A melhor temporada de todos os tempos

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2012 foi aclamada pelas 7 etapas iniciais com vencedores distintos. 1976 virou filme. Poderíamos citar também 1964, 2008, 1989, 1957, 1974, 1967, 1993, 1982... Mas nada se compara a 1986.

A temporada 2012 se encaminha para os rounds finais, cada vez mais animada. Se o princípio era o caos, como diriam os velhos textos criacionistas, nos encaminharmos para a atual polarização Vettel x Alonso – e em breve teremos mais um tricampeão na praça. A temporada está excelente, o que me despertou para a seguinte pergunta: nestes mais de 60 anos de F1, qual foi a minha temporada favorita entre todas já disputadas?

Eu aponto sem titubear: 1986, o bicampeonato de Prost pela McLaren.

E olha que opções não faltam. Eu poderia ter assinalado 1976, que ansiosamente aguardamos nas telas com o filme Rush, a estrear em 20/09/2013 – como publicamos em nossa página do Facebook. Também poderia ser 1964, 2008, 1989, 1957, 1974, 1967, 1993, 1982… Foram muitos os tomos magníficos – entre um ou outro capítulo triste. Se eu fosse o diretor Ron Howard, meu filme seria sobre 1986 – e daria um trabalhão pra fazer!

Antes que questionem, não, eu não a assisti – só tinha dois anos de idade. Mas estudei 1986 profundamente, até ficar convencido de que reunia elementos suficientes para colocá-la no topo. A minha formação científica recomenda que eu não deixe afirmativas sem sem constatações e comprovações. O que me leva a justificar a escolha.

Apenas para começar, foi a única batalha direta pelo título entre meus quatro heróis de infância: Prost, Mansell, Piquet e Senna. A foto deles no Estoril, em 21 de Setembro de 1986, é a mais significativa imagem da F1 em todos os tempos. Eu a tenho em alta resolução. Ainda faço um poster gigante…

Cresci assistindo esse quarteto, juntamente com coadjuvantes sensacionais em vários aspectos, como Berger, Patrese, Boutsen, Nannini, Warwick, Brundle, os folclóricos De Cesaris e Nakajima e muitos outros que pilotavam para várias equipes nanicas adoráveis, como Zakspeed, Rial, Eurobrun, Osella etc.

Em 1986 ainda contávamos com a exuberância de Keke Rosberg em sua derradeira temporada na F1. E o bigodudo, que não se adaptou bem à McLaren – tanto no carro quanto no modo de trabalhar –, seria fundamental no memorável desfecho em Adelaide. Keke, de fato, era um demônio em circuitos de rua. O trovão australiano Alan Jones também estava lá, resgatado da aposentadoria para o projeto Lola-Haas, que não foi para frente, apesar de contar com staff brilhante.

Além de uma ótima geração de pilotos, contávamos com carros igualmente incríveis, esteticamente interessantes e que, se pintados todos de branco, não teríamos muita dificuldade em identificar. A Brabham, por exemplo, era baixíssima, com motor deitado. Pena que não deu certo e foi a única tristeza do ano, com a morte de Elio de Angelis, no retão de Paul Ricard, em treinos. A Ferrari era indesculpavelmente gordinha, como se criada por Botero, enquanto a nova equipe Benetton tinha uma pintura linda, cheia de cores – isso sem contar a derradeira temporada do preto e dourado da John Player na Lotus. Layout eterno.

Talvez ainda mais evidente que os próprios carros, vivíamos naquele ano o ápice da Era Turbo, usado por 100% do grid. A diversidade de propulsores foi a maior da história, bem como suas engenherias. Tínhamos no grid TAG-Porsche V6 a 80º; Honda, Renault e Motori Moderni V6 a 90º; Ferrari e Ford-Cosworth V6 a 120º; Alfa Romeo V8 a 90º; e BMW, Zakspeed e Hart L4 (só por 3 corridas) – além do BMW deitado 72º.

