido quando as coisas fugiam do controle. Com pista limpa e um carro ideal, Schumacher era um metrônomo, e não é à toa que foi tão bem sucedido na era do reabastecimento tendo Brawn como estrategista. Mas comumente era errático em condições ideais, às vezes em prejuízo de outros pilotos. O que leva ao ponto 4 – para o bem e para o mal, não há dúvida que Schumacher era mais arrojado que Prost. Mas muitas vezes o arrojo era acompanhado de manobras imprecisas, erros de cálculo, toques, escapadas – o tipo de coisa que normalmente não se via quando Prost precisava se livrar de tráfego. E ao contrário de outros pilotos, Schumacher não melhorou com a experiência – ainda se via ele fazendo esse tipo de coisa em 2006, e mais ainda na segunda carreira.

        Mas uma coisa não se discute – Fangio é indiscutível 🙂

        1. Oi Lucas.

          Cara, começando pelo fim, de fato o “mais forte mentalmente” soou dúbio e eu mesmo considero um ponto fundamental na separação que eu pessoalmente faço daqueles que chamo “santíssima trindade” (Fangio, Clark e Senna) da F1 dos outros fodões (Schumacher, Prost e Piquet, como falei – seguidos por Stewart e Lauda). De fato, ele ter cometido erros tão visíveis em momentos tão importantes. O Prost, por outro lado, jogou um campeonato fora apenas uma vez, em 1983, com a falha na Holanda. Já Schumacher, falhou sensivelmente em 4 “finais”, em duas delas comentando erros bizarros – e justamente nesses conseguiu ser campeão, 94 e 03. Pensando agora, eu deveria reformular o que escrevi, mas acho que esse jogo psicológico favorável ao alemão, no meu modo de ver, era mais no campo externo.

          Sabemos o que Niki Lauda pensa – e diz – a respeito de Prost nesse aspecto, sabemos também que Mansell sentiu o golpe na Ferrari em 1990, mas acho que o alemão (e, claro, é imprescindível pensar que os companheiros de equipe de Prost foram IMENSAMENTE superiores em sua maioria) conseguiu ser mais efetivo, principalmente na agregação da equipe… enfim: Prost “sentia” mais – e tentava reverter isso, publicamente, a seu favor. O Schumacher, uma das coisas que mais admiro, nunca foi de falar mal do time, ou de companheiros, até mesmo adversários (salvo Damon Hill, hehe)… e o Prost foi efetivo nesse jogo contra o Senna em alguns momentos, mas acabou, também nisso, perdendo. Em 1993, por exemplo, o Prost foi campeão, 13 poles e 7 vitórias, mas deixou uma impressão bem ruim – “Por que então você não troca comigo?” (SENNA, Ayrton. Donington 1993).

          “Melhor em treinos”. Você tem razão quando fala em quantidade de poles/temporada, além de o Senna ter sido um padrão comparativo duro até para Fangio ou Clark, em treinos.

          Mas, vamos lá:

          1) Schumacher fez 4 poles com a Ferrari de 1996, amigo. Além de ser surpreendente ele ter feito mais poles que o Villeneuve (que era rápido, fato demonstrado em 1997), a Ferrari era um carro bem limitado, pelo menos em comparativo com a Williams – que tinha um carro MUITO melhor – portanto, até primeira fila seria louvável…

          2) Schumacher ficou seis temporadas como o “poleman of the year”, 1994, 2000-04. Em 1994, após a morte de Senna, fez a pole em 6 de 11 treinos que participou, mas como nesse caso temos as irregularidades no carro, deixo de lado. Em 2000, foram 9 poles em 17 treinos – e ele competia com Mika numa McLaren que, se não fosse MELHOR, estava longe de ser um carro inferior à Ferrari, e Mika era sim um piloto rapidíssimo tanto é que superou Senna no Estoril e ficou bem próximo dele em Suzuka, 1993. Já Hill, não era um piloto sequer páreo a Senna, Prost ou Schumacher em termos de velocidade. Poxa vida, o Coulthard fez 5 poles em 1995! Hill deveria ter feito ao menos 10, e ter esmagado o escocês. Assim, vejo que o número de poles do Prost em 1993 deve ser relativizado porque 1) não tinha adversários de outras equipes para lutarem pela posição de honra e 2) Hill era seu companheiro de equipe. Em 2001, Schumacher fez 11 poles em 17 possíveis, o que é também um feito notável, acho até mais notável que as 13/16 do Prost contextualmente falando: não acho que Damon Hill fosse mais rápido que o barrichello, e em 2001 o Schumacher tinha, pelo menos no começo do ano, uma McLaren mais próxima em performance, além das Williams com motores especiais de treinos. Foi 15 a 2 em 2000 e 16 a 1 para o Schumacher contra o Barrichello, nos respectivos anos. Em 2002, houve uma diminuição, para 13 a 4, naquele que foi o melhor ano da vida do Barrica. NEsse ano, Schumacher fez 7 poles, mesmo número do Montoya (os dois “campeões de pole”), sobrando apenas 3 – todas de Barrichello. Então, sabendo da Williams em treinos com motor especial, e tendo o Barrichello em seu melhor ano além de ser mestre em pistas como Monza e Silverstone, acho que Schumacher foi muito bem no aspecto. E, de novo, não sei quão mais lento o Barrichello era em relação ao Damon Hill. na boa, acho que ele era mais rápido em situações ideais. Em 2003, apesar de tudo, Schumacher também foi o que mais fez poles. E 2004, de novo com o melhor carro, fez 8 poles, e 14 a 4 no rubens – o brasileiro só o superando claramente na retafinal, com schumacher já campeão…

