Between the devil and the deep blue sea

Silvio Grassetti
31/07/2015
O difusor da discórdia
05/08/2015

Aquela situação que não lhe deixa nenhuma opção ou saída: qualquer que seja a sua decisão, o resultado sempre lhe será desfavorável.

Existe uma antiga e popular frase inglesa para definir aquela situação em que um sujeito se encontra numa difícil posição. Uma situação que não lhe deixa nenhuma opção ou saída que lhe resulte favorável, pois qualquer que seja a sua decisão, o resultado sempre lhe será desfavorável.

Assim, o dilema perante si, e como diz a tal frase que dá título a esta coluna, é como o de ter de escolher entre o Diabo e o profundo mar azul, o que deixa o sujeito “aprisionado” numa posição que não lhe será nada satisfatória, pois o desgraçado irá acabar até pior do que estava… faça o que faça.

Na temporada passada, foram introduzidos na formula um os motores turbo-híbridos. Segundo soubemos por meio de Niki Lauda, alguns anos antes a Mercedes, com apoio da Renault, havia pressionado a FIA para a implantação desses motores. Creio que não é difícil imaginar que por trás dessa pressão estavam seus interesses comerciais em promover esses motores mais “eficientes e mais verdes” como meio de aumentar as vendas de seus carros, pois temo que os esportivos não eram.

O caso é que, em 2010, sob a ameaça de se retirar da Fórmula Um da Mercedes e também da Renault, a FIA terminou cedendo (Toyota, Honda e BMW se haviam retirado e a perda de outras duas montadoras seria um duro golpe). A Ferrari não era muito partidária desses motores pois, afinal, quem compra seus carros não se preocupa com o consumo. No entanto, e em minoria, os italianos tiveram que se unir à proposta. Assim, foram os próprios fabricantes os que acordaram sob que regras esses motores seriam implantados. Não foi a FIA!

Segundo o acordo entre os fabricantes, o motor foi dividido em 42 partes e lhe foram atribuídas valores de 1, 2 ou 3, dependendo de sua importância. Assim, se chegou a um valor total de 66 (tokens, como foram chamados), dos quais 5, seriam intocáveis (i.e. os referidos ao bloco, virabrequin e às válvulas de ar do compressor). Enquanto aos restantes 61, os fabricantes poderiam modificar 48% deles para 2015, 38% para 2016, 30% em 2017, 23% em 2018 e 5% em 2019 e 2020.

O acordo parecia bastante bom e, segundo diziam, reduziria os custos ao limitar o desenvolvimento dos motores durante um período de tempo gradual determinado. Tudo isto acabou atraindo a Honda, que também tem grande interesse em comercializar esses motores híbridos. No entanto, e apesar das estritas especificações impostas no regulamento, nem Ferrari, Renault ou Honda, puderam prever que Mercedes apresentaria um motor muito melhor que o deles.

Assim, como vimos em 2014, Mercedes dominou o campeonato a prazer sem que seus rivais, cativos do regulamento, pudessem fazer nada para melhorar seus motores. Em 2015, apesar das modificações permitidas nos motores, Mercedes continua seu domínio e os outros já começam a reclamar de um regulamento demasiado rígido que foi elaborado… por sugerência própria e implantado com seu consentimento!

Christian Horner até chegou a dizer, depois do GP do Canadá, que a Renault inclusive estaria considerando abandonar a Fórmula 1 se o regulamento continuar sendo tão restritivo. Cyril Abiteboul, diretor da Renault, se queixou que tanto eles quanto Honda (os dois piores motores), estavam totalmente constrangidas pelo regulamento e nada podiam fazer. Inclusive chegou a dizer que Mercedes devia pensar no assunto de maneira mais “adulta” e a FIA determinar o que é melhor em prol dos interesses da formula 1.

Em definitiva, o que Abiteboul esta pedindo é que a Mercedes renuncie ao seu domínio! Porem, resulta curioso como, quando a parceria Red Bull / Renault dominava, nenhum deles se queixava nem lhe importava o que era melhor para a categoria. Assim, o cenário não deixa de ser até bizarro pois a Renault, que antes havia ameaçado com se retirar se esses motores e normas não eram implantadas, agora volta a ameaçar com a retirada se estas mesmas normas não são abolidas !