Alcançávamos justamente com o propulsor bávaro o topo da potência em toda a História da F1, com 1400 hp em qualificação, com mais de 5,2 bar de pressão – assunto já escrito anteriormente. Mesmo os motores mais modestos conseguiam seus 850 hp, mais do que hoje em dia. A eletrônica só estava presente nos motores, de modo que tudo era resolvido mecanicamente, com embreagem no pé, câmbio na mão e direção sem assistência. Controle de tração? Era o pé direito, oras!

Como já escrevi em um passado remoto, não lembro quando, os regulamentos da época tinham grau de imbecilidade próximo ou igual a zero. Era um tempo em que havia enormes diferenças entre qualificação e corrida, não apenas pelo boost assustdor dos turbos, como pela preocupação no consumo de combustível e pelos pneus de qualificação. Havia guerra de pneus entre Goodyear e Pirelli – que salvou uma bela vitória no México, com Berger e seu foguete verde. A galera só entrava para trocar pneus quando precisava, não por tática – quer algo mais autêntico e lógico?

Não apenas pilotos, como também as máquinas, estavam todo o tempo sendo expostos aos seus limites – uma premissa do esporte a motor perdida nos dias de hoje, em que motores e câmbios tem que durar várias corridas. Quebras aconteciam, e as simpáticas nanicas conseguiam vez ou outra terminar entre os seis primeiros, salvandos uns pontinhos. Lembram-se? Pontuação em 9, 6, 4, 3, 2 e 1.

Uma vez mencionado o México, também digo que gostava do calendário. Se por um lado não tínhamos Nürburgring e Spa antigos, tínhamos o que hoje podemos chamar de Hockenheim e Zeltweg antigos, pistas que, com o perdão da indelicadeza, desafiavam as partes baixas dos competidores. O canceroso verbete “Tilke” simplesmente não existia no dicionário. Entre as pistas mais divertidas só faltou Suzuka, que debutou um ano depois.

Para pistas legais, corridas legais. Para ser considerada a melhor de todas, é necessário apontar GPs que ficam na memória. Para ficar só em três, podemos citar JerezHungaroring e Adelaide, o já referido desfecho. As três já foram pauta do meu irmão Márcio Madeira. Vou fazer um redux.

O primeiro, um épico. Senna fez a pole, como de costume, e segurou um ‘trenzinho’ no começo na pista que é estreita e dá uma sensação de velocidade absurda (procurem onboards no youtube e não se arrependerão). Mansell, após começo anêmico, fez forte recuperação, mas na disputa pela ponta, gastou muito seus pneus. O inglês colocou borracha nova e, em 3º, fez uma caçada incrível no fim, passando Prost como um trator, mas sem chance de superar Ayrton na reta de chegada, em uma diferença de miseráveis 0,014s.

Em seguida, na 1ª visita à Cortina de Ferro, aconteceu a mais bela ultrapassagem da História da F1, num duelo maior entre Piquet e Senna. Na primeira tentativa, por dentro, Nelson toma um “X”. Mas, na segunda vai por fora, segurando o carro em desafio total e debochado às leis da física, deixando Senna na poeira. A disputa foi tão quente entre ambos que Mansell, terceiro, tomou volta.

Adelaide, que saudosamente fechava o campeonato, foi um dos mais complexos jogos de xadrez que eu já vi, talvez camparável apenas a México 1964, Fuji 1976 e Interlagos 2008. Para conseguir seu bicampeonato, Prost pilotou de maneira irresistivelmente cerebral, contando também com a sorte: teve um furo de pneu a 200m dos boxes, parando na hora certa e superando a dupla da Williams, concorrente ao título. O pole e favorito Mansell explodiu seu pneu no retão e abandonou; Piquet, que havia rodado, foi tarde para os boxes e perdeu tempo, chegando em um inútil segundo lugar. Era a maturidade do Professeur.

Em retrospectiva, veremos que 1986 teve pilotos, carros, motores, regulamento, circuitos, corridas e desfecho dignos de aplausos em pé. Tento, mas não consigo pensar em outra temporada que preencha todos estes requisitos com tanta competência.

