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Decifrando o passado para entender o futuro
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Chega de Massa, chega de Newey, chega de regulamentos esdrúxulos!

Chega de Felipe Massa!

Ele deveria ser posto pra fora da Ferrari já, hoje, de forma que nem corra na Coreia, aliviando-o de ter de explicar o mau desempenho que muito provavelmente virá nessa e nas corridas que restam em 2013. Melhor ainda se Massa tivesse a hombridade de ele mesmo pedir pra sair, dizendo algo do tipo “foi mal aí” e indo fazer companhia a Rubinho em alguma equipe da Stock Car. De repente, os dois podem até fazer uma dobradinha e convidar Galvão Bueno pra ser o chefe da equipe.

E que Massa nem pense em fazer a bobagem de tentar correr por outra equipe de Fórmula 1. Ele nunca se recuperou do acidente na Hungria 09 e não tem mais condições físicas, mentais e, como no caso da Ferrari, contratuais de obter resultados de relevo. Se aposentando da Fórmula 1, ele pelo mesmo põe um ponto final nesta agonia revivida quinzenalmente por nós, de esperar por algum coisa que honre a tradição do Brasil na categoria. Tradição, diga-se, que ele próprio ajudou a fomentar com algumas corridas espetaculares no passado.

Mas elas, agora, são apenas uma lembrança.

Chega da incompetência técnica na Ferrari!

Já que a equipe não consegue contratar Adrian Newey, deveria tentar alguma manobra por baixo do pano – dessas que ela tantas vezes conseguiu emplacar junto às “autoridades” esportivas – e proibir que o inglês trabalhe na categoria.

Deveriam inventar pra Newey alguma missão do tipo projetar um carro movido à saliva ou coisa parecida, livrando a categoria da sua máxima competência.

Aí, quem sabe, a burrice e incompetência dos demais projetistas – os da Ferrari, McLaren etc. – poderiam dar alguma chance aos outros pilotos de ganhar um campeonato.

E já que vamos por Newey pra fora da Fórmula 1, vamos aproveitar e despachar Sebastian Vettel também.

Não tem piloto, hoje, pro moleque e ele, ainda por cima, sabe aproveitar cada fiapo de vantagem que Newey & asseclas descobrem. Viram o lance do vídeo numa das esquinas de Cingapura e como motor de Vettel – só o dele – parece ratear no meio da curva? Segundo fontes citadas pela AutoSprint desta semana, trata-se de uma mapatura de motor dentro do regulamento especificamente desenvolvida pra Vettel, tirando proveito das suas características de pilotagem.

httpv://youtu.be/eH4RxQx7J4c

A mapatura garante fluxo robusto de gases do escape do motor para o assoalho do carro nas curvas de baixa velocidade, garantindo mais aderência e melhor retomada de velocidade. É exatamente aí que ele consegue abrir mais vantagem sobre os adversários, por frear muito forte na entrada da curva, percorrendo-a mais devagar que seus concorrentes. Feita a tangência, ele pode acelerar mais forte. Como tem melhor tração, garantida pela tal mapatura, arranca mais rápido. O consumo extra de combustível, Vettel compensa com uma pilotagem mais limpa e também pelo fato de estar sempre à frente das suas vítimas.

E por que Mané Webber não usa o mesmo truque (o vídeo mostra bem a diferença no barulho do motor de um e outro)? Porque Mané larga lá atrás, não freia forte como Vettel, enfim, é um b…

Chega dessa sofisticação técnica abjeta da Fórmula 1!

Descobre-se, agora, que RBR, Ferrari e McLaren estão revestindo a parte interna das suas rodas com vernizes especialíssimos, que usam nanotecnologia e facilitam a transmissão do calor gerado pelos freios para os pneus, tudo para melhorar o desempenho dos redondos esfarelantes nas voltas de classificação e nas arrancadas a partir dos boxes.

O que mais vai se inventar?

Chega de regulamentos técnicos esdrúxulos, contraditórios, que só podem ser decifrados por iluminados!

O regulamento técnico para 2014 tem 88 páginas – dez a mais do que o regulamento atual -, cobertas por hieróglifos. Você, leitor, como ser humano normal que deve ser, nunca vai lê-lo. Pois saiba que quem o leu afirma que os carros do ano que vem serão ainda mais feios do que os desses últimos anos, por força das asas ainda menores e pela diferença entre a altura do bico e o resto do chassi, obrigando a inclinações exóticas, que levaram aos nefastos degraus.

Em compensação, o formato da traseira dos carros tende a ser enorme e grosseiro, para acomodar os três motores (o a explosão mais dois kers), o câmbio de oito marchas e um tubo de escapamento cujas dimensões fixadas pelo regulamento são especialmente avantajadas.

Ou seja: engula mais carros feios!

Acha pouco?

Não sei a expectativa que você, leitor, tem sobre a volta dos motores turbo. Potência cavalar? Dificuldades de pilotagem pelo gap de potência quando do acionamento do turbo? Torque bestial, exigindo controle e coragem do piloto?

Esqueça.

