Emoções conflitantes

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A despedida de Jules Bianchi mistura as emoções para mais uma etapa do calendário.

A trigésima edição do Grande Prêmio da Hungria é um caldeirão de emoções contraditórias para equipes e pilotos. O sentimento inicial é de alívio pelo fim do primeiro semestre, seguido pela excitação das férias próximas. Mas todo esse sentimento foi misturado com a despedida emocionada dos pilotos ao companheiro de grid Jules Bianchi.

As portas da sua parada obrigatória, os times, pilotos e a F1 terão 30 dias para refletir sobre suas decisões para o futuro e sobres suas omissões que nos trouxeram ao cenário de hoje.

Não serão as férias mais fáceis na cabeça de muita gente, mas a prova da Hungria tem a chance de apontar a F1 para mais uma evolução (como aconteceu após as tragédias de 1994) que permita termos competições reais com mais segurança para todos.

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Todo mundo gosta de reclamar do circuito travado da Hungria. Mas é uma pista que sempre trás supressas. Será que a expectativa é tão baixa que a gente se surpreende com qualquer coisa?

A lista de provas divertidas é até grande! Tem a super batalha de Senna e Piquet de 1986. Quem não lembra dessa? Tem também a primeira vitória de Alonso em 2003, o mais novo da história naquele momento!

Teve muito drama também, como não se emocionar com Damon Hill em 1997 com uma fraca Arrows sucumbir à um problema hidráulico a 100 metros da vitória?

E a final da prova da temporada passada que fechou o dia com uma vitória gigantesca de Ricciardo derrotando na pista os monstros sagrados dessa geração?

A pista não apresenta mudanças para esse ano em seus 4381 metros de extensão. Não é uma prova que demanda demasiadamente dos pneus, mas o foco de atenção é com a temperatura. São tantas mudanças de direção sem tempo de resfriamento que um gerenciamento errado pode arruinar sua corrida. Costumeiramente as duas maiores demandas do circuito são por tração equilibrada e freadas consistentes. Sem isso não há quem consiga bons tempos na Hungria.

Das 29 edições anteriores, as últimas 12 foram disputadas no atual traçado. Todo mundo sabe onde está pisando. Lewis Hamilton é o piloto em atividade com maior número de vitórias aqui, são 4. Na fila aparecem Jenson Button com 2, Alonso, Raikkonen e Ricciardo desfrutam de um troféu cada em suas prateleiras. Quem fez mais poles e ainda esta em atividade? Bingo, Lewis Hamilton. 4 poles também no currículo. E qual o piloto em atividade que liderou mais corridas na Hungria? Anota aí, Lewis Hamilton em 7 oportunidades.

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Quem sairá na pole para a prova de domingo?

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httpv://www.youtube.com/watch?v=ZzPNXPeMvUc

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#JB17

O número 17 está aposentado da Fórmula 1.

Trocaria todas as homenagens póstumas da FIA pelo reconhecimento da entidade que um trator fora dos guard-rails, durante um temporal, no crepúsculo, demandava de forma obrigatória a presença de um safety-car. Trocaria todas as homenagens póstumas da FIA por uma declaração que diga que não foi culpa de um piloto de F1 que andou rápido demais no momento de deveria não estar tão rápido assim.

Jules finalmente descansou após uma luta de nove meses para se salvar de uma das batidas mais terríveis da F1. Não conhecemos Jules pessoalmente, não havia muitas entrevistas com ele. Não dava para dizer se seria um futuro campeão. Não é possível afirmar que era cara legal, um cara bacana, afável, simpático. Não é possível falar em “pessoa do bem”, “bom moço” e “família”, rótulos que gostamos de dar as pessoas, citados entre aspas mesmo, para representar o vazio do som provocado por cada rótulo desses quando usados. Não temos como fazer isso.

No momento dessa despedida podemos dizer poucas coisas. Era um cara veloz. Era um cara consistente em seus resultados dentro de suas limitações. Era um cara corajoso e determinado, e essa determinação o levou ao maior feito das equipes nanicas desde 2010: 2 pontinhos em Mônaco. Nada mais, nada menos que 25 pilotos tentaram o feito pelas equipes Lotus/Catherham, Virgin/Marussia/Manor e HRT/Hispania, sem sucesso algum.

Das poucas coisa que podemos dizer é que nenhuma família deveria passar pela provação de ver um parente lutando pela sua sobrevivência durante 9 meses, impotentes, do lado de fora, sem nada mais poder fazer além expressar das mais diversas formas seu suporte, amor e carinho. Que Jules Bianchi descanse de sua luta. Que sua família tenha o conforto necessário e que seus amigos o mantenham vivo na memória.

Trocaria todas as homenagens póstumas da FIA e da F1 pela admissão de sua culpa e suas cagadas magistrais. Ou pelo menos FIA, que a Sra suma do esporte com sua covardia.

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Nasr e Ericsson são os dois primeiros pilotos confirmados para 2016. A Sauber mantem assim sua dupla de pilotos em busca da estabilidade no desenvolvimento do carro e no depósitos dos cheques.