          3) O Schumy também fez poles em 1997 e 1998 com carros mais lentos que a concorrência, e em ambos os casos superando os “segundos pilotos”, como fez em 1996. Ele também fez uma pole em 2005, quando dispunha do terceiro melhor carro, e em 2012 – punições a parte – dispondo também do terceiro – ou quarto – equipamento.

          4) Em 1999, depois de dois meses fora, fez a pole nas duas provas, na Malásia uma pole e tanto, aliás, classificando muito à frente do Irvine, que bem ou mal disputava o título e não conseguiu NENHUMA pole. Lembremos que nesse ano o Mika fez 11 de 16 poles, e só não igualou o recorde do Mansell por conta do Schumacher. Se formos pensar, entre Malásia 1999 e Japão 2001 o Schumy fez 22 de 36 poles, um número digno de Ayrton Senna.

          5) Prost, é verdade, teve no ápice companheiros melhores e não decepcionou. Perdeu do Senna que, como falamos, é absolutamente normal e previsível. Aliás, fazer 4 poles nesse período não deixa de ser louvável! Mas se você reparar, os maiores massacres dele foram contra o Lauda 1984-85 e o Rosberg em 1986 (falo dos GRANDES) pilotos que já estavam nos seus últimos dias, e no caso de Lauda (como piquet em 1987), estavam com outros pensamentos em relação a campeonato ou já tinham chutado o balde (1985). O schumy, por exemplo, fez um excepcional 4 a 1 num Piquet já em fim de carreira, e 16 a 0 no Patrese que veio da Williams com uma vitória na penúltima etapa do ano… Mas se compararmos Prost com relação a Mansell em 1990, temos um 8×8… e em 1982, com Arnoux, cada um fez 5 poles – só não me lembro o “Placar” nos treinos… Mas de toda forma é a questão de perguntar, de novo, quão melhor Arnoux era em relação a Barrichello, por exemplo. De 1991 a 2001, não chega a encher os dedos de uma mão as vezes em que companheiros de Schumacher fizeram poles, mesmo fazendo todas as ponderações possíveis à qualidade dos mesmos. E nesse mesmo período, foram poucas, muito poucas, as vezes em que o companheiro largou à frente dele. O Herbert, que venceu dois GPs em 1995 e ganharia em 199 pela Stewart, largou à frente dele só uma vez, num treino bem atípico para o alemão. Foi a primeira vez na carreira que ele foi “batido” pelo companheiro nos treinos.

          E, por fim, o único ponto que você não contestou foi o “melhor na chuva” 😛

          Discussão boa, saudável e com respeito. Melhor coisa do GPTotal!

          Abração!