Qualquer pretensão de potência e velocidade ficará restrita – se ficar – aos treinos. Durante as corridas, o que vai mandar é o consumo de gasolina! São 100 litros por GP, nada mais.

No momento, segundo informa AutoSprint, nenhum dos motores testados em bancos de provas conseguiu completar um GP com tal quantidade de combustível. Mais: nenhum motor conseguiu cobrir os quatro mil km fixados pelo regulamento como duração mínima do motor. E o regulamento pune com perda de cinco posições no grid a troca de qualquer componente do power train (legal este termo…), que abrange motor a explosão, os dois kers e central eletrônica, e vinte posição a troca da parada toda.

A situação está de tal forma preta para os projetistas de motores que a Ferrari já pediu que se aumente para 110 litros a capacidade dos tanques. Negativo, refutaram Renault e Mercedes.

Não é por nada que Bernie Ecclestone tem dito temer três coisas nos motores do ano que vem: velocidade final muito baixa (para fazer os ditos percorrem um GP com 100 litros), muitas quebras e som de m…

Claro que os engenheiros vão acabar contornando estes e outros problemas do novo regulamento mas a que preço? De novo os dirigentes jogaram a casa inteira no chão sem saber bem o que colocar no seu lugar.

Chega de tanta corrida!

Vinte e dois GPs? Isso vai virar Nascar? E pra correr nas pistinhas que eles arrumam? Não, obrigado.

É verdade que Bernie já disse que devem ser 20, no máximo 21 as corridas do ano que vem, Rússia, México e Coreia estando mais ou menos a perigo. Mas, mesmo assim, onde vai parar isso?

Ele e os donos da Fórmula 1 só estão preocupados com a grana e isso é sempre – sempre – ruim.

E chega de escrever besteira!

Eduardo Correa

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

18 Comments

  1. Cristina Reimberg disse:

    E isso aí, adeus Massa e já vai tarde.

  2. Allan disse:

    Edu, vislumbrei a risadinha do Sheldon (The Big Bang Theory) na sua cara, quando ele diz “Agora eu fui irônico” (mas com 99,9% de verdade verdadeira do que ele pensa…)

  3. Fernando Marques disse:

    Pelo visto está todo mundo chutando o pau da barraca … hehehehe
    Gostei muito do que falou o Lucas, principalmente em relação ao Massa.
    Com relação ao Vettel me parece que estão querendo desvalorizar os feitos dele … gente ser campeão na Formula 1 não é para qualquer um, quanto mais ganhar 4 campeonatos seguidos … e para ser campeão todo piloto precisa de um carro campeão … esta é a unica regra eterna do automobilismo

    Vovô Xaruto

  4. Carlos Chiesa disse:

    Será que o Edu não estava sendo irônico o tempo todo?

    • Guilherme disse:

      Claro, né Chiesa??
      Por isso eu disse: um golaço, COMO SEMPRE!!!

    • Mário Salustiano disse:

      olá amigos

      Eu também vou por essa linha da ironia sim Carlos, agora para mim a cereja do bolo da ironia é Bernie que foi o principal mentor intelectual para a F1 a chegar nessas soluções esdrúxulas e macambuzias vir a público reclamar de algo.
      Sabe o que acho do ponto sobre 22 GPs ao ano, ele já sabe que as equipes não concordam com mais de 20 corridas, cria um pré calendário anunciando 22 pistas, tem duas possibilidades a partir daí, uma pouco provável das equipes concordarem com esse calendário e a outra bem mais provável, ele chega para uns 4 ou 5 países e diz “só tenho 3 vagas, quem paga mais?” e assim engorda e aumenta a receita, depois vem a público dizer que 22 corridas são demais e apresenta um calendário com 20.
      Sobre a situação do automobilismo brasileiro nem vou falar, agora chegou a hora da colheita e pelo visto essa safra foi para as cucuias

      abraços

      Mário

  5. Mauro Santana disse:

    Dalhe Edu!!!

    E com tantas quebras e futuras panes seca, é capaz de até proibirem as caronas com o POLITICAMENTE CORRETO!

    Sabe Edu, a velha raposa fala que para o ano que vem talvez fique em 20 gps, mas em 2015 vai pra 21, em 2016 vai para 22, e assim por diante…

    E o que é pior, com uma pista nova pior que a outra, pois não se iludam, com certeza no México os carros não iram percorrer a Peraltada como foi até 1992.

    É isso

    Vamos aguardar…

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  6. Lucas disse:

    Ah, e quanto à pressão da Ferrari “nas autoridades”, me parece que, desde que o Mosley saiu, eles não têm mais conseguido tantas intervenções ao seu favor como parecia tão fácil antigamente. O que é até curioso, pois quando o Todt venceu o Vatanen eu já estava esperando que fosse virar “mais do mesmo”, o que aparentemente não aconteceu. Esse ano por exemplo a intervenção mais séria (alteração nos pneus), ainda que visando a segurança, acabou prejudicando a Ferrari (e mais ainda a Lotus).

