Coletivo vs Individual

Na pista.
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Confirmado o tetracampeonato de Sebastian Vettel. Agora, só nos resta imaginar o que poderá acontecer em 2014...

Nos anos 60, o Boston Celtics estabeleceu aquilo que é a maior sequência da história dos esporte coletivos: 8 títulos seguidos na NBA, entre 1959 e 1966. Bill Russell foi o único presente em toda a sequência e nos títulos de 1957, 68 e 69, sendo até hoje (e para sempre) o maior campeão da história da NBA. Além do domínio impressionante do time verde, fica a tristeza de um nome grandioso como o de Elgin Baylor nunca ter sido campeão na mais importante liga de basquete.

Um jogador em especial, porém, ficou marcado como antagonista nessa incrível sequência: Wilton Norman Chamberlain, mais conhecido como Wilt Chamberlain. Wilt é dono das marcas individuais mais impressionantes da história do basquete e, quiçá, do esporte mundial. O pivô, porém, terminou sua carreira com “apenas” dois títulos no Basquete – e só por isso é volta e meia esquecido no debate do ‘melhor de todos os tempos’: sua performance nas finais de 1964, por exemplo, foi simplesmente antológica, mas ele… saiu derrotado.

Longe de comparar Russell e os Celtics a Sebastian Vettel/Red Bull, e muito menos Chamberlain a Fernando Alonso, estamos vendo mais uma vez um talento sensacional ser destroçado por um conjunto que beira a perfeição.

Vettel só não fez a pole por uma questão de “azar”: completou sua volta mais rápida nos treinos antes de Hamilton, quando a pista vinha cada vez melhorando. Assim, perdeu a chance não apenas do hat-trick (fez a melhor volta), mas também de um Grand Slam: ultrapassando Hamilton logo após a Eau Rouge, Vettel conseguiu vencer liderando todas as 44 voltas do GP da Bélgica.

Suas marcas estão cada vez mais precoces e impressionantes.

Alonso foi, mais uma vez, genial: passou de nono para quinto ainda na primeira volta. Depois, superou Button, Rosberg e Hamilton, conseguindo uma boa aproximação de Vettel. O espanhol não cansa de protagonizar exibições sensacionais: mas está como Wilt: individualmente, espetacular, mas não o suficiente para vencer.

O espanhol luta praticamente sozinho, emulando os últimos dias de Senna na McLaren: muito bom, muito bonito, mas e a vitória?

httpv://youtu.be/L5I-UD-CKcI

Considero, hoje, Vettel e Alonso no mesmo nível de pilotagem, com cada um levando alguma vantagem em determinados aspectos. Acontece, porém, que o coletivo da Red Bull é muito mais eficiente que o ferrarista.

Mark Webber já não ajuda mais como antes – mas ainda faz mais pelo touro vermelho do que Massa pelo cavalo rampante; o staff técnico da Red Bull é muito superior, também, principalmente no projetista Adrian Newey; Horner é muito mais eficiente que Domenicalli; coloque tudo isso à disposição de um piloto extremamente rápido como Vettel e tem-se a receita da perfeição – como foi nos áureos 2000-04, com Byrne-Brawn-Schumacher.

O coletivo da Ferrari promete se tornar mais forte ano que vem: primeiro, o anúncio do retorno do mago Rory Byrne; depois, a vinda de James Allison, da Lotus; e agora, a provável volta de Kimi Räikkönen para o lugar de Massa… tudo isso pode fazer da Ferrari uma contender no mundial de 2014: 2013, já acabou.

Hamilton e Mercedes também vão pavimentando o caminho para 2014: o inglês conseguiu uma bela sequência de 4 poles – inédita em sua carreira. Mais  que isso, Hamilton parece finalmente estar estabelecendo a hierarquia na Mercedes, depois de um começo em que penava para bater Rosberg.

Desse modo, 2014 não deverá trazer grandes novidades em termos de disputa pelo título: Vettel, Alonso e Hamilton deverão, nessa ordem, seguir dominando as chances, com Rosberg, Raikkonen e Button (afinal, a McLaren deve melhorar, certo?) correndo por fora.

