Equipes brigam por Raikkonen

Tudo ajuda Schumacher
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Schumy é tetra mas não foi fácil
08/09/2001

Edu,

O mais novo boato do mercado: a Mercedes ofereceria motores à Sauber em troca de ter o Kimi Raikkonen (tem duas vogais com trema aí nesse sobrenome, mas não sei dizer quais são…).

Se essa negociação realmente estiver em andamento, será uma boa oportunidade para sabermos a real dimensão da importância estratégica da Sauber nas atividades da Ferrari. A colaboração esportiva é nítida: em várias corridas, o Jean Todt foi mostrado indo falar qualquer coisa na Sauber – especialmente quando uma Ferrari se aproximava para dar uma volta… Se vier a público que a Ferrari moveu mundos e fundos para manter a Sauber (e Raikkonen) sob sua tutela, veremos que ela é muito maior do que nos demos ao trabalho de pensar até agora. É esperar para ver…

Antes do GP da Bélgica, li no Warm-Up (www.warmup.com.br) algumas declarações do Prost sobre o momento atual da vida dele. Entre outras coisas, ele disse que mal consegue dormir direito e que chegou a esquecer o aniversário de 20 anos de seu filho Nicolas. Acho perfeitamente possível, porque alguém minimamente honesto que tenha pairando sobre a cabeça uma dívida de US$ 19 milhões realmente não consegue dormir. Mas a certa altura pode-se ler uma pérola de ingenuidade: uma frase do tipo “Na F 1, ninguém é amigo de ninguém”. Incrível: será que ele nunca havia percebido isso?

Há uma história de que o Diniz teria se oferecido para comprar a equipe por US$ 1 (isso mesmo, você leu direito: um dólar – claro que em troca ele assumiria o passivo de US$ 19 milhões). Isso mostra duas coisas: 1) Jack Brabham continua sendo o único piloto a alcançar grande sucesso como piloto E como dono de equipe. Os demais fracassaram redondamente (Fittipaldi, Surtees, Prost) ou ficaram muito abaixo do que conseguiram atrás do volante (a Stewart, por exemplo, venceu aquele GP da Europa em 1999 apenas porque os outros quebraram). 2) Em compensação, pilotos medíocres se deram bem como donos de equipe: Chapman, Ecclestone, Tyrrell…

Só para encerrar o assunto Prost. Se ela realmente for vendida por US$ 1, lembrará a história do Bahrings, tradicionalíssimo banco inglês (tinha dois ou três séculos de existência e as contas da nobreza britânica, incluindo a família real). No começo de 1995, o Bahrings sucumbiu a um rombo gigantesco provocado pelas operações fraudulentas de um único funcionário, um espertalhão que trabalhava na filial da Cingapura. Meses depois, o Bahrings foi vendido a um banco holandês pela quantia simbólica de uma libra esterlina.

Quanto ao Schumacher, nenhum reparo à sua carta do dia 4. Muito bem lembrada a conversa dele com os fiscais de pista na Alemanha. Para quem não lembra, ele abandonou a corrida, deu autógrafos nos jalecos dos fiscais e conversou um bom tempo com os fiscais do posto próximo do local onde a Ferrari apagou – acho que ficou ali até o final da corrida. E percebia-se nitidamente que ele estava tranqüilo, relaxado, curtindo o momento mesmo (repare que o Coulthard só abandonou a corrida umas quatro voltas depois). Não eram respostas monossilábicas, mas uma conversa de verdade.

Será que algum jornalista teve a feliz idéia de procurar esses dois fiscais para uma entrevista? Caso sim, certamente escreveu a reportagem mais interessante daquele dia. Na Europa, é comum os comissários de pista e diretores de prova se profissionalizarem nessas funções (alguém me disse que na Inglaterra tem até sindicato), não acho difícil que o alemão conhecesse pelo menos um deles (aquele senhor mais velho) desde os tempos da Fórmula Konig (categoria alemã para iniciantes) ou da F 3. Conhecendo o cara há muitos anos ou não, o fato é que aquela imagem foi uma decepção para aqueles que fazem de tudo para mostrar que Michael Schumacher é um ser arrogante, frio e desumano…

Abraços,

Panda

PS-Continuo aguardando a resposta para o desafio que te lancei, sobre o Bernie Ecclestone..

GPTotal
GPTotal
A nossa versão automobílistica do famoso "Carta ao Leitor"

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