E você? Qual é a sua temporada preferida?

Aquele abraço!

Lucas Giavoni
Lucas Giavoni
Mestre em Comunicação e Cultura, é jornalista e pesquisador acadêmico do esporte a motor. É entusiasta da Era Turbo da F1 e das 24 Horas de Le Mans.

18 Comments

  1. Sérgio Nascimento disse:

    Tenho 46 anos e acompanho a fórmula 1 desde 1981, ano do primeiro título do Nelson Piquet. Fiquei feliz por saber que muitos acham a temporada de 1986 a melhor, pois também achei esta temporada incrível, tanto pelas disputas, quanto aos pilotos incríveis. Na minha opinião o Piquet, Prost e Senna são os três melhores pilotos de todos os tempos, exatamente nesta ordem.
    Abraços!

  2. Allan disse:

    Os carros eram belos, mas já dependiam da pintura, bem diferente de 1979 a 1982, época em que cada bólido tinha um jeito, tamanho, etc., sendo impossível haver algo semelhante entre uma Ferrari 126C2, uma Brabham-BMW BT-50, uma Williams-Ford FW08, uma Ligier-Matra JS15, uma McLaren MP4 e uma Renault RE30B (falando-se apenas de 82, e salvando-se o fato de serem fórmulas com 4 rodas e aerofólio traseiro, lembrando-se que a Ferrari usou 2 (???) lado-a-lado, um levemente a frente do outro, nos USA).
    Ah! Sim… Minha temporada favorita foi a de 1993, especialmente por Senna estar dirigindo no ápice de sua forma e dando uma canseira sem tamanho no Professor motando em sua nave intergalática, ainda contar com carros diferentes (também não há muita semelhança entre uma McLaren MP4/8, uma Williams FW15 e uma Benetton B-193) e pistas incríveis (Hockenheim, Imola, Donnington, Adelaide, Estoril, Kyalami além das ainda hoje utilizadas sem mutilação Spa, Monza, Monaco, Interlagos, Suzuka e Montreal)

  3. Fernando Marques disse:

    A temporada de 1986 certamente foi a melhor de todos os tempos. O Bicampeonato do Prost conquistado naquele ano foi de certa forma uma surpresa pois a Mclaren não era a equipe a ser batida e sim a Willians que possuia o melhor carro.
    Em relação ao Prost, creio que nas pistas a maior qualidade era a regularidade. Ele não fazia a melhor volta da corrida mas fazia regularmente muitas voltas bem rapidas a ponto de muitos acharem que ele funcionava como um relogio pois virava sempre tempos constantes. E ganhou muitas corridas usando esta tática pois na media ele acabava sendo o mais rapido. Não foi diferente em 1986, principalmente na ultima corrida em Adelaide.
    Concordo com quem disse que Piquet perdeu o campeonato em 1986. Mas a meu ver teria vencido aquela temporada tranquilamente se a Willians tivesse dado a ele a atenção de primeiro piloto do time em vez do MAnsell.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  4. Mauro Santana disse:

    Já que neste assunto da temporada de 1986 mencionamos a beleza dos carros, bem que o regulamento atual da F1 poderia mencionar que os carros a serem utilizados devem ser iguais aos da Word Series.

    http://www.lucasforesti.com.br/?pag=noticias&acao=exibir&id=422

    São muito mais bonitos e pasmem, é possível enxergar os números com muita clareza.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  5. Sandro disse:

    Hockenheim: Mansell se prepara para ir aos boxes trocar os pneus mas Piquet vai primeiro. Restou Patrick Head xingar! Mansell teve dar mais uma volta com pneus “quadrados”. Essa foi a corrida em Piquet disse haveria DUAS equipes Williams. Mansell era incompetente para ajustar o carro. Piquet treinava com o carro titular “descalibrado” e ajeitava “certinho” o carro reserva.
    E no pódio Piquet erguia a taça pequeninha como se pesasse uma tonelada!

