A História, vista de perto

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Vistas de perto, as conquistas de Vettel, Newey & Cia talvez não sejam tão grandes assim, como não foram as de Clark&Chapman

Vista de perto, a História talvez não seja tudo isso o que se diz.

Temos todos razões para estar entusiasmados pela oportunidade de ver, mais uma vez, a História da Fórmula 1 ser tecida bem diante dos nossos olhos: graças a Sebastian Vettel, Adrian Newey, Christian Horner e à equipe RBR, testemunhamos ao vivo página importante do automobilismo. Não sei se será a maior, a mais bonita, a mais não-sei-o-que, mas que é história, isso não se discute.

Vitórias em sequência, recordes pulverizados, demonstrações extraordinárias de eficiência, capacidade rápida de adaptação e reação, tudo em meio a regras altamente restritivas ou francamente estúpidas – vejam o caso dos pneus, por exemplo – e diante de pilotos de altíssimo nível. Se Michael Schumacher ganhou seus cinco títulos competindo contra pilotos de expressão mais modesta – os únicos adversários que o alemão encarou entre 2000 e 2004 e que poderiam entrar num top 10 de todos os tempos são Mika Hakkinen, Kimi Raikonnen e Fernando Alonso, notando que um estava se despedindo e outros dois apenas iniciando suas trajetórias. Já Vettel alinha quatro títulos contra gente muito qualificada, incluindo cinco campeões mundiais, se contabilizarmos a volta de Schumacher.

No entanto, quando se olha pelo ângulo das equipes, as conquistas de Vettel e RBR precisam ser necessariamente vistas sob uma perspectiva menos exaltante e é perfeitamente possível justificá-las pela fraqueza geral dos adversários.

Para mim, é bastante claro que os problemas da Ferrari e McLaren passam ao largo dos seus pilotos sendo, antes, originados nas lideranças das equipes. Os engenheiros de uma e outra têm demonstrado extraordinária incompetência para projetar bons carros e, depois, adaptá-los às demandas dos campeonatos. Elas têm sido incapazes de reagir ao fim da época dos treinos em pista para desenvolvimento dos carros, batendo a cabeça ano após ano em seus simuladores e túneis de vento. Chega a ser surpreendente a incapacidade de reação delas, tanto mais porque não padecem de problemas graves de dinheiro, enquanto a Lotus, que seria em teoria não mais do que uma rival para Force India, Toro Rosso e Sauber, consegue se equilibrar lá em cima, mesmo catando moedas pelo caminho.

A culpa pontual pela fraqueza da McLaren e da Ferrari pode até ser dos engenheiros mas é lá em cima que a coisa verdadeiramente se origina. Tanto a Ferrari não conseguiu se recuperar da perda de Jean Todt quanto a McLaren da de Ron Dennis. E este último caso pode ser ainda mais grave.

Baleado gravemente no escândalo da espionagem que envolveu a Ferrari, Ron não mais aparece nos boxes da McLaren. Isso não quer dizer, necessariamente, que ele não lidere a equipe, Martin Whitmarsh sendo apenas seu braço direito. Neste caso, o problema da McLaren seria ainda pior: o enrijecimento das juntas, o envelhecimento inevitável que atinge a tudo e a todos, o mesmo envelhecimento que condena a Williams a uma presença tão pálida na Fórmula 1 atual.

A outra opositora de peso à RBR é a Mercedes, que não quis ou conseguiu capitalizar a herança milagrosa da Brawn. Provavelmente foram muitas as condições e restrições ao trabalho de Ross Brawn. A equipe já colheu os primeiros frutos, tem enorme e óbvio potencial mas ainda está há alguns parsecs de distância da RBR. Quanto ao resto do grid, vejo apenas boas intenções e incompetência crassa. Os leitores podem pregar as etiquetas como quiserem.

