Começou a temporada.

Nossos japoneses são melhores do que os outros?
06/05/2015
No devido lugar
11/05/2015

Em Barcelona a "temporada de testes" acaba e a disputa do título de 2015 começa a se desenhar!

A Formula 1 volta da sua mini férias para a primeira etapa europeia do seu calendario de 2015. Foram longas 3 semanas de conversar com engenheiros, dinamometros a mil, simuladores e tuneis de vento.

Antes de chegar ao tradicional circuito da Catalunha é preciso validar e analisar todo o material colecionado nas 4 primeiras etapas fora de casa. Voltar para a pista de quase todos os testes significa a chance de rever os rumos da temporada.

Será que teremos uma mistura de forças nessa prova? Será que o campeonato ganha definitivamente cores vermelhas?

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A importância de voltar a Barcelona depois de 4 corridas fora é tão significativa por conta da ausência de testes no único esporte de alta performance do mundo que não permite que os participantes treinem.

Sua equipe tem 3 míseras sessões antes da temporada e depois tem que se virar com suas simulações computacionais. Não pode checar se os seus sistemas batem com as informações do carro nas condições de um final de semana de Grande Prêmio.

Barcelona é a chance de avaliar a verdadeira evolução que seus carros tiveram com uma base sólida de comparação com o projeto inicial.

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A Espanha já apareceu em 44 edições de mundiais de Formula 1. Nesse final de semana teremos a edição de número 25 acontecendo na Catalunha.

Desde 1991 a F1 compete no circuito que sofreu poucas alterações desde sua estreia. A mais significativa, a retirada da primeira perna da sequencia de curvas que leva a reta principal para a criação de uma chicane medonha. Em 1999 o circuito começou a receber testes e hoje é o segundo circuito da história que mais recebeu testes – 89. Só perde para Fiorano que funcionava quase diariamente nos anos de ouro da Ferrari e possui, até 2009, 149 (!) sessões de testes no currículo. Já que falamos de testes, a volta mais rápida na configuração atual do circuito é de Fernando Alonso com 1’18.483, com seu Renault R28. Esse ano, no inverno, o tempo mais rápido é de 1’22.792 feito Nico Rosberg.

Com esse grande histórico de testes e corridas não há muitas surpresas na ordem das forças. Não há espaço para um time ter guardado uma “carta na manga” para essa corrida. Todos conhecem o circuito de cor e suas demandas de downforce e consumo de pneus. A carga de downforce só perde para Mônaco, o asfalto é bastante abrasivo e ainda você tem curvas de raio longo em alta velocidade. Tempere isso com algumas mudanças rápidas de direção e a temperatura dos pneus vai para as alturas.

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Mentira dizer que a F1 não testa nunca. Teremos dois dias de testes depois da corrida (12 e 13/05). Também estão programados mais dois dias inteirinhos de teste depois da corrida da Austria (23 e 24/05).

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Edd Strawm da Autosport, ficou chateado com as comparações entre F1 e WEC. Chateado é eufemismo, desceu a lenha nos neo-fãs do WEC. Tudo isso por causa das comparações sobre velocidade e emoção dos carros que estão envolvidos nas corridas dos dois certames.

O ponto não é esse Edd, não queremos que o WEC vire a F1. Não queremos que a F1 vire o WEC. É só uma pequena reflexão sobre a velocidade atual da F1, que deveria ser o ápice da velocidade no esporte motor, hoje se arrasta para ter tempos similares aos praticados 10 anos atrás.

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httpv://youtu.be/RfCeAjAR-_s
É só uma propaganda de relógios, mas é demais.

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A guerra dos motores continua na Espanha. A Ferrari vem com algumas pequenas atualizações e as outras fabricantes somente com atualizações de software e pequenas peças que não utilizam créditos de atualização das unidades.

Segundo Lauda a Ferrari já tem um motor tão possante quanto a Mercedes. Segundo a Ferrari o motor Mercedes pode ter começado com uma grande vantagem, mas não é impossível de ser alcançado.

Na Renault o objetivo número 1 é não quebrar. Performance só depois que parar de quebrar. Parece um objetivo razoável. Ricciardo que o diga.

E a Honda? Tudo em paz. Seu ousado motor (Leia aqui a coluna de Cassio Yared que conta essa história) vai ser colocado a prova agora em Barcelona. Vão liberar a potencia para saber o que acontece. É importante para os japoneses entender o que aconteceu nessas 4 corridas de teste que tiveram fora. As novidades serão pequenas melhorias no sistema de refrigeração e um software novo para melhorar o gerenciamento do motor.

