Fórmula 1 LXX

Esperança, eterna esperança
17/02/2020
Medo à liberdade 1
26/02/2020

A emoção não pode ser suprimida, chegamos em 2020 e a categoria máxima do automobilismo completa 70 anos. Seus 33 diferentes campeões contam histórias de aventura, heroísmo e tragédias. Independentemente do tipo de história contada, nenhuma delas nos deixou impassível.

No dia 13 de Maio, comemore! Comemore o aniversário dessa categoria. Comemore, sem esquecer da visão para o futuro. Rafael Mansano já começou sua coluna com esmero e precisão: esperança renovada. Porque todo o ano, chegamos aos testes de pré-temporada com aquela sensação de “esse é O ano da F1”. Nada mais gostoso que a esperança.

Para os fãs da F1 ainda é a época de mais “munição” para nosso arsenal de convencimento na evangelização de novos fãs. “Esse ano vc vai ver!”, “O campeonato foi previsível? Mas olha, cada corrida incrível!!!”, pouco a pouco, destilamos nossa paixão em comentários que fisgam (ou tentam fisgar) a atenção de ouvidos incautos.

Regulamento? Nada muda além de tecnicidades entediantes.
Calendário? Duas provas novas, Holanda e Vietnã!
Drama? Sim, um surto de vírus cancelou o GP da China, que busca desesperadamente uma data alternativa.

A estabilidade técnica e esportiva é o prelúdio da tempestade que se aproxima em 2021 com carros completamente novos. A F1 resolveu mudar seu regulamento técnico para facilitar a proximidade entre equipes, bem no momento que a estabilidade das regras permite a criação de um grid mais compacto.

Não podemos nos enganar, não é a mudança de carro que vai salvar a categoria. A fórmula (desculpe o trocadilho) existe e está em prática num campeonato inglês de futebol e na NFL, para citar dois exemplos. Nos dois casos, a redução da diferença financeira entre os grandes orçamentos e os menores, abre uma possibilidade de surpresas e variações de resultados. A F1, mesmo com regras estabilizadas, ainda sofre do massivo potencial de transformação que um caminhão de dinheiro pode oferecer a uma organização. A equipe Mercedes hoje consegue desenhar, prototipar, produzir, testar e colocar na pista um pacote aerodinâmico novo para seu carro em 45 dias. A Williams, faz o mesmo serviço em 5 meses.

Enquanto nada muda, esse ano continuamos com o campeonato mundial de endurance de F1, com esse regulamento estapafúrdio que obriga o pilota a correr 7 provas com um motor.

Vale ressaltar que a segunda temporada de Drive to Survive estará disponível nessa sexta-feira, 28/02.

O calendário mais extenso da história, não perca nada. Itália e Inglaterra continuam com as únicas etapas com aparições em todos os anos. Vamos lá:

Pré-temporada – 19-21 de fevereiro – Teste 1 – Barcelona
Pré-temporada – 26-28 de fevereiro – Teste 2 – Barcelona
1ª – 15 de março – Austrália – Melbourne
2ª – 22 de março – Barein – Sakhir
3ª – 5 de abril Vietnã – Hanói
4ª – 19 de abril – China – Xangai
5ª – 3 de maio – Holanda – Zandvoort
6ª – 10 de maio – Espanha – Barcelona
7ª – 24 de maio – Mônaco – Monte Carlo
8ª – 7 de junho – Azerbaijão – Baku
9ª – 14 de junho – Canadá – Montreal
10ª – 28 de junho – França – Le Castellet
11ª – 5 de julho – Áustria – Spielberg
12ª – 19 de julho – Inglaterra – Silverstone
13ª – 2 de agosto – Hungria – Budapeste
14ª – 30 de agosto – Bélgica – Spa-Francorchamps
15ª – 6 de setembro – Itália – Monza
16ª – 20 de setembro – Singapura – Marina Bay
17ª – 27 de setembro – Rússia – Sochi
18ª – 11 de outubro – Japão – Suzuka
19ª – 25 de outubro – EUA – Austin
20ª – 1 de novembro – México – Cidade do México
21ª – 15 de novembro – Brasil – São Paulo
22ª – 29 de novembro – Abu Dhabi – Yas Marina

Pessoal da Red Bull acredita que esse ano vai dar combate na luta do título. Todas as fichas em Max Vestappen. Albon vem cumprir tabela e fazer o papel de atrapalhar a concorrência. Se andar na frente de Max, vai receber um “corretivo”. Para essa disputa acontecer, sobrou até pra Adrian Newey: chega de usar até o último minuto de prancheta e entregar o carro no dia de ir pra pista. A Red Bull chegará pronta e sem surpresa para os testes de inverno. Se o motor Honda mantiver a consistência de crescimento do ano passado, podemos sim ter alguma disputa em corridas esporádicas.

