Marc Márquez, o humilhante

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Na volta das três semanas de férias da MotoGP o acontecimento principal não foi a sexta vitória de Marc Márquez no GP da Rep. Tcheca, em Brno, que deu ao espanhol gordíssimos 63 pontos de vantagem à frente de seu primeiro perseguidor, o piloto da Ducati Andrea Dovizioso.

Márquez vencer não é mais notícia: já ganhou seis dos dez GPs até agora disputados nesta temporada, foi segundo em outro três e caiu em um deles (quando era líder…). O título já está no bolso mesmo faltando nove etapas. Para mim, notícia mesmo foi o HUMILHANTE tempo de volta realizado nos minutos finais do Q2 em Brno, momento no qual os doze mais rápidos nos treinos anteriores decidiriam quem pegaria a pole-position.

MM ser o mais rápido não é nenhuma grande novidade. Fez seis poles este ano e é recordista na arte de sair da 1ª posição no grid, igualando (justamente em Brno) o recorde de 58º poles de Mick Doohan. O que espantou foi Márquezregistrar um tempo quase dois segundos e meio mais rápido do que o segundo colocado… Sim, você leu bem e eu escrevi certo, foram exatamente 2”452 de vantagem.

No esporte a motor de alto nível, MotoGP, F1 ou o que seja, um segundo é uma “missa” de vantagem. Aliás, meio segundo já é. A diferença que separa pole do segundo colocado é, frequentemente, coisa de centésimos, ou milésimos. E o cara vai lá e mete 2,5 segundos no primeiro dos outros? É demais…

Márquez é um ET, um monstro que atingiu um nível de pilotagem que (usarei o vocábulo mais uma vez…) HUMILHA seus rivais. A história desta pole então é antológica e, sem pesquisar, aposto que nunca antes na história do Mundial de Motovelocidade houve uma vantagem tão grande entre 1º e 2º colocado no grid.

O que fez Márquez em Brno? Saiu com pneus slick no finzinho do treino. Havia parado de chover e a pista estava “mezzo a mezzo”, na verdade mais para o mezzo molhado que para o mezzo seco. Quem anda de moto sabe que essa condição incerta é o pior dos mundos quando o assunto é acelerar pra valer. O risco é grande e por mais que as motos atualmente tenham sistemas eletrônicos aos baldes as leis da física não foram revogadas e nem atenuadas.

Quanto aos pneus, cada vez mais fantásticos, o mesmo: o composto da borracha, pois mais mágico que seja, é liso num pneu slick. Assim, o cruel “filme” de água, que é quebrado pelas ranhuras dos pneus de chuva, permanece íntegro quando “pisado” pela superfície lisinha dos slick. Aí entrou a mágica de Marc Márquez, um cara que desenvolveu um sistema de tocada baseado na ousadia absoluta associada a uma autoconfiança brutal.

Imaginem só se um cara com 58 pontos de vantagem no campeonato (cada vitória vale 25) precisa largar da pole, arriscando jogar no lixo esta vantagem toda se acaso a moto catapultá-lo. Risco besta, insano, que só mesmo um Márquez pleno de talento e autoconfiança, no auge de sua forma (que pode durar ainda muitos anos…) é capaz de assumir.

Fosse eu o chefe de equipe do HRC  o encheria de bordoada depois da inconsequente exibição de superioridade no treino final em Brno. Para sorte de Márquez, em vez de um italiano esquentando quem manda no time é um japonês controlado, capaz de engolir em seco e respirar fundo ante a chance potencial de jogar para o alto uma enorme vantagem capaz de dar  mais um título mundial para a Honda.

O que se viu na classificação em  Brno é fora da norma pois Márquez é fora da norma. Ele é o novo Rossi, o novo Doohan, o novo Rainey, o novo Agostini e, se nada atrapalhar, baterá todos os recordes da categoria. Contra essa óbvia profecia só há um fator: Marc Márquez é mais exagerado do que os dominadores que o antecederam, e pode ser traído por sua exuberância.

P.S.: Jack Miller, o australiano 2º colocado no grid de Brno, também optou pelos slicks para cravar seu tempo 2,5 segundos atrás de Márquez. Quando insistiu em diminuir a diferença, caiu. Sobre as motos: a Honda de MM não é uma máquina superior à Ducati. Se , está no mesmo nível. Na verdade acho que um tantinho abaixo pois com a Ducati muitos conseguem ser rápidos. Com a Honda, só MM…

Roberto Agresti
Roberto Agresti
"Rato" de Interlagos que, com sorte (e expediente), visitou profissionalmente Hockenheim, Mônaco, Monza, Suzuka e outras. Sempre com uma câmera na mão e uma caneta na outra.

2 Comentários

  1. Fernando Marques disse:

    Roberto,

    as atuações do Marc Marquez são mesmo de humilhar seus adversários.
    Imagina ele, se na moto GP, tivesse tipo uma Mercedes do Hamilton … seria uma covardia sem tamanho

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  2. Gus disse:

    Marc Marquez têm o dom de transformar TODO o resto do grid naquele teu cunhado lento, que não se interessa por esporte a motor, que tu surras impiedosamente volta e meia no kart de aluguel – rsrsrsrsrsrsr

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