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httpv://www.youtube.com/watch?v=sJtWVSa8jmA
Esse cara merece um título na F1. Pela pilotagem, pelo numero 3 em homenagem ao velho Dale e pela simpatia. Os videos dele no canal da RedBull são demais!

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Barcelona também marca para o mundo da F1 a semana do falecimento de Ayrton Senna.

Esse ano, os colunistas do GPTotal prepararam uma série de textos que analisa as equipes do tri-campeão.

Chegando lá”, Senna na Toleman – Lucas Giavoni
The Lotus years”, Senna na Lotus – Cassio Yared
A batalha do século”, Senna na McLaren (1ª parte) – Marcel Pilatti
Tri-talento”, Senna na McLaren (2ª parte) – Mário Salustiano
Obra inacabada“, Senna na Willimas – Márcio Madeira

É de encher de orgulho o trabalho de jornalismo independente feito por essa turma do GPTotal. Aproveitem!

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Na prática mesmo, as quatro primeiras corridas do ano foram testes que contam pontos para o mundial. Não seria melhor um calendário de 16 provas e testes de verdade para uma competição decente?

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httpv://www.youtube.com/watch?v=EWEMAChGdTQ
Reformaram as flechas de prata!

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Vamos para pista na sexta com todas as equipes apresentado novidades em seus carros. Em maior ou menor escala, em último caso só com updates específicos de pista, todos tem novidades. O ponto será medir forças e descobrir quem trouxe as mudanças que melhor adicionaram performance aos seus carros.

A Mercedes tem que manter o domínio e está pressionada pelas atuações da Ferrari. Não apressará seu plano de atualização do motor que está focado para trazer resultados no segundo semestre, mas trás mudanças aerodinâmicas. Além de esperar um recuperação de Nico Rosberg.

Pelo lado vermelho, é a hora da verdade. Para Vettel o potencial do carro em Barcelona determinará as expectativas de caça aos prateados pelo titulo. O desenvolvimento segue tentando preservar o excelente gerenciamento de pneus adicionando velocidade pura para classificações.

Reb Bull e Toro Rosso dependem tanto da Renault que todo o resto parece secundário. Para o time de Faenza pode ser verdade, mas para o time com base em solo inglês o carro deve ser apresentado finalmente com seu novo bico curto (estilo williams e mercedes) que ainda não havia sido aprovado nos crash tests da FIA. Para RedBull esse é o pulo que fará chegar perto da Ferrari.

Ué, mas antes de chegar na Ferrari a Red Bull não deveria chegar na Williams? A Williams não vem bem e não tem dinheiro. Tempos atrás no GPTotal duvidei do renascimento da Williams por conta do seu foco em tecnologias como uma empresa de capital aberto. Resumindo, a empresa tinha foco em resultado financeiro e não nas pistas. Em 2013 e 2014 a equipe vendeu um braço de suas empresas e voltou a investir na equipe de F1. Resultado disso tudo, prejuízo para os acionistas apesar de um ano de 2014 encorajador. A torneira financeira de 2015 já está mais fechada e a Williams ainda não se entendeu com o gerenciamento de pneus para essa temporada. Está ficando para trás e os pódios estão cada vez mais distantes.

A McLaren vem de pintura nova. Nada de pintura Marlboro. Nada de Laranja. Vem um grafite e vermelho. Mudança radical mas poderiam ter criado mais, não? O carro agora deixa claro que é equilibrado em freadas e carrega boa velocidade nas curvas. Tração ainda não é o forte e o motor é limitado. A evolução existe, a diferença da melhor volta do Q1 para a melhor McLaren caiu de 2s836 para 1s277 nas 4 primeiras provas.

O mais curioso da temporada é o time Lotus. Quase não vem pra 2015 por falta de grana e dependia da PDVSA de Pastor Maldonado. Nesse intervalo de corridas anunciou que as contas estão em ordem. Uma semana depois avisou Maldonado que precisa mostrar resultado na pista, só o cheque não o garante mais. O time vem com um carro decente e com as contas acertadas? Qual foi a mágica? Malabarismos a parte, estão próximos de ser figura constante na turma que disputa o Top 10.

Sauber e Force India vão ficando para trás. E vai ser assim. Dinheiro mesmo não há e os carros vão receber updates pequenos corrida a corrida. Importante e reconfortante é que não sairão zeradas esse ano. Foram competentes em capitalizar pontos com as oportunidades que surgiram.