Alpha Tauri, ex-Toro Rosso, carrega nessa temporada o “golpe de mestre” de Helmut Makro para a limitação de custos da próxima temporada. Helmut alçou seu time júnior a categoria de time-irmão. Engenheiros dos dois times receberam uma missão: o que funcionar num carro, pode ser usado em outro carro. Makro resolve duas questões de uma só vez. Primeiro, seu time júnior não tinha equipe para desenvolver um carro a temporada toda. Hoje ele pode receber, depois de alguns meses, peças da red Bull. Nada imediato, mas esperem algo para segunda metade da temporada. Segundo ponto, ano que vem as fábricas terão que ser mais enxutas, principalmente em recursos humanos. Makro vai equilibrar seu “staff” entre as duas fábricas. Com as duas equipes trabalhando abaixo das mesmas filosofias de desenvolvimento, o que impedirá a Alpha Tauri ser uma “mula” de testes da Red Bull? Pena que seus pilotos não tem muita perspectiva, dois rebaixados do time principal e com dois pilotos estáveis ocupando seus almejados ex-lugares.

Na casa canadense da RacingPointForceIndiaJordanSpykerMidland, a maior noticia é a chegada da Aston Martin em 2021. Chegada não, né? Papa Stroll comprou um naco generoso da empresa que emprestará o DNA esportivo e, espera-se, um pouco do “verde” ao time mais mutante da F1. Se mantiver o patrocínio da BWT que fornece um colorido rosa ao time, será forte candidata ao título de 2021: na Sapucaí, ao menos! Esse time continua sendo o mais eficiente do grid, conta com a simpatia de todos. Uma pena contar com a pilotagem fraquíssima de Lance Stroll.

Convite para o primeiro Grande Prêmio da história.

Um momento para uma salva de palmas para a NASCAR.

As medidas de segurança tomadas pela empresa para garantir a integridade dos seus pilotos é um sucesso.

Ryan Newman sofreu um acidente terrível na linha de chega de Daytona. De cabeça pra baixo, recebeu o impacto de um carro em sua lateral a mais de 300 km/h. Um resgate demorado e falta de informações contribuíram para o clima de uma tragédia anunciada.

Nada. Absolutamente nada quebrado no corpo de Newman e na quarta-feira ele divulgou fotos andando com as duas filhas no hospital. Deve estar todo “chacoalhado” por dentro, deve ter consequência, sim, deve! Mas é inacreditável

Podemos colocar, já em Fevereiro, o carro da NASCAR como um dos melhores acontecimentos esportivos de 2020.

Quem tem feito a lição de casa e promete continuidade é a McLaren. Alguém descobriu que o problema não era só da Honda e alguém, mais esperto ainda, entendeu que a Renault não era a solução. A breve associação com os Francos chega ao fim nesse ano, mas ao invés de reclamar do motor o time resolveu se esforçar na construção de um carro decente. Mandou embora a gestão dos tempos de Honda, contratou gente que entende de competição. Andreas Seidl, só é o cara que levou a Porsche a vencer Le Mans na categoria geral. Também temos de volta James Key a liderança do desenho de um F1. Badaladíssimo após ao sucesso de seus carros na Toro Rosso, chegou na McLaren após o começo da temporada passada, só pensando no carro de 2020. Junte a isso uma dupla de pilotos competente, jovem e divertida. Voltar ao pódio, mesmo que por conta de corridas difíceis para as 3 grandes, é uma boa aposta para turma de Woking.

Já a Renault dá pena. Um time de fábrica perdidinho. Esse ano pode ser o canto do cisne. Vem com Ricciardo e Ocon. Há velocidade, há ritmo de corrida, há experiência e há juventude. Só que faltou carro em 2019 e nada mudou (ao menos publicamente) para 2020. Outra surra da Mclaren, como em 2019, pode ser fatal não só para o time como para a carreira de Ricciardo. O simpático australiano pode “ficar pelo caminho” como um postulante a títulos, ofuscado pelo juvenis Leclerc e Max.

O mais gostoso do começo do ano é observar a Ferrari. Você nunca conseguirá saber se terá um carro vencedor em mãos. O mais divertido desse ano vai ser a luta entre seus pilotos. Vettel vai conseguir tirar a Ferrari da fila ou será o novato do time que vai ser consagrado? Se essa disputa por título realmente acontecer, será a história mais saborosa da temporada. Os pilotos buscaram a glória do time ou somente a glória pessoal?

Por bondade – e faro para o dinheiro – a Liberty Media trouxe a Netflix pra jogada e emplacou um sucesso com sua série “Drive to Survive”. Para fãs e para não fãs, a série trás o espectador para um universo paralelo ao da F1 “bom dia amigos da Rede Globo”. Uma história é contada sem o tradicional foco aos heróis que alcançam o pódio. Há drama, há humor, há muitos bastidores e construção cuidadosa de personagens. Desde o brutal chefe de equipe da Hass ao ardiloso chefe da equipe de enérgicos. Assim, com a “linguagem” zero técnica dos fãs da F1, há uma legião de pessoas se interessando pelo queria esporte que amamos.

Enquanto a turma de vermelho se acerta nas batalhas internas, a Mercedes esfrega as mãos em claro sinal de ansiedade por mais troféus na prateleira. Aqui é claro que o segundo piloto existe e o caminho do título está nas mãos do hexacampeão. Não haverá brigas por pontos, pontos divididos, nada disso. Bottas vai ganhar as corridas que Hamilton não estiver bem, e só. São pilotos que não se comparam em seus melhores dias, como ocorre na Ferrari. Nos seus melhores dias, vá lá, Bottas poderia ‘bater’ qualquer rival, menos Hamilton. Porque Hamilton é genial. Do lado técnico, uma evolução do carro do ano passado é o natural. Um carro que não quebra e não precisa andar no limite. Acertando a mão nas estratégias, ponto fraco do time em 2019, será muito difícil bater Hamilton na somatória das 22/21 etapas.

A Williams existe! Sim. Existe. Do fracasso de 2019 de não ter carro na pista nos dois primeiros dias de teste para um carro que andou sem quebras até agora em 2020, há esperança. Vamos relativizar a situação de 2019 pra ficar claro a dimensão do fracasso: o carro de 2019, na classificação para o 5º Grande Prêmio da temporada foi quase 1 segundo inteiro mais lento que o carro de 2020 que acabou de “descer do caminhão” (1:19.072 em 2019 contra 1:18.168, na quarta-feira em Barcelona). Era uma catástrofe. Mais uma vez a equipe vai sofrer do loteamento de assentos para um mediano canadense (ironias do destino), mas é hora de olhar pra Russel e ver se a sua carreira tem alguma chance na F1.

Não custa repetir tudo que sempre é falado para os testes de pré-temporada e não clique em chamadas de sites que promovem “Hamilton é o mais rápido no primeiro dia de testes”, por dois motivos:

1) É depressivamente verdade (entra ano e sai ano), ele é o mais rápido com a Mercedes;
2) Simplesmente não importa ser rápido, até a classificação de Melbourne.

Equipe grande que quer lutar pelo título bota o carro pra rodar. Testa tudo que você possa imaginar. Inclusive, testa procedimentos para troca de partes do carro for a da fábrica. Como é trocar esse novo motor no box de um Grande Prêmio?

Além disso, a pré-temporada também ocorre nos simuladores. Novo carro, precisa de nova calibragem no simulador. É hora de fazer a correlação da pista com o simulador. É hora de entender se o túnel de vento passou dados críveis do comportamento do carro em pista.

Para todos, o importante é carro rodando na pista para coletar dados.

O mais longo campeonato da história está prestes a começar. Um “esquenta” para a nova Fórmula 1 de 2021.

Não por isso, menos interessante. Todos contra a Mercedes-Benz. Todos contra um piloto genial pronto para quebrar todos os recordes.

Ponto importante para nós fãs, com 70 anos a F1 chega a sua melhor idade. Com uma cobertura jamais feita!

É um banquete para os apreciadores do esporte!

Grande Abraço
Flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

1 Comment

  1. Fernando marques disse:

    Flávis,

    Se a Ferrari e a RBR estiverem em forma teremos sim uma temporada inesquecível na história dos 70 anos de Fórmula 1.

    Estou na expectativa.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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