Cadê o nosso sorriso?

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Que o GP do Canadá traga de volta o sorriso de Ricciardo!

Pisamos na América do Norte na primeira prova depois do fato inédito da retirada do sorriso da face de Daniel Ricciardo. O Canada nos presenteia com a trigésima sétima edição de uma corrida em Montreal, um circuito simples e que amamos. Não está na F1 desde seu nascimento mas também é considerada uma das provas clássicas.

O GP do Canadá tem tudo que gostamos. Tem tradição e história, tem vencedores improváveis, tem retas longas, curvas que desafiam os pilotos, muros colados. A diversão é garantida, o clima é destemperado e sempre trás emoções adicionais. Além daquele horário especial pós-macarronada de domingo!

O que será que o GP do Canadá nos reserva para esse ano?

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A pista que todos conhecem não perdoa erros. Seu asfalto liso, o clima um tanto quanto frio e os muros próximos fazem da pista uma combinação única no calendário.

O desgaste de pneus é mínimo. A Pirelli trouxe para festa os mesmos compostos de Mônaco: Macio, Super Macio e Ultra Macio. Todos viram o que ultra macio é capaz na prova monegasca: pouca melhora no tempo de volta e muita durabilidade. O abismo de performance prometido, o famoso “pneu de classificação” não foi entregue. Os engenheiros da F1 já tinham essa informação na mão e a alocação de pneus para o Canadá (lembre-se, definida antes da prova de Mônaco) é basicamente focada no uso do Ultra Soft.

Junto com desgaste mínimo de pneus o circuito apresenta o tradicional desafio de sua longa reta. Como gerar downforce sem prejudicar a velocidade final com muito arrasto? Aqui não tem milagre, é necessário ter um bom motor empurrando. São simplesmente 45% do tempo da volta com o pé cravado no assoalho e pode-se atingir 340km/h no final da grande reta.

A turma da Ferrari gastou Tokens e os carros vermelhos vem com atualização para a prova (as equipes clientes ainda vão esperar). A Honda também traz um turbo novinho em folha que promete coletar mais potência para as baterias.

Já a Renault faz farta distribuição da unidade disponibilizada em Mônaco e todos os carros (até os com unidades TAG-Heuer) estarão equipados com a versão mais recente do fabricante francês, uma prova de fogo! A Renault anda confiante, ainda mais depois da renovação do contrato com a Red Bull e o retorno da Toro Rosso para sua carteira de clientes. Ter os times sob seu fornecimento depois do pesadelo de 2015 demonstra que o projeto do motor está no caminho certo.

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Nesse maravilhoso 10 de Junho, completo minha centésima coluna no GPTotal. Tremenda honra jamais imaginada por mim. Estar aqui é motivo de alegria e orgulho. Um sentimento genuíno de alegria por conhecer e compartilhar linhas com pessoas especiais desse time incrível do GPTotal. Onde, em qual planeta, em qual site, em qual publicação teria chance de conhecer e trabalhar com pessoas da envergadura de Eduardo Correa, Alessandra Alves, Carlos Chiesa, Márcio Madeira, Marcel Pilatti, Lucas Giavoni, Manuel Blanco, Mário Salustiano, Tiago Toricelli, Roberto Agresti, Júlio Oliveira, Rafael Mansano, Lucas Carioli, Cassio Yared e JC Viana?

Essa turma toda faz o único site com conteúdo 100% original aqui no Brasil. Não é pouco não. Aqui não entra tradução de press release, muito menos cópia de noticia estrangeira. A gente conta história, como uma conversa entre amigos. Ou como sempre lembra o “Chefe” (Edu Correa): uma troca de cartas entre amigos.

Desde 2011 estamos nesse “espaço” com mais de 700 colunas nessa plataforma, mas o GPTotal nasceu em 2001 e são milhares de textos de primeira linha, por ter alguns meus no meio dessa turma, fica o meu muito obrigado! Obrigado por me receberem e obrigado para os amigos que retornam aqui para leitura. Obrigado!

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Só um piloto tem exatos 100 pontos em um campeonato mundial de Fórmula 1. O feito cabe a Mika Häkkinen no campeonato de 1998, ano que venceu com vantagem de 14 pontos para Michael Schumacher. Por outro lado, nenhuma equipe jamais fez exatos 100 pontos nos campeonatos de construtores.

E somente e três países tem mais de 100 vitórias na F1. Alemanha (163), Grã Bretanha (248) e Brasil (101).

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Esse clima errático de Montreal, um tanto quanto frio também, será a faca de dois gumes nesse fim-de-semana.

Para o bem, pode inspirar a turminha de afoitos Verstappen, Kvyat e Palmer a manter a cabeça fria depois da desastrosa prova de Mônaco que os 3 fizeram. Também pode ser ajudar os caras lá da Sauber. Nasr e Ericsson caminham para morte na F1 se continuarem essa briguinha de meninos mimados.

Quem deve estar coçando a cabeça é Rosberg. O rapaz sofre de problemas de aquecimento dos pneus. Sem novidade, teve uma corrida discretíssima em Mônaco por conta disso. Se isso se repetir em Montreal vai ver Hamilton se aproximar e fazer pressão pelo título. Que Rosberg não se engane, esse ano é “O” ano para ele agarrar o caneco.

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O Incrível Hulk, Nico Hülkenberg é o 4º piloto na história a chegar a 100 largadas sem um pódio sequer, juntando-se ao recordista Adrian Sutil, com 128, Pierluigi Martini e Philippe Alliot.

Ainda na continha dos cem, quem também teve exatas 100 largadas? Bruce McLaren!

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Nasr. O que acontece com Nasr? Não podemos falar de Ericsson porque não acompanhamos a imprensa Sueca. Nasr sempre foi apontado como um piloto “preparado”. Ninguém chamou de novo Senna. Para ele coube sempre os parâmetros da carreira sólida, família de pilotos, preparação, planejamento.