Felipe Massa fez uma corrida boa somente no trecho final: ganhou algumas posições importantes, somando alguns pontos. Mas o cenário é pouco ou nada animador para o piloto e o automobilismo brasileiro.

Massa declarou na última semana que “se for pra correr por uma equipe pequena, é melhor parar“: Massa, assim, opta por seguir caminho distinto ao de Barrichello.

Talvez seja mesmo o mais correto a se fazer.

httpv://youtu.be/aae9laD2zqM

Vettel vai garantindo seu tetracampeonato em sequência. Durante a transmissão, o narrador falou por duas vezes que Vettel seria apenas o segundo na história a realizar tal feito (o primeiro seria Schumacher): esqueceu somente de Juan Manuel Fangio, que foi tetra de 1954 a 1957: o argentino foi uma união de Alonso e Vettel – ou de Chamberlain e Russell.

Após o octocampeonato da franquia de Boston, Wilt Chamberlain, criticado por “pontuar demais” [como não jogasse para o time], mudou seu foco na temporada 1966-67: diminuiu sua pontuação consideravelmente, mas liderou os playoffs em rebotes e – um pivô, lembrem-se! – em assistências: era o fim da dinastia Celtics.

Alonso poderá fazer algo parecido em 2014?

Abraços a todos. Boa semana!

Marcel Pilatti
Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

11 Comments

  1. Marcos Godoy disse:

    Concordo que o Massa há muito tempo está deixando a desejar em suas atuações. Mas gostaria que alguém me respondesse a uma pergunta: porque os problemas ocorrem somente no carro dele?

    • Mário Salustiano disse:

      Marcos

      sendo simplista na resposta a tua pergunta, Massa corre pressionado a tempos, por ele, pela imprensa e pelo público, dessa forma o erro vem com mais frequência, tanto na pilotagem quanto no desgaste do equipamento, somando a isso tem para mim o ponto que ele está abaixo de Alonso em pilotagem e aí ele não consegue fazer corridas consistentes, sendo muito irregular desdes os treinos e no trem de corrida

      abraços
      Mário

      • Fernando Marques disse:

        O Felipe Massa quando foi contratado pela Ferrari foi para ser o 2º piloto. Sempre o 2º piloto. Nunca para ser um possível campeão pela equipe … ele começou como escudeiro do Schumacher e depois foi escudeiro do Raikkonen … o único ano em que isto não aconteceu foi o de 2008 por que o Raikkonen depois de campeão não quis mais nada com a vida batendo de frente com a equipe e assim dando uma oportunidade única ao Massa que infelizmente não soube aproveitar e/ou foi sacaneado na corrida do Cingapuragate … com a saída do Raikkonem a Ferrari procurou um outro piloto para ser campeão com a equipe … este foi Alonso que está dando o azar da Ferrari não conseguir fazer um carro campeão e em contra partida ainda ter pela frente um conjunto imbatível chamado Vettel/RBR.
        O que incomoda o Felipe Massa é exatamente perder este posto de 2º piloto da Ferrari e assim perder uma receita de quase 8 milhões de Euros … isso sim deve está tirando o seu sono … se estivesse no lugar dele também estaria preocupado.

        Fernando MArques

        • Mauro Santana disse:

          Concordo com o Fernando, e acrescento a tudo isso o acidente no GP da Hungria 2009.

          Pois convenhamos, o cara é casado e pai de família, ou seja, vocês acham que ele vai se arriscar como nos seus tempos de Sauber.

          Acho que não!

          Abraço!

          Mauro Santana
          Curitiba-PR

  2. Fabiano Bastos das Neves disse:

    Diferentemente do restante do pessoal, ainda tenho esperanças de que ocorra uma virada no campeonato.
    Spa, assim com Monza e Mônaco, é uma pista com características muito diferentes das demais pistas do campeonato. Quem sabe quando voltarmos aos circuitos comuns as outras equipes possam brigar pelo título. Mas tem que ser “as outras” mesmo, em grupo, pois um único desafiante não conseguirá tirar o tetra do Vettel.
    A Ferrari foi bem nesta última corrida, mas foi prejudicada por uma péssima classificação.
    Alonso trabalhando para o coletivo? duvido muito.
    Seria bom para a F1 se a RedBull contratasse o espanhol, e talvez fosse bom até para o Vettel, pelo menos suas vitórias não seriam mais creditadas majoritariamente ao equipamento.
    O Massa, como já foi dito aqui no GPeto, só faz boas corridas quando se posiciona bem desde o princípio, mas o carro não está lhe proporcionando esta oportunidade (quem sabe na Itália). Penso que sua permanência na Ferrari esteja condicionada a saída do Alonso. Acho que ele só fica se o espanhol for embora, pois seria ruim para a equipe trocar os dois pilotos num ano cheio de novidades técnicas.
    Quem sabe não reeditam a dupla Kimi e Massa.

