A volta austríaca!

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Sem pilotos no mundial desde Alexander Wurz, a F1 chega para correr na casa da tetracampeã.

Lá se foram dez anos desde a última passagem pelo circuito pacato de A1-Ring. Nenhum piloto austríaco, nenhum fato relevante para o esporte motor austríaco nos últimos 10, nenhuma vitória ou domínio relevante que faça a sobrancelha
levantar e pensarmos “nossa, porque não há uma corrida em um país tão relevante para o automobilismo como esse?”.

Aí que nós nos enganamos, a F1 chega a esse final de semana ao circuito austríaco para visitar o país sede da tetracampeã mundial de construtores. Toda a história do campeonato que vem se desenhando sob domínio alemão chega ao pacato A1-Ring como realmente o único circuito da temporada atual da Formula 1 que alguém pode dizer “Eu corro em casa”!

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O circuito de A1-Ring é a grande jóia da coroa do reinado da Red Bull na F1. Depois de sair do status de equipe piada de latinha de refrigerante para tetracampeã do mundo, faltava para o time austríaco a cereja do bolo para impor sua supremacia.

Vejamos, a Ferrari não consegue uma corrida em Fiorano ou Mugello. A Mercedes pode até dizer que corre em casa em Nurburg, mas não é a sua pista. Hoje só a Red Bull mesmo tem essa marca.

O circuito é simples, e por ser simples, sem ‘invencionices’, consegue fazer bonito, com corridas disputadas e sem muitas artificialidades. São nove curvas, 4 grandes pontos de aceleração forte e muitas mudanças de relevo. Certamente o ponto mais divertido é a freada da primeira curva, em subida, levando o piloto para uma entrada de curva cega. É sim um circuito clássico, podemos dizer.

Em termos de desempenho, não vamos esperar uma corrida muito diferente do que já foi visto. Os níveis de consumo de combustível e freio são muito similares ao que foi visto no Canadá. Além disso, a velocidade final em reta também é fundamental aqui. São excelentes noticias para os times de motor Mercedes, principalmente para a Williams que se coloca novamente em posição de lutar pelo pódio.

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httpv://www.youtube.com/watch?v=5Q0FedNYfbg

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Os pilotos austríacos sim marcaram a história da F1. Niki Lauda dispensa apresentações e mereceria um ano de colunas exclusivas para cobrir sua trajetória. Sozinho levantou 25 vezes o caneco para a Áustria. Temos ainda o campeão Jochen Rindt, infelizmente um rei que não foi coroado! Antes de falecer levantou a taça 10 vezes e se tornou o único campeão póstumo da história da F1.

Sem pilotos em Austríacos desde a aposentadoria de Alexander Wurz, a Áustria registrou vários momentos intensos em todas as suas passagens pela f1. Osterreichring, Zeltweg e o próprio A1-Ring, proporcionaram aos fãs momentos marcantes na F1.

Em 1976, por exemplo. Osterreichring viu um fato inédito e, infelizmente, único na F1. A equipe de Roger Penske conseguiu sua solitária vitória na F1 antes de focar seus esforços nos EUA e se tornar a equipe mais poderosa da América. O britânico John Watson teve a honra de conseguir a vitória para o time americano.

Para nós brasileiros temos a marca de participar de uma das maiores trapaças da história moderna da F1. Ali, juntinho com o “crashgate” de Piquet em Cingapura, temos na liderança da tabela de vexames históricos. Quem não se lembra de 2002 o final “hoje-sim, hoje-não” da dupla Barrichello e Schumacher? Depois de liderar todas as voltas da corrida, em um domínio do brasileiro sob o alemão, Barrrichello desacelerou na última curva para deixar claro ao mundo que havia ali sim uma ordem de equipe. Barrichello expos seu time ao ridículo. E apresentou ao mundo a sua posição contratual de segundo piloto, fato que ele negava em suas declarações sobre sua presença na equipe italiana.