Peço que essas considerações não sejam entendidas pelos amigos leitores como denegritórias aos méritos de Vettel, Newey&Cia. Reafirmo o que disse anos atrás, aqui nesse espaço: eles estão reeditando, com as cores atuais, os feitos de Colin Chapman e Jim Clark. Mas vale notar que, em 63 e 65, os anos em que a dupla colheu seus dois Mundiais, os adversários também eram especialmente fracos.

Em 63, Clark somou a estupidez de 73 pontos totais, com um aproveitamento de 81%. Em dez GPs, ele ganhou sete e marcou um 2º e um 3º lugares, tendo abandonado em Mônaco, por ironia a primeira corrida da temporada. Atrás dele, ficaram Graham Hill e Richie Ginther com 29 e 34 pontos totais.

Em 65, o massacre foi semelhante, principalmente quando visto em perspectiva. Foram, também, dez GPs. Clark venceu seis, não competiu em Mônaco (estava ocupado, vencendo Indy 500) e não pontuou três vezes. Seu aproveitamento foi de 60% mas o detalhe interessante é que ele venceu seis dos sete primeiros GPs do ano, de forma que não houve a menor chance para a oposição e é até possível que Clark&Chapman não tenham se empenhado muito nas corridas finais

Tamanha superioridade não se consegue senão contra oposição fraca, por falta de carros, motores, equipes e pilotos – só havia três campeões competindo contra Clark nessas temporadas, todos com problemas: Hill, com um BRM fraco e ultrapassado, Jack Brabham, ainda batendo cabeça com a sua equipe recém lançada, e John Surtees, que ganhou o título de 64 por uma combinação lotérica de fatores.

Sabe como é: a História, quando vista de perto…

E tudo isso só sublinha o tamanho das conquistas de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Eles só ganharam Mundiais difíceis, diante de adversários – pilotos e equipes – de primeira!

Boa sorte a Felipe Massa na Williams.

Não vejo motivos para qualquer otimismo, pelo contrário: em 2014, ele muito provavelmente apenas acentuará o triste ocaso da sua carreira na F1. Não posso acreditar que será numa equipe pequena, antepenúltima colocada no Mundial deste ano, que ele vai exorcizar os fantasmas que o atormentam desde aquela tarde, na Hungria.

E tenho quase certeza de que a convivência com Valtteri Bottas será muito mais difícil do que com Fernando Alonso. Os meios da Williams são escancaradamente limitados, Bottas é jovem e não tem motivo algum para não desafiar continuamente Massa pelos recursos da equipe, tanto mais agora, que ela perdeu o seu principal esteio financeiro: o dinheiro irresponsavelmente queimado pelo governo chavista.

Boa semana a todos

Eduardo Correa

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

17 Comments

  1. João Alfredo Luiz da Silva Filho disse:

    Concordo plenamente com vocês. Na minha opinião, os dois pilotos alemães, são recordistas porque contaram com o melhor equipamento e não passam de pilotos razoáveis. Na minha lista alguns dos melhores são: 1) Fangio, 2) Senna, 3) Piquet, 4) Moss, 5) Fittipaldi, 6) Clark, 9) Alonso, 14) Hamilton, 15) Pace, 27) Raikkonen, 45) Schumacher, 53) Vettel, 72) Barrichello, 79) Massa, 104) Landi, 123) Rossetti.

    João Alfredo

  2. João Alfredo Luiz da Silva Filho disse:

    Concordo plenamente com vocês. Na minha opinião, os dois pilotos alemães, são recorditas porque contaram com o melhor equipamento e não passam de pilotos razoáveis. Na minha lista alguns dos melhores são: 1) Fangio, 2) Senna, 3) Piquet, 4) Moss, 5) Fittipaldi, 6) Clark, 9) Alonso, 14) Hamilton, 15) Pace, 27) Raikkonen, 45) Schumacher, 53) Vettel, 72) Barrichello, 79) Massa, 104) Landi, 123) Rossetti.

