A última da Ligier

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La Marseillaise tocaria pela última vez para a Lendária e Saudosa equipe de Guy Ligier, e também para um piloto francês, justamente nas ruas do Principado de Mônaco, em 19/05/1996.

Aquela temporada de 1996 trazia algumas novidades para o circo da F1, os carros estavam com mais aparatos para segurança, pois a F1 ainda estava abalada com o final de semana de Ímola 94, e também dos graves acidentes Karl Wendlinger em Mônaco 94, e Mika Hakkinen na Austrália 95.

Também seria a estreia do atual campeão da F-Indy, o canadense Jacques Villeneuve, que faria sua estreia na F1 pela equipe Williams, e logo de cara, emplacou uma pole position na abertura da temporada, e só não venceu a corrida, por conta de um vazamento do motor Renault.

Mas a principal novidade, era a transferência de Michael Schumacher para a Ferrari, que, após conquistar dois títulos consecutivos pela equipe Benetton, descide sair da zona de conforto, e encara o desafio de acabar com o Jejum de títulos da equipe italiana, que na temporada de 96 completaria 17 anos sem um título de pilotos.

A outra novidade da equipe italiana, seria a substituição do tradicional motor V12(sua marca registrada), pelo mais eficiente motor V10.

Até o Circo desembarcar no principado, a temporada vinha sendo dominada pela Equipe Williams, com Damon Hill, principal favorito ao título vencendo as etapas da Australia, Brasil, Argentina e San Marino, e Villeneuve debutando com uma grande vitória no GP da Europa, realizado em Nurburgring.

Schumacher crava mais uma Pole, a segunda  nesta temporada (e uma das maiores poles de sua vida, uma volta verdadeiramente fenomenal!), mas a corrida em Mônaco seria realizada com chuva, algo que não ocorria desde o famoso e polêmico GP de 1984.

Dada a largada, Hill pula na ponta, com Shcumacher em segundo e Alesi em terceiro.

Já na Saint Devot, Jos Vertappen fica pelo caminho, e um pouco mais adiante, é a vez de Schumacher estampar o guard rail logo após a Lowes.

O que se viu daí por diante, foi um festival de rodadas e abandonos.

A chuva foi parando, e com a pista secando, os que ainda estavam na corrida, quando pararam nos box para o reabastecimento, colocaram também pneus slick.

Nesta altura, o francês Olivier Panis, que havia largado em 14º no grid, vinha fazendo uma belíssima corrida, e quando chegou em condições de ultrapassar o irlandês Eddie Irvine, a fez de maneira brilhante na curva Lowes, dando um chega pra lá na Ferrari #2, numa das mais belas ultrapassagens da história da F1, e que infelizmente é pouco lembrada.

Tal manobra nos dias de hoje, certamente seria motivo de investigação por parte dos comissários, podendo até mesmo, lhe render uma punição.

Mas aqueles, ainda, eram outros tempos, ainda bem!

Hill, que liderava tranquilamente, tem seu V10 da Renault explodindo dentro do túnel,  só lhe restando conduzir sua Williams FW18 com aquela saudosa nuvem de fumaça branca, até a área de escape da chicane do porto. Fim de prova para o Inglês.

Então a liderança passa para o francês Jean Alesi e sua Benetton #3, que tinha a faca e o queijo na mão para conquistar sua segunda vitória na F1.

Mas, a sorte não lhe sorri, ele infelizmente acaba tendo um desastroso pit stop, caindo da liderança para a sétima posição, e na volta seguinte, retorna ao box para abandonar a prova.

Nesta altura, restavam aproxidamente 20 minutos de prova, pois a corrida iria estourar o limite de tempo de  duas horas, e Coulthard(correndo com o capacete do Schumacher emprestado) começava a descontar a diferença em relação a Panis, o então lider da prova.

Pra deixar o final da prova ainda mais emocionante, começou a chuviscar novamente no principado, e fomos brindados por uma lambança do Irlandes Eddie Irvine, ocacionando um engarrafamento com Mika Salo e Mika Hakkinen.

Neste momento, faltavam pouco mais de 5 minutos para o final da prova, e restavam apenas 4 carros na pista, que eram Panis,  Coulthard, Herbert e Frentzen, e na transmissão, Galvão Bueno comparava ao GP de 1982, cujo o final também havia sido dramático.

E esses quatro pilotos cruzaram a linha de chegada nesta respectiva ordem, sem mais nenhuma surpresa para todos que assistiam este GP histórico, com Panis, contando já com seus 30 anos de idade, vencendo pela priveira vez na F1 no seu GP de número 39 em participações.

Festa francesa em Monte Carlo, que não comemorava uma vitória de um piloto francês no principado, desde 1988, com Alin Prost.

Pra mim, foi um GP que ficou marcado para sempre no meu coração de fã e amante da F1, pois era a primeira(e seria a única) vez que eu estava presenciando uma vitória da Equipe Ligier, pois a última até então havia sido com outro piloto francês, Jacques Laffite, em 1981 no encharcado GP do Canadá, e que fazia parte do corpo técnico da euipe postada junto a mureta do box em Monte Carlo naquele domingo.

A Ligier sempre foi a minha equipe predileta na F1, e poder ver aquela carro azul vencendo(o patrocínio francês dos cigarros Gitanes havia dado lugar naquele ano para os cigarros Gauloises, também francês, e que estamparia a carenagem da Equipe Prost de 1997 até 2000), foi muito especial, eu vibrei como se fosse uma vitória brasileira, e foi muito legal ver Panis conduzindo a bandeira da França na volta de consagração.

Ainda era uma F1 cujos os carros usavam pneus slick, e os patrocinadores tabagistas estampavam suas marcas nas carenagens dos carros, e nas placas de publicidades.

Panis usava aquela balaclava clássica (estilo Niki Lauda, Nelson Piquet, Nigel Mansell) e era possível ver sua Ligier soltando as saudosas línguas de fogo em alguns trechos de redução de marchas.

Ou seja: eu sabia que estava presenciando um GP especial e histórico naquele domingo de maio de 96, mas não fazia ideia que estava presenciando a ultima vitória francesa na F1.

Pra quem não teve a oportunidade, ou pra quem queira rever, a corrida está na íntegra disponível no Youtube.

E lá se vão 23 anos! Que saudades…

4 Comentários

  1. Fernando Marques disse:

    Grande Mauro,

    mais uma vez arrebentando no Gepeto.
    A Ligier foi uma equipe simpática. Em seu inicio, com aquele design que dava a impressão de ser um carro gordo e pesado, parecia que seria apenas mais uma equipe na Formula 1. Não foi. Ganhou corridas e brigou por títulos.
    Show de bola. Bela lembrança.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Mauro Santana disse:

      Grande Fernando!

      Agradeço os elogios de sempre 🙂

      E como essa equipe faz falta na F1, assim como outras garagistas que fizeram história na categoria.

      Forte abraço!

  2. Carlos Chiesa disse:

    Muito legal, Mauro. Também não tinha me ocorrido de que era a última vitória francesa. E, como você, também tenho saudade dos motores V12, mas os V10 eram um bom macaco gordo.

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