Vamos esperar a temporada começar? 2015 ficou provado que a Sauber gosta de ter várias opções na manga para decidir, não é mesmo? Vai que pinta algum piloto surpresa em Melbourne com um macacão na mão e um banco pra moldar.

Para Nasr, é a melhor opção no momento. Há espaço para fazer um bom trabalho e as vagas em 2016 nas equipes melhores não estão disponíveis. E ainda não tem um companheiro dos mais brilhantes de sua geração. Facilita.

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Mercedes continua sua saga de vitórias. Com pista livre, ninguém anda próximo aos carros prateados. Se perderem posição na largada, é só questão de tempo para na estratégia voltarem para a ponta. Hamilton mostrou que sua fase é brilhante, no seco ou no molhado ele vai prevalecer. Precisa agora ser mais firme em suas tomadas de decisão e não cair nas armadilhas de seus engenheiros que têm roubado pontos (e vitórias) importantes.

Na Red Bull a espera é pela chegada do verão. Com a pausa obrigatória, será decidido o que fazer com a Renault. Isso será fundamental para o restante da temporada da equipe. Será dando um voto de confiança ao franceses ou partirão para o desenvolvimento de outro projeto com um novo parceiro? Seus dois pilotos só esperam repetir a boa corrida de Mônaco, essa é a meta.

A Ferrari é o centro dos bastidores desse momento. O time ainda não é constante o suficiente para atacar a Mercedes em todas as pistas, mas é a que está mais próxima. Essa proximidade torna um dos seus assentos o mais disputado do ano. O assento de Kimi é o único viável e depende da definição se ele continuará na equipe para o mercado se mexer. Os boatos apontam o fim da carreira de Kimi na F1, mas são só boatos. Kimi, aliás, se dá bem nessa pista. São 7 pódios (empatado com Senna e Schumacher) e tem 3 voltas mais rápidas registradas (só perde para Schumacher). É de se esperar um bom rendimento dele.

Os ingleses da Williams passam pelo seus fim-de-semana de provação máxima na temporada. Voltar para uma pista com características semelhantes as de Mônaco é um pesadelo para equipe. O carro foi amplamente atualizado desde de Mônaco e agora eles vão verificar se o carro pode ser competitivo em todo o tipo de pista. Talvez não salve 2015, mas pode apresentar a direção certa para 2016 começar na direção certa. Felipe Massa vem todo animado, seu contrato vai valer para o ano que vem.

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Toro Rosso e Force India continuam seu duelo entre as forças médias do campeonato. É uma disputa bonita de se ver. Junto com eles sempre aparece uma Lotus querendo beliscar alguns pontos. O problema da compactação desse grupo é o volume de toques, batidas, punições que seus pilotos proporcionam no desenrolar do fim de semana de um GP. Em uma pista travada como essa, com a vantagem da Toro Rosso não depender tanto da potência dos motores Renault, o jogo pode estar muito nivelado para uma boa briga pelos pontos na fase final da tabela de classificação.

A Sauber vai ficando mesmo pra trás. Seu carro vai ser atualizado com um novo motor Ferrari depois da pausa de verão mas o chassi novo só chega em Cingapura. Com os pontos desse ano garantidos, é bom começar a testar as atualizações pensando em começar 2016 um pouco na frente do pelotão do meio e novamente garantir pontos no começo campeonato. Não é muito, mas é decente.

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Chegamos à turma do fundão! McLaren pra começar!

Grande fase que vive a equipe de Ron Dennis, um espetáculo. A Honda ganhou a chance de usar um motor novo e vai fazer isso na Hungria. Dois tokens de atualização foram empregados nas unidades de potência instaladas nos carros de Jenson e Fernando. A decisão busca garantir mais alguns pontinhos, como feito por Jenson na prova de Mônaco. Para a pausa de verão a Honda utilizará todo o restante do desenvolvimento permitido para – pasmem – igualar sua potência com o nível da Renault (!?). Na parte de chassis, depois da pausa de verão também está prometido um salto de performance. Boulier explica que o desenvolvimento foi muito cuidadoso no primeiro semestre para conferir o trabalho dos computadores (no CFD) e no túnel de vento com os dados da pista. Agora que está tudo certinho, é prometido um “salto de performance”. Não sei não, mas a desculpa é a mesma da Sauber. Só que lá na garagem do time Suíço eles admitiram que não tem dinheiro pra gastar. Ligue os pontos.

A parceira de fundão da McLaren, a Manor/Marussia impressiona. O carro recebeu nas últimas provas as atualizações que estavam previstas para o 2º semestre de 2014 mas não haviam sido fabricadas. É um time valente, o mínimo que podemos afirmar.