Tanto despropósito, acabou colocando a FIA entre o diabo e o profundo mar azul: Se acedem a mudar o regulamento, e com isso prejudicar a Mercedes (e todo o bom trabalho feito por eles), quem vai querer entrar na formula 1 sabendo que se ganham “demais” o regulamento será modificado para ajudar os perdedores?

Por outra parte se, uma equipe não consegue logo de inicio um excelente projeto (como o caso da Renault), e o regulamento não permite tratar de compensar a desvantagem durante um longo período, quem vai querer entrar na formula 1 para ser um constante perdedor?

Por coisas assim, é que eu venho dizendo desde faz vários anos que a fórmula um deveria ter seu próprio motor, e não depender dos fabricantes. Com o enorme volume de negócio e recursos que a categoria gera, não seria descabido destinar uma pequena porção desses recursos a desenvolver um motor “oficial”. Em linhas gerais, a ideia seria pôr esse motor à disposição das equipes independentes que, por sua vez, participariam em seu desenvolvimento.

De fato, atualmente, as equipes independentes já financiam com a compra dos motores a algum fabricante, os custos do trabalho que tais fabricantes dedicam a seus projetos. Como é lógico, os fabricantes, de todos modos, teriam que construir esses motores para suas próprias escuderias, contudo a venda de motores, além de ser uma boa fonte de financiamento para os fabricantes, acaba deixando seus clientes sem recursos suficientes para desenvolver um bom carro.

Ainda pior, às equipes fornecidas apenas lhes cabe tentar se adaptar ao motor, pois carecem da informação sobre seu desenvolvimento, o que lhes coloca em desvantagem respeito ao fabricante. Um bom exemplo disto foi o da Mercedes que só entregou seu motor definitivo depois de sua homologação, deixando seus fornecidos com muito pouco tempo para adaptá-lo a seus carros. Deste modo, os fabricantes aproveitam sua posição de domínio para eliminar competidores.

Além do mais, sem a necessidade de comprar os motores a algum fabricante (recordemos que seu custo representa, aproximadamente, a metade do orçamento de uma equipe independente), estas equipes, além de ter completo e constante conhecimento sobre o propulsor, poderiam destinar mais recursos a desenvolver seus carros, muito possivelmente, reduzindo as diferenças com os grandes fabricantes e beneficiando a competição. Inclusive, creio que esta medida acabaria atraindo mais equipes e patrocinadores, devido a um provável aumento das oportunidades, da emoção e com isso das audiências e do volume de negócio.

Em resumo, uma vez que o projeto deste motor “oficial” já estivesse em andamento, apenas a construção desses motores ficaria por conta da categoria pois o trabalho de desenvolvimento seria assumido pelos próprios engenheiros das equipes receptoras desses motores. Creio que não é difícil imaginar que, se você recebe o motor sem custo, você será o mais interessado em manter essa situação e de procurar que dito motor seja o melhor possível. Nessas condições, tampouco é difícil imaginar que haveria um verdadeiro exército de engenheiros trabalhando em seu desenvolvimento.

Enquanto aos fabricantes, estes poderiam participar com seus próprios motores, logicamente, submetidos às mesmas especificações do motor “oficial”. No entanto, eu proibiria o seu fornecimento a outras equipes. Ou se é equipe de fabricante ou independente com motor “oficial”. Nada de misturas!

Contudo, temo que tudo continue igual já que, uma vez se desfruta de privilégios, ninguém está disposto a prescindir deles. Porém, acho que o esforço e o dinheiro destinado a um projeto assim valeria a pena, pois se livrar da continua pressão e chantagem das montadoras acho que é algo que não tem preço. Ainda assim, temo que tudo isto seja apenas, como também dizem os ingleses, um “whishful thinking” (pensamento otimista).

Entrementes, e no que diz respeito a mim, a Fórmula Um me recorda e me faz sentir como a canção de George Harrison que tinha o mesmo titulo desta coluna e que começa assim:

I don’t want you
(eu não te quero)

But I hate to lose you
(mas eu odeio te perder)

You got me in between the devil and the deep blue sea
(você me tem entre o diabo e o profundo mar azul)

httpv://youtu.be/Z2IV9gxHhwM

Sejam bons e até a próxima!