  6. Sandro disse:

    Num lembro direito mas a Rede Globo mostrou a corrida em Detroit em andamento (por causa da Copa do Mundo). A pista tinha trilho de trem!
    Foi a primeira corrida em que Senna segurou uma bandeira brasileira depois da bandeirada. O motivo? No sábado, depois de fazer a pole ele – desesperado – foi procurar uma TV para assistir Brasil versus França. O Brasil perdeu e – obviamente – foi sacaneado pelos franceses da Renault e da Elf. No dia seguinte venceu com os franceses Laffite e Prost completando o pódio. A bandeira brasileira foi o “troco”.

  7. Sandro disse:

    1986, com certeza!

    Piquet: “Mansell é um idiota.” Depois refez a frase: “um idiota veloz!”
    Jerez: 0″014!
    Hungaroring: Piquet faz “a ultrapassagem”! Com cambio manual (o cambio eletronico foi novidade da Ferrari na extinta pista de Jacarepaguá 89).

    Berger: uma vitoria surpreendente da Benetton-BMW turbo e dos pneus Pirelli (ganhou sem trocar a borracha)

    Em Adelaide Kejo Rosberg fez uma corrida suicida. Mansell teve o pneu estourado! E Piquet relutou em trocar os pneus. Trocou e por 4 segundos que num conquista o bicampeonato!
    Prost, quietinho, ganhou mas nas ultimas voltas a luz vermelha do combustivel pisca sem parar. Prost arriscou. Tanto que parou logo depois da linha de chegada pois o carro sofreria pane seca!
    Ultima corrida da Lotus negra e dourada da John Player Special. Seria substituida pela Camel amarela e por Joe Camel. Outros tempos da propaganda tabagista!
    E o pole ganhava de brinde uma lambreta/motoca Vespa! Senna faturou 15 entre 85/86.
    (curiosidade: a Camel foi uma das patrocinadoras da Copa do Mundo de 1986!!!)

  8. Mauro Santana disse:

    Amigo Lucas

    Em seu fantástico texto, separei dois parágrafos para descrever o por que a temporada de 2012 “jamais” irá ser considerada a melhor da história:

    Alcançávamos justamente com o propulsor bávaro o topo da potência em toda a História da F1, com 1400 hp em qualificação, com mais de 5,2 bar de pressão – assunto já escrito anteriormente. Mesmo os motores mais modestos conseguiam seus 850 hp, mais do que hoje em dia. A eletrônica só estava presente nos motores, de modo que tudo era resolvido mecanicamente, com embreagem no pé, câmbio na mão e direção sem assistência. Controle de tração? Era o pé direito, oras!
    Como já escrevi em um passado remoto, não lembro quando, os regulamentos da época tinham grau de imbecilidade próximo ou igual a zero. Era um tempo em que havia enormes diferenças entre qualificação e corrida, não apenas pelo boost assustador dos turbos, como pela preocupação no consumo de combustível e pelos pneus de qualificação. Havia guerra de pneus entre Goodyear e Pirelli – que salvou uma bela vitória no México, com Berger e seu foguete verde. A galera só entrava para trocar pneus quando precisava, não por tática – quer algo mais autêntico e lógico?

    Como sabemos que o regulamento nunca mais será desta forma, acho muito difícil que um campeonato de F1 futuramente seja considerado como o de 1986, porque simplesmente o “artificial” predomina no regulamento.

    Parabéns mais uma vez, e poderíamos numa mesa de bar, tomarmos várias e várias rodadas de chopp comentando como foi aquela temporada de 1986, que nem iríamos notar o tempo passar!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  9. Fabiano Bastos das Neves disse:

    Concordo contigo Lucas, 1986 foi a melhor de todas, do início ao fim. Foi por causa dela que me tornei fan da F1, tinha 10 anos na época e foi a partir dela que comecei a acompanhar mais de perto o campeonato.
    Mas 2007 também foi muito boa, pena Massa não ter levado, para mim ele era o mais rápido do grid naquela configuração de carro, e também em 2008, que aliás também foi muito bom, disputado até a última volta.
    2012 tinha tudo para superar estes campeonatos, mas um tal de Adrian Newey está “estragando” tudo. Claro que não foi só ele, infelizmente a maior capacidade de desenvolvimento e aprendizagem das equipes grandes acabou com aquele caos que houve no início do campeonato. Uma pena, pois estava gostando de ver Sauber, Williams e Lotus na briga por vitórias.

