Bottas, o retorno!

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Bottas na Turquia

Chegamos a décima sexta etapa desse disputadíssimo campeonato mundial de F1! Pelo segundo consecutivo dessa pandemia que nos metemos, vamos ver a Fórmula 1 desfilar sua classe na Turquia.

Sem base para uma avaliação com o ano anterior (depois dos problemas da chuva e asfalto), o campeonato chega para uma prova sem muita base de referência para esses carros híbridos.

Em disputa, nesse “terço” final do calendário, o título da temporada entre Max e Hamilton. Quem prevalece na Turquia? Essa era a dúvida na sexta feira!

Ia ser complicado definir um favorito, a alternância de forças está nos detalhes durante todo o ano e a Red Bull tem andado muito forte em diferente tipos de circuito. Vem de vitória na Holanda, na França e posições dominantes na Bélgica e Silverstone. Aparentemente tem o conjunto mais forte do momento.

Mas com os treinos livres acontecendo, já aparecia na tabela de tempos uma leve superioridade da Mercedes frente ao pelotão. Mesmo quando os treinos começaram a receber a chuva, a Mercedes ainda parecia manter uma leve vantagem.

Essa vantagem era fundamental para sustentar a troca de motor de Hamilton. Ele tinha que lutar pela pole para largar ao menos em 11° e Bottas tinha que estar em posição para garantir a pole após a punição do piloto principal da casa alemã.

Nesse cenário apertadíssimo, o que vai decidir é o detalhe entre os pilotos das duas esquadras. Hamilton não tem convertido suas melhores oportunidades. Monza, o exemplo mais recente quando se complicou durante todo o fim de semana.

Do outro lado, Max tem salvado pontos fundamentais. A segunda colocação numa prova que estava “perdida”, mostrou que uma força impressionante e não esperada pela Mercedes.

Os dois times terão que lutar com todas as forças para não perder pontos nos detalhes. Para isso vão precisar dos 4 carros engajados dentro do Top-5 de cada corrida. E isso não tem acontecido com a frequência que a Red Bull e Mercedes esperam. Para Mercedes, agora todo o prejuízo de ver seu piloto largando lá de trás!

Bottas, Valteri merece um capítulo separado na nossa conversa….

Bottas não vai ser um empecilho para Max Verstappen na luta pelo título. Depois de tantos anos como “suporte” incondicional de Hamilton, acredita-se que eles esperava ao menos dirigir os carros de 2022 pela Mercedes. Um ano a mais de contrato, quem sabe?

Ficou visível em Paul Ricard (quando ele já deveria saber da decisão do time) e ficou gritante na Rússia, que ele não vai se meter em confusão com Max, tentar um bloqueio, fechar uma porta. A luta pelo título não é do primeiro piloto da equipe? Eles que se “matem”, certamente pensa o finlandês.

Pra justificar sua fama de profissional correto, seguirá sua missão de marcar mais pontos que Perez. Quem pode reclamar? Foi colocado pra fora do time e o maior elogio recebido foi um “meu melhor parceiro de equipe”. Hamilton tem a obrigação de marcar mais pontos que Max, Bottas tem que marcar mais pontos que Perez, cada um fazendo seu papel até o final do campeonato, aassim a Mercedes sagra-se campeã.

Pronto. Fácil!

Bottas partiu pra esse final de ano com essa missão: vencer. Hamilton que se vire pra fazer a parte dele. Se alguém esperava um Bottas segurando o pelotão para garantir a proximidade de Hamilton, se enganou. Bottas estava determinado em sua missão.

A corrida em sim não foi um primor de emoção. Para alegria e felicidade da Mercedes, Bottas fez a lição de casa e manteve a ponta na largada. A grande decepção ficou por conta do toque de Gasly em Alonso que tirou o melhor largador do ano da disputa pelas primeiras posições. De “lambuja”, o incidente promoveu a Perez para uma posição importante na corrida.

Com as acomodações da primeira volta, Hamilton só tinha ganho uma posição, exatamente a posição de Alonso. Muito pouco, mas necessário manter a cautela e não colocar tudo a perder.

A justificada cautela de Hamilton lhe causa também problemas. Ele só consegue se livrar de um lento Tsunoda na volta 8 e de Stroll na volta nove. Nessa altura da prova ele já estava 20 segundos atrás de Bottas e longe da vitória.

O problema para Hamilton é que a pista não seca. E o problema de Hamilton é o sonho de Max. Com a pista muito úmida, ainda tem Norris e Gasly para ultrapassar e colar em Max. Na volta 11 ele supera Norris, parte atrás de Gasly que é superado na volta. E aí aparece o problema maior: Bottas não está segurando o pelotão e Hamilton aparece 17 segundos atrás do líder da prova. Praticamente um pitstop de vantagem para o finlandês.

Nesse que é um dos melhores campeonatos dos últimos 10 anos, as duas equipes dominantes, não dominam. Aliás, dominam as tabelas de pontos, mas por mérito de seus pilotos principais. Seus carros são difíceis de pilotar no limite. As variações de condições são críticas e só os dois candidatos ao título conseguem navegar nesse cenário.

A dificuldade é tamanha que as outras equipes estão conseguindo ter algum destaque. Mclaren conseguiu uma vitória, Alpine outra e até Sergio Perez levou a sua pra casa (lembrem-se, mais uma oportunidade não convertida por Hamilton. Talvez a mais importante do campeonato).

