Festa Canadense

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Nada como preencher nossas tardes com um pouco da categoria máxima do automobilismo, não é mesmo?

A primeira corrida da temporada nesse lado do globo acontece no tradicional circuito de Montreal. Nesse fim de semana um real desafio para as Mercedes contra as Ferraris ou mais um passeio no parque? Será que os 4 hondas que vieram tão bem em Mônaco suportam as longas retas canadenses?

Algumas perguntas e várias nuances para mais um final de semana de festa no Grande Prêmio do Canadá.

Não é todo dia que vemos um Grand Prix chegar em sua 50º Edição. O Grande Prêmio do Canada alcança essa marca com a 40º edição em Montreal, tendo passado 2 vezes por Mont-Tremblant e 8 vezes por Mosport. Era para ser a edição de número 53, mas o Canadá ficou de fora do calendário da F1 em 1975, 1987 e 2009.

A primeira corrida foi realizada no Mosport Park e foi vencida por Jack Brabham com a Brabham/Repco. Era uma época interessante, a corrida teve humildes 90 voltas e foi disputada com chuva. Por conta disso (e pela ausência do limite atual de duas horas de prova), Jack pilotou por duas horas e 40 minutos para conseguir triunfar.

Até 1971, Mosport Park e Mont-Tremblant se revezaram na organização do GP. Mosport assumiu o GP canadense de 1971 até 1978, quando o evento foi transferido para o Circuito Ile Notre-Dame, renomeado em 1982 para Circuit Gilles Villeneuve.

Pra comemorar esse aniversário, os organizadores entregaram um paddock novinho em folha para a Formula 1. Um alivio pra F1, Brasil e Canada eram circuitos “raiz” ainda no calendário: os boxes eram apertadinhos e sem muita infraestrutura para os equipamentos mais modernos de hoje em dia.

Como quase todas as pistas dessa nossa era moderna da F1, o recorde de vitórias ainda pertence ao glorioso Schumacher com incríveis 7 conquistas. Hamilton vem logo atrás com 6 e pode igualar o heptacampeão já nesse fim de semana. O mais incrível é a distância para os demais pilotos: Piquet é o terceiro que mais venceu, com 3! Dos pilotos ainda em atividade, Vettel aparece em 8º com singelas duas vitórias.


Quem não se emocionou com a última vitória de Piquet no Canadá em 1991? Vale lembrar aquela última volta com o Mansell fazendo mais uma das suas.

(Essa Benetton B191 é de uma beleza singular)

Mônaco foi a pá de cal da Mercedes na concorrência. Supremos, no tipo de pista que sempre tiveram dificuldades.

A Mercedes teve um dos seus segredos para o o bom desempenho Mônaco revelado: a suspensão traseira de 2019. Um conceito novo foi desenvolvido para o carro desse ano e, apesar de mudanças de conceito também na suspensão dianteira é na traseira que os melhores resultados foram atingidos.

A suspensão traseira efetivamente melhora a forma que os pilotos giram os carros na curva. Não é só prender a frente e seguir para onde o nariz está apontado (papel fundamental da porção dianteira do conjunto). Carros tão longos precisam girar sobre seus eixos de forma rápida e precisa nas curvas de baixa velocidade. A Mercedes tem um novo conceito que resolveu esse assunto, além de dissipar melhor o calor que destruía os pneus no ano passado. Tudo dentro do regulamento e eliminando duas fraquezas do carro do ano passado de uma vez só. Essas mudanças justificam o discurso cauteloso do time até aqui: era preciso entender do zero todo o procedimento de regulagem dos carros para os fins de semana

O pior de tudo – para a concorrência – é que a Mercedes troca seus motores pela primeira vez na temporada. Todas as equipes que usam o propulsor germânico terão unidades novas no Canadá, com atualização que promete uma pequena melhora na potência. Se continuarem nesse ritmo de atualizações (a cada 6 corridas), a Mercedes oferece aos seus times a chance de passar a temporada longe de punições ou adiá-las para depois das posições do campeonato estarem mais estabelecidas.