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httpv://www.youtube.com/watch?v=qrMqT2FQ-KA

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Para a prova desse fim de semana não esperamos anda diferente do que o domínio avassalador da Mercedes. Seria bobagem pensar em algo diferente. O que pode acontecer de diferente? O que aconteceu na Austrália e no Canadá: os carros prateados enfrentarem problemas de confiabilidade. Isso ainda continua ser o único fator que pode favorecer outra equipe nesse momento.

A Red Bull mais uma vez mostra as armas de seu projetista chefe e tem ali o carro pronto para aproveitar as oportunidades que pintarem. Se a Mercedes não levar a vitória, serão os primeiros a coloca-la no colo. Ricciardo fez um trabalho espetacular na prova canadense e se habilitou para uma vitória espetacular. O problema da equipe é o cansaço de Newey. Ele já pediu transferência para outras áreas que ele possa ser mais criativo. O mestre cansou de ter suas soluções vetadas para nivelar um jogo que ele considera estar sendo nivelado por baixo. Ainda sim ele trabalha no carro de 2015, um alívio para turma austríaca.

No começo do ano havia dito que a Williams deveria voltar a vencer lá para 2016. A cada nova prova isso parece mais verdade. No Canadá o time tinha carro para estar em posição de vitória na falha das Mercedes, mas errou estratégia, devolveu Felipe e Bo77as em posições de pista criminosas e não se habilitou a vencer. Para coroar, seu piloto mais experiente não traduziu seu status de primeiro piloto em pontos. Pode dizer que a FIA puniu Perez e isso mostra a inocência de Felipe. Mas a mesma FIA que pune Perez é a FIA que todos os jornalistas reclamam de punições estapafúrdias contra pilotos. Não vamos usar essa punição como parâmetro. Fato é que Massa foi otimista demais, ainda mais sabendo que ia passar por um desmiolado como Perez. Se você se auto-proclama um líder, um veterano 1º piloto capaz de reconduzir o time as vitórias, cuide para que isso não aconteça.

Para não perder o rumo, a Force India continua na sua luta para estabelecer seu terreno entre as sólidas equipes de F1. Grande trabalho esse ano e vem com tudo para morder uns pontos da Ferrari.

Ferrari, coitada, já pensa em 2015. Não anda o carro vermelho. O motor não vai bem também. Para melhorar, seu campeão Finlandês, não se entende com o carro e tem ficado para trás de Alonso, deixando de marcar pontos importantes para o time na luta de construtores.

E novamente a grande expectativa fica por conta do ressurgimento da McLaren! A turma comandada por Eric Boullier promete um grande pacote de atualizações para essa prova. Será que o carro melhora? Atualmente a briga do time inglês é para conseguir um pontinho.

Na turma do meio para trás, só decepção. Não há o que falar de Sauber, Caterham e Marussia. Essa última prova do Canadá foi de doer para os 3 times. O nosso mítico Max Chilton ainda conseguiu perder a sequencia de provas (25) terminadas desde a estreia. Trágico. A única salvação é a Toro Rosso, o carro não é muito confiável, mas tem certa velocidade

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Para um campeonato dominado pelo time alemão, uma nova pista e possíveis quebras são os fatores que podem apimentar a corrida.

Qual o seu palpite para essa corrida?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

2 Comentários

  1. Fernando Marques disse:

    Eu sempre gostei do traçado da A-1 Ring.
    A Formula 1, para nós torcedores, em 2014 está valendo apenas duas torcidas. Uma é poder ver um bom pega entre Hamilton e Rosberg. A outra torcida, caso haja quebras na Mercedes, ficar na expectativa de quem será o vencedor da corrida. Essa 2ª hipótese praticamente achava descartada, mas depois do GP do Canadá reascendeu uma esperança.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  2. Mauro Santana disse:

    Pra mim, esta pista era tesão mesmo na versão do traçado original, que reinou na F1 até 1987, assim como o traçado antigo de Hockenheim, pois depois das suas mutilações, ambos ficaram bem pálidos.

    http://www.youtube.com/watch?v=hKbuWG_xmac

    Era uma verdadeira MONTANHA RUSSA!!

    Mas, ainda sim prefiro uma corrida numa pista austríaca, do que numa pista asiática XAROPONA!!!

    Ótimo GP a todos.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

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