Manuel Blanco
Manuel Blanco
Desenhista/Projetista, acompanha a formula 1 desde os tempos de Fittipaldi É um saudoso da categoria em seus anos 70 e 80. Atualmente mora em Valência (ESP)

12 Comentários

  1. Paulo Marques disse:

    Quero parabenizar ao sr. Manuel Blanco pelo texto maravilhoso que publicou, sobre os valores das vitórias com ou sem tecnologia.
    Por essa ocasião foi conseguido pelo sr Manuel a soma de sabedoria, sutileza, comunicação.
    Apenas ler e se acomodar sem um elogio, seria para mim uma covardia, o que me faria me sentir aproveitador da dedicação alheia.
    Confesso que aos 60 anos, retirei do texto ensinamentos valiosos. Não me refiro ao assunto, que por si só, já o coloca anos na frente das interpretações, mas sim pela maneira com que foi esplanada cada situação, transformando o que seria o parto de uma briga, em um abraço de comemoração.

    Parabéns! Sr. Manuel Blanco

    Paulo Marques, São Gonçalo, RJ

  2. Carlos Chiesa disse:

    Muito interessantes os pontos de vista. Pequenos comentários: todos devem lembrar do domínio Cosworth, que permitiu a diversas equipes fabricantes de chassis enfrentarem e vencerem equipes fabricantes de ambos. Penso que esse motor “oficial” seria um retorno a isso. Quanto à tirania das grandes montadoras, o problema está no crescimento colossal da categoria em termos de custos e geração de dinheiro, ambos derivados do maior grau de exposição para audiências crescentes. Com audiências decrescentes… Agora é tarde parar tentar dar um passa-moleque nas montadoras. A categoria precisa delas e vice-versa. Além de ter voltado a ser um laboratório de alta tecnologia, o que é positivo, marcas concorrentes do grupo FIAT não podiam deixar a Ferrari sozinha. Infelizmente, com essa desculpa de ser mais verde, coisa que não interessa em nada aos fãs da F1, o regulamento perdeu o foco, deixando de lado os pilares tradicionais. Deve ser por isso que a insatisfação dos admiradores aumenta e a audiência diminui. A Mercedes, com essa atitude de puxar a brasa para seu salmão, está provocando fome na galinha dos ovos de ouro. O problema não está no atual domínio dela, está em criar unidades motrizes que não tem nada a ver com F1.

    • Fernando Marques disse:

      Chiesa,

      a Formula 1 perdeu a sua identidade … hoje ela é um laboratório de alta tecnologia que se camufla numa competição esportiva … deveria ser ao contrário ou seja ser uma competição esportiva que pode ser usada como laboratório como era antigamente …

      Fernando Marques

    • Manuel disse:

      Oi Chiesa,

      Certamente o efeito seria parecido ao que tinha o motor Cosworth. Inclusive… melhorado. Naqueles tempos, a Cosworth entregava suas melhores unidades à Tyrrell e à Lotus. Com este motor “oficial” nao haveria nenhum favoritismo. Precisamente a colossal geraçao de dinheiro permite que, com uma fraçao desse dinheiro, esse motor pudesse se tornar realidade.
      Faz já anos que venho dizendo que era necessário se livrar das montadoras e estou de acordo com você em que, possivelmente, agora seja tarde.
      Enquanto a que a F1 seja um laboratorio de alta tecnologia, em alguma coluna antiga eu já dizia que isso nao se correspondia com a realidade. Alguem pode acreditar que, por exemplo no caso da Mercedes, que gasta 7,5 bilhoes de euros anuais em inverstigaçao e desenvolvimento , os apenas 60 milhoes que dedica à formula 1 tem realmente algum impacto nos resultados de tais investigaçoes ?
      Tambem estou de acordo com você que os motores atuais nao tem nada a haver com a F1.

      um abraço.

  3. wladimir duarte sales disse:

    Caro Manuel Blanco, me corrija se eu estiver errado: Não seria mais apropriado a FIA e a FOM negociarem a volta da Cosworth ou financiar um fornecedor independente nos moldes do falecido Brian Hart?

    • Manuel disse:

      Oi Wladimir,

      Possivelmente, a curto prazo, seria mais facil recorrer a um fabricante como a Cosworth. Porem, pelo fato de serem empresas, lógicamente, devem obter beneficios de sua atividade. Assim, os custos seriam mais altos.