Depois dos resultados da GP2 também era esperado um massacre no seu companheiro de equipe. Contava também com seu patrocinador na carenagem do carro, que lhe conferia, aos olhos do público, ao menos alguma simpatia da equipe.

Começou o ano da graça de 2016 e desde o primeiro teste é Ericsson que parece ser o 1º piloto da equipe. Na pista vem superando o brasileiro. Na imprensa também. Sem contar o patrocinador maravilhoso que paga os salários do time e não cobra exposição da marca nos carros.

Felipe se perdeu. Reclama do chassi. Reclama do acerto. Reclama que não liberou a posição em Mônaco porque o cara do box ao lado não fez em outra oportunidade. Não ceder a posição em pista é uma declaração de um piloto para F1, ela não precisa ser justificada. O tiro saiu pela culatra, pareceu birra. Se Ericsson tivesse cedido a posição em 2015 você faria o mesmo hoje? Não é mais uma declaração.

Nos bastidores Ericsson está repetindo os bons resultados na pista. Nasr precisa juntar suas coisas e começar a entregar um pouco mais para garantir alguma vaga em 2017. Da forma que está, não fica na Sauber (caso ela ainda exista).

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httpv://www.youtube.com/watch?v=2tQ0rRDseYw
Os “Amigões”

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Desde 2008, na China, um motor Mercedes chega na zona de pontos. São 140 corridas na sequencia. Só perde para os Ford (228).

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Hamilton se recuperou com uma vitória que Ricciardo lhe deu de presente, além da péssima corrida de Rosberg. Fato é que a Mercedes sofre com clima fresco. Seu carro é ameaçado pela Red Bull e está tirando o time alemão da zona de conforto. Zona de conforto que se espalha pelo fim-de-semana inteiro e permite o luxo de usar o motor em sua capacidade máxima somente no Q3. A Mercedes vai trocar um pouco da margem de segurança que tem respeitado para garantir uma boa confiabilidade para trazer mais tranquilidade na folha de tempos. Não vamos nos enganar, eles continuarão na frente.

Max e Ricciardo vão para mais um forte GP. Agora os dois com carros iguais será interessante ver a recuperação de Ricciardo após as duas derrotas de Barcelona e Mônaco. O carro é bom. O motor é decente. A dupla de pilotos é forte. A pressão externa é mínima, porque qualquer coisa hoje é lucro frente ao desastroso 2015.

A paz da RBR é o calvário da Ferrari. O time não rendeu o esperado em Barcelona e muito menos em Mônaco. Para piorar, só restam dois tokens de desenvolvimento para o motor esse ano. A Honda ainda tem 12, Mercedes 11 e Renault 21 (!!!). Resumindo, se não estiverem no ritmo das Mercedes já no Canada, não há mais cartas na manga para salvar o longo campeonato. É questão de se resignar e trabalhar no projeto de 2017.

Pra fechar o grupo das 4 da frente, Williams e seu eterno andar para trás. A equipe está no limbo misterioso. O carro não é ruim, o carro não é bom. Os pit-stops melhoram mas as estratégias não. Parece que o time precisa de uma nova chacoalhada para acordar, as mesma chacoalhada que trouxe os time inglês novamente para a parte de cima da tabela. Só não pode terminar uma prova como em Mônaco: 1 volta atrás e “comemorando” 1 pontinho.

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O tempo da Pole em Mônaco em 205 foi de 1’15.098, em 2016 chegamos na marca de 1’13.622.
No glorioso Canada em 2015 fizeram a pole 1’14.393, chegaremos em 1’13.000?

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Na turma da bagunça o clima é de festa. Haas ainda tenta fazer um pontinho com seu mexicano, bateu na trave em Mônaco. A Force India vem toda animada para aproveitar o momento da corrida passada. Pista com características similares para downforce e um Mercedão nas costas contribuem para o otimismo da equipe. Pra bagunçar o coreto tem a Toro Rosso brincando de ser grande em pistas com esse formato. Como aqui não existem as dificuldades de ultrapassagem de Mônaco, não há desculpas para não serem capitalizados bons pontos para equipe.

Mas e a Mclaren? Não tá na briga com a turma da bagunça? Há um cansaço em apostar na Mclaren. Toda corrida é uma nova promessa não realizada. Uma nova peça que não agrega nada. Que venha 2017!

Para a turma do fundão há grande expectativa. Renault e Sauber ainda conseguem fazer corridas próximas uma da outra e ainda provocam alguma disputa no fundão. Um pouco mais próximo do que anos anteriores, vem aparecendo uma simpática Manor. Ainda sem ritmo de corrida, ainda sem ser uma ameaça clara nas voltas de classificação, mas com aquela leve pressão nos adversários: não comentam erros, nós capitalizaremos em cima deles.

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Circuito: Circuit Gilles Villeneuve
Voltas: 70
Comprimento: 4.361 km
Distância: 305.270 km
Recorde da Pista: 1:12.275 – Ralf Schumacher (2004)

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Programação
Sexta-Feira: 11h00 – 1º treino livre e 15h00 – 2º treino livre
Sábado: 11h – 3º treino livre e 14h – Classificação
Domingo: 15h – Corrida

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Será uma corrida eletrizante como todo ano no Canadá (ok, menos em 2011 que a corrida durou 4 horas), e dessa vez será transmitida só na TV fechada (SporTv). Uma pena que estar em um canal exclusivamente esportivo não um acréscimo de qualidade na transmissão.

Mas estaremos a postos para ver o duelo pelo título tomar novas formar e torcer pelo retorno do sorriso ao rosto de Ricciardo!

Qual sua aposta?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

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