  10. Segundo os sem noção mais velhos: 1986 e 2007 se equivalem.

  11. Pablo Habibe disse:

    Mais do que concordo. Vejo 1986 como o apogeu da F1. Foi então que a categoria iniciou a sua longa e, aparentemente, inexorável decadência. Foi quando a ideia de que o “show” deveria se sobrepor ao espirito de desenvolvimento tecnológico da categoria começou a se impor de maneira definitiva, quando a maior ultrapassagem de todos os tempos aconteceu…

    Acredito mesmo que aquele momento na finada curva 1 de Hungaroring (que é o nome de meu blog, com a url dizendo “hungaroring1986”) marca o melhor momento da F1…

    É minha primeira lembrança de alguém falando em diminuir a potencia dos carros (que horror). Havia um texto no meu anuário da F1 1986 dizendo que “o torcedor não se importava se os motores tinham 600 ou 1200 HP” e que “não veriam a diferença entre 300 e 350 Km/h”. Heresia!

  12. wladimir disse:

    Ninguém se lembra a campanha ridícula que o Alain campeão de papel prost fez pra tirar Zeltweg do calendário em 1987. Corrida cerebral é o caramba! O covarde só fez se esconder e ganhar aquela corrida na lambuja! Se chegasse em segundo o puxa-saco nazista balestre já teria uma regra inventada pra punir o vencedor, quem quer que fosse, e dar vitória ao protegido! Chamar prost de herói é como chamar O.J. Simpson de injustiçado e Adolf Hitler de exemplo de liderança! Que exemplo damos aos jovens de hoje classificando trapaceiros sujos de heróis?? Heróis do esporte a motor lutam pela vitória com coragem e combatividade! Heróis do esporte a motor vencem e até ganham campeonatos com carros que ajudam a construir e equipes com seu nome! Heróis lutam pelo campeonato enquanto os queridinhos da equipe vencem uma corrida e abandonam 14! Heróis não precisam de cartolas para conceder-lhes vitórias e títulos no tapetão!!

    • Pablo Habibe disse:

      Desmerecer Prost não me parece justo. As duas grandes intervenções da cartolagem apontadas como tendo sido cometidas em benefício dele são, no mínimo, controversas.

      Em 84 ele acabou perdendo o título por causa da interrupção do GP de Mônaco e em 89 Senna teria de ter vencido na ultima prova do ano em Adelaide para manter viva a polêmica sobre a decisão dos comissários que o desclassificaram no Japão. O jogo político, seja dentro das equipes ou junto aos dirigentes, faz parte da categoria e a F1 costuma se desfazer ou esmagar quem não sabe jogar também fora da pista.

      Também não acho justo julgar um piloto apenas pela velocidade pura. A F1 não é um campeonato de voltas mais rápidas. O cara tem de saber conservar o carro, os pneus e pensar estrategicamente. Tudo em equilíbrio com a velocidade. Prost, inclusive, era muito rápido. Mesmo Senna reconhecia que ele tinha “uma reserva técnica” que usava quando precisava e ele ainda tem o mérito de ter vencido quando as circunstancias lhe colocaram contra pilotos considerados mais rápidos (em velocidade pura) com carros iguais ou superiores aos que ele tinha em mãos mais de uma vez.

      Voltando para 1986. Mansell, munido de coragem e velocidade acabou derrotado pelo “Professor” (como seria em 87 por Piquet e em 91 por Senna). Eu mesmo considero que o grande derrotado de 86 foi Piquet, que não conseguiu se impor dentro da Williams, permitindo que a equipe seguisse dividida _ um erro que ele não conseguiu corrigir no ano seguinte, quando teve de usar a cabeça para derrotar o Leão _.