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Circuito: Hungaroring
Voltas: 70
Comprimento: 4.381 km
Distância: 306.630 km
Recorde da Pista: 1:19.071 – M Schumacher (2004)

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Programação
Sexta-Feira: 05h – 1º treino livre e 9h – 2º treino livre
Sábado: 06h – 3º treino livre e 09h – Classificação
Domingo: 09h – Corrida

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Depois da Hungria, corrida só em 23 de Agosto. Nesse intervalo, um grato período para reflexão sobre o futuro da F1. No lado esportivo, a chance de alguma equipe se aproximar e acabar com o domínio avassalador da Mercedes, intercalando algumas vitórias e também a chance da McLaren-Honda se recuperar de um vexame histórico.

Para esse grande premio, salvo mudanças de clima e um safety-car, qual dos carros da Mercedes leva a vitória para casa?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

10 Comments

  1. Lucas dos Santos disse:

    Pessoal,

    Aí vai um exercício interessante de se fazer, caso a corrida não esteja muito movimentada. É algo que normalmente só é feito em fim de temporada: calcular o que cada piloto precisa para atingir um determinado resultado já na próxima corrida.

    Essa temporada tem se mostrado uma verdadeira “briga doméstica”, com pilotos de mesma equipe muito próximos, a maioria com chances de superar seu companheiro de equipe na classificação do campeonato já nesse fim de semana. Por isso, vamos ver que resultados cada piloto precisa para superar o seu companheiro de equipe, começando pelo fim do pelotão:

    Will STEVENS: Terminar em décimo-primeiro – ou melhor colocação – e à frente de Roberto Merhi.

    Fernando ALONSO: Chegar pelo menos em oitavo, com Jenson Button fora da zona de pontuação; Chegar em sétimo – ou posição melhor – a, pelo menos, duas posições a frente de Button (ex.: sétimo e nono, sexto e oitavo, quinto e sétimo etc.).

    Carlos SAINZ: Terminar em nono – ou melhor colocação – e à frente de Max Verstappen.

    Marcus ERICSSON: Terminar em quarto, contanto que Felipe Nasr não pontue; Chegar em terceiro – ou posição melhor – a, pelo menos, cinco posições a frente de Nasr (ex.: terceiro e oitavo, segundo e sétimo etc.).

    Pastor MALDONADO: Chegar em sétimo – ou posição melhor – a, pelo menos, três posições a frente de Romain Grosjean (ex.: sétimo e décimo, sexto e nono, quinto e sétimo etc.).

    Sérgio PEREZ: Chegar em terceiro, com Nico Hulkenberg fora da zona de pontuação; Chegar em segundo, contanto que Hulkenberg não vá além da nona posição. Vencer a corrida, com seu companheiro de equipe não indo além da sexta posição.

    Daniil KVYAT: Chegar em quinto, contanto que Daniel Ricciardo não vá além da décima posição; Chegar em quarto, com Ricciardo não indo além da nona posição. Chegar em terceiro com seu companheiro de equipe terminando, no máximo, em sétimo; Chegar em segundo com Ricciardo em sexto; Vencer a corrida, desde que Ricciardo não vá além da terceira posição.

    Felipe MASSA: Chegar pelo menos em oitavo, com Valteri Bottas fora da zona de pontuação. Chegar em sétimo – ou posição melhor – a, pelo menos, duas posições a frente de Bottas (ex.: sétimo e nono, sexto e oitavo, quinto e sétimo etc.).

    Kimi RAIKKONEN: Não tem chances de superar Sebastian Vettel no campeonato nesse fim de semana.

    Nico ROSBERG: Chegar pelo menos em segundo, contanto que Lewis Hamilton não pontue. Vencer a corrida, com Hamilton não indo além da sétima posição.

    OBS: Eu ia calcular o que cada um precisa para superar o seu rival imediatamente a frente, mas vai tomar muito espaço neste comentário. Se os colegas acharem isso interessante – e relevante – eu o faço para o próximo GP.

  2. Lucas dos Santos disse:

    Ótima coluna, Flaviz.

    Vamos ver o que esse GP nos reserva.

    Só uma correção: o nome do piloto britânico que compete pela McLaren é Jenson Button e não “Jason Button”.

  3. Fernando Marques disse:

    Flavis,

    concordo em quase tudo em sua coluna acima …
    só não concordo a respeito de uma coisa em relação ao GP da Hungria … ano passado a Willians foi bem e Bottas chegou em 3º lugar e Massa conseguiu um bom 5º lugar largando lá tras no pelotão … acho que eles podem repetir o bom desempenho do ano passado … Hungaroring é travada mas é muito melhor que Mônaco em termos de pista … um pouco disso que estou falando saberemos no treino que define o grid de largada …


    Acho que Hamilton no domingo

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Flaviz Guerra disse:

      Fernando, acabou o Q3 e a Williams sofreu 1.2s atrás das Mercedes. Tá complicado pro time inglês :/

      • Fernando Marques disse:

        Flavis,

        pelo visto nem Rosberg parece ser uma ameaça a Hamilton neste domingo …

        Fernando Marques

  4. Mauro Santana disse:

    Belo texto Flaviz!

    Olha, para o bem da temporada, espero que o Rosberg vença.

    Mas, acredito que Hamilton chegue em primeiro.

    Ótimo GP a todos.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

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