Max foi maduro ou buscou o único resultado possível? Ou foi um enorme senso de autopreservação? Sabemos que mais um acidente em Mônaco, mais um resultado negativo na pista que todos esperam o domínio dos gênios, colocaria uma pressão desnecessária na sua temporada. Incrivelmente, Max foi frio e inteligente. Deve crescer ainda mais nessa temporada, junto com seu time.

O problema para Red Bull (e Toro Rosso) é que esse circuito é uma dura prova para os motores Honda. O engenheiros tem que sacrificar todo o setup do carro para extrair tração e velocidade de reta. Mesmo assim, ainda há dúvidas se a Honda entrega a potência necessária para o time brigar pelo pódio.

A mídia inglesa aposta no renascimento da Williams, ao menos uma virada para o rumo correto das ações em pista. Pachequismo ou realidade? Talvez depois das férias de verão a gente tenha uma resposta. Fato é que a Williams traz uma nova suspensão pra essa corrida. Vale lembrar que ela chegou atrasada nos testes de inverno justamente porque o conceito da sua suspensão de 2019 foi considerado ilegal.

Não que uma nova suspensão vá tirar a equipe do fundo do pelotão, não é esse o ponto. Ao menos o time está em posição de atualizar o carro, um cenário bem diferente do começo da temporada onde faltavam peças de reposição.

Alguém duvida que Charles Leclerc está enfurecido e vai fazer de tudo para superar Vettel nesse fim de semana? O menino errou a vontade em Mônaco, mas nada justifica o erro monumental da Ferrari na eliminação dele no Q1. “Poxa vida, foi por pouquinho!”, não, não podemos suavizar um erro desse para um time que custa, aproximadamente, 500 milhões de Euros por ano.

O grande problema da Ferrari é que ela está perdendo a guerra de desenvolvimento dentro da temporada para a Mercedes. A distância para o time alemão não diminui e todas as novas atualizações são superadas pelas atualizações do time adversário. Evitar uma sétima vitória dos alemães só parece possível com ajuda dos muros canadenses.

Lembra da série da Netflix já citada algumas vezes por aqui? Boa notícia, Toto Wolff liberou a participação do time na segunda temporada.

Em outras palavras: se ligou da besteira que fez em ficar de fora da primeira.

Com quatro equipes de Honda em uma pista de alta potência, a turminha do pelotão do meio que usa os demais motores se anima para buscar mais pontos e ter uma prova mais disputada. Mclaren e Renault vão tentar encontrar a Hass na briga pelo Q3 da classificação e do TOP-10 na corrida. Mais chances para a Mclaren disputar freadas com a Haas impulsionada pelos maravilhosos motores Ferrari. Mclaren? Isso mesmo, já que a Renault caminha pra se juntar ao grupo da Williams de “vergonha da temporada”. O chefe da Renault tem atitude, fala bonito, discurso bacana, mas a equipe faz um campeonato pra lá de “abaixo da crítica”. Um horror. Ricciardo está atrás de Kvyat na tabela de pontos. Hulkenberg, atrás de Albon. É muita vergonha.

A Alfa Romeo também tem chances de uma boa prova. Com um famoso “asterisco” no “boa prova”. O carrinho Suíço não foi nada bem nas ruas de Mônaco, pode ser um indício de problemas de tração e aderência mecânica. Se for esse o caso, não há motor Ferrari que empurre o suficiente nas retas.

Em um campeonato com um domínio inicial tão grande de um carro, levantam-se as suspeitas de um ano tedioso. Felizmente, o longo calendário desse ano (estamos fechando somente o primeiro terço da competição) e um Bottas animado, garantem um tensão sutil de que a cada prova teremos uma ordem de forças redesenhada.

É hora de aproveitar! E pra você, quem leva a corrida de domingo?

Abraços
Flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

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