Freud explica?

O tri de Niki Lauda
01/08/2014
Sacrifícios
06/08/2014

Chamar de braço-duro um piloto profissional de F1 (deixemos os que pagam para correr de lado), com bons resultados no ativo, é de uma leviandade espantosa.

Se um túnel do tempo permitisse que Jackie Stewart, em plena forma e com um carro competitivo fosse alinhar nesta temporada, provavelmente apontaria Rosberg, Ricciardo, Bottas e Kimi como seus principais rivais ao título. Não que acreditasse nisso.

Ele era um mestre no jogo psicológico.

– Como, o Jackie não me pôs na lista? Não me considera suficientemente bom para competir com ele?” e lá ia o piloto talentoso mas mentalmente vulnerável perder foco e tempo em busca de respostas para dúvidas inexistentes.

A lógica apontava: aposte nos pilotos mais experientes. Regulamento novo, equipamento novo, quem tem mais experiência deve levar vantagem, portanto Vettel, com a justificada autoconfiança emanada de seus títulos, deverá manter o novo australiano no mesmo lugar do antecessor e Massa finalmente terá todas as condições que não teve nos anos Alonso na Ferrari.

Kimi, competente, experiente, nada diplomático, conhecedor da Ferrari e chegando com a moral de uma volta por cima, deverá ser um companheiro à altura do asturiano.

Hamilton, obviamente o piloto mais veloz do grid, deveria massacrar seu colega, embora este tivesse mostrado bom serviço quando dividia o boxe com Michael.

O que aconteceu para que a teórica exploração de neuroses e paranoias do Jackie saísse pela culatra?

Acho que mestre Edu induziu a pergunta que, me parece, ainda ninguém fez, em sua última coluna: “Será que o estilo de pilotagem do showman britânico expõe mais certas fragilidades do über-carro?” Só o dele tem problemas?

Não, o dele tem mais problemas. As duas vitórias de Ricciardo estão diretamente ligadas a problemas com o carro de Rosberg ou vi errado? Embora a parceria com a Brembo tenha sido reafirmada, parece que os freios estão acusando o golpe.

Se a culpa não estiver no estilo de pilotagem do piloto, então devemos botar a culpa no azar. Teorias da conspiração não serão aceitas, ao menos neste momento.

Ora, se aceitamos isto, não há porque encher ainda mais a paciência do pobre Massa, já tão às voltas com os fantasmas que existem em sua cabeça e outros que comentaristas irresponsáveis tratam de sugerir. É obvio que boa sorte estava em baixa no seu estoque pessoal nas corridas anteriores, mesmo que ele tenha dado moleza na primeira curva da Alemanha.

Concordo com o Barrichello, choque normal de corrida.

Outras frases que valem ouro na última coluna do Edu são a que chama a atenção para os comentaristas irresponsáveis e a proposta de deixar o brasileiro e o tetracampeão em paz com seus problemas.

A única coisa negativa que vi atribuída ao Vettel pela mídia alemã (na verdade reproduzindo o comentário de alguém da organização, se entendi direito), ultimamente, foi a culpa pelo menor volume de pessoas na plateia em Hockenheim, desestímulo causado por seus comentários negativos a respeito dos carros deste ano.

Não há dúvida de que o Dr Helmut Marko tem excelente olho para descobrir pilotos talentosos. Escolheu Vettel e Ricciardo. Não me lembro de tê-lo visto reclamar do Vettel este ano, como fazia com o Webber.

Na década de 60/70 diziam que os pilotos de Formula 1 pertenciam a um “fechado circulo”, uma elite que só permitia a entrada de quem fosse excepcionalmente talentoso. Foi feita uma pesquisa cientifica medindo a velocidade dos reflexos de cada um e descobriu-se que estes eram extraordinariamente rápidos, muito mais do que os das pessoas comuns.

Hoje parte da imprensa e do público parece tratar os pilotos como pessoas comuns naquilo que têm de incomum e vice-versa.

Chamar de braço-duro um piloto profissional de F1 (deixemos os que pagam para correr de lado), com bons resultados no ativo, é de uma leviandade espantosa. Nem falo dos que andam na frente.

Jules Bianchi vem se destacando no pelotão das nanicas, desempenho que se esperava do Koba. Para isso é preciso talento e uma determinação que nem sempre se encontram no mundo corporativo.

