A batalha dos sexos – final

A batalha dos sexos – parte 3
21/11/2018
Considerações finais – versão 2018
26/11/2018

Na competição automobilística os monopostos sempre foram os reis dos circuitos, sendo a formula um a máxima aspiração de qualquer piloto. Assim, depois da segunda guerra mundial, se haviam estabelecido diferentes fórmulas de promoção, tanto nacionais quanto internacionais, que atuavam como “peneiras” com o fim de ir filtrando os pilotos de forma que só os melhores fossem ascendendo de categoria até mostrar suficiente talento e condições ao volante e, deste modo, chamar a atenção de alguma equipe de formula um para conseguir um contrato com elas ou uma simples oportunidade para mostrar suas qualidades. Contudo, nenhuma destas pilotos chegaram à formula um havendo mostrado nas categorias inferiores suficiente talento e condições (muito menos resultados convincentes) que justificassem a oportunidade que se lhes brindou, quando muitos outros colegas tinham melhores classificações do que as suas. Assim, a única conclusão possível à sua presença na formula um reside em que não foram promovidas pelo que fizeram, mas apenas pelo que eram: mulheres.

Deste modo, me parece que tudo se trata apenas de seguir a atual tendência que trata de nos impor que pensemos que homens e mulheres são iguais, ainda que não sejam. No âmbito concreto do esporte em geral e da formula um em particular, a demanda física e mental é enorme e não esta ao alcance de qualquer um, pois todos não são (somos) iguais. De fato, a finalidade dos campeonatos é precisamente a de classificar os participantes segundo suas diferenças… do melhor para baixo. Muitos são os fatores envolvidos na competição e na formula um o carro é o mais importante, mas nas formulas de promoção existe igualdade de equipamento, de modo que as diferenças na classificação só podem ser decorrentes de um maior talento e melhores condições de uns sobre os outros. Os melhores, ascendem de categoria e os outros… não. O cronometro é o que determina de maneira absoluta os resultados, independentemente do sexo dos participantes. O dinheiro também é um fator determinante, mas a falta de talento e condições não se podem compensar até o ponto de fazer que alguém do fundo da classificação numa categoria, destaque em outra superior. O talento não se pode comprar!

Segundo também diria Ecclestone, as mulheres seriam muito bem vindas na formula um, mas o problema é que não aparece nenhuma que mostre as condições que exige a categoria. Isto tem muita lógica pois, se pensamos na enorme repercussão midiática produzida cada vez que uma mulher aparecia na formula um, não é difícil de imaginar o que aconteceria se alguma mostrasse possuir qualidades apenas suficientes para rodar nas posições intermédias. Quando Carmen Jordá entrou na Lotus no lugar de Marco Sorensen, o dinamarquês diria que ela era 12 segundos mais lenta do que ele no simulador. Ela negou isso dizendo que era apenas um segundo mais lenta do que Romain Grosjean. A equipe não disse nada ao respeito, mas resulta muito difícil acreditar que, se ele fosse realmente tao rápida, não houvesse algum patrocinador ansioso por colocar a moça nas pistas, pois seria uma autentica sensação e atrairia para si todos os meios de comunicação.

Tampouco custa nada imaginar que se alguma mulher tivesse condições para competir na formula um, as empresas do multimilionário mundo dos produtos de consumo massivo feminino como cosméticos, moda e complementos, saúde ou joalheria, se lançariam ao seu patrocínio, dado o volumem de exposição que a formula um oferece. Também devemos recordar que mais da metade da população se compõe de mulheres e, segundo estudos recentes, são as maiores consumidoras, com cerca de 85% das compras totais nos países de cultura ocidental. Nos EUA as mulheres com habilitação para dirigir já superam os homens e essa tendência se observa no resto de países (na Inglaterra acontecerá o mesmo num par de anos). Assim, mais da metade dos carros que se vendem, são comprados por mulheres e até a metade dos produtos tradicionais masculinos são também comprados por elas. As mulheres também compartilham suas experiencias sobre os produtos comprados num percentagem muito maior do que os homens, o que multiplica o efeito promocional do produto. Deste modo, o interesse por que haja uma mulher na formula um deve ser enorme!

Portanto, quando as mulheres se queixam de que não se lhes dão as mesmas oportunidades do que aos homens, alguém deveria recordar-lhes os casos destas pilotos, pois todas tiveram oportunidades que não mereciam, em detrimento de dezenas de rapazes com melhores resultados do que os seus e com tantos sonhos de triunfo quanto os seus, por espúrios motivos e interesses alheios à competição. Apesar de terem ao seu favor a enorme vantagem de proporcionar um maior impacto publicitário, as mulheres não conseguem mostrar qualidades suficientes para convencer a equipes e patrocinadores para que se aventurem a oferecer-lhes algo mais do que um simples papel de “piloto de testes em simulador” ou como atração publicitária. Assim, o problema que surge do atual debate sobre a igualdade de oportunidades é o de pensar que também se pode conseguir a igualdade nos resultados, uma vez se tenham essas mesmas oportunidades, o que, inevitavelmente, só leva à decepção, pois ninguém é igual aos outros, sejam homens ou mulheres, e a competição, precisamente, se encarrega impiamente de fazer a seleção oportuna. Assim, atribuir as diferenças de resultados entre homens e mulheres a fatores socioculturais resulta pouco convincente. A sociedade não é um ente abstrato que atua independentemente do meio físico em que se desenvolve, portanto se homens e mulheres estão sujeitos a diferentes condicionantes sociais, isso se deriva de suas diferenças biológicas.

