O que teremos em 2017?

Hamilton na Mercedes #44 em Melbourne

Finalmente temos carros nas pistas! Finalmente depois de uma mudança de controle da categoria e de vasta mudança de regulamento. E como sempre, depois de uma reduzida temporada de testes.

A Formula 1 chega para sua 22º aparição no circuito de Melbourne cercada de expectativas. Mas do que a história dessa corrida e de seus momentos marcantes, a ansiedade de saber como vai ser essa temporada domina a cabeça dos fãs da categoria.

Esse ano vamos começar a temporada de forma diferente! Os colunistas do GPTotal participaram de uma rodada de perguntas para contar um pouquinho das expectativas de cada um para a temporada! Logicamente, vocês amigos do GPTotal estão convidados para responder as perguntas nos comentários ao final do texto.

Vamos nessa?

No começo de 2016 a Ferrari pulou na frente e Melbourne e nos deu esperanças de encontrar um campeonato equilibrado pela frente. Com o ritmo mostrado nos testes, a Ferrari será uma competidora em 2017 ou teremos repeteco de 2016?

Eduardo Correa – Não sei se a Ferrari tem força suficiente para competir com a Mercedes, mas os testes sugeriram que ela é ao menos a segunda força do grid, à frente da RBR e Williams Mercedes e não creio que nenhuma dessas duas estivesse em condições de esconder o jogo. Aliás, a única equipe que pode ter escondido alguma coisa na Espanha foi a Mercedes.

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The weekend

Confesso aos amigos que eis um momento que sempre esperei e sempre quis escrever a respeito: a primeira vitória de Nico Rosberg na Fórmula 1. Não porque eu torça pelo jovem alemão – com quem até simpatizo – mas por se tratar de alguém rápido e de comprovado potencial mas que nunca teve uma chance (leia-se, carro) real de lutar por uma vitória.

Caso levasse mais uma temporada para que Rosberg finalmente tivesse ‘o equipamento’ às mãos, ele provavelmente seria o piloto que mais demorou a vencer um GP: mas acabou ficando em quinto no geral, com 111 etapas até a primeira vitória (Mark Webber, 130, Barrichello, 123, Trulli, 117, e Button, 113, são os 4 que mais tempo levaram até a 1ª vitória).

Todos os melhores resultados da Mercedes (em sua 2ª fase, é claro), em treinos e corridas, pertencem a ele: todos os pódios (que são 4, agora) e a única pole. Portanto, nada mais justo que fosse ele a vencer pela primeira vez, embora todo mundo, há 3 ou 2 anos, e no início de 2012, apostasse que seria Schumacher a alcançar tal feito.

E a vitória de Nico só poderia vir na China: no circuito de Shanghai, tanto em 2010 (16 voltas) quanto em 2011 (14 voltas), Rosberg havia liderado. E fora lá que, antes da pole, ele obtivera a melhor posição de largada sua e da Mercedes: partiu da segunda posição, em 2010.

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Analisando a corrida em si, é uma tremenda injustiça levantar a hipótese de que os problemas de Button e Schumacher nos boxes tenham sido determinantes na vitória de Nico.

Da parte do inglês, basta perceber que mesmo com um pit stop perfeito Button dependia necessariamente que Rosberg fizesse uma outra visita aos boxes, o que não aconteceu. E o que mais prejudicou Button foi o fato de ter ficado “embolado” com outros pilotos após seu retorno às pistas.

Com uma enorme “tirada de pé” na curva final, Nico ainda terminou mais de 20 segundos à frente de Jenson. E a melhor volta do inglês foi justamente a última!

Já quanto a Schumacher, é muito simples: o início da corrida já mostrou a diferença de ritmo entre os dois: quando foi aos boxes, na décima-segunda volta, Schumy já estava mais de 5 segundos atrás de seu companheiro de equipe. Portanto, nada que Schumacher tenha feito poderia lhe dar qualquer coisa melhor do que um pódio. E é provável que a segunda colocação fosse difícil.

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Uma cena bem bacana mesmo foi a de Norbert Haug, no pódio, apontando para o símbolo da Mercedes nos macacões de Button, Nico e Hamilton, e na jaqueta que ele trajava, e depois fazendo um sinal com as mãos do tipo: “ué?!“.

Não, não é mera coincidência: especialmente numa pista como Shanghai, que conta com o maior ‘retão’ da Fórmula 1, os motores da equipe alemã fazem muita diferença. Foi o 90º trunfo de um motor Mercedes na categoria.

Tudo isso sem contar os saltos aerodinâmicos que ambas as equipes deram, a McLaren apostando na melhora progressiva de seu design – a única ‘grande’ que não fez o bico degrau – e a Mercedes com mais uma sacada de Ross Brawn no F-Duct.