    João Alfredo

  3. Lucas disse:

    Mas enfim, uma coisa boa de ter sido Newey e não Byrne o “último grande designer” da F1 atual é que enquanto Byrne praticamente não falhava nunca (em 2005 a culpa do fraco desempenho da Ferrari foi muito mais da Bridgestone que dele próprio, basta ver que em algumas pistas em que o desgaste dos pneus não era tão grave eles andaram bem, e tanto Barrichello quanto Schumacher conseguiram pódios excetuando-se a “corrida” em Indianápolis), Newey às vezes erra feio.

    Como falei nos outros posts, houve alguns anos em que ele fez carros muito fracos (como em 2004 ou 2006), ou que resolveu “inovar” tanto que o efeito foi desastroso (como em 2003), ou que falhou miseravelmente ao lidar com uma mudança de regulamento (como 94). Outra diferença brutal que havia entre Byrne e Newey era em relação à confiabilidade – enquanto os projetos de Newey raramente eram um primor nesse quesito, Byrne estava muitíssimo a frente do seu tempo nesse quesito – seus carros às vezes tinham confiabilidade similar ao que as demais equipes só foram conseguir depois que ele já tinha se aposentado. Claro, entra aqui também na equação o fato de que o motor Ferrari era absurdamente mais confiável que os demais e Byrne não projetava motor, mas um dos problemas do malfadado MP4-18 de Newey era que o projeto levava ao superaquecimento do motor e da caixa de marcha. Com base nesse histórico e no fato de que tudo muda com as regras do ano que vem, creio que a supremacia da Red Bull acaba mais cedo ou mais tarde (os mais críticos dizem que poderia ter acabado esse ano não fosse a mudança de pneus que foi altamente prejudicial à Lotus que vinha fazendo um excelente trabalho com o orçamento que tinha).

  4. Lucas disse:

    Não sei se haveria como a Mercedes capitalizar em cima da “herança milagrosa da Brawn”. O milagre da Brawn consistiu apenas no uso exclusivo mas “copiável” de uma tecnologia no início da temporada e que portanto não teria mais serventia nenhuma em qualquer cenário – se fosse banida, iria embora sua superioridade; se não fosse, as outras equipes copiariam a tecnologia pro ano seguinte e tudo voltaria ao que era antes. A vantagem artificial da Brawn sequer durou ao fim daquele campeonato – já na segunda metade eles já não assustava mais ninguém e a Red Bull mostrava a sua cara. Olhando em retrospectiva, é nítido que se o difusor duplo não tivesse sido permitido, a Red Bull levaria aquele campeonato com a mesma facilidade que levou em 2011 ou 2013. Como já falei outras vezes – Ross Brawn é um cara que, vez por outra, aparece com alguma grande ideia dessas que “enganam o regulamento” e dão grande vantagem (foi o que aconteceu novamente em 2012, quando o seu DRS duplo dava grande vantagem à equipe nas classificações), mas não é como Rory Byrne, um sujeito capaz de fazer carros excepcionais ano após ano. Quando Brawn e Schumacher se reuniram novamente em 2010, não foram poucos os que falaram que a Mercedes dominaria como a Ferrari dominou anteriormente acreditando que eram esses dois as principais peças dos anos de dominação ferrarista – curiosamente até hoje tem muita gente que acredita piamente na estranha idéia de que “Schumacher fazia carros bons” – e essa era 2010-2013 foi excelente para por as coisas em perspectiva. Quem faz falta mesmo é Todt e Byrne.

    De 91 a 2006 não houve um único campeonato em que não houvesse um piloto disputando título com um carro de Byrne ou Newey, e isso inclui não apenas multi-campeões como Schumacher ou Hakkinen mas até um Eddie Irvine, que com boa vontade dá pra chamar de mediano. Em 2007 e 2008 tivemos um curtíssimo período em que Byrne estava aposentado e Newey se adaptava a um então modesto time, e depois dessa curta era de transição só deu Newey – com o agravante de não haver mais um Byrne para lhe fazer frente.

