Asa da discórdia

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As perspectivas de DRS nos próximos anos são boas: só precisamos tratá-la com cuidado.

Em 2009 a FOTA fez uma pesquisa e compilou os resultados de mais de 8 mil fãs da Fórmula 1 por todo o planeta. No mundo inteiro, sem surpresas, uma das descobertas mais significativas, foi o consenso que as ultrapassagens deveriam ser encorajadas. Ninguém aguentava mais corridas em fila indiana por 70 voltas. Ou corridas que dependiam única e exclusivamente da estratégia de box para uma simples troca de posições.

Depois do “advento” do F-Duct em 2010 que o piloto acionava de dentro do cockpit, a FIA resolveu introduzir em 2011 (dois anos depois da pesquisa) o Sistema de Redução de Arrasto, popularmente conhecido como DRS. Esse dispositivo cria um vazio de 50 milímetros na asa traseira, liberando a passagem do ar e reduzindo o arrasto nas retas. Acionado em áreas pré-determinadas pelo circuito pelo piloto, permitiria uma maior velocidade de reta, compensando a perda de velocidade de curva por conta da turbulência gerada pelo carro da frente.
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Vettel explica as novidades de 2011:

httpv://youtu.be/-yE3khtKZGg

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Muito bem, terminamos 2011, dezenove corridas depois, e todos já sabem como o DRS funciona. O que ninguém concorda em consenso é seu resultado prático. Os sentimentos são mistos. Os opositores alegam que o dispositivo deixou a Fórmula 1 artificial, boba e que, em alguns casos, a ultrapassagem passou de algo extremamente complicado para ridiculamente simples. Os defensores alegam que o espetáculo está uma maravilha, afinal de contas a movimentação em pista é maciça. Realmente as estatísticas sugerem que o DRS deu um alento, um sopro de vida, nas corridas de 2011. Segundo a Mercedes, 45% das ultrapassagens desse ano (já retiradas as posições herdadas por falhas e abandonos) sofreram consequência ativa do DRS.

A FIA deixou claro desde o início que eles esperavam problemas iniciais e que haveria revisões constantes ao longo do ano para tornar o sistema mais viável. Estranhamente, a tecnologia necessária para empregar o uso de duas zonas de DRS em uma mesma corrida só se tornou disponível no meio da temporada, lá no Grande Premio do Canadá. Então, com tudo afinadinho, a FIA sugeriu que duas zonas se tornariam a norma – mas durante o ano de 2011, tivemos apenas cinco zonas duplas de DRS (Montreal, Valência, Monza, Buddh e Yas Marina), e dois desses tinham apenas uma zona de detecção, muitas vezes levando a uma ultrapassagem ser revertida na reta imediatamente seguinte. Felipe Massa e Mark Webber se divertiram muito em Abu Dhabi com esse sistema.

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Schumacher diverte-se no primeiro treino da temporada:

http://youtu.be/c2D4pmr6gVE

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Outra questão irritou os críticos: a ativação deve ser permitida quando os carros estão em perseguição de retardatários, ou vice-versa? Apesar destes carros mais lentos serem forçados a sair do caminho sob bandeiras azuis, vimos líderes consistentemente ganhando vantagem com o uso da DRS logo após passa-los. Em Abu Dhabi, o circuito mais sem graça da temporada, vimos o ridículo acontecer: Rubens Barrichello chegou a passar o líder Lewis Hamilton para tirar uma volta que havia tomado. Charlie Whiting, atento aos cenários estapafúrdios, deu a entender que esse problema poderia ser eliminado para 2012, sugerindo que a tecnologia simplesmente não está disponível para a complexidade de tais momentos.

De forma geral, ainda é possível ver uma leve corrente favorável ao uso do DRS. Alguns pilotos aprovam o sistema. O multi campeão Michael Schumacher diz que “tem contribuído muito para algumas grandes corridas”, enquanto Jenson Button sente que os pontos “positivos superam os negativos”.

Não vamos levar em conta aqui a volta (agora obrigatória) do KERS e os pneus “esfarelantes” da Pirelli. Vamos focar somente no DRS. Com alguns ajustes cuidadosos com as regras e as melhorias na tecnologia, é um dispositivo que poderia estar na raiz do esporte por muitos anos? Pensando pelo resultado da pesquisa, se os fãs queriam mais ultrapassagens e as estatísticas mostram que resultou em mais ultrapassagens, então o que não está bom? Sim, podemos pensar no argumento de que não é F1 como a conhecemos – mas desde a década de oitenta pilotos tinham “botões especiais” para pressionar e conseguir uns cavalinhos a mais, baixar uma asa, esvaziar um reservatório de água (não é Piquet?). As perspectivas de DRS nos próximos anos são boas: só precisamos tratá-la com cuidado.

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Mas o que você acha? Deixe seus comentários abaixo – nós adoraríamos ouvir de você. Como é que o DRS deve evoluir a partir daqui?

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Pessoal essa é minha última coluna sobre a temporada de 2011. Durante as próximas semanas vamos trabalhar em materiais históricos que foram publicados nesses 10 anos de GPTotal. Muito obrigado por todos os comentários e pela leitura. Espero que tenham gostado.