      Creio que, além de rebaixar os custos, dispor de uma oficina/fabrica própria permitiria, em todo momento, controlar e ser titular de toda a tecnológia e Know-How que se desenvolvesse nela. Assim, com o tempo, essa oficina do motor “oficial” poderia se converter num foco tecnológico que estaria em condiçoes de oferecer seus serviços à industria privada e obter beneficios que alimentariam o próprio projeto.

      De qualquer jeito, como digo na coluna, o principal objetivo seria o de se livrar da chantagem das montadoras. Enquanto que a F1 dependa delas… nada vai melhorar.

      un abraço.

  4. Mauro Santana disse:

    Foram três excelente pontos de vista até agora citados acima.

    O que eu posso dizer é que, com o seu rico passado, a F1 tem muito, mais muito no que se espelhar das inúmeras coisas ótimas que já fez.

    Mas falta também humildade dos que comandam para enxergarem e aceitarem este fato.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  5. Fernando Marques disse:

    Gostei muito do ponto de vista do Manuel Blanco.
    Mas também gostei muito da opinião do Fabiano Matos.
    A Formula 1 sempre se valeu de ter e de ser uma categoria de ponta tecnológica.
    Mas ao mesmo tempo em que a evolução tecnológica se desenvolveu , cresceu e avançou a Formula 1 foi perdendo na mesma velocidade seu espirito esportivo. Isso é fato mais que comprovado.
    A preocupação com a segurança e os avanços alcançados também neste ponto são dignos de elogios. A Formula 1 atual é muito segura .
    Mas em contra partida o chamado politicamente correto passou a punir erros que bem poderiam continuar sendo apenas considerados erros e acidentes de corridas.
    Todos os pilotos hoje aposentados reclamam da falta de liberdade que os pilotos atuais têm, inclusive em se expressar perante a mídia. Ninguém fala mais o que pensa e sim decoram falas daquilo que seus patrões querem que eles falem.
    Na verdade a os dirigentes da Formula 1 ainda não conseguiram fazer um regulamento onde a velocidade dos avanços tecnológicos e aerodinâmicos se aliem ao espirito esportivos.
    Concordo com Fabiano que falta liberdade criativa. Antigamente os carros da Formula 1 eram distinguidos pelos seus projetos e e designers … cada equipe tinha sua própria identidade estampada nos projetos de seus formulas … hoje são diferenciados pelas cores e estampas de patrocinadores … de lado e de traseira são todos idênticos … e de frente ninguém consegue associar nem os bicos (cada um mais feio que o outro) um dos outros … não existe uma própria identidade …
    O dia que a Formula 1 conseguir aliar no seu regulamento os interesses financeiros e tecnológicos ao verdadeiro espírito de competição que a categoria merece ter e perdeu a Formula 1 voltará certamente aos seus bons tempos … é o que penso …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  6. Fabiano Bastos disse:

    Manuel Blanco,
    Não posso concordar com a sua opinião.
    Não entendo que o problema atual da F1 está no fato de um fabricante de motores possuir equipe própria e, provavelmente, privilegiá-la no fornecimento do motor. Isso nunca foi problema para a F1. Tão pouco gerou uma disparidade de performance como a que vimos no ano passado.
    Na minha opinião, o problema da F1 é que os dirigentes, na ânsia de maximizar seus lucros, se esquecem que o valor da F1 está no interesse que os fãs possuem por ela e que este interesse existe em razão de determinadas condições.
    Esta diferença entre a visão dos dirigentes e as expectativas dos fãs é que está prejudicando a categoria.
    Fãs entendem que a F1 é uma competição de carros e pilotos, dirigentes vêem a F1 como uma plataforma de venda de produtos.
    Uma competição de carros (engenharia) precisa de certa liberdade. Sem liberdade, a chance de um conjunto que disponha de recursos limitados superar um outro que disponha de recursos abundantes quase inexiste.
    Com liberdade criativa, como a que existia até o início dos anos 80, mesmo com poucos recursos uma equipe criativa podia apresentar idéias que colocavam equipes com menos recursos na frente das maiores equipes (carro asa, seis rodas, eletro-ventiladores etc.). Atualmente, qualquer indício de criatividade é logo reprimido. Criou-se um regulamento tão restrito que me admira que os carros não sejam todos iguais.
    E a atual diferença de performance entre os motores existentes existe pela mesma razão, excessiva restrição de regulamento, e não acredito que seja realmente por motivo de economia. No passado as fabricantes de motores dispunham de liberdade de desenvolvimento e nenhuma delas faliu o cobrou valores absurdos pelos fornecimento dos seus motores.
    Acho que foi o Eduardo Correa que disse uma vez aqui que as equipes gastam todos os recursos que tem, e se não podem gastar com desenvolvimento dos motores ou em testes, vão gastar com alguma outra coisa que lhes possa dar alguma vantagem na pista (túnel de vento melhor, CFD, simuladores, etc). Então, onde está a economia. Se a intenção é apenas diminuir a vantagem das grandes para as pequenas seria melhor obrigar as equipes a largar com um lastro proporcional ao seu orçamento.
    Oferecer liberdade, a meu ver, é a única maneira de manter uma real competição que empolgue os fãs e oferecer aos pequenos uma chance de excepcionalmente superar os grandes. Excepcionalmente por que sem uma medida “artificial” os pequenos, que dispõem de menos recurso, em nenhum esporte motorizado, supera os maiores frequentemente. Se o fazem, deixam de ser pequenos.