        2. Eu sempre vi um pouco de exagero nesse retrato do Schumacher como sendo capaz de “levantar equipe”. A Benetton já tinha um staff técnico excepcional quando ele chegou lá, com carros que evoluíam ano após ano (não custa lembrar que em 91 mesmo Piquet fez três pódios e uma vitória, e o Moreno chegou a fazer uma volta mais rápida). Brundle teve excelentes resultados em 92: foram cinco pódios, alguns à frente de Schumacher, foi o único da Benetton a terminar uma corrida à frente das McLarens por mérito próprio, e talvez merecesse bem mais a vitória em Spa que o próprio Schumacher, já que teve que amargar quase a tarde inteira comportadinho, colado na caixa de câmbio do alemão, passou quando Schumacher errou sozinho, mas teve a corrida arruinada no último pit stop. E mesmo com essa boa temporada em 92, foi chutado da equipe para ser trocado pelo Patrese. Que sim, venceu uma no ano anterior, mas numa temporada em que o único concorrente era o Mansell – que tinha classificado quase um segundo à frente e dominou a maior parte da corrida, que não chegou a completar com falha no motor. Junte-se isso ao fato dele naquele ano ter tomado do Mansell um 14 a 2 nos treinos, e eu tenho lá minhas dúvidas se é tão relevante assim a surra que Schumacher deu nele nos treinos de 93. Patrese foi, em média, desconcertantes 0.9s mais lento que Mansell nos treinos de 92, não foram poucas as vezes em que era mais de um segundo mais lento que Mansell nos treinos. Porque trocar um piloto que teve bons resultados por alguém que passou o ano anterior inteirinho tomando uma surra fenomenal do companheiro de equipe em condições normais? O próprio Schumacher respondeu essa pergunta em entrevista, antes mesmo de ser campeão, quando disse que a forma “correta” de fazer uma equipe funcionar é tendo um piloto pra ganhar corridas e outro para acumular pontos. Em todas as escolhas de companheiro de equipe de Schumacher não faltaram pilotos muito melhores para o segundo carro. O caso da Ferrari em 96 é provavelmente o mais emblemático, porque não havia necessidade sequer de *procurar* alguém – a equipe já tinha dois pilotos muitíssimo superiores a Eddie Irvine, mas preferiu, propositalmente, contratar um piloto indiscutivelmente muito fraco. Estar numa equipe que *propositalmente* não faz sua escolha dentre as melhores opção do mercado é algo que Prost só viveu em 93 – e ainda assim o veto foi somente ao Senna, por motivos já bem conhecidos. Mantiveram Hill, que já era piloto de testes.

          As poles de 96 são de fato louváveis, mas não vejo tanta diferença em mérito com por exemplo o que Prost fez com a Ferrari de 91. 96 era um ano em que a Williams tinha o melhor carro, Benetton e Ferrari vinham em seguida e todo o resto estava claramente atrás. Já em 91 eram dois times claramente superiores à Ferrari, então no fim das contas acho que os pesos dos méritos são comparáveis. O Alesi, que não era nenhuma lesma, nunca foi melhor que quinto com aquela Ferrari, então não sei se seria óbvio supor que colocar uma F310 na pole fosse mais difícil que fazer uma primeira fila com a 643. E imagino que nós dois concordamos que Irvine definitivamente não serve de critério para avaliar qual o potencial de classificação de um carro (não fez poles nem mesmo com um carro que foi campeão de construtores num ano em que Schumacher colaborou com apenas um terço dos pontos da equipe). Será que um piloto minimamente decente não teria também feito boas classificações de 96 a 99? Será que não é natural supor que dê pra contar nos dedos de uma mão as poles de Benetton e Ferrari de 94 a 2001 quando nos lembramos que estamos falando de um grupo de pilotos em que de longe o melhor é Barrichello mas que conta também com pilotos do naipe de Jos Verstappen ou Eddie Irvine?

          Sim, Schumacher foi bem contra Piquet, mas quando a situação foi invertida (um Schumacher já velho contra Rosberg) a diferença é bem maior. Fez a pole em Mônaco, mas não é como se fosse coisa de outro mundo classificar bem com uma Mercedes: nos três anos em que foi companheiro de Schumacher, Rosberg foi três vezes à primeira fila, uma delas na pole. E se sétimo era a melhor posição “esperada” para um carro que em geral não estava entre as três melhores equipe, Rosberg fez melhor que isso em vinte e três oportunidades, Schumacher só onze – e quando foi *realmente* bem, foi naquela época em que o “DRS duplo” dava certa vantagem à Mercedes nos treinos – isso inclui a pole de Mônaco que não foi registrada.

          De fato é complicado começar a fazer comparações é entre equipes diferentes, especialmente quando comparamos equipes estritamente hierárquicas com aquelas mais tolerantes à disputa entre pilotos (em outras palavras – não acho que Barrichello bateria Schaamcher em igualdade de condições, mas tenho absoluta certeza de que seus resultados seriam bem mais próximos ao do alemão que os que ficaram registrados na história). Não custa lembrar que por lá aconteciam bizarrices como Schumacher exigir uma troca de chassis (e ser prontamente atendido) só por ter sido superado por Barrichello nos treinos livres, ver a equipe escolher pro segundo piloto estratégias claramente prejudiciais ao seu próprio resultado mas com o potencial de atrapalhar a concorrência, as notáveis diferenças entre os dois carros (vide a coluna sobre 2002 aqui no Gepeto), a política entre as duas equipes (Herbert por exemplo conta que quando numa ocasião superou o Schumacher ele ficou tão puto que proibiu os mecânicos de passarem informações de acerto pro inglês), etc. São coisas assim que ligam o desconfiômetro – você citou o fato de que, em 2004, Barrichello só superou Schumacher em treinos claramente na reta final. Será mesmo que foi por “bondade”? Afinal, não é como se Barrichello precisasse de ajuda pra ser vice naquele ano.