  3. Lucas dos Santos disse:

    Já que o assunto aqui é a Ferrari, nesse fim de semana, na Tv britânica Sky Sports, os ex-F1 Martin Brundle e Anthony Davidson teceram algumas especulações sobre a “dança das cadeiras” – ou dos cockpits – para 2014.

    Olha só quem eles colocaram na Ferrari ao lado de Fernando Alonso: http://i.imgur.com/38Tguxl.png . Você concordam com eles?

    A propósito, olha só os novos “pilotos” que eles sugerem que ocuparão os cockpits da Marussia e a Caterham: http://i.imgur.com/Yc0s133.png | http://i.imgur.com/HWMHSVa.png

  4. Aurélio Rodrigues disse:

    Em 2008 a Ferrari ‘definiu’ que não daria o campaeonato para o Massa. Ele teria a pontuação suficiente, para não precisar a prova final, bem no Brasil. Hamilton foi campeão ´por acaso’ (?). Mas o que ficou terrível, até inacreditável, o acidente do Massa na Hungria em 2010. Ele nunca mais foi o ‘mesmo’. Aquelas gravações na prova de ontem, aqueles problemas do ‘computador’ que ficava assim no volante, uma ‘ondulação caótica’, a Ferrari sempre fez ‘aquilo’. Ela acabou com o Massa. Aquele acidente iniciou seu fim. 1991 foi o último ano do Brasil na F1. Na verdade, aquele ano antológico de Senna em 1993 foi para lembrarmos para sempre a nossa história, Sete Titulos Mundiais, os 70, os 80 e o início dos anos 90. Fazem exatament 20 anos. Na verdade, de agora em diante, sempre será um europeu, um alemão ou um inglês…

    • Aurélio Rodrigues disse:

      OITO TÍTULOS !!!

    • Mário Salustiano disse:

      Aurélio
      O acidente de Massa foi em 2009,
      Agora sobre o fato de que o Brasil acabou para a F1 em 1991, eu levanto o seguinte: tivemos 3 campeões mundiais e 8 títulos no espaço de 20 temporadas, sendo que o seis de Senna e Piquet foram conquistados no espaço de 11 temporadas, olhando num espectro maior ,apenas outros 3 brasileiros venceram corridas na F1 (Moco, Barrichelo e Massa), pergunto: será mesmo que existe essa de o Brasil dominou ou se preparou para a Fórmula 1? ou será que contamos com a genialidade e circunstâncias isoladas de 3 pessoas que chegaram e fizeram bonito, eu sempre achei essa de querer trazer essas glórias como mérito do povo brasileiro no minimo questionáveis, quais ações podemos listar de ajuda oficial ou não, que foram dadas aos nossos pilotos pensando em conquistas de títulos e vitórias, tirando o ufanismo plantando pela platinada?
      A tempos o automobilismo nacional vem passando por uma total falta de iniciativas por parte da CBA e de quem possa ajudar a impulsinar carreiras aqui na base e quase ninguém se manifesta sobre isso, agora vivemos o reflexo dessa total falta de planejamento e preparação , logo logo vamos chorar a falta de um representante pátrio na F1, porque a fonte já secou e não estamos dando conta da dimensão do problema

      abraços
      Mário

  5. Fernando MArques disse:

    A temporada segue para um fim mais que previsível … o conjunto Vettel/RBR é imbatível neste momento principalmente levando-se em consideração a questão da regularidade pois quando não é o mais rápido sempre está nos podiuns …
    A Ferrari estagnou mesmo … e junto o Felipe Massa …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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