Esse é um grande diferencial nessa reta final do campeonato: um pelotão intermediário muito compacto e disputado.

Isso significa que não é fácil escalar o pelotão e chegar ao pódio depois de uma punição. Se complicar numa classificação pode custar uma vitória certa.

Todos os demais times querem lutar pelo pontos e pelo pódio. Sem concessões e gentilezas para quem disputa o título. Não custa a gente lembrar que a primeira dobradinha da temporada foi da Mclaren em Monza.

Nesse ponto da corrida, temos somente um grande jogo de paciência. Na volta 21 Ricciardo seria o primeiro a parar e, sem inventar, colocou intermediários. Não era hora para nenhuma tentativa mais ousada. Hamilton caçava na pista o mexicano da Red Bull e conseguiu alcançá-lo na volta 31!

E aí Sérgio Perez fez o que a Red Bull espera dele.

Entre as voltas 31 e 38 ficou à frente de Hamilton, somente o suficiente para dar tempo da Red Bull chamar Max para o pit com uma distância segura para voltar na frente da Mercedes. Antes de parar na volta 28, durante o giro de número 35, Perez e Hamilton proporcionaram a melhor batalha da corrida. Com espaço para ambos, no piso escorregadio, uma aula de pilotagem e grande classe, prevalecendo o piloto da Red Bull.

Claramente a F1 sempre prepara um anticlímax para os ânimos dos mais fiéis seguidores. Esse ano, veio especial!

Na última semana foi anunciado o circuito de Losail no Qatar para ser a 20º corrida do ano. Com isso, a disputa final da temporada vai acontecer no Oriente Médio, com uma sequência de provas no Qatar, Arabia Saudita e Abu Dhabi. Essa trinca vem na sequência de uma trinca composta por Texas, México e Brasil.

Custava inverter essa ordem, Formula 1? Sim, sabemos que custa milhões de dólares o privilégio de fechar o campeonato, mas é desoladora a previsão de ver a decisão do campeonato nesses circuitos pouco inspiradores e sem alguma tradição.

Maldade, Abu Dhabi é um circuito tradicional da F1.

Tradição de apresentar péssimas corridas, também é uma tradição. Correto?

Depois do pitstop de Perez e Max, uma situação inusitada na pista: Leclerc liderava com Bottas em segundo e Max formando o pódio e a diferença de tempo de volta não era tão melhor para quem estava de intermediários novos. A dúvida ser havia espaço para colocar um composto de pista seca foi rapidamente esclarecida por Vettel. Foi necessário somente uma volta catastrófica de pneu médio para garantir que ninguém mais tentasse a troca.

A única variante possível, em torno da volta 40, seria não parar mais até o fim. Dois pilotos poderiam fazer isso: Leclerc e Hamilton. Leclerc parou na volta 48, Hamilton resistiu brigando no rádio, até a volta 51 e sucumbiu às ordens da equipe.

Era tarde demais. Não dava tempo de voltar para terceira posição e quase perdeu mais 3 posições. Um grande erro da Mercedes.

Desde 1997 um piloto não completava a prova sem trocar pneus (Mika Salo em Mônaco). Nesse domingo, Ocon repetiu a estratégia.

Paradas obrigatórias (e tres motores por temporada), artificialidade desnecessária.

A prova da Turquia abriu uma sequência de 4 corridas em grandes pistas. É um fase decisiva para as pretendentes ao título. Pra nós, espectadores, um prazer. Max e Lewis. Turquia, Estados Unidos, Mexico e Brasil. Essa combinação pode ser tanto explosiva quanto decisiva para o Mundial.

Nesse fim de semana, a Mercedes cometeu um erro que custou pontos preciosos para Hamilton nessa disputa. Por outro lado, viu Bottas voltar a ter uma grande e dominante atuação. Não deixar Max ganhar pode ser considerada uma grande ajuda para Hamilton.

Fato que essa corrida foi atrapalhada pelo clima. Uma pena que pela segunda vez consecutiva não conseguimos ver uma disputa aberta nesse que é uma dos melhores autódromos da era Tilke. Foi um jogo de marcação tática, com as algumas boas ultrapassagens. Mas a tensão veio mais das condições do asfalto do que das disputas entre quem está na batalha do título.

Ainda temos mais 3 circuitos “decentes” pela frente, quem vai prevalecer nesse desafio?

Abraços
Flaviz Guerra

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

1 Comment

  1. Fernando Marques disse:

    Flavis,

    muito boa e legal a sua leitura sobre o GP da Turquia …
    Na minha visão o Hamilton tinha o carro mais rápido nas retas … creio que este era o grande match da Mercedes para permitir que Hamilton pudesse galgar rapidamente as posições perdidas no grid de largada por ter trocado o motor. Com a pista seca, e podendo fazer uso das asas abertas, ultrapassar não seria problema para o inglês no decorrer da corrida … com a chuva e a proibição do uso das asas abertas, toda estratégia da Mercedes foi pro ralo … não vejo como erro estratégico o pit dele no fim da corrida … antes somar mais alguns pontos do que perder tudo por causa de um estouro dos pneus … uma parada antes não mudaria essa situação …
    Quanto ao Bottas … ele fez uma bela corrida, mas a tática conservadora do Verstappen facilitou muito o seu trabalho … no mais concordo com sua visão em relação a situação dele dentro da equipe, neste momento …
    quanto as seis ultimas etapas do mundial … estou contigo … EUA, Mexico e Brasil deveriam ser as ultimas das etapas …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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