    A parceria Chapman-Clark já havia sido repetida com a dupla Byrne-Schumacher (Schumacher nunca disputou um título sem ser num carro do sul-africano, e o único título disputado por um carro de Byrne sem ser por Schumacher foi o de 99, por um mero acidente de percurso – literalmente), enquanto o mesmo não se deu anteriormente com Newey, que antes de 2007 foi contratado por equipes de grande rotatividade entre os pilotos e sem hierarquia tão rígida, daí o grande número de pilotos que disputaram títulos com seus carros antes disso. E, no caso dos anos Byrne-Schumacher, também aconteceu o mesmo relatado sobre a era Chapman-Clark: adversários de qualidade havia, mas todos com problemas. Hakkinen era sem dúvida um piloto do nível de Schumacher, mas não ajudava muito o fato de que enquanto Schumacher teve, com pouquíssimas exceções, carros de bons a excepcionais ao longo de toda a sua primeira carreira, Hakkinen comeu o pão que o diabo amassou por inúmeras temporadas e a boa fase de Newey pela McLaren durou pouco. Räikkönen, outro que certamente tinha talento suficiente para fazer frente a Schumacher em igualdade de condições (e ele aliás fez isso em 2003 mesmo com um carro inferior ao do alemão), chegou à McLaren quando Newey já mais errava que acertava: se em 2001 a McLaren ainda era a segunda força na F1, em 2002 era um distante terceiro lugar e em 2003 Newey fez uma de suas cag*das históricas construindo um carro que, de tão ruim, sequer estreou – mas Kimi ainda conseguiu levar a briga até o final graças a um ano Prostiano, tirando tudo o que pôde de um carro que não era páreo para Ferrari e Williams e se aproveitando das várias bobagens que Schumacher fez ao longo daquela temporada. Mas a McLaren seria ainda pior em 2004 – quem acompanha F1 hoje mal imagina que Newey já foi capaz de fazer carros tão ruins (incluiria também a McLaren de 2006) ou que nasceram tão mal que foram abandonados ou precisaram de uma revisão completa (vide a Williams de 94, além da já citada MP4-18 que nunca correu). Alonso também mostrava ser um piloto excepcional naquela época, mas até 2004 ele simplesmente não tinha carro pra fazer frente ao alemão, só pra “fazer bonito” – Suzuka 2001 ainda é lembrada por alguns como excelente exemplo de desempenho brilhante com carro fraquíssimo, e até 2004 conseguiria uma vitória, quatro poles e oito pódios numa equipe que ainda não assustava ninguém. Se é injusto dizer que Kimi e Alonso bateram Schumacher em 2005 (afinal o fato da Bridgestone não conseguir fazer bons pneus para uma corrida inteira tirou a Ferrari da briga), no ano seguinte Alonso mostrou que não só era capaz de fazer frente ao Schumacher com bom equipamento como inclusive o superar – na média daquele ano, Ferrari teve mais carro que Renault, e ainda assim Alonso foi campeão.

    Schumacher anunciou sua primeira aposentadoria de forma que ela coincidisse com a de Byrne, e só voltou à F1 para correr na equipe campeã do ano anterior, o que faz com que eu acredite que ele próprio tenha consciência de que dificilmente teria grandes desempenhos sem grandes carros (Schumacher nem de longe é um “tirador de leite de pedra” tão bom quanto outros que correram contra ele, como Senna ou Alonso). Vettel só renovou seu último contrato com a Red Bull depois de ter a garantia de que Newey permaneceria no time, o que também me faz acreditar que ele tenha consciência disso também – afinal, em dois de seus campeonatos ele só conseguiu na última corrida bater um piloto que tinha carro inferior – no caso de 2012, *muito* inferior – ao seu.

    Pode parecer coisa de ranzinza, mas o fato é que eu não consigo ver Vettel como “melhor piloto da atualidade”, como alguns vêem. Eu o vejo como via Schumacher: um grande piloto que teve ao seu dispor carros excepcionais, o que possibilitou a ele acumular recordes inacreditáveis. Mas como eu sempre digo, em fórmula 1 não são os números que importam, mas sim como esses números foram conseguidos.

    • Mauro Santana disse:

      Concordo contigo Lucas, e sua análise foi perfeita, perfeita!