No caso concreto que nos ocupa da formula um, as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres são muito importantes no terreno da condição física, capacidade visual, atitude mental e predisposição natural à competição. Basta ver como o rendimento das mulheres vai sendo superado pelo dos homens à medida que vão passando da infância à idade adulta. Quando as meninas/garotas perdem sua momentânea vantagem física sobre os meninos/rapazes, já não podem competir com estes e se despencam nas classificações. Os históricos de uns e outras não deixam dúvidas a esse respeito. Menos ainda se consideramos que, nas categorias de acesso à formula um, a exigência física é muito menor e durante menos tempo, pois as corridas constam de muitas menos voltas do que um GP. Assim, resulta muito difícil acreditar que alguma das pilotos supracitadas fosse capaz de manter um bom nível de competitividade durante uma corrida completa na formula um, quando nunca o exibiram anteriormente sob condições menos exigentes.

Talvez, surja alguma mulher excepcional dotada das qualidades para competir na formula um com certas garantias de sucesso, quem sabe. O caso é que até agora isso não foi possível e, segundo a natureza nos diz, parece que isso será muito difícil que aconteça. Porem, se algum dia tivéssemos uma mulher piloto competindo na formula um, só espero que seja devido aos seus próprios méritos e não a motivos publicitários ou em virtude de algum arranjo como aquela famosa batalha dos sexos.

Um abraço a todos.

Manuel Blanco
Manuel Blanco
Desenhista/Projetista, acompanha a formula 1 desde os tempos de Fittipaldi É um saudoso da categoria em seus anos 70 e 80. Atualmente mora em Valência (ESP)

7 Comentários

  1. Fernando Marques disse:

    Manuel,

    a verdade está bem dita a respeito das mulheres disputarem a Formula 1.
    Assim como Mauro deveria haver uma categoria feminina.
    Agora se existe ainda algumas duvidas, pegue hoje uma piloto (como melhor curriculo ) e dê a ela uma semana para andar na Mercedes do Hamilton. E anotem os melhores tempos de volta e de simulação de corrida. E dè ao Hamilton uma willians 2018 … quem ganha esta corrida?

    Fernando Marques
    Niterói-RJ

    • Manuel Blanco disse:

      Caro Fernado,

      Temo que nesse caso que você apresenta o resultado apenas nos levaria a saber o que já sabemos : que o Mercedes é muito melhor carro que o Williams.

  2. Só li verdades nesse texto!
    Parabéns Manuel!

    • Fernando Marques disse:

      Caro amigo Manuel,

      sei não, pelo curriculo das pilotos que o amigo apresentou, creio que o Hamilton na Willians poderia levar a melhor.
      Mas acho que testar uma mulher numa Mercedes (o melhor carro da atualidade) poderia dar um numero mais bem próximo da realidade desta batalha do sexo …

      Forte abraço

      Fernando Marques

  3. Rubergil Jr disse:

    Que compendio excelente, caro Manuel Blanco. Muito bem embasado.

    Agora, posso colocar mais dinamite na sua fogueira de São João?

    Vimos tempos atrás a repercussão do caso da jogadora de vôlei transsexual Tiffany. Independentemente das discussões morais sobre aceitação ou não do homossexualismo e transsexualismo na sociedade, me parece que resulta uma vantagem ilícita o caso desta jogadora, pois tem todos (ou grande parte) dos atributos físicos masculinos competindo contra mulheres.

    Já imaginam o caso de algum bom piloto homem tornar-se um transsexual e correr como mulher? E eventualmente galgar sua carreira até a Formula 1? Talvez este seja um caso mais possível do que uma mulher chegar lá. E diferente do caso do vôlei, não resulta em vantagem ilícita pois estaria competindo contra homens. Mas se houvesse uma categoria de automobilismo feminina, ai se aplicaria o mesmo caso do vôlei.

    Abraço!

    • Manuel Blanco disse:

      Oi Rubergil,

      Podemos tambem citar o ciclismo onde as transsexuais Rachel McKinnon e Michelle Dumaresq conseguiram titulos em competiçoes femininas. Ambas, nasceram homens, cresceram como homens e, lógicamente, desenvolveram corpos de homen, o que lhes deu grande vantagem sobre as mulheres.

      Assim o lógico seria criar categorias tambem para transsexuais.

  4. Mauro Santana disse:

    Excelente tema, Manuel

    Eu sou da opinião de que deveria existir categorias feminas no automobilismo, como existe em varias modalidades esportivas.

    Esta seria a maneira mais honesta, e provavelmente iria incentivar outras garotas a tentar carreira no esporte a motor.

    Abraço!!

    Mauro Santana
    Curitiba PR

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *