Fotos-legendas Jim Clark

Janet
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Clark contra o vento – parte 2
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Spa 62

Ah! A delicadeza dos carros da temporada 62. Suas pinturas imaculadas, os pneus finos, a fragilidade explícita das barras de suspensão e dos santantonios. Pareciam brinquedos inofensivos…

No entanto, eram capazes de percorrer os 450 km (50% mais do que atualmente) do GP da Bélgica a uma média de 212 km/h, como foi o caso deste Lotus 25, levado à vitória, sempre com muita elegância, por Jim Clark.

Mônaco 63

Clark voou nos treinos, mas perdeu a liderança para Graham Hill (que aparece à frente na foto, seguido por Clark, Brabham e Surtees), retomou a liderança na 18ª volta e corria para a vitória quando a caixa de câmbio do seu Lotus quebrou – naquele tempo, o GP de Mônaco era disputa em 100 voltas, 2h40 de prova.

Foi a primeira vitória que fugiu a Clark em Mônaco e seguiria assim até o fim. Hill ganhou em 63, na primeira das suas cinco vitórias por lá.

Spa 64

Dia de sorte em Spa. Clark ganhou e ficou sem gasolina na volta de desaceleração, estacionou o carro e ficou no papo com Dan Gurney, o piloto que ele mais temia e que havia dominado a corrida – até ficar sem combustível…

Indy 500 65

A vitória mais famosa de Clark foi comparativamente fácil: assumiu a ponta na largada e liderou 190 das 200 voltas da Indy 500 de 65, a bordo do magnífico Lotus 38, pintado em verde com a faixa amarela tradicional da Lotus. Foi o primeiro estrangeiro a vencer a prova em 50 anos, não trocou pneus durante a corrida e o segundo colocado, Parnelli Jones, ficou sem gasolina na última volta.

Spa 65

E treze dias depois de vencer em Indy, Clark ganha em Spa. As vitórias que lhe fugiram em Mônaco abundaram na pista belga. Foram quatro, inclusive esta, de ponta a ponta, com média de 188 km/h apesar da chuva.

Clark pilotava o Lotus 33, síntese de beleza e velocidade como poucas vezes se viu nas pistas. Impressão minha ou o pneu dianteiro direito mal toca o asfalto?

Com Hill e Stewart

A amizade e a elegância predominavam naqueles tempos. Talvez a presença da morte – dizia-se que pilotos não marcavam compromissos para depois da corrida porque nunca tinham a certeza de que poderiam comparecer… – ou o fato de não ser socialmente aceitáveis colocar a ambição como valor absoluto funcionasse como barreira de contenção.

O fato é que os pilotos eram próximos, se visitavam nos finais de semana livres, apadrinhavam os filhos uns dos outros, dividiam quartos de hotel e até iam ao cinema juntos. Outros tempos, outros tempos…

A âncora

O pior Fórmula 1 de Clark foi, sem discussão, o Lotus 43, não tanto pelo carro e mais pelo motor, um exótico 16 cilindros da BRM, do qual se dizia que o melhor destino seria ser usado como âncora.

O modelo disputou oito GPs entre 66 e 67, tendo quebrado em sete deles. O único resultado válido foi a vitória – vejam só! – de Clark nos EUA 66. Mas a herança do 43 não deve ser esquecida: notem a semelhança do carro com o Lotus 49…

Holanda 67

Em 4 de junho de 1967, em Zandvoort, Jim Clark encontra o Lotus 49 empurrado pelo motor Ford Cosworth. A combinação tinha tudo para produzir a mais forte dominação já vista pela Fórmula 1, capaz de deixar para trás até os recordes de Fangio.

Clark de fato ganhou o GP, mas não foi tão fácil assim nas corridas seguintes: venceu mais três, mas teve muitos abandonos, terminando o ano na 3ª posição no campeonato.

Monza 67

Poucos discordam que este GP foi a obra-prima de Clark na Fórmula 1. Assume a liderança na 3ª volta, para com um pneu furado na 13ª volta, retorna em penúltimo, ganha 14 posições até liderar novamente, só para ficar sem gasolina na volta final e terminar em 3º. Mas tem um cisquinho aqui, que vale lembrar: Clark só recuperou a liderança depois da quebra do companheiro de equipe, Graham Hill…

Na foto, Clark é seguido pelo Brabham de Denny Hulme, campeão da temporada.

África do Sul 68

A última vitória de Clark na Fórmula 1 foi também a última prova oficial da Lotus em suas cores tradicionais, verde com a faixa amarela. No GP seguinte, os carros da equipe apareceriam pintados em vermelho, branco e dourado, cores do patrocinador.

Na África do Sul, foi uma vitória tranquila, praticamente de ponta a ponta, com pole – um segundo à frente do 2º colocado – e melhor volta.

Três meses depois, numa curva de Hockenheim, tudo terminaria  numa questão de segundos…

Eduardo Correa

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

3 Comments

  1. Sempre delicado caminhar pelas vielas da suposição mas, sei lá, me arrisco a dizer que a morte de Clark provavelmente nos privou de uma temporada antológica em 1969, imaginando o que poderia teria sido a disputa dele com Stewart.
    Maravilha de coluna, meu amigo.

  2. fabuloso, simplesmente fabuloso, mais nada a comentar……

    Abraço,
    Antonio Manoel

  3. Fernando Marques disse:

    Edu,

    nada como contar as vitorias e glórias do Jimmy com fotos …
    não tem como duvidar que naqueles tempos a Formula 1 era muito melhor e mais interessante do que a de hoje …
    Infelizmente não tinha nem 8 anos quando Jimmy morreu … só fui conhecer depois a sua fama a partir de 1970/71 … Emerson, Stewart, Hill, Hulme sempre enalteciam o talento dele …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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