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No início do ano, apostava numa melhora da Mercedes, mas não a via como candidata a vitórias num primeiro momento. Portanto, já está mais do que na hora de Schumacher obter algum resultado decente (nesse ano, só somou um ponto), pois ele já está a caminho de mais um recorde: já é o terceiro campeão mundial que está há mais tempo sem marcar um pódio: correu 43 GPs consecutivos sem chegar entre os três primeiros nenhuma vez. “Acima” dele, só Graham Hill (70) e Jacques Villeneuve (69).

E não nos custa lembrar que tanto Hill quanto Villeneuve foram para equipes que tinham dificuldades até mesmo para pontuar. A Mercedes, não. Rosberg que o diga.

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Falando em marcas: Nico Rosberg é o 103º piloto a obter uma vitória na F-1, e o segundo filho de campeão a lograr tal êxito. Foi a 10ª vitória da história da Mercedes.

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Outra equipe que conquistou feitos importantes foi a Sauber: após a brilhante segunda fila de Kobayashi, coube ao japonês (que ainda somou um ponto) marcar a primeira volta mais rápida de sua carreira e da história da equipe.

Sergio Perez teve mais uma exibição “furiosa” ao seu estilo, mas acabou não conseguindo pontuar.

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Quem vem de fato surpreendendo é Bruno Senna: o brasileiro ainda não conseguiu superar Maldonado nos treinos (e qualquer justificativa além da velocidade soa como desculpa esfarrapada), mas é ele quem vem tendo melhores desempenhos nas corridas: pontuou duas vezes consecutivamente, e em ambas terminou à frente do venezuelano. Bruno já soma 14 pontos, contra 4 de Maldonado.

E isso o deixará, também, como o brasileiro mais bem colocado no campeonato por algumas etapas: Felipe Massa é o único fora Hispania/Marussia/Caterham que ainda não somou um ponto.

Verdade que em dado momento da corrida Felipe até fazia bom papel, lembrando momentos antigos da F1 (como Senna na Espanha/1987), ao segurar vários carros teoricamente mais rápidos. Porém, depois da mudança para os pneus macios, Felipe estagnou-se: foram 15 voltas atrás de Paul di Resta e sua Force India.

O tom das críticas ao piloto, na Itália, está cada vez mais rude. O comparativo com Alonso é o que mais evidencia o baixo rendimento de Felipe. Até mesmo Niki Lauda tratou de (re)afirmar isso, dizendo que a discrepância entre os dois “mostra o quanto Alonso é bom“.

Um piloto que, com aquele que é talvez o pior carro construído pela Ferrari desde 1992, já obteve uma vitória e é o terceiro colocado no mundial.

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Lewis Hamitlon segue como o piloto mais rápido do ano: é fato que largou em sétimo, devido à punição, mas até aqui ele só cravou 1ª filas: duas poles e um 2º lugar.

Na história poucos foram os pilotos a obter tal feito (Senna em 1989, Prost em 1993 e Hill em 1996), e Hamilton ainda está muito distante disso, mas podemos perceber que se trata de um candidato forte e real ao título: se por um lado é verdade que ainda não conseguiu converter em vitórias sua rapidez, Hamilton tem sido constante, não á toa lidera o certame.

A impressão, no momento, é que o título ficará entre a dupla da McLaren. E eu ainda vejo Hamilton com mais condições do que Button. Vamos aguardar.

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Negativamente, vem surpreendendo o desempenho da Red Bull.

Não apenas porque a equipe é apenas o 3º carro do momento – ela que, nos últimos três anos, esteve no mínimo entre os dois melhores -, mas principalmente porque Mark Webber está melhor do que Vettel.

Em três treinos, Webber superou seu companheiro bicampeão do mundo. E já soma 8 pontos a mais. É claro que Vettel teve problemas com o carro, mas em 2011 havia sido quase decretado o melhor de todos os tempos. E Webber era tido como galinha morta…

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Outra surpresa, muito positiva, nessa temporada é Kimi Räikkonen. Não apenas pela sua boa exibição na China (chegou a andar em 2º, também emulando o Senna de Jerez 1987), mas o finlandês, vejam só, está com 33 anos, ficou mais de dois afastado da Fórmula 1 e já soma 16 pontos, uma volta mais rápida, e a 4ª posição nos treinos como melhor largada.

Podem bater à vontade mas Kimi fez, em 3 GPs, mais do que Schumacher em 41, até aqui. Devemos lembrar que ele dirige aquele que, no momento, está lutando para ser o 4º melhor carro do grid – uma situação, na melhor das hipóteses, igual à da Mercedes em 2010

E ao Kimi ‘pós-dois anos parado’ em nenhum momento foi dada a ponderação “ele precisa se readaptar”. Kimi não precisou. O que não o torna um gênio, mas nos leva a questionar algumas coisas… E será que ele chega ao pódio antes do alemão-maior?

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“É, amigo”, como diz o outro: o mundo dá voltas! E a próxima parada – que não devia acontecer – é no Bahrein.

Boa semana a todos.