    • Manuel disse:

      Oi fabiano,
      Acho que você sim entende o problema pois concede que pode haver privilégio no fornecimento dos motores. Até admite que há uma vantagem das grandes. Eu acho que sim há !
      Você diz que que isso nunca gerou disparidades, mas acrecenta que houve no ano passado. Nesta coluna eu me concentrei em mostrar, o que ao meu ver, é uma tirania exercida pelos fabricantes nao apenas sobre as outras equipes mas, tambem, sobre a própria FIA. Uma tirania que, como digo, lhes permite se livrar de competidores na base de obrigá-los a gastar na compra de seus motores, o que acaba levando à bizarra situaçao dos fornecedores tendo seus motores gratis, mercê ao que cobram às fornecidas. Além do mais, nunca houve um caso em que uma fornecida superasse a fornecedora, o que é bastante significativo ( o caso da Renault sendo superada pela Red Bull nao o considero significativo pois, para entao, os franceses já nao investiam muito na sua equipe, De fato, a partir de 2011 passaram a usar o nome Lotus Renault como passo prévio à sua saida do campeonato como construtor ).
      Enquanto à liberdade criativa, creio que éra mais devida à ignorancia e falta de meios que à própria liberdade. Agora, com toda a experiência conseguida e os enormes meios técnicos ( simuladores, tuneis de vento, etc. ), temo que já nao haveria tanta disparidade e os carros seguiriam sendo iguais.
      Respeito ao que as equipes gastam, eu tambem já falei muito ao respeito ( creio que deve haver alguma coluna minha sobre este assunto ). O caso é que essa liberdade existe : as equipes podem gastar o que quiserem ! O problema é que, essa liberdade tambem existe para os fabricantes, que podem cobrar o que querem por seus motores. E assim deve ser pois, se queremos liberdade… deve ser para todos.
      Respeito ao tal lastro para as grandes equipes, me parece algo nao apenas injusto mas até inviável. Na formula 1 tudo se leva ao limite mas se esse limite é diferente para as diferentes equipes, seriam necessárias tantas normas quanto diferenças houvessem. Um carro obrigado a carregar mais peso, consumiria mais combustivel e precisaria um depósito mais grande. Um carro mais pesado, precisaria freios mais potentes para parar uma massa com mais inércia. Os pneus se degradariam de forma diferente dependendo do peso de cada carro. Até os crash tests deveriam levar em consideraçao esse peso extra para garantir a segurança de cada carro. Além do mais, como já disse en alguma ocasiao que o assunto de limitar os orçamentos saiu à palestra, seria impossivel saber o orçamento de cada equipe, especialmente os das grandes fabricantes.
      A minha proposta do motor oficial nao trata de castigar os fabricantes, mas de dar às outras equipes maiores oportunidades de competir com elas a troco de que se involucrem no desenvolvimento desse motor e assim se livrar da servidao à que estao submetidas por parte dos fabricantes ( tambem a FIA ).

      um abraço, Manuel

      • Fabiano Bastos disse:

        Caro Manuel,
        A idéia do lastro foi só uma ironia. Completamente descabido tratar competidores de maneira diferente. Um “artificialismo” sem sentido, pior que DRS sem direito de defesa.
        Obrigado pela atenção!

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