          Enfim, a minha opinião é que é muito difícil analisar os resultados de Schumacher, pois ele correu muitas temporadas em condições que outros pilotos não tiveram. É direito dele, bom pra ele e pra equipe, mas esse tipo de coisa distorce demais as comparações.

      2. Gostaria de dar um pitaco.

        Nesta disputa Schumacher x Prost no quesito Polo Position, acho que ambos perderiam para o Senna, se este último nos anos de 87, 92 e 93 tivesse um carro um pouco melhor, pois no quesito “dar uma volta rápida nos últimos minutos de um treino classificatório”, ele era assombroso.

        Quem teve a oportunidade de ver ao vivo, jamais irá se esquecer!

        Abraço!

      3. Marcel

        até complementando teu ponto sobre Piquet, eu achei que com o chegar da idade ele fosse deixar a serenidade tomar conta e entender que o papel dele foi importante e é subvalorizado (independente de bairrismos) e isso ao meu ver seria corrigido com uma boa biografia, acredito que tanto aqui como fora do Brasil haveria um bom público interessado, mas infelizmente e julgando de longe ele não amadureceu nesse sentido e continua parecendo ser arrogante, vendo recentemente a postura dele na entrevista junto com Mansell na globo, era nítido demais o desconforto dele, acho que passou do ponto ele alegar que não sabe quem é bom e quem não é na imprensa para manter essa postura, se um dia encontra-lo pela frente vou dar uma de maluco e perguntar a ele o porque, e vou falar se for por conhecimento técnico, imparcialidade e jeito maneiro de escrever eu te indico uma turma do Gepeto pra fazer tua biografia…rsrs

        abraços
        Mário

  6. Este é um assunto muito complexo.
    Ser campeão não é para qualquer um.
    Seja no passado
    Seja no presente
    Seja no futuro

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  7. Antes de mais nada, bela coluna! O assunto é bastante extenso, e tentar resumir neste espaço é sempre um desafio.

    Falando apenas de Vettel, temos de ficar satisfeitos por poder acompanhar o crescimento e auge deste grande piloto!

    Como o Edu já explicou na última coluna, a aberração estatística de Michael Schumacher tem um motivo de ser, e não deve influenciar no julgamento de quem é melhor ou pior.

    Concordo que Vettel deve buscar o próprio caminho. Deixar de lado as comparações estatísticas com Schumacher (que vem perdendo poder de argumentação), e principalmente buscar ser o melhor naquilo que sabe fazer.

    No fim das contas, não existe um melhor piloto de todos os tempos pelo fato de que nenhum piloto conseguiu ser uma excelência em todos os fundamentos. Talvez Fangio, mas a distância histórica impede que o argentino seja uma unanimidade.

    1. Olá, Ballista!

      Interessante sua colocação ao final, sobre não haver alguém que tenha excedido em todos os fundamentos: por fundamentos, imagino, você não esteja se referindo somente às qualidades técnicas (treinos, ritmo de corrida, chuva, circuitos de rua/alta/média velocidade, arrojo, adaptação, etc.) mas também a uma mistura de brilhantismo (ou talento natural, difícil de medir), conquistas (os famigerados números), carisma (no sentido de ser um expoente dentro e fora das pistas) além do contexto de seus feitos (carros inferiores, adversários de primeira grandeza, etc).

      De fato, como disse em meu comentário, Fangio parece-me ter sido o que quase chegou perto de comandar todos. Mas essa não é uma questão fechada.

      Abraços!

      1. É bem por aí que penso quando digo que nenhum foi dominante em todos os quesitos.
        Quando trato de classificar os pilotos em rankings históricos, procuro dar pontuações de 0 a 20 nos inúmeros quesitos, para no final realizar uma média ponderada e poder classificá-los. É obvio que ao atribuir as pontuações, pode-se incorrer em questões de subjetividade, mas a quantidade de critérios e as pontuações indo de 0 a 20 tornam essas flutuações menores do que se poderia imaginar inicialmente.
        No mais, a discussão ta bacana de acompanhar!

        Abraço

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