Giro Europeu, etapa 1!

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A "temporada européia" começa em Valência. É a porta de entrada para circuitos clássicos, horários "tradicionais", grandes emoções.

A temporada européia continua depois do passeio canadense. Nada melhor que esse giro pela Europa que dura até setembro. Circuitos clássicos, horários “tradicionais”, grandes emoções. Isso tudo acontece de verdade, acredite, menos em Valência.

Chegamos ao traçado de rua do Grande Prêmio da Europa de 2012 sem nenhuma convicção que a corrida será um espetáculo. Mas vamos ver essa prova com atenção, é o último GP da Europa, ano que vem não tem mais essa corrida, com esse nome ao menos. Os mais atentos a F1 coçam a cabeça e se perguntam “Por que não a corrida no Ricardo Tormo ali do ladinho?”. Sim, ele mesmo que recebe MotoGP, WTCC, DTM. Mas a explicação sempre volta para a mente criativa e inventiva de Sir Bernie Ecclestone, e aí ninguém dúvida da habilidade do baixinho para ganhar dinheiro. Não fique chateado, nem se lamente, o GP da Europa sempre foi moeda de troca para patrocinadores e favores políticos/financeiros. Durante os anos de ouro de Schumacher aconteceu por 9 anos em Nürburgring (aquele mutilado, curtinho). Aí pintou o grande piloto Alonso, espanhol de carteirinha e o grande parceiro Santander que gentilmente empresta seu nome para 4 provas no campeonato, nada mais justo que uma corridinha extra na Espanha, certo?

Nem tudo é pessimismo, ou má notícia. Já em 2013 acontecerá um revezamento entre Valência e Barcelona, sob o nome de GP da Espanha. A crise na Europa não permite mais as gracinhas de manter dois eventos carríssimos assim.

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O Grande Premio da Europa já passeou por 5 circuitos diferentes desde que passou a denominar um evento específico. Antigamente (pré-1977) era só dado o nome para uma corrida já existente. Em 1983 a história começou em Brands Hatch com a vitória de Piquet e a sua Brabham-BMW, depois tivemos Prost e a McLaren-TAG vencendo a corrida de 84 em Nürburgring e 85 teve Mansell vencedor com a Williams-Honda em Brands Hatch. Depois de 3 corridas, tudo cancelado e o GP da Europa volta somente em 1993.

httpv://www.youtube.com/watch?v=O5G0waDXd-8

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Ganha um brinde quem lembrar qual corrida marcou a volta do GP da Europa ao calendário!

Isso mesmo, em 1993, Donington Park, aquela corrida, dita por muitos como a grande corrida de todos os tempos. Nem ouso falar alguma coisa sobre essa corrida. Tudo já foi dito. E o texto definitivo é de Marcel Pillati, aqui ele descreve O filme de 93, a história de uma temporada incrível, não só de uma corrida!

Pós-1993, tivemos Jerez (1994 e 1997) fazendo sanduíche nas provas de Nürburgring em 1995 e 1996, antes de começar o desfile pelo circuito alemão que foi de 1999 até 2007. Para variar o multi-campeão dessa prova é o senhor Schumacher, com 6 canecos na prateleira de casa. Alonso, Vettel e Barrichello somam duas taças cada um. Não é nada, não é nada, mas só Schumacher e Barrichello venceram o GP da Europa em dois circuitos diferentes. Bem, não significa nada mesmo.

O atual circuito de rua de Valência usado para essa corrida é desenhado pelo aclamado Hermann Tilke. A receita é a mesma de sempre, retas grandes (aqui disfarçadas por variações leves de direção), freadas fortes ao final de cada trecho de maior velocidade e a cereja do bolo, algumas curvas de baixa velocidade. Tilke teve trabalho para revitalizar a área das docas de Valência e retribuiu toda a confiança depositada nele com a maior quantidade de curvas da F1 atual: 25.

httpv://youtu.be/Oc6ZoxEkufk

Esse samba de curvas precisa de uma atenção especial na tração dos carros. Por dois motivos: tracionar mal em uma curva prejudica a velocidade carregada para as próximas e, lógico, os pneus! A Pirelli trás para a prova os pneus macios e médios (amarelos e brancos), uma combinação mais “dura” que a usada no Mônaco e Canada. Essa opção foi a escolhida por conta da velocidade média superior em Valência em relação as outras duas pistas. A pista não é muito abrasiva, mas o consumo de pneus é muito elevado nas primeiras sessões por conta da sujeira no traçado.

Com essas características, fica clara a importância de uma classificação muito bem feita. Posição de largada é fundamental para um resultado decente. Quem conseguir guardar um jogo de pneus também pode ter vantagem, já que o pitlane é muito curto e vai permitir variações de estratégia devido ao pouco tempo gasto para trocas. Não vamos nos espantar se chegarmos no Q3 com alguns carros, novamente, sem sair dos boxes.

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Esse fim-de-semana também fique ligado na Nascar. Nosso Bandeirante, Miguel Paludo, estréia na Nationwide Series no belo circuito de Road América. Não dá pra esperar milagre, mas uma prova sólida é fundamental para as pretensões da carreira do Paludo.

Se a FOX Sports fizer novamente a piada de mau gosto de não transmitir a prova ao vivo para passar VT de campeonato de pebolim, se ligue nos site da Nascar, no site do Paludo e no Twitter dele. É possível ter uma cobertura interessante.

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Será que teremos o oitavo vencedor esse ano? A Turma da Pirelli acha que a Mercedes vem forte e Schumacher é candidato, principalmente pelo que mostrou em Mônaco. Mas antes de pensar em vitória a Mercedes de Michael tem que pensar em chegar no final das corridas, já são 5 abandonos em 7 provas, com somente dois míseros pontinhos. Massa progrediu muito e com um pouco de sorte também pode surpreender. Ainda há chance para a Lotus, chance que tem que ser aproveitada logo porque vai diminuindo o fôlego de desenvolvimento do bólido da equipe. A Sauber de Perez merece também sorte melhor nas corridas, mas não acredito em uma vitória aqui. Será que vem surpresa aí também?

A corrida parece não ser a mais estimulante do ano, mas o campeonato está incrível. São 9 pontos separando os 4 primeiros colocados. Um vitória de Nico Rosberg e acidentes dos 4 da frente o leva a liderança. A disputa pelo campeonato, apesar de estar se afunilando e, acreditem, não contarmos com os 7 vencedores das corridas passadas no páreo, ainda deixa muitas portas abertas para novidades. Esse giro pela Europa vai nos dar a resposta de como será o restante do campeonato!

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Informações da Pista

GP da EuropaCircuito: Valencia Street Circuit
Voltas: 57
Comprimento: 5.419 km
Distância: 308.883 km
Recorde da Pista:
1:38.683 – T Glock (2009)

Programação

Sexta-Feira
5h – 1º treino livre
9h – 2º treino livre

Sábado
6h – 3º treino livre
9h – Classificação

Domingo
9h – Corrida

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Não é por nada não, mas vale a pena acordar mais cedo para ver a nova cobertura da Globo. Esses 20 minutos adicionais ficaram interessantes, pra quem gosta de corrida é um prato cheio. Pode não ser o ideal, mas só continuará a existir (e até expandir e melhorar) se tiver a audiência. “A gente” reclamava tanto e agora que tem algo, vamos ver, certo?

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A nossa página no Facebook passou dos 200 amigos.  Confere lá, todo dia tem uma nota da história do automobilismo. Muito obrigado a todos vocês.

Bom fim de semana e boa corrida!

Abraços
Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

3 Comentários

  1. Fabiano Bastos disse:

    Corrida encerrada a conta é a seguinte:
    – Vettel, não está com sorte de campeão;
    – Kobayashi, promovido a vilão no Brasil;
    – Massa se reencontrou, mas sua sorte ainda está perdida por aí;
    – Alonso deve estar pensando em levar o Hamilton para a Ferrari ( vai ser bom escudeiro assim lá em Maranello );
    – Kimi passou de homem de gelo a picolé de xuxu.
    Saldo: Alonso 20 pontos na frente com a faca e o queijo na mão para ser campeão!

  2. Fernando Marques disse:

    Vou apostar no trivial. Um dos 3 lideres do Mundial vence a corrida.Acredito mais na vitoria do Vettel.
    Não acredito em zebras em Valencia.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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