Grande Abraço

Flaviz Guerra

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

6 Comentários

  1. BSLnew disse:

    Há muitas sugestões bacanas da turma ai. Para agregar mais uma, em algumas provas, senti que o DRS facilitava por demais a ultrapassagem (tanto é que não foi liberada na subida dos boxes de Interlagos). Penso que em alguns circuitos, o DRS deveria ter uma abertura menor (30 ou 40 como já dito). O valor variaria de circuito para circuito a fim de apenas facilitar e não deixar tão fácil assim! Outra regra que mudaram essa semana foi a mudança de linha. Essa pode mudar muita coisa para ano que vem (Schumacher vs Hamilton monza-11)…

  2. Fabiano Bastos disse:

    DRS, KERS, F-Duct, etc, sou favorável a liberação total e irrestrita deste tipo de sistema. E que vença o homem mais habilidoso em utilizá-los.
    Não gosto da maneira como ele (o DRS) está sendo usado, mas foi a solução imediata para permitir que houvessem ultrapasságens, temos que concordar que estava ficando impossível. Mas a F1 tem que reduzir a carga aerodinâmica dos carros para permitir um contorno de curva com carros mais próximos, e assim, ultrapasságens sem artificialismos.
    Mas espero que o sistema não deixe de ser usado, mas sem restrições, para atacar, defender e voar na pista.
    Aliás, o KERS também deveria ser liberado para ser usado o tempo todo, sem limite de tempo de uso por volta, sem restrição de potência, seria muito legal ver até onde os engenheiros iriam chegar.

  3. Mauro Santana disse:

    Sou da seguinte opinião:

    Acabem com esta questão de troca de pneus, e deixem o pau comer solto nas pistas, e vamos ver se a F1 não volta ao normal.

    Esse DRS é uma maquiagem!!!

  4. Erick Rabello disse:

    Para mim o DRS perfeito é como ele é usado nso treinos, podendo ser ativado a qualquer momento, isso nos faria ver quais são os pilotos que dão conta e os que não dão de controlar um carro com menos downforce, humanizando mais o DRS. Há o perigo, claro, mas se necessário for pode-se ajustar o “vazio” reduzindo de 50 milimetros para 30 ou 40, reduzindo assim o ganho de velocidade gerado pelo DRS.

  5. Fernando Marques disse:

    O uso DRS na minha opinião trouxe as ultrapassagens de volta mas não mudou muito o quesito “emoções” que uma corrida pode proporcionar. A unica ultrapassagem digna de algum elogio para mim em 2011 foi aquela do Vettel sobre Alonso em Monza.
    Não sei ao certo qual seria a melhor solução para que a Formula 1 voltasse a ser emocionante de verdade mas uma corrida sem um pega não tem graça.
    Talvez limitar a 2 ou 3 vezes o uso do DRS e/ou do KERS, assim como fazem as categorias que uso o nitro, ou então obrigar por regulamento que os carros mais lentos possam ter menos peso ou vice e versa poderiam ser boas ideias.
    A tecnologia atual praticamente baniu as quebras na Formula 1 que numa corrida sempre foram fatores surpresas agradaveis ou não mas de nada adianta ter um grid com 20, 22 ou 24 carros se 5 ou 6 andam a mais de 2 segundos por volta em relação aos demais no decorrer de uma prova … a corrida fica sem graça …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  6. Lucas R disse:

    O DRS, Sistema de Redução de Arrasto, é um dispositivo fantástico, pois ele consegue aumentar a eficiência daquilo que hoje em dia é a base da F1: a aerodinâmica.

    Como o próprio nome diz, ele reduz o arrasto, impedindo que a asa “atrapalhe” o desenvolvimento da velocidade do carro nas retas. Com isso a asa traseira só tem utilidade onde ela é necessária: nas curvas.

    Eliminando o efeito colateral da asa traseira nas retas o DRS consegue assim aumentar a efeiciência da aerodinâmica fazendo com que ela ajude onde é necessária e não atrapalhe onde não é.

    O problema é que esse sistema está sendo utilizado para artificializar as corridas e as ultrapassagens. Na verdade estão explorando muito menos do que o sistema pode oferecer.

    O uso da asa, nas zonas de ultrapassagem deveria ser liberado tanto para quem está atqcando quanto para quem está defendendo. Isso vai diminuir as ultrapassagens? Sim, mas também vai aumentar as brigas por posições.

    Brigas por posições costumam ser mais interessantes do que simplesmente um piloto ultrapassar o outro com facilidade e sumir na frente deste. Um bom exemplo disso é aquela clássica disputa entre Gilles Vileneuve e René Arnoux em Dijon, 1979. O que tornou aquela disputa inesquecível foi a longa briga dos dois pela posição. Se Gilles tivesse ultrapassado com facilidade de uma única vez, tal manobra certamente nem seria lembrada mais tarde. Por isso o ideal seria aumentar as brigas por posições e não necessariamente as ultrapassagens. Estas seriam apenas consequência.

    O DRS ainda está em fase de implementação e há muito a aprender sobre ele. Ele ainda pode ajudar bastante a deixar as corridas emocionantes sem torná-las artificiais.

    Para melhorar o uso do DRS no futuro o ideal seria deixar que ele fosse utilizado no ataque e também na defesa – exceto em ultrapassagens de líderes sobre retardatários – e aumentar gradativamente a quantidade de zonas de DRS nas corridas, até que se torne seguro tornar o seu uso livre em toda a pista como ocorre hoje nos qualifyings.

    É claro que essas idéias devem ter vários pontos negativos, mas são apenas idéias, que podem ser aperfeiçoadas posteriormente.

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