      Schumacher em seus anos de Ferrari teve sim talento de juntar todas as peças certas e de fazer aquela equipe que durante tantos anos fora uma bagunça danada funcionar direito, isso é mérito dele.

      Mas, sem um grande carro, o Dick Vigarista não era grande coisa, e poucas foram as vezes em que ele conseguiu provar isso.

      Ao contrário do Senna, Piquet e Alonso, que dispondo de equipamentos que muitas vezes eram a terceira ou até quarta força do grid, realizaram corridas maravilhosas.

      E na minha opinião, o melhor piloto da atualidade é Fernando Alonso.

      Abraço!

      • Lucas disse:

        Eu já acho que o grande “juntador de peças” foi o Jean Todt. É dele o mérito de pôr ordem na equipe que anteriormente era essa bagunça. Veja que quando o Schumacher chegou lá a Ferrari já tinha arrumado a casa e tinha passado de uma equipe que mal conseguia ir pro pódio (foram só cinco em 92 e 93), quanto mais ganhar corridas, a uma equipe que estava frequentemente figurando nos pódios e, dependendo das circustâncias, lutando por vitórias – nas duas temporadas seguintes esse número saltou pra nada menos que 22 pódios, incluindo duas vitórias. O que é ainda mais notável quando a gente lembra que a dupla de pilotos era exatamente a mesma (Alesi e Berger), logo o problema era na equipe mesmo, e foi Todt que botou ordem na casa. Schumacher chegou lá com uma Ferrari já numa situação consideravelmente melhor e com a garantia de que o time poderia ter absolutamente qualquer um que fosse necessário, já que a vinda da Marlboro como patrocinador principal garantiria que não faltariam recursos. Na prática, isso permitiu que a Ferrari virasse praticamente uma Benetton vermelha, já que os principais nomes do staff técnico foram pra lá (não só os mais conhecidos como o Byrne e o Brawn, mas também o Tad Czapski, responsável pela eletrônica da Benetton.
        Junte-se a isso grana suficiente para testar muito mais que qualquer outra equipe (garantido não apenas pelo patrocínio da Marlboro, o maior da F1 naquela época, mas também às alterações no pacto de concórdia que passaram a garantir à Ferrari mais dinheiro que a qualquer outra equipe independente do resultado do campeonato de construtores) e a contratação de outras peças-chave (como Osamu Goto, engenheiro responsável pelos programas de desenvolvimento dos motores Honda em sua época áurea na Williams e McLaren) e dá pra ver que não faz muito sentido assim creditar a Schumacher a ascensão da Ferrari. Foi um processo que começou bem antes dele sequer cogitar ir pra lá, e que certamente teria dado certo mesmo que ele não fosse. O plano inicial, inclusive, era de levar Senna pra lá – o que já tinha sido pré-acordado entre Jean Todt e o brasileiro.

        • Mauro Santana disse:

          Mais uma vez, você esta correto, e realmente foi Jean Told que arrumou a casa.

          Quando A. Prost venceu o GP da Espanha de 1990, a equipe vermelha só venceria novamente em Hockenheim em 1995 com o austríaco G. Berger, ou seja, mais de 5 anos depois, o que para uma equipe do nível da Ferrari era um JEJUM e tanto.

          Abraço!

        • Mário Salustiano disse:

          Lucas

          pensei em muitas coisas para escrever,mas como voce escreveu muito bem, faço minha várias de suas palavras.
          Só acrescento que um historiador já mencionava que temos de ver as coisas por duas óticas, quando a história está sendo escrita o melhor é ir prestando atenção aos acontecimentos e ir guardando as considerações para depois que tudo estiver sacramentado, a segunda é que rever os fatos depois de acontecidos é uma segunda chance de as vezes apreciarmos com mais calma o que de bom aconteceu
          Edu mais uma bela coluna,gostei de sua coragem em não ter receio de escrever o que pensa e fazer as vezes de levantar fatos para um debate aberto, a história da F1 é bastante rica, mas num ponto ela é muito parecida, na sua maioria são histórias de hegemonias

          abraços

          Mário

        • Lucas disse:

          Perfeito, Mário. É chato ser o cético no momento em que a história está sendo escrita (pois fica-se com essa fama de ranzinza), mas é reconfortante ver as desconfianças sendo confirmadas quando ela vira passado. Minha desconfiança sempre foi a de que as grandes peças chave para a dominação da Ferrari foram Todt, Byrne, e a questão financeira/estrutural: enquanto para todo o resto a temporada seguinte sempre seria uma incerteza, a Ferrari era o único time com garantia de um financiamento perene graças ao pacto de concórdia, e ainda se somava a isso o patrocínio da Marlboro, o que permitia ao time manter suas duas (!) pistas ocupadas o ano inteiro testando peças novas.
          Brawn e Schumacher foram reunidos novamente por nada menos que três temporadas e não fizeram nada de muito relevante – sequer terminaram qualquer temporada no “top 3”, o que pra mim confirma que não era lá que estava o “segredo” (boto entre aspas porque pra ser sincero não vejo nada de “secreto” nisso).
          Felizmente (ao menos para quem não gosta de hegemonias), é uma situação que não deve mais se repetir, já que pelas regras atuais não existe mais a possibilidade de um time usar recursos quase ilimitados para testar o quanto quiser e assim ficar em uma situação muito discrepante em relação aos demais, como era no tempo da hegemonia ferrarista.

    • Arlindo Silva disse:

      Acho que todo piloto depende do seu equipamento, não há um que escape de pegar um carro ruim e ter uma temporada de menor expressão. Mesmo Senna, Alonso, Piquet e outros fizeram temporadas abaixo da crítica quando estiveram com equipamentos ruins.

      Alonso em 2008 e 2009 conseguiu ao todo 4 pódios, lembrando que um deles foi naquela corrida de Cingapura. Em 2009, ele só subiu no pódio uma única ocasião e num modesto terceiro lugar (que foi fruto de uma punição ao… Vettel).

      O Senna em 1992 também teve algumas atuações apagadas e abaixo do seu padrão. Basta verificar que ele acabou o ano somente um ponto na frente do Berger.

      Piquet teve anos ruins com alguns carros ruins. Vide 1985, ou os anos na Lotus (onde chegou a ser batido pelo Satoru Nakajima). Prost em 1991 teve um ano discretíssimo. Lauda fez uma temporada fraca em 1979 ou 1983.

      Eventualmente isso irá ocorrer com Sebastian Vettel também, mas enquanto não ocorrer ele estará vencendo.

      Agora, com relação a fragilidade de McLaren e Ferrari atualmente, eu diria que em outros momentos de domínio avassalador de uma equipe na F1 houve também uma grande fragilidade da concorrência. Tomando 1988 e 1989 como exemplo, verificamos que a McLaren fez sim um carro excepcional e tinha dois pilotos excepcionais, mas a Ferrari dormiu nos louros do final de 1987, a Williams teve um arremedo de carro com motor fraco e a Lotus teve um chassis medonho. Algo semelhante inclusive tinha ocorrido em 1984.

      Abraços aos amigos do Gepeto
      Arlindo Silva

      • Mário Salustiano disse:

        Arlindo

        bem na mosca seus comentários

        abraços

      • Lucas disse:

        Vixe, Arlindo, mas aí entramos naquela discussão sobre o que é um resultado “bom” e o que é “ruim”. Se for em termos absolutos, até faria sentido dizer que Alonso e Senna tiveram suas temporadas “ruins”. Mas se for considerando o carro que eles e seus concorrentes tinham nessas temporadas citadas, eu não vejo muito sentido nisso não. Pouquíssimas temporadas se comparam a 92 no que se refere à diferença de uma equipe em relação às demais, é algo quase único na história da F1, mas ainda assim, o Senna conseguiu muitas vezes fazer frente àqueles carros. Como se chamaria de temporada “fraca” um ano em que, contra carros absurdamente superiores, o sujeito conseguiu fazer cinco primeiras filas (uma sendo pole – a única aquele ano que não foi da Williams) e três vitórias? Não consigo entender o que houve de “abaixo do esperado” pro Senna aquele ano – se ele fez menos do que devia, isso se deve muito mais à fraca confiabilidade da McLaren (o que aliás é também o motivo dele ter terminado o campeonato atrás do Schumacher mesmo que, na pista, o alemão praticamente nunca andou na frente do brasileiro em condições normais).
        Idem para Alonso em 2008 e 2009. Vendo fora de contexto, conseguir “só quatro pódios” parece mesmo pouco para um campeão, mas “olhando a história de perto” dá pra ver que a crítica não procede: Se a Renault já não era grande coisa em 2008, mas ainda assim o Alonso ganhou no Japão, o que dizer então de 2009? Era um carro tão ruim que seus companheiros de equipe nunca conseguiram sequer *pontuar* e nas mãos dele tiveram um décimo lugar como melhor classificação. Como dizer que foi “fraco” o desempenho de um piloto que com esse carro pontuou oito vezes em catorze corridas completadas (naquela época ainda só os dez primeiros levavam pontos) e conseguiu até marcar uma pole? É por isso que eu acho que análises por números absolutos não fazem muito sentido – o que diz se um piloto foi bem ou mal, pra mim, é olhar seus desempenhos à luz dos carros que ele e a concorrência tinham. E Prost em 91 então? Faz algum sentido dizer que ele fez uma temporada “discretíssima” quando conseguiu três segundos lugares e mais dois terceiros com um carro que além de estar claramente abaixo da Williams e da McLaren em desempenho ainda por cima era um desastre em confiabilidade? Também não entendi o “Piquet foi batido por Nakajima”. Em duas temporadas juntos, quantas vezes Nakajima bateu Piquet em treinos ou ficou à frente dele em uma corrida em que nenhum dos dois teve problemas? Uma olhada rápida aqui diz que Nakajima bateu Piquet nos treinos três vezes em trinta e duas corridas e terminou à frente dele em uma única corrida, o GP da Hungria de 1988 – onde o Piquet terminou uma posição atrás do Nakajima após ter ido pro fim do grid depois de trocar o bico do carro e os pneus e ainda remou de lá até a oitava posição – antes do acidente, ele estava cinco posições à frente do japonês. Tenho minhas dúvidas se isso é realmente relevante.
        O que me causa certa estranheza é ver casos acima descritos como temporadas abaixo da crítica e dizer que isso “ainda pode acontecer com Vettel”, como se ele já não tivesse tido exemplos bem mais relevantes que os acima. Vettel já foi batido por Webber de forma indiscutível em várias ocasiões, e aliás foi o Webber e não o Vettel o piloto da Red Bull à frente em boa parte da temporada de 2010. Aliás, ele só foi campeão naquele ano porque a equipe resolveu usar o australiano como “isca” pra Ferrari e eles morderam. A única diferença é que ao contrário dos pilotos acima, Vettel ainda não passou por períodos com carros claramente abaixo da concorrência após ter sido campeão. Nessas ocasiões, pilotos do quilate de Senna, Prost e Alonso não fizeram feio, a não ser que se considere só números absolutos.

      • Lucas disse:

        Mas outra coisa que pode acontecer com Vettel é ele ficar com a mesma imagem de Schumacher – a de um piloto que nunca teve coragem de medir forças com os melhores pilotos de seu tempo em igualdade de condições. Button foi pra McLaren ser companheiro de Hamilton, Kimi está indo pra Ferrari ser companheiro de Alonso, Hamilton estreou ao lado de Alonso, Alonso está prestes a ser companheiro de Räikkonen enquanto Vettel, após os boatos da contratação de Alonso ou Kimi, vê a equipe trocar Webber por Ricciardo. Para alguém que corre por uma equipe que diz ter o espírito esportivo acima de tudo, pega mal. Mas, por outro lado, é obviamente a forma mais eficiente de se acumular recordes, o que novamente leva à discussão sobre números absolutos vs. olhar a história de perto.