  7. Lucas disse:

    Essa história de que Massa “nunca se recuperou do acidente de 2009” nunca me convenceu. Basta lembrar que já nas primeiras corridas logo após o acidente ele emendou dois pódios seguidos. O que acontece é que em 2010 ainda houve algumas pistas em que a Ferrari era “top” ou algo próximo disso. De 2011 pra cá, isso simplesmente não aconteceu mais e deu no que deu. Ficar culpando um acidente que aconteceu há quatro anos atrás e que de acordo tanto com os médicos quanto com os engenheiros com acesso a sua telemetria não afetaram em absolutamente nada seu desempenho não faz sentido algum pra mim. Quando um piloto tem um acidente, a coisa mais fácil é verificar pela telemetria se ele de fato ficou mais lento – foi o que aconteceu com o Ralf Schumacher, por exemplo, quando imediatamente perceberam que ele já não freava mais onde costumava frear. Com Massa não aconteceu absolutamente nada – ele simplesmente nunca foi piloto de tirar mais do que o equipamento permite, e se quase foi campeão em 2008 foi muito mais pela qualidade do carro (alguns azares de Hamilton também ajudaram) que por ser um grande piloto, coisa que nunca foi. Acho bobagem isso de querer fazer crer que ele um dia já foi excepcional e que “ficou ruim” por um motivo ou outro. As desculpas variam – uns culpam a mola, outros, para justificar o fato de que ele já não tinha bons resultados desde 2009, tentam atribuir ao fato de ter perdido o título de 2008, e outros tantos, para tentar explicar como isso faria sentido dado o fato de que o seu início de temporada em 2010 nem foi dos piores considerando onde a Ferrari estava, dizem que foi por ter ouvido o “Alonso is faster than you”. Já que a ideia aqui é “chutar o pau da barraca”, minha vez: chega de desculpa esfarrapada. Massa nunca “piorou” – ele simplesmente nunca foi bom o suficiente.

    Quanto ao resto, despachar Newey já resolveria todos os problemas – é só lembrar que nas pistas em que a Red Bull teve seus empecilhos ano passado o Vettel fez umas corridas bem apáticas. Não, eu não acho que ele “só ganha com carro de outro mundo e se largar na frente”. Mas também não estou plenamente convencido dele ser capaz de ser excepcional sem um carro igualmente excepcional. “Mas ele ganhou de Toro Rosso”, gritarão alguns. Mas poucos lembram que ela estava particularmente bem adaptada às condições daquela corrida, vide os tempos, nas mesmas condições, de Bourdais, que provavelmente teria ido também ao pódio não fosse o acidente na largada. E convenhamos, o fato de ter esperado até a última corrida ano passado para ganhar um campeonato em cima de um piloto com um carro que na média era absurdamente inferior que o dele mostra que bastaria que houvesse mais equilíbrio entre os carros para esperar um campeonato disputadíssimo.

    • Ronaldo disse:

      O que eu não engulo é esse papo de que a F2012 era tão inferior. O Alonso adora valorizar seus feitos, e a conjuntura dos últimos anos, mais os companheiros de equipe que teve ajudam a empurrar o mingau que é a conversa dele. No início do ano passado todos estavam nivelados por baixo. E a melhora da ferrari foi tão evidente que o Massa fez a segunda metade de temporada que tantos acham que garantiu seu contrato para 2013. Alonso é um fora de série? Claro que é! Mas o buraco é beeeeem mais embaixo quando se fala de seus feitos, que o próprio é o principal propalador.

      • Lucas disse:

        A F2012 nas quatro primeiras corridas era um dos piores carros que eles já fizeram em muitos, muitos anos, o que é atestado pelos resultados em todas as sessões – era um carro que sofria para chegar no Q3, e que em ritmo de corrida em condições normais comumente tinha déficits de mais de um segundo – bão dá pra dizer que “todos estavam nivelados por baixo”. Sim, a Ferrari melhorarou da Espanha em diante, mas isso nem de longe significa que viraram um carro excepcional – a única coisa que dá pra dizer é que ele passou a ser um carro que dava pra chamar de “top 3” em boa parte das corridas.

        E mesmo com essa “melhora evidente”, tudo o que o Massa conseguiu na segunda metade da temporada foram dois pódios e mais um punhado de corridas em que oscilava entre quarto e nono lugar, o que mostra que mesmo com todos os avanços a Ferrari ainda estava longe de ser “top”. Se resultados assim são suficientes para a equipe achar que ele merecia ficar em 2013, então é porque eles tinham plena consciência de que o carro não era nenhuma maravilha mesmo no final da temporada – pois sabem que se o carro fosse bom ele estaria frequentemente no pódio.

  8. Guilherme disse:

    Ôôô, Edu…
    Chutou o pau da barraca de vez, hein?
    Só que como sempre… marcou mais um golaço!…
    Abçs

  9. Arlindo Silva disse:

    O Bernie fica velho e o Edu que fica ranzinza…

    Abraços
    Arlindo Silva

  10. Fernando MArques disse:

    Eduardo

    Formula 1 é sempre Formula 1!!!
    Com ela pode-se tudo
    Que venha 2014 até por que a temporada de 2013 já acabou

    fernando marques
    Niterói RJ

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