É proibido fumar…

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Edu,

O assunto é velho, mas vale a pena ser retomado. Como todos sabem, a propaganda de cigarros será proibida na Fórmula 1 a partir de 2007. A FIA atendeu a apelos das autoridades da Comissão Européia e resolveu dar cinco anos para as equipes tratarem de arranjar outra fonte de recursos. A Ferrari, por exemplo, manterá o patrocínio da Marlboro até 2006, ano-limite do patrocínio de cigaddos. Depois, seu espaço será ocupado pela Vodafone, gigante de telecomunicações que já terá seu nome estampado nas carenagens vermelhas a partir de 2002.

Como bom ex-fumante (parei, com muito pesar, há cinco anos), vou sentir falta dos cigarros na F 1. Eles se imiscuíram de tal maneira na história da categoria que é difícil pensar em não ver mais o escudo da Marlboro, por exemplo. Os cigarros acabaram criando pinturas “clássicas” da F 1. Só para citar duas mais conhecidas: as maravilhosas Lotus pintadas com o preto e dourado da John Player Special e as McLaren com o branco e vermelho (ao vivo, era quase laranja) da Marlboro. E não posso deixar de citar a obra-prima mais recente: a pintura das McLaren patrocinadas pela West.

Nos Estados Unidos, pintar os carros de corrida nas cores de patrocinadores é prática bastante antiga. Na Europa, isso só foi permitido no final de 1967, quando os custos da F 1 já estavam altos demais para serem absorvidos apenas pelas equipes com a ajuda de petrolíferas e fabricantes de pneus (que podiam no máximo colocar pequenos adesivos nos carros). Mesmo depois da liberação, ainda houve certa resistência das equipes em abrir mão das cores de seus países. Por isso, foi um certo escândalo, ainda que perfeitamente previsível e legalizado, quando Colin Chapman cometeu a ousadia de trocar o “British Racing Green” de seus carros pelas cores vermelho e branco do cigarro Gold Leaf – e, ousadia maior, batizar sua equipe como “Gold Leaf Team Lotus”. A resistência das equipes não durou muito – apenas o tempo necessário para elas verem o dinheiro que poderia entrar graças aos patrocínios… Falar hoje que uma equipe resistia a procurar patrocínio parece loucura. Mas foi assim que aconteceu no final dos anos 60.

Depois, veio a história de proibir a inscrição de nomes de cigarros nos carros. Isso começou no GP da Alemanha, em 1973. Naquele ano, a Lotus e BRM tiveram que apagar os nomes John Player e Marlboro dos carros. Pilotos e mecânicos cobriram os nomes dos cigarros em suas roupas da maneira mais prosaica: com fitas adesivas. Ninguém pensava em usar roupas e capacetes já feitos sem as marcas de cigarros – isso só começou nos anos 80, quando aumentou o número de países que proibiam a propaganda de cigarros.

Não acho que a saída obrigatória das companhias de tabaco será um grande problema para as equipes. Com cinco anos de transição pela frente, elas terão tempo suficiente para garimpar o ouro em outra seara. A Ferrari, por exemplo, já fechou um acordo com a Vodafone, gigante do ramo de telecomunicações. E não vou discutir se medidas como essa têm algum impacto no consumo de cigarros. Sem querer fazer apologia ao fumo, minha humilde opinião é que em geral as campanhas antitabagistas são uma enorme hipocrisia. Entre outros motivos, porque exibem algumas verdades mas omitem e distorcem vários fatos. Mas aí já não é assunto para o GPtotal…

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Uma pequena amostra da presença marcante dos cigarros na F 1. De todos os pilotos que foram campeões mundiais de 1974 para cá, somente três nunca disputaram ao menos um GP com o nome Marlboro no carro ou no macacão: Jody Scheckter, Damon Hill e Jacques Villeneuve.

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Última curiosidade sobre cigarros. Já vi muitas maneiras de as equipes tentarem “driblar” as leis anti-tabagistas. Uma das mais originais foi no GP da Inglaterra de 1985: no capacete de Michele Alboreto, a faixa superior teve o nome “Marlboro” trocado por “M.alboreto” – assim mesmo, para dar leitura como “Malboreto”. Mas a mais eficaz aconteceu no motociclismo. No começo dos anos 90, o cigarro alemão HB patrocinava uma equipe com dois pilotos. No GP da Alemanha, a equipe resolveu trocar o logotipo do HB com os nomes de seus pilotos, colocando as iniciais em tamanho muito maior do que as demais letras. Um dos pilotos chamava-se Helmut Bradl…

Abraços,

Panda

GPTotal
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A nossa versão automobílistica do famoso "Carta ao Leitor"

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