        • Mário Salustiano disse:

          Lucas

          estou com uma visão semelhante a tua, ainda pode ser um pouco prematuro, mas estou ficando a cada dia com a impressão que Vettel colocou como meta chegar perto ou quebrar os macro números do Schumacher (vitórias e títulos), temos esse ano o fato dele ter esperado a renovação de Newey para renovar e tem um outro ponto que me chama a atenção, o baixo salario dele quando comparado aos outros 4 top, Raikkonen, Alonso, Button e Hamilton, esse pessoal sabe o quanto vale e dá para perceber que negociam nesses termos, Vettel é diferente nesse ponto, eu vou especular que no seio da Red Bull isso seja de conhecimento da cúpula e usem isso contra ele nas negociações salariais.
          Eu também endosso o coro dos que querem ver o Vettel passar uma prova de fogo de estar numa temporada, ou mais de uma, em carros inferiores a concorrência, o único ponto que eu aposto hoje e que ele terá maturidade para lidar com isso,mas tenho ainda dúvidas se será capaz de superar os limites de um carro ruim.

          abraços

          Mário

        • Lucas disse:

          Verdade, Mario. Mas, pra não ficar parecendo que é implicância com o Vettel, eu tenho que registrar também que tem um ponto em que ele tem sido impecável – o sangue frio em momentos decisivos. Vettel já passou por dois campeonatos em que a decisão só foi sair na última corrida, mas ele foi impecável nas duas. Claro que na de 2010 não houve muito esforço porque ele tinha o melhor carro, largou na pole numa pista onde ultrapassar era praticamente impossível naquela era pré-DRS, e o que faltava para ele ser campeão (só ganhar a corrida não adiantaria) foi algo resolvido pela própria equipe, com a decisão de sacrificar a corrida do Webber para ver se a Ferrari mandava Alonso pros pits arruinando a sua própria, o que deu certo. Já em 2012 foi justamente o contrário – apesar de novamente ter um carro excepcional, foi tocado na largada e precisou suar pra conseguir a posição que daria o título. É algo que nem se compara a Schumacher, que nas duas primeiras decisões de título em última corrida jogou o carro em cima do adversário, na seguinte deixou o carro morrer na largada, e quando isso aconteceu novamente em 2003 faria uma corrida repleta de erros bizarros. Sempre ficou muito claro pra mim que apesar de Schumacher ser excelente quando tinha um carro superior, sendo capaz de sempre manter ritmo forte com pista limpa, a simples presença de concorrência era capaz de desestabilizá-lo – não é a toa que muito cedo, antes mesmo de ser campeão, ele passou a exigir hierarquia rígida em seus contratos. Já Vettel me parece ser um piloto que aprende com os próprios erros – e estou curioso para verificar se esse vai ser mesmo o caso quando estiver com um carro mais fraco.

  5. Mauro Santana disse:

    É isso aí Edu, vamos ver o que 2014 reservou para a F1.

    E não vejo Massa com um perfil para liderar uma equipe, e também de enquadra um companheiro de equipe.

    Bottas sabe disso, e acho que 2014 vai ser osso duríssimo para o Massa roer.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  6. Fernando Marques disse:

    Eduardo,

    se houve um lado bem negativo na temporada de 2013 este foi o fraco desempenho da Mclaren. Faltou o brilho dela nesta temporada. E também acho que a equipe sentiu a falta do L. Hamilton. A velocidade dele fez falta. Ainda mais se comparado ao desempenho do Sergio Perez.
    A Ferrari na verdade foi a mesma dos ultimos anos. Forte mas sem forças para ser campeã. A Mercedez melhorou e pode ser uma rival a altura a RBR em 2014.
    Com relação a Willians e Massa concordo com tudo o que você disse mas ao menos ainda veremos um brasileiro na Formula 1.
    Só faltou você dizer que apesar das mudanças no regulamento e das expectativas que estão sendo criadas em torno disso queVettel/RBR , ao contrário da Willians, continuarão sendo dominantes em 2014.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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