De novo, Bahrein!

Trailblazer
26/03/2019
Cruel, muito cruel
01/04/2019

Entra ano, sai ano. Entra temporada, sai temporada. Escolha a unidade de tempo que lhe mais convier, o que não muda é a presença do Bahrein no calendário.

Apesar dos problemas políticos da região a F1 continua passando o seu recado de isenção e “respeito” a soberania das nações. Com isso cá estamos nós novamente no Bahrein!

A segunda etapa do campeonato não é um primor de circuito, só que esperasse dele uma visão um pouco melhor das forças da temporada de 2019.

Teremos aqui uma nova surra da Mercedes? A senhora Ferrari reage?

Apesar de seu traçado pouco inspirador, o circuito do querido Tilke pode nos mostrar algumas novas realidades dessa temporada. Temos uma pista com longas retas, freadas bruscas e muita necessidade do uso da energia das baterias. Esses três elementos podem apresentar um cenário completamente diferente de forças, tanto na disputa das primeiras posições quanto nas posições do intermediárias (nosso popular “pelotão festivo”).

É um bom teste para nossos admirados japoneses da Honda e pra turminha da Renault. A Honda veio muito bem em Melbourne, um circuito de média demanda para os motores. Precisa provar que tem velocidade de reta e, principalmente, se o seu sistema de recuperação de energia não queima todo o estoque de carga antes da metade das retas.

A Renault precisa sair da fase de promessas. Sempre atrás dos italianos e alemães, os franceses não podem se dar ao luxo de serem ultrapassados pelos motores nipônicos. Seria uma humilhação dantesca.

A pista atual recebeu 13 das 15 edições do Grande Premio desértico. A primeira edição tinha só 5 metros a mais que atual, uma sutileza. O de 2010 foi uma grande porcaria, tinha intermináveis 6.2 km e 23 curvas sem a menor graça.

Para oferecer mais emoção para os espectadores e mais números para as estatísticas, a FIA presenteia o público com 3 zonas de DRS para essa prova (contém ironia). Vai ser um festival! Todos comemoram felizes.

Maldade da redação com a Honda e a Renault: seria bom não quebrar também.

Pessoal da Netflix está gravando (no gerúndio mesmo) a nova temporada de “Drive to Survive” que vai contar alguma história do campeonato de 2019. Nota-se, pelos comentários dos jornalistas que cobrem a F1, que há grande atenção com Robert Kubica. Essa atenção é dada desde Barcelona e parece óbvia: temos uma bela história pra contar, não é mesmo? Como foi notada essa atenção, mais de um jornalista reporta comentários do time de produção da Netflix sobre o dia-a-dia do piloto: está difícil manter frases inteiras do Kubica sem uma enxurrada de palavrões sobre o carro que dirige. Tá um clima ótimo!

Alonso resolveu aproveitar sua fama e bom time de marketing para andar com todos os carros de ponta disponíveis no mundo. Ganhou Daytona, Sebring e Le Mans. Quinze dias atrás estava curtindo um rallycross no gelo e essa semana foi se divertir na África do Sul com uma bela Toyota Hylux daquelas de disputar Dakar. No meio tempo, entre um voo e outro, botou na pista um time de Fórmula Renault e na tela da tv (existe esse termo ainda?) um time de corridas virtuais de video game, em 3 categorias. O rapaz está com energia pra dar e vender.

Pra não perder o pique, pós corrida, senta na Mclaren pra avaliar o carro para equipe. Sainz e Norris não tiveram muito contato com a cadeira elétrica do ano passado. Além disso, os dois tem aquele otimismo alegre – levemente irritante – de quem acabou de chegar na casa nova. Chamaram o amigão Alonso pra dar aquele choque de realidade no time.

Apostem algum dinheiro, Alonso e Zak Brown ainda vão aparecer dirigindo algum outro time por aí. É muita parceria pra pouco resultado na pista.

Mercedes e Ferrari mostraram em Melbourne que vão continuar mandando na F1. Resta saber em quais circuitos cada uma vai mandar. A Mercedes não deve manter a vantagem absurda de Melbourne. Se isso acontecer novamente no Bahrein, o primeiro semestre do campeonato ser fatal para pretensões ao título do time Vermelho. Também não é de se acreditar que Bottas vai bater consistentemente Hamilton na pista. Pra Mercedes, o ocorrido em Melbourne, é ótimo: Hamilton já ligou o alarme na primeira corrida. Todos sabem como ele é avassalador nessas condições. A Ferrari não falha. Confia gente, confia que o vexame vem! Desempenho pífio. Ultrapassada por um motor Honda. Usando ordem de equipes para proteger sua estrela na primeira prova da temporada. Leclerc, esse jovem camarada, ou faz uma prova sublime e incontestável no Bahrein ou vai bordar “2º Piloto Eterno” na toalinha de rosto do motorhome do time. Desliga o rádio, vai lá e passa o tetracampeão. Os campeões fazem isso.

Na Red Bull, o motor Honda encontrou um caminho depois das quebras infinitas na Mclaren e Toro Rosso. Se ganhar esse ano (alô Mônaco!), Zak Brown e a turma da Mclaren pode mudar de categoria. Talvez um time de corridas virtuais. Uma pena é ver Gasly “tão verde” para um carro tão grande e contra um piloto espetacular como Max. Resta torcer para o menino ser um prodígio mesmo e aprender rapidamente como ser páreo para Max.

No pelotão onde toda a festa acontece, a Haas deve confirmar um começo de temporada mais forte que as demais. Brigando ali, ponto a ponto com a Renault. Bom pra Haas, vergonhoso pra Renault. Única tristeza para Haas é sua dupla de pilotos. Kevin é um piloto médio e perigoso. Romain é aquela incógnita de sempre que depende da posição das estrelas para desempenhos consistentes. Já no time francês, as coisas tem que se encaixar rapidamente. Com o orçamento de fábrica, bons pilotos, não dá pra ficar disputando posição com (perdão a recorrência do tema) o time que manda fazer seus chassis na Dallara. Ricardo não deve estar nem um pouquinho contente e vai ter que manter o sorisso no rosto.

Um tiquinho mais atrás vem Toro Rosso, Mclaren, Alfa e Racing Point. Uma zona. Qualquer aposta de vantagem aqui é certeza de se perder dinheiro. Os carros funcionaram bem de pist para pista. Nada milagroso e ainda terão (todas) de lidar com aprendizado de seus pilotos. Sim, até a Racing Point, porque, veja bem, com todo respeito, Lance Stroll, ainda precisa provar que não é só um filhinho do dono. A Mclaren já sofre problemas de trocas de peças (MGK) no carro de Sainz, que foi engulido pelo novato Noris nas estreia. Essa dupla vai ser divertida de acompanhar em 2019.

Aliás foi bonitinha a declaração de Sergio Perez essa semana: Stroll é o companheiro de equipe mais forte que já andou comigo. Ele falava de ritmo de corrida, é verdade. Apesar da mentirinha, foi fofinho dar essa agradada no patrão. Não dá pra chegar falando pro patrão que o filho dele é “roda presa”, né?

Pois é. Temos a Williams aqui no fundo. Sem rumo, sem dinheiro. O time tem condições de ter um carro na pista. Segunda prova do ano e ainda não a peças de reposição suficientes. Patrick Head volta ao time pra “aconselhar” Claire Williams, claramente fragilizada pela falta de organização do time e resultados nas pistas. Comparando os carros de 2019 e 2016, em Melbourne, temos somente 1 segundo a menos no tempo de volta. Motor Mercedes em todos esses anos. A equipe Mercedes fez diferente, tirou 3.3 segundos no tempo da volta entre os 4 anos. Injusto? Tá bem…é uma Mercedes contra uma garagista. Vamos comparar com a Racing Point/Force India/Midland/Spyker/Jordan ? Os caras da Force India foram 2.9 segundos mais rápidos em 2019 do que em 2016. E a equipe faliu em 2018!

Desculpe Williams. Não tem saúde que baste pra te acompanhar esse ano.

A pista pode não empolgar, mas são tantas variáveis na mesa que há um clima de ansiedade para essa prova. Teremos um campeonato em 2019, como os novatos se sairão, a Honda vem forte?

Ninguém tem as respostas, vamos montando esse quebra-cabeça nessas provas iniciais.

Pra você, quem dessa vez dominará o jogo?

Abraços
Flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

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