      Em 86, Prost dominava a McLaren que colocou Keke Rosberg, um campeão mundial de talento reconhecido, parta fazer o papel de “coelho” várias vezes, sacrificando a sua corrida num ritmo alucinante nas primeiras voltas apenas para despistar a concorrência. Um papel que, por exemplo, parece estar além das capacidades de Felipe Massa em 2012.

    • Sandro disse:

      Antes da Era Michael Schumacher…
      … Alain Prost era o recordista de vitórias ,melhores voltas, pontos, pódios, …
      … Mas era um FDP fora das pistas!

    • Arlindo Silva disse:

      Creio que, no fim, venceu o melhor piloto daquela temporada.

      Prost pegou uma McLaren tecnicamente inferior a Williams Honda (em Brands Hatch ele quase tomou DUAS voltas de Piquet e Mansell) e comendo pelas beiradas conseguiu conquistar o título.

      Pouca gente se lembra, mas a McLaren era a pior equipe de ponta nos pit stops da época, o que causou muitas dores de cabeça a Prost em várias provas naquele ano, o motor TAG era beberrão (lembram quando ele ficou chacoalhando o carro nos metros finais de Ímola?) e não tinha a mesma confiabilidade de anos anteriores.

      A arrancada de Piquet até Monza foi sensacional. Suas vitórias em Hockenheim, Hungaroring e Monza estão entre as melhores de sua carreira, mas suas três provas finais foram demasiado ruins, com sucessivos erros tanto táticos quanto de pilotagem (como nas rodadas em Estoril e Adelaide). Mansell que tinha uma campanha excelente até Estoril foi irreconhecível no México e cometeu junto com a Williams um erro tático que lhe custou caro na Austrália. Senna saiu da briga a partir de uma sequência de abandonos iniciada em Paul Ricard.

      Diria que Prost começou a ganhar o campeonato a partir da intensa disputa Senna x Piquet nas voltas finais do GP de Portugal. Ele estava num sonolento quarto lugar que acabou virando segundo devido a rodada de Piquet e ao consumo excessivo do motor Renault de Ayrton. No México, Alain foi brilhante ao conseguir fazer somente um pit stop (e isso porque ele foi o primeiro dos carros de ponta a parar no box) e conseguiu um importante segundo lugar. E em Adelaide fez provavelmente a exibição mais inspirada de sua carreira, com ritmo extremamente forte a partir do furo do pneu.

      No fim, creio que ganhou o melhor piloto do ano, num carro tecnicamente inferior ao da concorrência e em circunstâncias bastante complicadas.

  13. Mauro Santana disse:

    Tive o privilegio de ter acompanhado a temporada de 1986, e ter torcido uma barbaridade por Piquet e Senna, e sem duvida, pra mim é foi a melhor da história, seguida pela de 1987 e 1989.

    A era turbo foi fantástica, e os carros e suas pinturas, show!

    Ultimo ano da Lotus JPS!

    E o GP da Austrália foi a cereja do bolo!!

    Abraço a todos!

    Mauro Santana

  14. stephano disse:

    Concordo em gênero, número, grau e limitação etária!! Sou um pouco mais velho que você, meu caro escriba. Mas amo esse negócio de corrida de automóvel e, ao ver a parte de seu texto no qual você diz ter 2 anos em 1986, identifiquei-me prontamente. Tenho 34 anos e o povo me questiona quando falo de temporadas como 1976, 1964, etc… Brilhante texto! Que saudade de 1986 e meus 8 anos…

    • Arlindo Silva disse:

      Concordo com o Lucas.

      Essa temporada foi excepcional em todos os seus aspectos. Diria eu que as corridas chatas daquela temporada foram San Marino, Monaco e Austria. As outras todas, foram sempre eletrizantes.

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