A Marussia, vem para sua primeira corrida do ano. As 4 primeiras só ligaram o carro para cumprir tabela e não perder o dinheiro da premiação. Continuarão em último, mas esperamos um vexame mínimo.

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Para o primeiro treino livre ainda há o espetáculo do festival de pilotos reservas. Raffaele Marciello pela Sauber, Jolyon Palmer pela Lotus e Susie Wolf pela Williams.

Susie é o caso mais curioso e sem futuro. Ela testa nos treinos livres e não é considerada, nem de perto, para ser piloto reserva no caso de ausência dos pilotos titulares. É incrível.

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Circuito: Circuit de Barcelona-Catalunya
Voltas: 66
Comprimento: 4.655 km
Distância: 307.104 km
Recorde da Pista: 1:21.670 – K Raikkonen (2008)

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Programação
Sexta-Feira: 5h00 – 1º treino livre e 9h00 – 2º treino livre
Sábado: 6h – 3º treino livre e 9h – Classificação
Domingo: 9h – Corrida

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O duelo de evoluções é o maior destaque do fim de semana. O campeonato sai de sua “temporada de testes” e a disputa começa a se desenhar!

Se o circuito não permite muitas ultrapassagens, as variáveis de estratégias para gerenciamento de pneus e as novidades de cada equipe garante um tempero especial para esse fim-de-semana!

Boa corrida para todos nós!

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

4 Comments

  1. Ronaldo disse:

    A Fórumula 1 começou no fim dos anos 90 a assassinar as curvas de raio longo, supostamente para favorecer as ultrapassagens. À época da alteração da penúltima curva – que na verdade junto com a última forma uma só, de duas tomadas -, no auge da era Schumacher, ao invés de enxergar a F1 como uma sucessão de hegemonias, algo que sempre foi, nasceu o argumento estúpido que ainda vigora que “antigamente” havia mais ultrapassagens, o que nos levou às artificalidades de hoje. Não levaram em conta os quarenta anos de aprendizado que levou os engenheiros a entender mais rapidamente a curva de desgastes dos componentes e tornar os carros inquebráveis. Colocaram então a culpa na revolução aerodinâmica, e nas curvas de raio longo que, mesmo no circuito com a reta mais longa da temporada impedia as ultrapassagens. Uma mudança na primeira curva, tornando a freada mais acentuada, teria sido muito mais produtivo.
    No entanto, esse circuito aí, pode virar do avesso, pintar de cor de rosa, pavimentar com ouro; nasceu assim, vai morrer assim.

  2. Mauro Santana disse:

    Belo texto Flaviz!

    Nunca curti muito esta pista de Barcelona, lembro que em 91 quando ela entrou no lugar de Jerez e Magny Cours no lugar de Paul Ricard, eu torci e muito o nariz.

    E pra priorar, não me recordo agora de cabeça o ano, a FIA pega e inventa esta chicane que acabou com a primeira das duas curvas que ligam o retão, e que era pra mim o ponto mais interessante desta pista.

    Fazer o que…

    O que a Honda vem fazendo hoje, me lembra um pouco o que o Piquet fez com a Brabham em 82, pois abriu mão da temporada pra desenvolver o motor turbo BMW.

    Só que a Honda, devido o regulamento, não pode fazer testes privados em autódromos para simular grandes prêmios, e aí, a sua pergunta faz todos o sentido Flaviz.

    Mas, o Fernando trouxe uma resposta interessante, pois o que importa pra velha Rapoza é a grana, e a F1 e os fãs, que se lasquem.

    Ótimo GP a todos.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Lucas dos Santos disse:

      A mudança na penúltima curva veio em 2007, após (mais) uma corrida bastante chata no ano anterior. Em tempos de turbulências aerodinâmicas, o objetivo da alteração era o de possibilitar a aproximação dos carros na última curva, criando, desta forma, mais oportunidades para ultrapassagens.

      Creio que, depois da “limpeza” aerodinâmica ocorrida em 2009 e com a introdução da asa móvel, o problema da aproximação dos carros acabou. Poderiam reconsiderar e trazer de volta o antigo traçado “pré-2007” que, felizmente, ainda existe e está em plenas condições de uso.

  3. Fernando Marques disse:

    Esta é a grande pergunta :
    “Na prática mesmo, as quatro primeiras corridas do ano foram testes que contam pontos para o mundial. Não seria melhor um calendário de 16 provas e testes de verdade para uma competição decente? ”
    Tio bernie certamente responderia assim: … money is money!!! … né!!!

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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