Mesmo nessa fase tenebrosa por que passa o Kimi, alguém tem coragem de dizer que ele não era tudo isso?

Dizer que não vale um euro furado um piloto que ficou oito anos na equipe mais cobrada do grid e que só não foi campeão por um triz é non sense.

Tudo indica que Vettel simplesmente se adaptou pior ao carro deste ano do que o colega australiano. Estava mal acostumado. Além disso teve problemas mecânicos.

Tudo indica que Kimi simplesmente se adaptou pior ao carro deste ano do que o colega asturiano. Além disso teve problemas mecânicos e um acidente inequivocamente provocado por ele mesmo.

Tudo indica que Massa se adaptou perfeitamente ao carro deste ano, tanto quanto seu colega finlandês. Convém lembrar que fez a única pole extra-Mercedes.

Se a imprensa finlandesa está encantada com o Bottas isso não quer dizer que considere que o Kimi se tornou um inútil.

Se o Massa fica atrás do Bottas na luta pela pole, mas perde por pouca diferença, não é propriamente uma vergonha. Tem colegas tomando regularmente tempos dilatados de seus companheiros ou estou enganado? O Rosberg consegue sempre estar a menos de um décimo do Hamilton? O Button não tomava um vareio dele na época da McLaren? E não ia acumulando mais pontos ao longo da temporada? E já que estamos lembrando de Senna X Prost, este foi massacrado na luta pelas pole mas venceu campeonato.

“Carreras son carreras”, segundo Fangio, e “Treino é treino, jogo é jogo.”, conforme dizia Didi, o lendário líder da seleção campeã em 1958. Nada impede que Massa consiga se fortalecer mentalmente e fazer, efetivamente, uma segunda parte da temporada muito melhor que a primeira.

Não vejo, por parte da mídia brasileira, nenhum estímulo. Ao contrário, é sempre questionado. Ainda criticam o Galvão por um vídeo vazado em que – supostamente – evitava explorar uma grande diferença momentânea durante os treinos. Ora, a quem interessa explorar isso? Por acaso ninguém acredita que seu carro foi recuperado com peças em estoque, portanto de geração anterior, por falta de tempo para produzir novas? Ele mesmo declarou que iria perder alguns décimos por causa disso!

Vettel parece já ter atingido um elogiável ponto de maturidade, admitindo publicamente a superioridade momentânea de Ricciardo. Sabe que isso não quer dizer que seja definitiva e em algum momento no futuro poderá reconfirmar suas qualidades.

Se a imprensa tratar de satisfazer a curiosidade de seus leitores/telespectadores a respeito desses ex-favoritos sem elaborar sofismas a respeito, possivelmente prestará um melhor serviço a todos. Deixem que eles trabalhem em paz, para o bem do espetáculo.

A disputa entre Lewis e Nico ainda vai gerar muita notícia. Francamente nunca entendi bem porque as equipes estupram o código ético mandando um piloto dar passagem para o outro, se a ordem de chegada não influencia em nada o acúmulo de pontos para o campeonato dos construtores. Que o Santander pressione para que o Alonso seja o campeão, se isso não prejudicar os resultados no campeonato das equipes, vá lá.

Alemão sendo privilegiado por uma equipe alemã? Depois dos títulos do Michael e do Seb, mais o recente tetra no futebol, acho que os germânicos não estão precisando desesperadamente de uma levantada na autoestima.

Não é possível que os especialistas em marketing/comunicações da Mercedes não tenham visto o desgaste de imagem que a Ferrari arrumou por ordens antiesportivas dadas aos seus pilotos.

Deixem os dois se entenderem nas pistas, para o bem do espetáculo.

Carlos Chiesa
Carlos Chiesa
Publicitário, criou campanhas para VW, Ford e Fiat. Ganhou inúmeros prêmios nessa atividade, inclusive 2 Grand Prix. Acompanha F1 desde os primeiros sucessos do Emerson Fittipaldi.

19 Comentários

  1. joão júlio disse:

    O que o estilo de pilotagem tem a ver com um cachimbo de vela mal encaixado?

    • Carlos Chiesa disse:

      Não me refiro a um problema especificamente, mas a recorrência deles no carro do LH. Em outras palavras, pode ser coincidência ou seu estilo de pilotagem pode exigir mais de certas áreas do carro, que resistem menos.

  2. Lucas disse:

    Eu não vejo nenhum dos três pontos como surpresa.

    Quanto ao Vettel, mesmo ele tendo sido tetracampeão de forma avassaladora, não eram poucos os que achavam que era muito mais por conta de seus carros do que por algum talento sobrenatural. Não que ele não seja um bom piloto, de forma alguma, mas o tetracampeonato é sim desproporcional. Precisou que a equipe (que chegou na F1 posando de “cool” e antítese da Ferrari) “inovasse” num bizarríssimo caso de jogo de equipe em que o piloto favorecido foi o que *estava atrás* para ganhar o campeonato de 2010, e em 2012 só definiu o campeonato na última corrida, contra um piloto que tinha um déficit enorme de equipamento em relação a ele. Fica difícil não pensar que ele talvez “não fosse isso tudo” quando chegasse o dia de correr sem o melhor carro depois de tantas obras-primas de Newey. E foi o que aconteceu quando esse dia chegou.

    Sobre Kimi, também nenhuma novidade. Ele é um pusta piloto, que inúmeras vezes tirou leite de pedra (quase foi campeão em 2003 com uma McLaren que estava atrás da Ferrari e da Williams) e que inclusive surpreendeu a todos sendo capaz de fazer isso depois de dois anos fora da F1: um impressionante terceiro lugar em 2012 e fazendo a mesma coisa em 2013 (não é o que os números finais dizem, mas era ele que estava em terceiro no momento em que saiu para operar as costas ficando de fora das duas últimas corridas). Mas ele tem uma característica problemática, que é uma sensibilidade excessiva ao acerto do carro – se ele consegue aplicar seu estilo de pilotagem, consegue tirar mais que o desempenho normal do carro, mas se não consegue, o carro parece até pior. Exemplo notável foi de quando chegou na Ferrari e simplesmente não conseguia fazer o que costumava fazer na McLaren, passou meia temporada fazendo menos que se esperava dele, e finalmente quando conseguiram achar um acerto apropriado pra ele, ele deslanchou pro seu primeiro campeonato. Sofreu assim que chegou na Lotus e chegaram a falar que ia passar vergonha em relação ao Grosjean (ainda mais porque o outro piloto que voltou da aposentadoria estava dando um vexame danado na Mercedes), mas foi só a Lotus deixar a direção do jeito que ele queria que ele pôs o carro à frente de onde se esperava que ele ficasse. Andrea Stella comentou sobre isso numa época em que timidamente teve que responder uma pergunta pedindo que comparasse Kimi, Schumacher e Alonso. Kimi tem um carro muito ruim, que não consegue pilotar como está acostumado, e o azar de ser companheiro de um cara que parece andar bem em qualquer porcaria que dêem pra ele. Se a Ferrari acertar a mão, vai andar muito bem, talvez até batendo o Alonso. Eles não foram bons nisso na primeira vez em que ele esteve lá, mas quem sabe em 2015 com as novas aquisições técnicas do time, vindas aliás da Renault/Lotus, as coisas não melhorem (e, se não melhorarem, acho que os dois pilotos caem fora).

    E sem surpresas também é a temporada de Massa. Massa é, como sempre foi, um piloto bom de treino, mas ruim de “racecraft”. Chegou a bater Schumacher e Alonso em alguns sábados, mas aos domingos comumente é errático e tem pouca visão de corrida. Sempre foi assim, tanto é que não tem uma única vitória que não tenha sido obtida com um grande carro, largando da primeira fila e passando uma corrida inteira sem o menor imprevisto. Sim, poderia ter vencido Hungria 2008 largando de terceiro não fosse o motor estourado, mas ainda assim seria mais um caso de estar à frente após a primeira volta e se manter lá.

    • Ronaldo disse:

      Mandou muito. Mas sempre vou discordar de você em relação à F2012. Naquele ano houve oito vencedores nas oito primeiras corridas. Ele soube capitalizar os pontos que os outros perdiam, mas o próprio desempenho nunca chegou a destoar. A referência era Felipe Massa, que ele sempre fez de tudo para manter o mais distante possível. Falando em Massa, além dos grandes treinos e excepcionais largadas, há de se dar a ele o mérito de ser um cara duríssimo de passar. Foi um dos protaginistas do campeonato de 2009, tendo segurado a estratégia de Barrichello em várias oportunidades naquela temporada, como Espanha, Turquia e Bahrein.

    • Lucas disse:

      Você se refere ao Alonso, certo? Por mais que o começo do campeonato parecesse “embolado” (na verdade foram sete vencedores nas sete primeiras corridas, na oitava deu Alonso de novo), não há como negar que, independente de qualquer coisa a Ferrari era sofrível nas primeiras quatro corridas e estava muito, muito abaixo das Red Bull e da McLaren antes dos updates da Espanha, e o Alonso levou aquela carroça à vitória na Malásia. E não é só questão de “capitalizar os pontos que os outros perdiam”, uma coisa é herdar uma ou duas posições, outra bem diferente é herdar uma vitória como aquela do GP da Europa depois de largar em décimo primeiro, fechar a primeira volta em oitavo e já estar em terceiro lugar na décima quarta. E ainda que se considere que essas primeiras corridas foram “loteria” (e pra ser sincero a única coisa realmente bizarra pra mim foi a vitória do Maldonado), ainda assim o Alonso ficaria só quatro pontos atrás de Vettel (192 contra 196) se fossem consideradas apenas as corridas do campeonato mais “estabilizado”, de Valencia em diante, enquanto o Kimi também manteria sua posição (ficaria em terceiro, com 152 pontos). Acho que não seria muito exagero dizer que o que o Alonso fez naquele ano só tem paralelo com o Senna brigando por campeonato na Lotus (a diferença, claro, é que o Senna fez isso seguidas vezes).

      • Ronaldo disse:

        Alonso é sem dúvida um fora de série, um dos melhores pilotos do grid atual. Ninguém tem a visão de jogo, sensibilidade e disciplina tática que ele tem. Mas a corrida da Malásia que você cita foi uma zona da primeira à última volta, e se não fosse pelos brios assanhados do Checo, seria uma Sauber, não uma Ferrari a vencer aquela corrida. Sauber essa que levou quatro pódios pra casa, mais até que Mercedes. Nas outras vitórias do espanhol ele contou com problemas na Red Bull, sem contar o GP italiano, Hamilton e Button tiraram um ao outro da pista em mais de uma oportunidade, etc. Um campeonato tão bizarro que teve até vitória de Maldonado. Outro que você cita, em Valência, outra zona, outro abandono de Vettel, Hamilton e Maldonado se estranhando e o espanhol ganhando graças a um Safety car no último terço. Esse papo de carroça é propaganda do espanhol para se promover.
        Voltando ao assunto principal, repito, Alonso é um fora de série. Mas só foi campeão com o melhor carro do grid, e quando foi vice foi porque contou com reveses dos demais, como 2010.

        • Lucas disse:

          Ronaldo, o que aconteceu com a Mercedes foi que a nova tentativa de Ross Brawn para “driblar” o regulamento era algo que funcionava maravilhosamente bem em treino (com DRS liberado o tempo todo), mas não em corrida (limitado a uma zona específica, e só quando próximo a um piloto na frente). O resultado é que no começo do campeonato, quando isso era novidade, eles conseguiram algumas posições de largada muito boas, que foi o que permitiu a vitória na China e o pódio em Mônaco. Mas essa era praticamente a única coisa boa do carro da Mercedes, e o resultado é que eles logo ficaram pra trás na corrida pelo desenvolvimento dos carros e não fizeram mais nada de muito relevante. Já a Sauber, se não era um carro espetacular, era muito suave com a polêmica borracha da Pirelli praquele ano, o que rendeu alguns bons resultados. Diminuir a vitória do Alonso só porque o Perez talvez pudesse ganhar aquela corrida se tivesse forçado um pouco mais não me parece razoável. E menos razoável ainda é falar que “esse papo de carroça é propaganda do espanhol para se promover”. O carro era claramente instável, desde os testes de inverno era muito óbvio que ele tinha problemas graves de projeto, dava pra ver os pilotos tendo que brigar o tempo todo, com variações imprevisíveis. Isso não sou eu nem o Alonso que está dizendo, é opinião de todos os especialistas que acompanharam os treinos de inverno. O desempenho da Ferrari nas primeiras quatro corridas era patético, se aquilo não era uma carroça eu não sei o que era. Dizer que na verdade isso era “propaganda do Alonso” me parece pura implicância.
          Quanto à Valência, a única posição que o Alonso herdou foi a do Vettel – como eu falei, ele largou em décimo primeiro, foi pra oitavo na largada e antes do safety car já era terceiro, e o “estranhamento” entre Hamilton e Maldonado se deu *atrás* dele, logo não resultou em nenhuma posição herdada. A sorte só contribuiu para ida de segundo pra primeiro, é verdade, mas ele precisou trabalhar muito pra chegar na situação de ganhar uma vitória herdando apenas uma posição. Até porque o safety car não foi no último terço como você disse, na verdade ele entrou na volta 29 e saiu na 33, numa corrida de 57 voltas – o que significa que os outros pilotos tiveram quase meia corrida pra tentar passar.
          E também não vejo muito sentido em criticá-lo por “só ter sido campeão com o melhor carro do grid”, até porque isso é questionável nas duas temporadas. Em 2005 até faria sentido dizer que o conjunto todo era melhor, mas em velocidade (não obviamente em confiabilidade) era a McLaren que tinha vantagem. Já em 2006 a Renault só foi ligeiramente superior na primeira metade do campeonato (e ainda assim não em todas as corridas), enquanto na segunda metade a Ferrari era claramente superior, com uma diferença de desempenho em relação à Renault muito maior que a superioridade que a Renault tinha nas primeiras corridas. Se alguém teve superioridade de equipamento em 2006, considerando o campeonato como um todo, foi o Schumacher e não o Alonso. O que aconteceu foi que nas corridas que favoreceram a Renault o Alonso teve um aproveitamento altíssimo e continuou tirando o máximo que pôde quando era a Ferrari que tinha o melhor carro, enquanto o Schumacher cometeu vários erros durante aquele ano e perdeu um campeonato que deveria ter ganho. Naquele ano ficou muito claro que Alonso era um piloto melhor que Schumacher naquele momento.
          E também não faz sentido nenhum dizer que “quando foi vice foi porque contou com reveses dos demais”. Em 2006 ele teve até mais azar que Schumacher e mesmo assim foi campeão.

      • Fabiano Bastos das Neves disse:

        Lucas,
        Discordo que a vitória do Maldonado na Espanha tenha sido bizarra. Acho que a Williams, junto com a Lotus, tinha um dos melhores carros do grid no início de 2012, ambos tratavam muito bem aqueles pneus frágeis de 2012. Na minha opinião a Williams colheu foi muito pouco naquele início de campeonato, parte pela sua fragilidade como equipe (demonstrada até hoje), parte por ter optado pelo $$ do Bruno Senna, em detrimento da experiência do Barrichello.
        E este ano parece que foi “mais do mesmo”. A Williams teve até aqui o segundo carro mais rápido do Grid na maioria das corridas, mas colheu pouco por problemas nas decisões nos boxes e azares e erros do Massa.
        Tomara que não perca competitividade após as férias de verão.

        • Lucas disse:

          Fabiano, de fato foi meio lamentável essa decisão da Williams. O Barrichello ainda estava andando bem, nas duas temporadas anteriores ele teve como companheiros os dois recém-campeões da GP2 (incluindo aí o hoje elogiadíssimo Hulkenberg) e em ambas as temporadas foi o piloto que terminou na frente em pontos. Mas enfim, como eu costumo ironizar, a F1 anda cada vez mais “pedófila”, e velhinhos não têm vez mesmo quando estão andando melhor alguns dos moleques.

          Já quanto a esse ano… Eu sempre me pego imaginando que bom seria se a dupla da Ferrari estivesse na Williams 🙂

        • Ronaldo disse:

          Lucas, acho que está faltando objetividade no seu julgamento. Vamos começar que Alonso é um dos melhores pilotos do grid? Vamos colocá-lo no top 5, mesmo que para você seja o #1 e para mim o #5. OK? Tire a dolatria da frente.
          O enrosco do Maldonado com Hamilton foi determinante pois, combinada com outras cagadas do inglês ao longo do ano, tirou aquele que era um dos conjuntos mais fortes na briga para o título. Sempre que abandonou estava entre os primeiros, e havia chegado àquela corrida naliderança do campeonato. Reconheço que é leviano julgar o que o espanhol pudesse estar pensando, mas também o é de sua parte em não reconhecer que muito do mérito pelo fato de ele estar na briga pelo campeonato foi circunstancial (a vitória na Malásia E em Valência, pra ficar por aqui), e que o carro, essa carroça, levou Felipe Massa de volta ao pódio, inclusive no Brasil, depois de quase dois anos. Não queria voltar ao GP da Europa, mas é chega a ser ridículo jogar o mérito na mão do espanhol. De todos os pilotos na zona de pontos, o melhor no grid de largada foi Raikkonen, que largou em 5º! Shumacher, que completou o pódio, largou apenas em 12º! Com o carro da Mercedes, que você diz que só ia bem em classificações. Massa estava à frente quando rodou, e tinha largado em 13º! Nem vou discutir 2006, época em que ele aprendeu que com a língua também se ganham corridas.
          Vamos olhar os fatos? Alonso é um fora de série. OK. É o melhor? Na minha opinião não chegou a provar isso ainda. O meu resumo é que foi capaz de guiar um carro que era ruim no começo do campeonato além do limite em 2012, e sua visão de jogo o permitiu capitalizar os erros de seus adversários, os inexperientes e afobados Hamilton e Vettel em especial. Me custa entender as defesas apaixonadas que você faz dele.

        • Lucas disse:

          Uai, Ronaldo, se você acha que o que eu digo sobre o Alonso é “idolatria”, para mim parece que a sua opinião é pura implicância. O argumento de que o Massa “conseguiu voltar ao pódio depois de dois anos com o carro de 2012” é o tipo de julgamento feito sem prestar atenção no que realmente estava acontecendo, que é o fato de que no final de 2012 a Ferrari conseguiu se estabilizar com um carro muitíssimo melhor que o do começo do ano (embora ainda claramente inferior à Red Bull). Veja que no jejum de pódios do Massa em 2011 a esmagadora maioria de seus resultados foram justamente onde se esperava que terminasse um carro abaixo de duas outras equipes – o pior resultado dele foi um nono lugar. Querer dizer que Alonso tinha um bom carro em 2012 “porque Massa voltou ao pódio” não faz sentido algum – ele só conseguiu isso no terço final do campeonato, veja onde ele terminava antes e é absolutamente óbvio que o carro que a Ferrari tinha no começo da temporada era muitíssimo pior que o de 2011: nas cinco primeiras corridas ele teve um abandono quando se arrastava lá atrás, duas finalizações em décimo quinto, um décimo terceiro, e um nono lugar como *melhor* resultado. Acha mesmo que dá pra comparar? No miolo do campeonato o carro melhorou e ele passou a ter resultados mais parecidos com o do ano anterior e fez até um quarto lugar em Silverstone e outro na Itália, mas também teve outros desempenhos abaixo do que se espera de alguém com um carro entre os três melhores. E só naquelas seis corridas finais que conseguiu seus dois pódios – mas entre eles dois quartos, um sexto e um sétimo. Isto é, sua crítica não tem qualquer fundamento. E de novo continuo achando que é pura implicância achar que Alonso foi pra liderança por motivos circunstanciais. Você insiste na tese de que ele não teve mérito em Valência, mas deixe-me relembrar: a única posição que ele “herdou” foi a do Vettel. Você tenta usar o caso do Schumacher como argumento pra desacreditar o espanhol mas omite de forma conveniente que Schumacher e Räikkönen só foram para o pódio graças ao que aconteceu *atrás* do Alonso, e não na frente dele. Repito, a única “sorte” do Alonso foi a quebra do Vettel – o que aconteceu no final da corrida só beneficiou quem vinha atrás dele (em especial Schumacher, que vinha em sétimo sem qualquer potencial para melhorar), o Alonso já estava na liderança desde a volta 34.

          Mas enfim, se Alonso é apenas o #5 entre os pilotos atuais, que argumentos você teria para colocar nada menos que quatro pilotos à frente dele? Há no grid quatro pilotos que tenham repetidas vezes mostrado excelentes performances com carros abaixo da média? Há quatro pilotos cuja única derrota para um companheiro de equipe no currículo seja um empate técnico? Eu desconheço. E duvido muito que ele consiga “enganar” tantos profissionais da F1, que em grande parte o consideram o melhor piloto da atualidade.

        • admin disse:

          Realmente, fiquei curiosíssimo para saber quem seria os QUATRO pilotos atuais que sejam melhores que Alonso. Na minha visão, somente dois – Vettel e Hamilton – estão em nível muito próximo ao dele (mas, ainda assim, um pouco abaixo).

          Marcel Pilatti

        • Lucas disse:

          E olhe lá. O parâmetro que temos pra considerar Hamilton próximo do Alonso é 2007, em que de fato ele teve uma estréia impressionante. Mas antes de pegar a imbatível Mercedes desse ano, ele passou quatro anos seguidos terminando atrás do Alonso mesmo contando com um carro no mínimo tão bom quanto o dele (às vezes bem melhor). E o Vettel, se já era questionado quando ganhava tudo, hoje está dando razão aos críticos…

  3. Ronaldo disse:

    A coluna mais lúcida do ano. Os questionamentos sobre a qualidade da pilotagem dos citados realmente tem sido questionada de forma cruel e sem parâmetro, e um piloto profissional certamente merece uma análise que não seja 100% subjetiva. Tenho certeza que, embora o resultado dos parceiros esteja sendo melhor, Kimi, Vettel e Massa estão entregando as encomendas de seus empregadores, e isso é mais que suficiente. Bottas é melhor? E se for? Quer dizer que tomar pau do companheiro de equipe é motivo de aposentadoria compulsória? Larga o cara, esquece que ele existe. Não preciso de Felipe Massa pra gostar de F1, e eventualidades não turvam minha visão para o grande piloto que é. É tão bom quanto ele próprio acredita? Acho que não. Tão ruim quanto dizem que é? Tenho certeza absoluta que não.
    É público que Alonso não permite compartilhamento de dados na Scuderia. Tendo participado de todas as etapas no desenvolvimento tem uma vantagem claríssima. Só saberemos de Kimi em 2015. Sempre foi um cara muito rápido, mas seu desempenho sempre foi dependente da participação na evolução do bólido; a Lotus é o melhor exemplo disso. E aposto com quem quiser: dentro da Ferrari vai dar Finlândia na cabeça ano que vem.

  4. Fernando Marques disse:

    Antes de mais nada quero parabenizar o Lucas Giovani pela coluna O Tri do Lauda. Simplesmente show de bola.
    Agora vou discordar um pouco do Chiesa.
    Em relação ao Massa. O Bottas está sendo mais rápido e o Massa para piorar não ultrapassa ninguém nas corridas. A falta de atitude do brasileiro nas corridas chega a demonstrar até covardia ao contrário do Bottas. Massa perde o duelo interno na Willians por que simples o filandes é melhor.
    No caso do Raikkonen acho que esperava-se mais dele em termos de desempenho na Ferrari. Me parece até inferior ao Massa quando estava lá. Acho que uma má adaptação aos carros de 2014 não possa ser o único motivo do baixo rendimento.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Mauro Santana disse:

      Concordo contigo Fernando, e digo mais, ele, Massa, á tempos tem falado muito e em muitas maneiras de uma arrogância altíssima, e feito muito pouco na pista.

      Aí, é óbvio que a critica vem em peso mesmo.

      Mauro Santana
      Curitiba-PR

    • Carlos Chiesa disse:

      Não estou discutindo quem é melhor, Massa ou Bottas. Estou apontando para o fato de que o Massa, mesmo não correspondendo às expectativas de certa parte do público, está longe de ser um incompetente.

      • Fernando Marques disse:

        Chiesa,

        eu penso que em termos de atitudes, principalmente dentro das pistas, o Felipe Massa está sendo incompetente sim. Não é uma questão dele ser braço duro, certamente ele pilota muita coisa. Nos treinos ele vai bem, mas nas corridas, tirando o fato de sempre largar bem, estamos tendo vários exemplos ruins de pilotagem. Fora da pista é o que disse o Mauro, está falando mais do que faz nas pistas …

        Fernando Marques

        • Carlos Chiesa disse:

          Poie é, não estou discutindo a parte ruim. Estou observando que, entre os que estão indo mal, ele não está tão mal assim.

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